Segunda-feira, dia 29 de Março de 2010
2a-FEIRA DA SEMANA SANTA
2ª feira da Semana Santa
Santo Eustáquio (ou Eustásio), monge, +629, S. José de Arimateia, séc. I
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Guilherme Saint-Thierry : «A casa encheu-se com a fragrância do perfume»
Leituras
Is. 42,1-7.
«Eis o meu servo, que Eu amparo, o meu eleito, que Eu preferi. Fiz repousar
sobre ele o meu espírito, para que leve às nações a verdadeira justiça.
Ele não gritará, não levantará a voz, não clamará nas ruas.
Não quebrará a cana rachada, não apagará a mecha que ainda fumega.
Anunciará com toda a fidelidade a verdadeira justiça.
Não desanimará, nem desfalecerá, até estabelecer na terra o direito, as
leis que os povos das ilhas esperam dele.
Eis o que diz o SENHOR Deus, que criou os céus e os estendeu, que
consolidou a terra com a sua vegetação, que deu vida aos seus habitantes, e
o alento aos que andam por ela.
Eu, o SENHOR, chamei-te por causa da justiça, segurei-te pela mão;
formei-te e designei-te como aliança de um povo e luz das nações;
para abrires os olhos aos cegos, para tirares do cárcere os prisioneiros, e
da prisão, os que vivem nas trevas.
Salmos 27,1.2.3.13-14.
O SENHOR é minha luz e salvação: de quem terei medo? O SENHOR é o baluarte
da minha vida: quem me assustará?
Quando os malvados avançam contra mim, para me devorar, são eles, meus
opressores e inimigos, que resvalam e caem.
Ainda que um exército me cerque, o meu coração não temerá. Mesmo que me
declarem a guerra, ainda assim terei confiança.
Creio, firmemente, vir a contemplar a bondade do SENHOR, na terra dos
vivos.
Confia no SENHOR! Sê forte e corajoso, e confia no SENHOR!
João 12,1-11.
Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi a Betânia, onde vivia Lázaro, que Ele
tinha ressuscitado dos mortos.
Ofereceram-lhe lá um jantar. Marta servia e Lázaro era um dos que estavam
com Ele à mesa.
Então, Maria ungiu os pés de Jesus com uma libra de perfume de nardo puro,
de alto preço, e enxugou-lhos com os seus cabelos. A casa encheu-se com a
fragrância do perfume.
Nessa altura disse um dos discípulos, Judas Iscariotes, aquele que havia de
o entregar:
«Porque é que não se vendeu este perfume por trezentos denários, para os
dar aos pobres?»
Ele, porém, disse isto, não porque se preocupasse com os pobres, mas porque
era ladrão e, como tinha a bolsa do dinheiro, tirava o que nela se deitava.
Então, Jesus disse: «Deixa que ela o tenha guardado para o dia da minha
sepultura!
De facto, os pobres sempre os tendes convosco, mas a mim não me tendes
sempre.»
Um grande número de judeus, ao saber que Ele estava ali, vieram, não só por
causa de Jesus, mas também para verem Lázaro, que Ele tinha ressuscitado
dos mortos.
Os sumos sacerdotes decidiram dar a morte também a Lázaro,
porque muitos judeus, por causa dele, os abandonavam e passavam a crer em
Jesus.
Da Bíblia Sagrada
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Guilherme Saint-Thierry (c. 1085-1148), monge beneditino depois cisterciense
Orações para meditar, n°5 (a partir da trad. O.E.I.L. 1985, p. 84 em Bourguet, L'Évangile médité, p. 198 rev.)
«A casa encheu-se com a fragrância do perfume»
Desde a minha infância, não parei de pecar, e Tu não cessaste de me fazer
bem. [...] Contudo, Senhor, que o Teu julgamento se transforme em
misericórdia. Toma a ocasião do pecado para condenar o pecado. [...] Que o
meu coração seja digno do fogo do Teu perfeito amor, que o Seu calor
intenso faça sair de mim e consuma todo o veneno do pecado! Que ponha a nu
e afogue nas lágrimas dos meus olhos toda a infecção da minha consciência.
Que a Tua cruz crucifique tudo o que a concupiscência da carne, a
concupiscência dos olhos e o orgulho da vida corromperam devido à minha
longa negligência.
Senhor, quem o desejar pode ouvir-me e desprezar a minha confissão: que me
olhe prostrado como a pecadora aos pés da Tua misericórdia, banhando-os com
as lágrimas do meu coração, vertendo sobre eles o perfume de uma terna
devoção (Lc 7, 38). Que todos os meus recursos, por mais pobres que sejam,
de corpo e alma, sejam usados para comprar este perfume que Te agrada.
Espalhá-lo-ei sobre a Tua cabeça, sobre Ti cuja cabeça é Deus; e sobre os
Teus pés, sobre Ti cuja ponta é a nossa natureza fraca. Ainda que o fariseu
murmure, Tu, meu Deus, tem piedade de mim! Ainda que o ladrão aperte os
cordões da bolsa rangendo os dentes, desde que eu Te agrade, pouco me
importa incomodar seja quem for.
Ó amor do meu coração, que em cada dia eu verta sem parar este perfume,
porque espalhando-o sobre Ti, espalho-o também sobre mim. [...] Concede-me
o dom de Te entregar lealmente tudo o que tenho, tudo o que sei, tudo o que
sou, tudo o que posso! Que fique sem nada! Estou aos pés da Tua
misericórdia, aonde permanecerei, aonde chorarei, até que me faças escutar
a Tua suave voz, o julgamento da Tua boca, a sentença da Tua e da minha
justiça: «São-lhe perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou» (Lc
7, 47).
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domingo, 28 de março de 2010
Profecia do Dia
sábado, 27 de março de 2010
Profecia do Dia
Domingo, dia 28 de Março de 2010
DOMINGO DE RAMOS E DA PAIXÃO DO SENHOR
Domingo de Ramos (semana II do saltério)
Santa Gisela, rainha, abadessa, +1065, S. Sisto III, papa, +440
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Proclo de Constantinopla : «Bendito Aquele que vem, o nosso Rei»
Leituras
Is. 50,4-7.
«O Senhor DEUS ensinou-me o que devo dizer, para saber dar palavras de
alento aos desanimados. Cada manhã desperta os meus ouvidos, para que eu
aprenda como os discípulos.
O Senhor DEUS abriu-me os ouvidos, e eu não resisti, nem recusei.
Aos que me batiam apresentei as espáduas, e a face aos que me arrancavam a
barba; não desviei o meu rosto dos que me ultrajavam e cuspiam.
Mas o Senhor DEUS veio em meu auxílio; por isso não sentia os ultrajes.
Endureci o meu rosto como uma pedra, pois sabia que não ficaria
envergonhado.
Salmos 22(21),8-9.17-18.19-20.23-24.
Todos os que me vêem escarnecem de mim; estendem os lábios e abanam a
cabeça.
"Confiou no SENHOR, Ele que o livre; Ele que o salve, já que é seu amigo."
Estou rodeado por matilhas de cães, envolvido por um bando de malfeitores;
trespassaram as minhas mãos e os meus pés:
posso contar todos os meus ossos. Eles olham para mim cheios de espanto!
Repartem entre si as minhas vestes e sorteiam a minha túnica.
Mas Tu, SENHOR, não te afastes de mim! És o meu auxílio: vem socorrer me
depressa!
Então anunciarei o teu nome aos meus irmãos e te louvarei no meio da
assembleia.
Vós, que temeis o SENHOR, louvai o! Glorificai o, descendentes de Jacob!
Reverenciai o, descendentes de Israel!
Filip. 2,6-11.
Ele, que é de condição divina, não considerou como uma usurpação ser igual
a Deus;
no entanto, esvaziou-se a si mesmo, tomando a condição de servo.
Tornando-se semelhante aos homens e sendo, ao manifestar-se, identificado
como homem,
rebaixou-se a si mesmo, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.
Por isso mesmo é que Deus o elevou acima de tudo e lhe concedeu o nome que
está acima de todo o nome,
para que, ao nome de Jesus, se dobrem todos os joelhos, os dos seres que
estão no céu, na terra e debaixo da terra;
e toda a língua proclame: "Jesus Cristo é o Senhor!", para glória de Deus
Pai.
Lucas 22,14-71.23,1-56.
Quando chegou a hora, pôs-se à mesa e os Apóstolos com Ele.
Disse-lhes: «Tenho ardentemente desejado comer esta Páscoa convosco, antes
de padecer,
pois digo-vos que já não a voltarei a comer até ela ter pleno cumprimento
no Reino de Deus.»
Tomando uma taça, deu graças e disse: «Tomai e reparti entre vós,
pois digo-vos que não tornarei a beber do fruto da videira, até chegar o
Reino de Deus.»
Tomou, então, o pão e, depois de dar graças, partiu-o e distribuiu-o por
eles, dizendo: «Isto é o meu corpo, que vai ser entregue por vós; fazei
isto em minha memória.»
Depois da ceia, fez o mesmo com o cálice, dizendo: «Este cálice é a nova
Aliança no meu sangue, que vai ser derramado por vós.»
«No entanto, vede: a mão daquele que me vai entregar está comigo à mesa!
O Filho do Homem segue o seu caminho, como está determinado; mas ai daquele
por meio de quem vai ser entregue!»
Começaram a perguntar uns aos outros qual deles iria fazer semelhante
coisa.
Levantou-se entre eles uma discussão sobre qual deles devia ser considerado
o maior.
Jesus disse-lhes: «Os reis das nações imperam sobre elas e os que nelas
exercem a autoridade são chamados benfeitores.
Convosco, não deve ser assim; o que fôr maior entre vós seja como o menor,
e aquele que mandar, como aquele que serve.
Pois, quem é maior: o que está sentado à mesa, ou o que serve? Não é o que
está sentado à mesa? Ora, Eu estou no meio de vós como aquele que serve.
Vós sois os que permaneceram sempre junto de mim nas minhas provações,
e Eu disponho do Reino a vosso favor, como meu Pai dispõe dele a meu favor,
a fim de que comais e bebais à minha mesa, no meu Reino. E haveis de
sentar-vos, em tronos, para julgar as doze tribos de Israel.»
E o Senhor disse: «Simão, Simão, olha que Satanás pediu para vos joeirar
como trigo.
Mas Eu roguei por ti, para que a tua fé não desapareça. E tu, uma vez
convertido, fortalece os teus irmãos.»
Ele respondeu-lhe: «Senhor, estou pronto a ir contigo até para a prisão e
para a morte.»
Jesus disse-lhe: «Eu te digo, Pedro: o galo não cantará hoje sem que, por
três vezes, tenhas negado conhecer-me.»
Depois, acrescentou: «Quando vos enviei sem bolsa, nem alforge, nem
sandálias, faltou-vos alguma coisa?» Eles responderam: «Nada.»
E Ele acrescentou: «Mas agora, quem tem uma bolsa que a tome, assim como o
alforge, e quem não tem espada venda a capa e compre uma.
Porque, digo-vo-lo Eu, deve cumprir-se em mim esta palavra da Escritura:
Foi contado entre os malfeitores. Efectivamente, o que me diz respeito
chega ao seu termo.»
Disseram-lhe eles: «Senhor, aqui estão duas espadas.» Mas Ele
respondeu-lhes: «Basta!»
Saiu então e foi, como de costume, para o Monte das Oliveiras. E os
discípulos seguiram também com Ele.
Quando chegou ao local, disse-lhes: «Orai, para que não entreis em
tentação.»
Depois afastou-se deles, à distância de um tiro de pedra, aproximadamente;
e, pondo-se de joelhos, começou a orar, dizendo:
«Pai, se quiseres, afasta de mim este cálice; contudo, não se faça a minha
vontade, mas a tua.»
Então, vindo do Céu, apareceu-lhe um anjo que o confortava.
Cheio de angústia, pôs-se a orar mais instantemente, e o suor tornou-se-lhe
como grossas gotas de sangue, que caíam na terra.
Depois de orar, levantou-se e foi ter com os discípulos, encontrando-os a
dormir, devido à tristeza.
Disse-lhes: «Porque dormis? Levantai-vos e orai, para que não entreis em
tentação.»
Ainda Ele estava a falar quando surgiu uma multidão de gente. Um dos Doze,
o chamado Judas, caminhava à frente e aproximou-se de Jesus para o beijar.
Jesus disse-lhe: «Judas, é com um beijo que entregas o Filho do Homem?»
Vendo o que ia suceder, aqueles que o cercavam perguntaram-lhe: «Senhor,
ferimo-los à espada?»
E um deles feriu um servo do Sumo Sacerdote, cortando-lhe a orelha direita.
Mas Jesus interveio, dizendo: «Basta, deixai-os.» E, tocando na orelha do
servo, curou-o.
Depois, disse aos que tinham vindo contra Ele, aos sumos sacerdotes, aos
oficiais do templo e aos anciãos: «Vós saístes com espadas e varapaus, como
se fôsseis ao encontro de um salteador!
Estando Eu todos os dias convosco no templo, não me deitastes as mãos; mas
esta é a vossa hora e o domínio das trevas.»
Apoderando-se, então, de Jesus, levaram-no e introduziram-no em casa do
Sumo Sacerdote. Pedro seguia de longe.
Tendo acendido uma fogueira no meio do pátio, sentaram-se e Pedro sentou-se
no meio deles.
Ora, uma criada, ao vê-lo sentado ao lume, fitandoo, disse: «Este também
estava com Ele.»
Mas Pedro negou-o, dizendo: «Não o conheço, mulher.»
Pouco depois, disse outro, ao vê-lo: «Tu também és dos tais.» Mas Pedro
disse: «Homem, não sou.»
Cerca de uma hora mais tarde, um outro afirmou com insistência: «Com
certeza este estava com Ele; além disso, é galileu.»
Pedro respondeu: «Homem, não sei o que dizes.» E, no mesmo instante,
estando ele ainda a falar, cantou um galo.
Voltando-se, o Senhor fixou os olhos em Pedro; e Pedro recordou-se da
palavra do Senhor, quando lhe disse: «Hoje, antes de o galo cantar, irás
negar-me três vezes.»
E, vindo para fora, chorou amargamente.
Entretanto, os que guardavam Jesus troçavam dele e maltratavam-no.
Cobriam-lhe o rosto e perguntavam-lhe: «Adivinha! Quem te bateu?»
E proferiam muitos outros insultos contra Ele.
Quando amanheceu, reuniu-se o Conselho dos anciãos do povo, sumos
sacerdotes e doutores da Lei, que o levaram ao seu tribunal.
Disseram-lhe: «Declara-nos se Tu és o Messias.» Ele respondeu-lhes: «Se
vo-lo disser, não me acreditareis
e, se vos perguntar, não respondereis.
Mas doravante, o Filho do Homem vai sentar-se à direita de Deus
todo-poderoso.»
Disseram todos: «Tu és, então, o Filho de Deus?» Ele respondeu-lhes: «Vós o
dizeis; Eu sou.»
Então, exclamaram: «Que necessidade temos já de testemunhas? Nós próprios o
ouvimos da sua boca.»
Levantando-se todos, levaram-no a Pilatos
e começaram a acusá-lo, nestes termos: «Encontrámos este homem a sublevar o
povo, a impedir que se pagasse tributo a César e a dizer-se Ele próprio o
Messias Rei.»
Pilatos interrogou-o: «Tu és o rei dos judeus?» Jesus respondeu: «Tu o
dizes.»
Pilatos disse, então, aos sumos sacerdotes e à multidão: «Nada encontro de
culpável neste homem.»
Mas eles insistiram, dizendo: «Ele amotina o povo, ensinando por toda a
Judeia, desde a Galileia até aqui.»
Ao ouvir isto, Pilatos perguntou-se o homem era galileu;
e, ao saber que era da jurisdição de Herodes, enviou-o a Herodes, que
também se encontrava em Jerusalém nesses dias.
Ao ver Jesus, Herodes ficou extremamente satisfeito, pois havia bastante
tempo que o queria ver, devido ao que ouvia dizer dele, esperando que
fizesse algum milagre na sua presença.
Fez-lhe muitas perguntas, mas Ele nada respondeu.
Os sumos sacerdotes e os doutores da Lei, que lá estavam, acusavam-no com
veemência.
Herodes, com os seus oficiais, tratou-o com desprezo e, por troça, mandou-o
cobrir com uma capa vistosa, enviando-o de novo a Pilatos.
Nesse dia, Herodes e Pilatos ficaram amigos, pois eram inimigos um do
outro.
Pilatos convocou os sumos sacerdotes, os chefes e o povo,
e disse-lhes: «Trouxestes este homem à minha presença como se andasse a
revoltar o povo. Interroguei-o diante de vós e não encontrei nele nenhum
dos crimes de que o acusais.
Herodes tão pouco, visto que no-lo mandou de novo. Como vedes, Ele nada
praticou que mereça a morte.
Vou, portanto, libertá-lo, depois de o castigar.»
Ora, em cada festa, Pilatos era obrigado a soltar-lhes um preso.
E todos se puseram a gritar: «A esse mata-o e solta-nos Barrabás!»
Este último fora metido na prisão por causa de uma insurreição desencadeada
na cidade, e por homicídio.
De novo, Pilatos dirigiu-lhes a palavra, querendo libertar Jesus.
Mas eles gritavam: «Crucifica-o! Crucifica-o!»
Pilatos disse-lhes pela terceira vez: «Que mal fez Ele, então? Nada
encontrei nele que mereça a morte. Por isso, vou libertá-lo, depois de o
castigar.»
Mas eles insistiam em altos brados, pedindo que fosse crucificado, e os
seus clamores aumentavam de violência.
Então, Pilatos decidiu que se fizesse o que eles pediam.
Libertou o que fora preso por sedição e homicídio, que eles reclamavam, e
entregou-lhes Jesus para o que eles queriam.
Quando o iam conduzindo, lançaram mão de um certo Simão de Cirene, que
voltava do campo, e carregaram-no com a cruz, para a levar atrás de Jesus.
Seguiam Jesus uma grande multidão de povo e umas mulheres que batiam no
peito e se lamentavam por Ele.
Jesus voltou-se para elas e disse-lhes: «Filhas de Jerusalém, não choreis
por mim, chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos;
pois virão dias em que se dirá: 'Felizes as estéreis, os ventres que não
geraram e os peitos que não amamentaram.'
Hão-de, então, dizer aos montes: 'Caí sobre nós!' E às colinas:
'Cobri-nos!'
Porque, se tratam assim a árvore verde, o que não acontecerá à seca?»
E levavam também dois malfeitores, para serem executados com Ele.
Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, crucificaram-no a Ele e aos
malfeitores, um à direita e outro à esquerda.
Jesus dizia: «Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem.» Depois,
deitaram sortes para dividirem entre si as suas vestes.
O povo permanecia ali, a observar; e os chefes zombavam, dizendo: «Salvou
os outros; salve-se a si mesmo, se é o Messias de Deus, o Eleito.»
Os soldados também troçavam dele. Aproximando-se para lhe oferecerem
vinagre,
diziam: «Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo!»
E por cima dele havia uma inscrição: «Este é o rei dos judeus.»
Ora, um dos malfeitores que tinham sido crucificados insultava-o, dizendo:
«Não és Tu o Messias? Salva-te a ti mesmo e a nós também.»
Mas o outro, tomando a palavra, repreendeu-o: «Nem sequer temes a Deus, tu
que sofres o mesmo suplício?
Quanto a nós, fez-se justiça, pois recebemos o castigo que as nossas acções
mereciam; mas Ele nada praticou de condenável.»
E acrescentou: «Jesus, lembra-te de mim, quando estiveres no teu Reino.»
Ele respondeu-lhe: «Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso.»
Por volta do meio-dia, as trevas cobriram toda a região até às três horas
da tarde.
O Sol tinha-se eclipsado e o véu do templo rasgou-se ao meio.
Dando um forte grito, Jesus exclamou: «Pai, nas tuas mãos entrego o meu
espírito.» Dito isto, expirou.
Ao ver o que se passava, o centurião deu glória a Deus, dizendo:
«Verdadeiramente, este homem era justo!»
E toda a multidão que se tinha aglomerado para este espectáculo, vendo o
que acontecera, regressava batendo no peito.
Todos os seus conhecidos e as mulheres que o tinham acompanhado desde a
Galileia mantinham-se à distância, observando estas coisas.
Um membro do Conselho, chamado José, homem recto e justo,
não tinha concordado com a decisão nem com o procedimento dos outros. Era
natural de Arimateia, cidade da Judeia, e esperava o Reino de Deus.
Foi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus.
Descendo-o da cruz, envolveu-o num lençol e depositou-o num sepulcro
talhado na rocha, onde ainda ninguém tinha sido sepultado.
Era o dia da Preparação e já começava o sábado.
Entretanto, as mulheres que tinham vindo com Ele da Galileia acompanharam
José, observaram o túmulo e viram como o corpo de Jesus fora depositado.
Ao regressar, prepararam aromas e perfumes; e, durante o sábado, observaram
o descanso, conforme o preceito.
Da Bíblia Sagrada
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Proclo de Constantinopla (c. 390-446), bispo
Sermão 9, para o Dia de Ramos; PG 65, 772 (a patir da trad. Brésard, 2000 anos, ano C, p. 108)
«Bendito Aquele que vem, o nosso Rei»
O dia de hoje, meus bem-amados, é da maior importância. É um dia que nos
solicita um grande desejo, uma pressa imensa, um alento vivo, para nos
conduzir ao encontro do Rei dos Céus. Paulo, o mensageiro da Boa Nova,
dizia-nos: «O Senhor está perto. Não vos inquieteis» (Fil 4, 5-6). [...]
Acendamos, pois, as lamparinas da fé; à semelhança das cinco
virgens sensatas (Mt 25, 1ss.), enchamo-las do óleo da misericórdia para
com os pobres; acolhamos a Cristo bem despertos, e cantemos-Lhe com as
palmas da justiça na mão. Beijemo-Lo, derramando sobre Ele o perfume de
Maria (Jo 12, 3). Oiçamos o cântico da ressurreição: que as nossas vozes se
elevem, dignas da majestade divina, e brademos com o povo, soltando esse
grito que se escapa das bocas da multidão: «Hossana nas alturas! Bendito
seja Aquele que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel». É razoável
chamar-Lhe «Aquele que vem», porque Ele vem sem cessar, porque Ele nunca
nos falta: «O Senhor está próximo de quantos O invocam em verdade» (Sl 144,
18). «Bendito seja Aquele que vem em nome do Senhor».O Rei
manso e pacífico está à nossa porta. Aquele que tem o trono nos céus, acima
dos querubins, senta-Se, cá em baixo, sobre uma burrinha. Preparemos a casa
da nossa alma, limpemos as teias de aranha que são os mal-entendidos
fraternos, que não haja em nós a poeira da maledicência. Difundamos às
mãos-cheias a água do amor, e apaziguemos todas as feridas criadas pela
animosidade; semeemos o vestíbulo dos nossos lábios com as flores da
piedade. E soltemos então, na companhia do povo, esse grito que brota dos
lábios da multidão: «Bendito seja Aquele que vem em nome do Senhor, o Rei
de Israel».
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sexta-feira, 26 de março de 2010
Profecia do Dia
Sabado, dia 27 de Março de 2010
Sábado da 5ª semana da Quaresma
S. João do Egipto, eremita, +374, S. João Damasceno, presbítero, Doutor da Igreja, +749, Santo Alexandre, patriarca de Alexandria, +326, Santo Alberto Chmielowski, religioso, fundador, +1916
Comentário ao Evangelho do dia feito por
São Cirilo de Jerusalém : «Para congregar na unidade os filhos de Deus que estavam dispersos»
Leituras
Ezeq. 37,21-28.
E então lhes dirás: Assim fala o Senhor DEUS: Eis que Eu tomarei os filhos
de Israel de entre as nações, por onde se dispersaram; vou reuni-los de
toda a parte e reconduzi-los ao seu país.
Farei deles uma só nação na minha terra, nas montanhas de Israel, e apenas
um rei reinará sobre todos eles; nunca mais serão duas nações, nem serão
divididos em dois reinos.
Não se mancharão mais com os seus ídolos e nunca mais cometerão infames
abominações. Eu os salvarei das suas rebeldias, pelas quais pecaram, e os
purificarei; eles serão o meu povo e Eu serei o seu Deus.
O meu servo David será o seu rei e eles terão um só pastor; caminharão
segundo os meus preceitos, observarão os meus mandamentos e os porão em
prática.
Habitarão o país que Eu dei ao meu servo Jacob e no qual habitaram seus
pais; aí ficarão eles, os seus filhos e os filhos de seus filhos para
sempre. David, meu servo, será para sempre o seu chefe.
Farei com eles uma aliança de paz; será uma aliança eterna; Eu os
estabelecerei e os multiplicarei; e colocarei o meu santuário no meio deles
para sempre.
A minha morada será no meio deles. Serei o seu Deus e eles serão o meu
povo.
Então, reconhecerão as nações que Eu sou o SENHOR que santifica Israel,
quando tiver colocado o meu santuário no meio deles para sempre."
Jer. 31,10.11-12.13.
Povos, escutai a palavra do Senhor! Levai a notícia às ilhas longínquas e
dizei: 'Aquele que dispersou Israel vai reuni-lo e guardá-lo como o pastor
ao seu rebanho.'
Porque o Senhor resgatou Jacob e libertou-o das mãos de um mais forte.
Regressarão jubilosos às alturas de Sião, e afluirão aos bens do Senhor: Ao
trigo, ao vinho e ao azeite, às crias de ovelhas e de vacas. A sua alma
será como um jardim bem regado, e não voltarão a desfalecer.
Então, a jovem alegrar-se-á, bailando; jovens e velhos partilharão do seu
júbilo. Converterei o seu pranto em exultação, hei-de consolá-los, e
aliviá-los das suas penas.
João 11,45-56.
Então, muitos dos judeus que tinham vindo a casa de Maria, ao verem o que
Jesus fez, creram nele.
Alguns deles, porém, foram ter com os fariseus e contaram-lhes o que Jesus
tinha feito.
Os sumos sacerdotes e os fari- seus convocaram então o Conselho e diziam:
«Que havemos nós de fazer, dado que este homem realiza muitos sinais
miraculosos?
Se o deixarmos assim, todos irão crer nele e virão os romanos e destruirão
o nosso Lugar santo e a nossa nação.»
Mas um deles, Caifás, que era Sumo Sacerdote naquele ano, disse-lhes: «Vós
não entendeis nada,
nem vos dais conta de que vos convém que morra um só homem pelo povo, e não
pereça a nação inteira.»
Ora ele não disse isto por si mesmo; mas, como era Sumo Sacerdote naquele
ano, profetizou que Jesus devia morrer pela nação.
E não só pela nação, mas também para congregar na unidade os filhos de Deus
que estavam dispersos.
Assim, a partir desse dia, resolveram dar-lhe a morte.
Por isso, Jesus já não andava em público, mas retirou-se dali para uma
região vizinha do deserto, para uma cidade chamada Efraim e lá ficou com os
discípulos.
Estava próxima a Páscoa dos judeus e muita gente do país subiu a Jerusalém
antes da Páscoa para se purificar.
Procuravam então Jesus e perguntavam uns aos outros no templo: «Que vos
parece? Ele virá à Festa?»
Da Bíblia Sagrada
Comentário ao Evangelho do dia feito por
São Cirilo de Jerusalém (313-350), bispo e Doutor da Igreja
Comentário sobre a Carta aos Romanos, 15, 7 (a partir da trad. Breviário)
«Para congregar na unidade os filhos de Deus que estavam dispersos»
Está escrito: «Nós, que somos muitos, constituímos um só corpo em Cristo»
(Rom 12, 5), porque Cristo nos congrega na unidade, pelos laços do amor:
«Ele que, de dois povos, fez um só, destruindo o muro de inimizade que os
separava, anulando pela Sua carne a Lei, os preceitos e as prescrições» (Ef
2, 14-15). Temos, pois, de ter os mesmos sentimentos recíprocos: «Se um
membro sofre, todos os membros sofrem com ele; se um membro é honrado,
todos os membros se alegram com ele» (1Cor 12, 26). Por isso, prossegue São
Paulo, «acolhei-vos uns aos outros, como Cristo também vos acolheu, para
glória de Deus» (Rom 15, 7). Acolhamo-nos uns aos outros, se queremos ter
os mesmos sentimentos, «suportando-nos uns aos outros com caridade,
solícitos em conservar a unidade de espírito, mediante o vículo da paz» (Ef
4, 2-3) Foi assim que Deus nos acolheu em Cristo, que disse: «Deus amou de
tal modo o mundo, que lhe deu o Seu Filho único» (Jo 3, 16). Com efeito, o
Filho foi dado em resgate pela vida de todos nós, e nós fomos libertados da
morte, resgatados da morte e do pecado.São Paulo esclarece as
perspectivas deste plano de salvação quando afirma que «Cristo Se fez
servidor dos circuncisos, a fim de mostrar a veracidade de Deus» (Rom 15,
8). Porque Deus tinha prometido aos patriarcas, pais dos judeus, que
abençoaria a sua descendência, que seria tão numerosa como as estrelas do
céu. Foi por isso que o Verbo, que é Deus, Se manifestou na carne e Se fez
homem. Ele mantém na existência toda a criação e assegura o bem de tudo
quanto existe, pois é Deus. Mas veio a este mundo e encarnou, «não para ser
servido, mas», como Ele próprio afirmou, «para servir e dar a vida em
resgate pela multidão» (Mc 10, 45).
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