quinta-feira, 27 de maio de 2010

Profecia do Dia

Sexta-feira, dia 28 de Maio de 2010
Sexta-feira da 8ª semana do Tempo Comum

Santa Maria Ana de Paredes, virgem, +1645



Comentário ao Evangelho do dia feito por
Jean Tauler : «Não está escrito: A Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos? Mas vós fizestes dela um covil de ladrões.»

Leituras

1 Pedro 4,7-13.
Ora, o fim de todas as coisas está próximo. Sede, portanto, sensatos e
sóbrios para vos poderdes dedicar à oração.
Acima de tudo, mantende entre vós uma intensa caridade, porque o amor cobre
a multidão dos pecados.
Exercei a hospitalidade uns com os outros, sem queixas.
Como bons administradores das várias graças de Deus, cada um de vós ponha
ao serviço dos outros o dom que recebeu.
Se alguém tomar a palavra, que seja para transmitir palavras de Deus; se
alguém exerce um ministério, faça-o com a força que Deus lhe concede, para
que em todas as coisas Deus seja glorificado por Jesus Cristo. A Ele a
glória e o poder por todos os séculos dos séculos. Ámen.
Caríssimos, não estranheis a fogueira que se ateou no meio de vós para vos
pôr à prova, como se vos acontecesse alguma coisa estranha.
Pelo contrário, alegrai-vos, pois assim como participais dos padecimentos
de Cristo, assim também rejubilareis de alegria na altura da revelação da
sua glória.


Salmos 96,10.11-12.13.
Proclamai entre os povos: "O Senhor é rei!" Por isso, a terra está firme,
não vacila; Deus governa os povos com equidade.
Alegrem se os céus, exulte a terra! Ressoe o mar e tudo o que nele existe!
Alegrem se os campos e todos os seus frutos, exultem de alegria todas as
árvores dos bosques
na presença do SENHOR, que se aproxima e vem para governar a terra! Ele
governará o mundo com justiça e os povos, com a sua fidelidade.


Marcos 11,11-26.
Chegou a Jerusalém e entrou no templo. Depois de ter examinado tudo em seu
redor, como a hora já ia adiantada, saiu para Betânia com os Doze.
Na manhã seguinte, ao deixarem Betânia, Jesus sentiu fome.
Vendo ao longe uma figueira com folhas, foi ver se nela encontraria alguma
coisa; mas, ao chegar junto dela, não encontrou senão folhas, pois não era
tempo de figos.
Disse então: «Nunca mais ninguém coma fruto de ti.» E os discípulos ouviram
isto.
Chegaram a Jerusalém; e, entrando no templo, Jesus começou a expulsar os
que vendiam e compravam no templo; deitou por terra as mesas dos cambistas
e os bancos dos vendedores de pombas,
e não permitia que se transportasse qualquer objecto através do templo.
E ensinava-os, dizendo: «Não está escrito: A minha casa será chamada casa
de oração para todos os povos? Mas vós fizestes dela um covil de ladrões.»
Os sacerdotes e os doutores da Lei ouviram isto e procuravam maneira de o
matar, mas temiam-no, pois toda a multidão estava maravilhada com o seu
ensinamento.
Quando se fez tarde, saíram para fora da cidade.
Ao passarem na manhã seguinte, viram a figueira seca até às raízes.
Pedro, recordando-se, disse a Jesus: «Olha, Mestre, a figueira que
amaldiçoaste secou!»
Jesus disse-lhes: «Tende fé em Deus.
Em verdade vos digo, se alguém disser a este monte: 'Tira-te daí e lança-te
ao mar', e não vacilar em seu coração, mas acreditar que o que diz se vai
realizar, assim acontecerá.
Por isso, vos digo: tudo quanto pedirdes na oração crede que já o
recebestes e haveis de obtê-lo. Quando vos levantais para orar, se tiverdes
alguma coisa contra alguém, perdoai-lhe primeiro,
para que o vosso Pai que está no céu vos perdoe também as vossas ofensas.
Porque, se não perdoardes, também o vosso Pai que está no Céu não perdoará
as vossas ofensas.»


Da Bíblia Sagrada



Comentário ao Evangelho do dia feito por

Jean Tauler (c. 1300-1361), dominicano
Sermão 46 (a partir da trad. Cervo 1980, t. 2, p. 24)

«Não está escrito: A Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos? Mas vós fizestes dela um covil de ladrões.»

Nosso Senhor entrou no Templo e expulsou todos os que compravam e vendiam,
dizendo: «A Minha casa será chamada casa de oração. Mas vós fizestes dela
um covil de ladrões». Que templo é este que se tornou um covil de ladrões?
É a alma e o corpo do homem, que são muito mais o verdadeiro templo de Deus
que todos os templos alguma vez edificados (1Cor 3, 17; 6, 19).

Quando Nosso Senhor quer vir a este templo, encontra-o transformado num
covil de ladrões e numa feira de mercadores. Quem é o mercador? São os que
dão o que têm – o seu livre árbitro – por aquilo que não têm – as coisas
deste mundo. O mundo está cheio desses mercadores! Há-os entre os padres e
os leigos, entre os religiosos, monges e freiras. [...] Tanta gente tão
cheia da sua própria vontade [...]; tanta gente que procura em tudo o seu
próprio interesse. Pelo contrário, se quisessem fazer negócio com Deus,
oferecendo-Lhe a sua vontade, que feliz negócio fariam!

O homem deve querer, deve seguir, deve procurar Deus em tudo o que faz; e
quando tiver feito tudo – beber, dormir, comer, falar, ouvir –, deixe então
completamente as imagens das coisas e esvazie o seu templo. Uma vez o
templo esvaziado, uma vez expulso esse bando de vendedores, a imaginação
que te estorva, poderás ser uma casa de Deus (Ef 2, 19). Terás então a paz
e a alegria do coração, e mais nada te perturbará, nada do que agora te
preocupa, te deprime e te faz sofrer.




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quarta-feira, 26 de maio de 2010

Profecia do Dia

Quinta-feira, dia 27 de Maio de 2010
Quinta-feira da 8ª semana do Tempo Comum

Santo Agostinho de Cantuária, bispo, +605



Comentário ao Evangelho do dia feito por
São Gregório Magno : «Filho de David, tem misericórdia de mim»

Leituras

1 Pedro 2,2-5.9-12.
como crianças recém-nascidas, ansiai pelo leite espiritual, não adulterado,
para que ele vos faça crescer para a salvação,
se é que já saboreastes como o Senhor é bom.
Aproximando-vos dele, pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e
preciosa aos olhos de Deus,
também vós – como pedras vivas – entrais na construção de um edifício
espiritual, em função de um sacerdócio santo, cujo fim é oferecer
sacrifícios espirituais agradáveis a Deus, por Jesus Cristo.
Vós, porém, sois linhagem escolhida, sacerdócio régio, nação santa, povo
adquirido em propriedade, a fim de proclamardes as maravilhas daquele que
vos chamou das trevas para a sua luz admirável;
a vós que outrora não éreis um povo, mas sois agora povo de Deus, vós que
não tínheis alcançado misericórdia e agora alcançastes misericórdia.
Caríssimos, rogo-vos que, como estrangeiros e peregrinos, vos abstenhais
dos desejos carnais, que combatem contra a alma.
Tende entre os gentios um comportamento exemplar, de modo que, ao
acusarem-vos de malfeitores, vendo as vossas boas obras, acabem por dar
glória a Deus no dia da sua visita.


Salmos 100,2.3.4.5.
servi ao SENHOR com alegria, vinde à sua presença com cânticos de júbilo!
Sabei que o SENHOR é Deus; foi Ele quem nos criou e nós pertencemos lhe,
somos o seu povo e as ovelhas do seu rebanho.
Entrai pelas suas portas em acção de graças; entrai nos seus átrios com
hinos de louvor; glorificai-o e bendizei o seu nome.
O SENHOR é bom! O seu amor é eterno! É eterna a sua fidelidade!


Marcos 10,46-52.
Chegaram a Jericó. Quando ia a sair de Jericó com os seus discípulos e uma
grande multidão, um mendigo cego, Bartimeu, o filho de Timeu, estava
sentado à beira do caminho.
E ouvindo dizer que se tratava de Jesus de Nazaré, começou a gritar e a
dizer: «Jesus, filho de David, tem misericórdia de mim!»
Muitos repreendiam-no para o fazer calar, mas ele gritava cada vez mais:
«Filho de David, tem misericórdia de mim!»
Jesus parou e disse: «Chamai-o.» Chamaram o cego, dizendo-lhe: «Coragem,
levanta-te que Ele chama-te.»
E ele, atirando fora a capa, deu um salto e veio ter com Jesus.
Jesus perguntou-lhe: «Que queres que te faça?» «Mestre, que eu veja!»
respondeu o cego.
Jesus disse-lhe: «Vai, a tua fé te salvou!» E logo ele recuperou a vista e
seguiu Jesus pelo caminho.


Da Bíblia Sagrada



Comentário ao Evangelho do dia feito por

São Gregório Magno (c. 540-604), Papa e Doutor da Igreja
Homilias sobre os Evangelhos, n°2 (a partir da trad. Tissot, Les Pères nous parlent, 1954, p. 190)

«Filho de David, tem misericórdia de mim»

Com razão a Escritura nos apresenta este cego sentado à beira do caminho e
pedindo esmola, porque a Verdade diz acerca de Si mesma: «Eu sou o caminho»
(Jo 14, 6). Assim, todo aquele que ignora a claridade da luz eterna é cego.


Se já cremos no Redentor, estamos sentados à beira do caminho. Se já
cremos, mas descuramos pedir que nos seja dada a luz eterna e descuramos a
oração, podemos estar sentados à beira do caminho, mas não pedimos esmola.
Mas se cremos, se conhecemos a cegueira do nosso coração e oramos a fim de
recebermos a luz da verdade, então somos efectivamente este cego sentado à
beira do caminho e que pede esmola.

Assim, aquele que reconhece as trevas da sua cegueira e sente a privação da
luz eterna, grite do fundo do seu coração, grite com toda a sua alma:
«Jesus, Filho de David, tem piedade de mim!»




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terça-feira, 25 de maio de 2010

Profecia do Dia

Quarta-feira, dia 26 de Maio de 2010
Quarta-feira da 8ª semana do Tempo Comum

S. Filipe Néri, presbítero,fundador, +1595



Comentário ao Evangelho do dia feito por
Santo Afonso Maria de Ligório : «Dar a própria vida em resgate por todos»

Leituras

1 Pedro 1,18-25.
sabendo que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver herdada dos
vossos pais, não a preço de bens corruptíveis, prata ou ouro,
mas pelo sangue precioso de Cristo, qual cordeiro sem defeito nem mancha,
predestinado já antes da criação do mundo e manifestado nos últimos tempos
por causa de vós;
vós, que por meio dele tendes a fé em Deus, que o ressuscitou dos mortos e
o glorificou, a fim de que a vossa fé e a vossa esperança estejam postas em
Deus.
Já que purificastes as vossas almas pela obediência à verdade que leva a um
sincero amor fraterno, amai-vos intensamente uns aos outros do fundo do
coração,
como quem nasceu de novo, não de uma semente corruptível, mas de um germe
incorruptível, a saber, por meio da palavra de Deus, viva e perene.
De facto, todo o mortal é como a erva e toda a sua glória como a flor da
erva. Seca-se a erva e cai a flor,
mas a palavra do Senhor permanece para sempre. Esta é a palavra que vos
foi anunciada como boa-nova.


Salmos 147,12-13.14-15.19-20.
Glorifica, Jerusalém, o SENHOR; louva, Sião, o teu Deus.
Ele reforçou os ferrolhos das tuas portas e abençoou os teus filhos dentro
de ti;
Ele estabeleceu a paz nas tuas fronteiras e saciou-te com a flor do trigo.
Ele manda as suas ordens à terra, e a sua palavra corre velozmente;
Ele revela os seus planos a Jacob, os seus preceitos e as suas sentenças a
Israel.
Não fez assim com nenhum outro povo, não lhes deu a conhecer os seus
mandamentos.


Marcos 10,32-45.
Iam a caminho, subindo para Jerusalém, e Jesus seguia à frente deles.
Estavam espantados, e os que seguiam estavam cheios de medo. Tomando de
novo os Doze consigo, começou a dizer-lhes o que lhe ia acontecer:
«Eis que subimos a Jerusalém e o Filho do Homem vai ser entregue aos sumos
sacerdotes e aos doutores da Lei, e eles vão condená-lo à morte e
entregá-lo aos gentios.
E hão-de escarnecê-lo, cuspir sobre Ele, açoitá-lo e matá-lo. Mas, três
dias depois, ressuscitará.»
Tiago e João, filhos de Zebedeu, aproximaram-se dele e disseram: «Mestre,
queremos que nos faças o que te pedimos.»
Disse-lhes: «Que quereis que vos faça?»
Eles disseram: «Concede-nos que, na tua glória, nos sentemos um à tua
direita e outro à tua esquerda.»
Jesus respondeu: «Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que Eu bebo
e receber o baptismo com que Eu sou baptizado?»
Eles disseram: «Podemos, sim.» Jesus disse-lhes: «Bebereis o cálice que Eu
bebo e sereis baptizados com o baptismo com que Eu sou baptizado;
mas o sentar-se à minha direita ou à minha esquerda não pertence a mim
concedê-lo: é daqueles para quem está reservado.»
Os outros dez, tendo ouvido isto, começaram a indignar-se contra Tiago e
João.
Jesus chamou-os e disse-lhes: «Sabeis como aqueles que são considerados
governantes das nações fazem sentir a sua autoridade sobre elas, e como os
grandes exercem o seu poder.
Não deve ser assim entre vós. Quem quiser ser grande entre vós, faça-se
vosso servo
e quem quiser ser o primeiro entre vós, faça-se o servo de todos.
Pois também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e
dar a sua vida em resgate por todos.»


Da Bíblia Sagrada



Comentário ao Evangelho do dia feito por

Santo Afonso Maria de Ligório (1696-1787), bispo e Doutor da Igreja
(a partir da trad. de Oeuvres, t. 14)

«Dar a própria vida em resgate por todos»

Um Deus que serve, que varre a casa, que se entrega a trabalhos penosos –
deveria bastar um destes pensamentos para nos encher de amor! Quando o
Salvador começou a pregar o Seu Evangelho tornou-Se «o servo de todos»,
afirmando de Si mesmo que «não veio para ser servido, mas para servir». Foi
como se tivesse dito que queria ser servo de todos os homens. E, no final
da Sua vida, conforme dizia São Bernardo, «não contente com o facto de ter
tomado a condição de servo para Se colocar ao serviço dos homens, quis
ainda tomar a aparência de servo indigno para ser maltratado e suportar o
castigo que devia cair sobre nós, em consequência dos nossos pecados».

Eis que o Senhor, servo obediente de todos, Se submete à sentença de
Pilatos, injusta como é, e Se entrega aos Seus algozes. [...] Assim, tanto
nos amou Deus que, por amor de nós, quis obedecer como escravo até morrer e
morrer de uma morte dolorosa e infame, o suplício da cruz (Fl 2, 8).

Ora, em tudo isso Ele obedecia, não como Deus, mas como homem, como escravo
de que assumira a condição. Tal santo entregou-se como escravo para
resgatar um pobre e atraiu a admiração do mundo devido a esse acto heróico
de caridade. Mas que caridade é essa, comparada com a do Redentor? Sendo
Deus e querendo resgatar-nos da escravidão do Diabo e da morte que nos era
devida, tornou-Se Ele mesmo escravo e deixou-Se amarrar e pregar na cruz.
«Para que o servo se torne senhor, dizia Santo Agostinho, Deus quis
fazer-Se servo».




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