sábado, 1 de janeiro de 2011

33catolico a serviço da Igreja

33catolico a serviço da Igreja


Bento XVI - Mensagem para o 44° dia mundial da paz

Posted: 31 Dec 2010 07:02 AM PST

1º DE JANEIRO DE 2011

Liberdade religiosa, caminho para a paz.

1. No início de um ano novo, desejo fazer chegar a todos e cada um os meus votos: votos de serenidade e prosperidade, mas, sobretudo votos de paz. Infelizmente também o ano que encerra as portas esteve marcado pela perseguição, pela discriminação, por terríveis atos de violência e de intolerância religiosa.

Penso, em particular, na amada terra do Iraque, que, no seu caminho para a desejada estabilidade e reconciliação, continua a ser cenário de violências e atentados. Recordo as recentes tribulações da comunidade cristã, e de modo especial o vil ataque contra a catedral siro-católica de «Nossa Senhora do Perpétuo Socorro» em Bagdá, onde, no passado dia 31 de Outubro, foram assassinados dois sacerdotes e mais de cinqüenta fiéis, quando se encontravam reunidos para a celebração da Santa Missa. A este ataque seguiram-se outros nos dias sucessivos, inclusive contra casas privadas, gerando medo na comunidade cristã e o desejo, por parte de muitos dos seus membros, de emigrar à procura de melhores condições de vida. Manifesto-lhes a minha solidariedade e a da Igreja inteira, sentimento que ainda recentemente teve uma concreta expressão na Assembléia Especial para o Médio Oriente do Sínodo dos Bispos, a qual encorajou as comunidades católicas no Iraque e em todo o Médio Oriente a viverem a comunhão e continuarem a oferecer um decidido testemunho de fé naquelas terras.

Agradeço vivamente aos governos que se esforçam por aliviar os sofrimentos destes irmãos em humanidade e convido os católicos a orarem pelos seus irmãos na fé que padecem violências e intolerâncias e a serem solidários com eles. Neste contexto, achei particularmente oportuno partilhar com todos vós algumas reflexões sobre a liberdade religiosa, caminho para a paz. De fato, é doloroso constatar que, em algumas regiões do mundo, não é possível professar e exprimir livremente a própria religião sem pôr em risco a vida e a liberdade pessoal. Noutras regiões, há formas mais silenciosas e sofisticadas de preconceito e oposição contra os crentes e os símbolos religiosos. Os cristãos são, atualmente, o grupo religioso que padece o maior número de perseguições devido à própria fé. Muitos suportam diariamente ofensas e vivem freqüentemente em sobressalto por causa da sua procura da verdade, da sua fé em Jesus Cristo e do seu apelo sincero para que seja reconhecida a liberdade religiosa. Não se pode aceitar nada disto, porque constitui uma ofensa a Deus e à dignidade humana; além disso, é uma ameaça à segurança e à paz e impede a realização de um desenvolvimento humano autêntico e integral.

De fato, na liberdade religiosa exprime-se a especificidade da pessoa humana, que, por ela, pode orientar a própria vida pessoal e social para Deus, a cuja luz se compreende plenamente a identidade, o sentido e o fim da pessoa. Negar ou limitar arbitrariamente esta liberdade significa cultivar uma visão redutiva da pessoa humana; obscurecer a função pública da religião significa gerar uma sociedade injusta, porque esta seria desproporcionada à verdadeira natureza da pessoa; isto significa tornar impossível a afirmação de uma paz autêntica e duradoura para toda a família humana.

Por isso, exorto os homens e mulheres de boa vontade a renovarem o seu compromisso pela construção de um mundo onde todos sejam livres para professar a sua própria religião ou a sua fé e viver o seu amor a Deus com todo o coração, toda a alma e toda a mente (cf. Mt 22, 37). Este é o sentimento que inspira e guia a Mensagem para o XLIV Dia Mundial da Paz, dedicada ao tema: Liberdade religiosa, caminho para a paz.

Direito sagrado à vida e a uma vida espiritual

2. O direito à liberdade religiosa está radicado na própria dignidade da pessoa humana, cuja natureza transcendente não deve ser ignorada ou negligenciada. Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança (cf. Gn 1, 27). Por isso, toda a pessoa é titular do direito sagrado a uma vida íntegra, mesmo do ponto de vista espiritual. Sem o reconhecimento do próprio ser espiritual, sem a abertura ao transcendente, a pessoa humana retrai-se sobre si mesma, não consegue encontrar resposta para as perguntas do seu coração sobre o sentido da vida e dotar-se de valores e princípios éticos duradouros, nem consegue sequer experimentar uma liberdade autêntica e desenvolver uma sociedade justa.

A Sagrada Escritura, em sintonia com a nossa própria experiência, revela o valor profundo da dignidade humana: «Quando contemplo os céus, obra das vossas mãos, a lua e as estrelas que lá colocastes, que é o homem para que Vos lembreis dele, o filho do homem para dele Vos ocupardes? Fizestes dele quase um ser divino, de honra e glória o coroastes; destes-lhe poder sobre a obra das vossas mãos, tudo submetestes a seus pés» (Sl 8, 4-7).

Perante a sublime realidade da natureza humana, podemos experimentar a mesma admiração expressa pelo salmista. Esta se manifesta como abertura ao Mistério, como capacidade de interrogar-se profundamente sobre si mesmo e sobre a origem do universo, como íntima ressonância do Amor supremo de Deus, princípio e fim de todas as coisas, de cada pessoa e dos povos. A dignidade transcendente da pessoa é um valor essencial da sabedoria judaico-cristã, mas, graças à razão, pode ser reconhecida por todos. Esta dignidade, entendida como capacidade de transcender a própria materialidade e buscar a verdade, há de ser reconhecida como um bem universal, indispensável na construção duma sociedade orientada para a realização e a plenitude do homem. O respeito de elementos essenciais da dignidade do homem, tais como o direito à vida e o direito à liberdade religiosa, é uma condição da legitimidade moral de toda a norma social e jurídica.

Liberdade religiosa e respeito recíproco

3. A liberdade religiosa está na origem da liberdade moral. Com efeito, a abertura à verdade e ao bem, a abertura a Deus, radicada na natureza humana, confere plena dignidade a cada um dos seres humanos e é garante do respeito pleno e recíproco entre as pessoas. Por conseguinte, a liberdade religiosa deve ser entendida não só como imunidade da coação, mas também, e antes ainda, como capacidade de organizar as próprias opções segundo a verdade.

Existe uma ligação indivisível entre liberdade e respeito; de fato, «cada homem e cada grupo social estão moralmente obrigados, no exercício dos próprios direitos, a ter em conta os direitos alheios e os seus próprios deveres para com os outros e o bem comum».

Uma liberdade hostil ou indiferente a Deus acaba por se negar a si mesma e não garante o pleno respeito do outro. Uma vontade, que se crê radicalmente incapaz de procurar a verdade e o bem, não tem outras razões objetivas nem outros motivos para agir senão os impostos pelos seus interesses momentâneos e contingentes, não tem uma «identidade» a preservar e construir através de opções verdadeiramente livres e conscientes. Mas assim não pode reclamar o respeito por parte de outras «vontades», também estas desligadas do próprio ser mais profundo e capazes, por conseguinte, de fazer valer outras «razões» ou mesmo nenhuma «razão». A ilusão de encontrar no relativismo moral a chave para uma pacífica convivência é, na realidade, a origem da divisão e da negação da dignidade dos seres humanos. Por isso se compreende a necessidade de reconhecer uma dupla dimensão na unidade da pessoa humana: a religiosa e a social. A este respeito, é inconcebível que os crentes «tenham de suprimir uma parte de si mesmos – a sua fé – para serem cidadãos ativos; nunca deveria ser necessário renegar a Deus, para se poder gozar dos próprios direitos».

A família, escola de liberdade e de paz

4. Se a liberdade religiosa é caminho para a paz, a educação religiosa é estrada privilegiada para habilitar as novas gerações a reconhecerem no outro o seu próprio irmão e a sua própria irmã, com quem caminhar juntos e colaborar para que todos se sintam membros vivos de uma mesma família humana, da qual ninguém deve ser excluído.

A família fundada sobre o matrimônio, expressão de união íntima e de complementaridade entre um homem e uma mulher, insere-se neste contexto como a primeira escola de formação e de crescimento social, cultural, moral e espiritual dos filhos, que deveriam encontrar sempre no pai e na mãe as primeiras testemunhas de uma vida orientada para a busca da verdade e para o amor de Deus. Os próprios pais deveriam ser sempre livres para transmitir, sem constrições e responsavelmente, o próprio patrimônio de fé, de valores e de cultura aos filhos. A família, primeira célula da sociedade humana, permanece o âmbito primário de formação para relações harmoniosas a todos os níveis de convivência humana, nacional e internacional. Esta é a estrada que se há de sapientemente percorrer para a construção de um tecido social robusto e solidário, para preparar os jovens à assunção das próprias responsabilidades na vida, numa sociedade livre, num espírito de compreensão e de paz.

Um patrimônio comum

5. Poder-se-ia dizer que, entre os direitos e as liberdades fundamentais radicados na dignidade da pessoa, a liberdade religiosa goza de um estatuto especial. Quando se reconhece a liberdade religiosa, a dignidade da pessoa humana é respeitada na sua raiz e reforça-se a índole e as instituições dos povos. Pelo contrário, quando a liberdade religiosa é negada, quando se tenta impedir de professar a própria religião ou a própria fé e de viver de acordo com elas, ofende-se a dignidade humana e, simultaneamente, acabam ameaçadas a justiça e a paz, que se apoiam sobre a reta ordem social construída à luz da Suma Verdade e do Sumo Bem.

Neste sentido, a liberdade religiosa é também uma aquisição de civilização política e jurídica. Trata-se de um bem essencial: toda a pessoa deve poder exercer livremente o direito de professar e manifestar, individual ou comunitariamente, a própria religião ou a própria fé, tanto em público como privadamente, no ensino, nos costumes, nas publicações, no culto e na observância dos ritos. Não deveria encontrar obstáculos, se quisesse eventualmente aderir a outra religião ou não professar religião alguma. Neste âmbito, revela-se emblemático e é uma referência essencial para os Estados o ordenamento internacional, enquanto não consente alguma derrogação da liberdade religiosa, salvo a legítima exigência da justa ordem pública. Deste modo, o ordenamento internacional reconhece aos direitos de natureza religiosa o mesmo status do direito à vida e à liberdade pessoal, comprovando a sua pertença ao núcleo essencial dos direitos do homem, àqueles direitos universais e naturais que a lei humana não pode jamais negar.

A liberdade religiosa não é patrimônio exclusivo dos crentes, mas da família inteira dos povos da terra. É elemento imprescindível de um Estado de direito; não pode ser negada, sem ao mesmo tempo minar todos os direitos e as liberdades fundamentais, pois é a sua síntese e ápice. É «o papel de tornassol para verificar o respeito de todos os outros direitos humanos». Ao mesmo tempo que favorece o exercício das faculdades humanas mais específicas, cria as premissas necessárias para a realização de um desenvolvimento integral, que diz respeito unitariamente à totalidade da pessoa em cada uma das suas dimensões.

A dimensão pública da religião

6. Embora movendo-se a partir da esfera pessoal, a liberdade religiosa – como qualquer outra liberdade – realiza-se na relação com os outros. Uma liberdade sem relação não é liberdade perfeita. Também a liberdade religiosa não se esgota na dimensão individual, mas realiza-se na própria comunidade e na sociedade, coerentemente com o ser relacional da pessoa e com a natureza pública da religião.

O relacionamento é uma componente decisiva da liberdade religiosa, que impele as comunidades dos crentes a praticarem a solidariedade em prol do bem comum. Cada pessoa permanece única e irrepetível e, ao mesmo tempo, completa-se e realiza-se plenamente nesta dimensão comunitária.

Inegável é a contribuição que as religiões prestam à sociedade. São numerosas as instituições caritativas e culturais que atestam o papel construtivo dos crentes na vida social. Ainda mais importante é a contribuição ética da religião no âmbito político. Tal contribuição não deveria ser marginalizada ou proibida, mas vista como válida ajuda para a promoção do bem comum. Nesta perspectiva, é preciso mencionar a dimensão religiosa da cultura, tecida através dos séculos graças às contribuições sociais e, sobretudo éticas da religião. Tal dimensão não constitui de modo algum uma discriminação daqueles que não partilham a sua crença, mas antes reforça a coesão social, a integração e a solidariedade.

Liberdade religiosa, força de liberdade e de civilização: os perigos da sua instrumentalização

7. A instrumentalização da liberdade religiosa para mascarar interesses ocultos, como por exemplo, a subversão da ordem constituída, a apropriação de recursos ou a manutenção do poder por parte de um grupo, pode provocar danos enormes às sociedades. O fanatismo, o fundamentalismo, as práticas contrárias à dignidade humana não se podem jamais justificar, e menos ainda o podem ser se realizadas em nome da religião. A profissão de uma religião não pode ser instrumentalizada, nem imposta pela força. Por isso, é necessário que os Estados e as várias comunidades humanas nunca se esqueçam que a liberdade religiosa é condição para a busca da verdade e que a verdade não se impõe pela violência mas pela «força da própria verdade». Neste sentido, a religião é uma força positiva e propulsora na construção da sociedade civil e política.

Como se pode negar a contribuição das grandes religiões do mundo para o desenvolvimento da civilização? A busca sincera de Deus levou a um respeito maior da dignidade do homem. As comunidades cristãs, com o seu patrimônio de valores e princípios, contribuíram imenso para a tomada de consciência das pessoas e dos povos a respeito da sua própria identidade e dignidade, bem como para a conquista de instituições democráticas e para a afirmação dos direitos do homem e seus correlativos deveres.

Também hoje, numa sociedade cada vez mais globalizada, os cristãos são chamados – não só através de um responsável empenhamento civil, econômico e político, mas também com o testemunho da própria caridade e fé – a oferecer a sua preciosa contribuição para o árduo e exaltante compromisso em prol da justiça, do desenvolvimento humano integral e do reto ordenamento das realidades humanas. A exclusão da religião da vida pública subtrai a esta um espaço vital que abre para a transcendência. Sem esta experiência primária, revela-se uma tarefa árdua orientar as sociedades para princípios éticos universais e torna-se difícil estabelecer ordenamentos nacionais e internacionais nos quais os direitos e as liberdades fundamentais possam ser plenamente reconhecidos e realizados, como se propõem os objetivos – infelizmente ainda menosprezados ou contestados – da Declaração Universal dos direitos do homem de 1948.

Uma questão de justiça e de civilização: o fundamentalismo e a hostilidade contra os crentes prejudicam a laicidade positiva dos Estados

8. A mesma determinação, com que são condenadas todas as formas de fanatismo e de fundamentalismo religioso, deve animar também a oposição a todas as formas de hostilidade contra a religião, que limitam o papel público dos crentes na vida civil e política.

Não se pode esquecer que o fundamentalismo religioso e o laicismo são formas reverberadas e extremas de rejeição do legítimo pluralismo e do princípio de laicidade. De fato, ambas absolutizam uma visão redutiva e parcial da pessoa humana, favorecendo formas, no primeiro caso, de integralismo religioso e, no segundo, de racionalismo. A sociedade, que quer impor ou, ao contrário, negar a religião por meio da violência, é injusta para com a pessoa e para com Deus, mas também para consigo mesma. Deus chama a Si a humanidade através de um desígnio de amor, o qual, ao mesmo tempo que implica a pessoa inteira na sua dimensão natural e espiritual, exige que lhe corresponda em termos de liberdade e de responsabilidade, com todo o coração e com todo o próprio ser, individual e comunitário. Sendo assim, também a sociedade, enquanto expressão da pessoa e do conjunto das suas dimensões constitutivas deve viver e organizar-se de modo a favorecer a sua abertura à transcendência. Por isso mesmo, as leis e as instituições duma sociedade não podem ser configuradas ignorando a dimensão religiosa dos cidadãos ou de modo que prescindam completamente da mesma; mas devem ser comensuradas – através da obra democrática de cidadãos conscientes da sua alta vocação – ao ser da pessoa, para o poderem favorecer na sua dimensão religiosa. Não sendo esta uma criação do Estado, não pode ser manipulada, antes deve contar com o seu reconhecimento e respeito.

O ordenamento jurídico a todos os níveis, nacional e internacional, quando consente ou tolera o fanatismo religioso ou anti-religioso, falta à sua própria missão, que consiste em tutelar e promover a justiça e o direito de cada um. Tais realidades não podem ser deixadas à mercê do arbítrio do legislador ou da maioria, porque, como já ensinava Cícero, a justiça consiste em algo mais do que um mero ato produtivo da lei e da sua aplicação. A justiça implica reconhecer a cada um a sua dignidade, a qual, sem liberdade religiosa garantida e vivida na sua essência, fica mutilada e ofendida, exposta ao risco de cair sob o predomínio dos ídolos, de bens relativos transformados em absolutos. Tudo isto expõe a sociedade ao risco de totalitarismos políticos e ideológicos, que enfatizam o poder público, ao mesmo tempo em que são mortificadas e coarctadas, como se lhe fizessem concorrência, as liberdades de consciência, de pensamento e de religião.

Diálogo entre instituições civis e religiosas

9. O patrimônio de princípios e valores expressos por uma religiosidade autêntica é uma riqueza para os povos e respectivas índoles: fala diretamente à consciência e à razão dos homens e mulheres, lembra o imperativo da conversão moral, motiva para aperfeiçoar a prática das virtudes e aproximar-se amistosamente um do outro sob o signo da fraternidade, como membros da grande família humana.

No respeito da laicidade positiva das instituições estatais, a dimensão pública da religião deve ser sempre reconhecida. Para isso, um diálogo sadio entre as instituições civis e as religiosas é fundamental para o desenvolvimento integral da pessoa humana e da harmonia da sociedade.

Viver no amor e na verdade

10. No mundo globalizado, caracterizado por sociedades sempre mais multiétnicas e pluriconfessionais, as grandes religiões podem constituir um fator importante de unidade e paz para a família humana. Com base nas suas próprias convicções religiosas e na busca racional do bem comum, os seus membros são chamados a viver responsavelmente o próprio compromisso num contexto de liberdade religiosa. Nas variadas culturas religiosas, enquanto há que rejeitar tudo aquilo que é contra a dignidade do homem e da mulher, é preciso, ao contrário, valer-se daquilo que resulta positivo para a convivência civil.

O espaço público, que a comunidade internacional torna disponível para as religiões e para a sua proposta de «vida boa», favorece o aparecimento de uma medida compartilhável de verdade e de bem e ainda de um consenso moral, que são fundamentais para uma convivência justa e pacífica. Os líderes das grandes religiões, pela sua função, influência e autoridade nas respectivas comunidades, são os primeiros a ser chamados ao respeito recíproco e ao diálogo.

Os cristãos, por sua vez, são solicitados pela sua própria fé em Deus, Pai do Senhor Jesus Cristo, a viver como irmãos que se encontram na Igreja e colaboram para a edificação de um mundo, onde as pessoas e os povos «não mais praticarão o mal nem a destruição (...), porque o conhecimento do Senhor encherá a terra, como as águas enchem o leito do mar» (Is 11, 9).

Diálogo como busca em comum

11. Para a Igreja, o diálogo entre os membros de diversas religiões constitui um instrumento importante para colaborar com todas as comunidades religiosas para o bem comum. A própria Igreja nada rejeita do que nessas religiões existe de verdadeiro e santo. «Olha com sincero respeito esses modos de agir e viver, esses preceitos e doutrinas que, embora se afastem em muitos pontos daqueles que ela própria segue e propõe, todavia refletem não raramente um raio da verdade que ilumina todos os homens».

A estrada indicada não é a do relativismo nem do sincretismo religioso. De fato, a Igreja «anuncia, e tem mesmo a obrigação de anunciar incessantemente Cristo, "caminho, verdade e vida" (Jo 14, 6), em quem os homens encontram a plenitude da vida religiosa e no qual Deus reconciliou consigo mesmo todas as coisas». Todavia isto não exclui o diálogo e a busca comum da verdade em diversos âmbitos vitais, porque, como diz uma expressão usada freqüentemente por São Tomás de Aquino, «toda a verdade, independentemente de quem a diga, provém do Espírito Santo».

Em 2011, tem lugar o 25º aniversário da Jornada Mundial de Oração pela Paz, que o Venerável Papa João Paulo II convocou em Assis em 1986. Naquela ocasião, os líderes das grandes religiões do mundo deram testemunho da religião como sendo um fator de união e paz, e não de divisão e conflito. A recordação daquela experiência é motivo de esperança para um futuro onde todos os crentes se sintam e se tornem autenticamente obreiros de justiça e de paz.

Verdade moral na política e na diplomacia

12. A política e a diplomacia deveriam olhar para o patrimônio moral e espiritual oferecido pelas grandes religiões do mundo, para reconhecer e afirmar verdades, princípios e valores universais que não podem ser negados sem, com os mesmos, negar-se a dignidade da pessoa humana. Mas, em termos práticos, que significa promover a verdade moral no mundo da política e da diplomacia? Quer dizer agir de maneira responsável com base no conhecimento objetivo e integral dos fatos; quer dizer desmantelar ideologias políticas que acabam por suplantar a verdade e a dignidade humana e pretendem promover pseudo-valores com o pretexto da paz, do desenvolvimento e dos direitos humanos; quer dizer favorecer um empenho constante de fundar a lei positiva sobre os princípios da lei natural. Tudo isto é necessário e coerente com o respeito da dignidade e do valor da pessoa humana, sancionado pelos povos da terra na Carta da Organização das Nações Unidas de 1945, que apresenta valores e princípios morais universais de referência para as normas, as instituições, os sistemas de convivência a nível nacional e internacional.

Para além do ódio e do preconceito

13. Não obstante os ensinamentos da história e o compromisso dos Estados, das organizações internacionais a nível mundial e local, das organizações não governamentais e de todos os homens e mulheres de boa vontade que cada dia se empenham pela tutela dos direitos e das liberdades fundamentais, ainda hoje no mundo se registram perseguições, descriminações, atos de violência e de intolerância baseados na religião. De modo particular na Ásia e na África, as principais vítimas são os membros das minorias religiosas, a quem é impedido de professar livremente a própria religião ou mudar para outra, através da intimidação e da violação dos direitos, das liberdades fundamentais e dos bens essenciais, chegando até à privação da liberdade pessoal ou da própria vida.

Temos depois, como já disse, formas mais sofisticadas de hostilidade contra a religião, que nos países ocidentais se exprimem por vezes com a renegação da própria história e dos símbolos religiosos nos quais se refletem a identidade e a cultura da maioria dos cidadãos. Freqüentemente tais formas fomentam o ódio e o preconceito e não são coerentes com uma visão serena e equilibrada do pluralismo e da laicidade das instituições, sem contar que as novas gerações correm o risco de não entrar em contacto com o precioso patrimônio espiritual dos seus países.

A defesa da religião passa pela defesa dos direitos e liberdades das comunidades religiosas. Assim, os líderes das grandes religiões do mundo e os responsáveis das nações renovem o compromisso pela promoção e a tutela da liberdade religiosa, em particular pela defesa das minorias religiosas; estas não constituem uma ameaça contra a identidade da maioria, antes, pelo contrário, são uma oportunidade para o diálogo e o mútuo enriquecimento cultural. A sua defesa representa a maneira ideal para consolidar o espírito de benevolência, abertura e reciprocidade com que se há de tutelar os direitos e as liberdades fundamentais em todas as áreas e regiões do mundo.

Liberdade religiosa no mundo

14. Dirijo-me, por fim, às comunidades cristãs que sofrem perseguições, discriminações, atos de violência e intolerância, particularmente na Ásia, na África, no Médio Oriente e de modo especial na Terra Santa, lugar escolhido e abençoado por Deus. Ao mesmo tempo em que lhes renovo a expressão do meu afeto paterno e asseguro a minha oração, peço a todos os responsáveis que intervenham prontamente para pôr fim a toda a violência contra os cristãos que habitam naquelas regiões. Que os discípulos de Cristo não desanimem com as presentes adversidades, porque o testemunho do Evangelho é e será sempre sinal de contradição.

Meditemos no nosso coração as palavras do Senhor Jesus: «Felizes os que choram, porque hão-se ser consolados. (...) Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. (...) Felizes sereis quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentido, vos acusarem de toda a espécie de mal. Alegrai-vos e exultai, pois é grande nos Céus a vossa recompensa» (Mt 5, 4-12). Por isso, renovemos «o compromisso por nós assumido no sentido da indulgência e do perdão – que invocamos de Deus para nós, no "Pai Nosso" – por havermos posto, nós próprios, a condição e a medida da desejada misericórdia: "perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido"(Mt 6, 12)». A violência não se vence com a violência. O nosso grito de dor seja sempre acompanhado pela fé, pela esperança e pelo testemunho do amor de Deus. Faço votos também de que cessem no Ocidente, especialmente na Europa, a hostilidade e os preconceitos contra os cristãos pelo fato de estes pretenderem orientar a própria vida de modo coerente com os valores e os princípios expressos no Evangelho. Mais ainda, que a Europa saiba reconciliar-se com as próprias raízes cristãs, que são fundamentais para compreender o papel que teve, tem e pretende ter na história; saberá assim experimentar justiça, concórdia e paz, cultivando um diálogo sincero com todos os povos.

Liberdade religiosa, caminho para a paz

15. O mundo tem necessidade de Deus; tem necessidade de valores éticos e espirituais, universais e compartilhados, e a religião pode oferecer uma contribuição preciosa na sua busca, para a construção de uma ordem social justa e pacífica a nível nacional e internacional.
A paz é um dom de Deus e, ao mesmo tempo, um projeto a realizar, nunca totalmente cumprido. Uma sociedade reconciliada com Deus está mais perto da paz, que não é simples ausência de guerra, nem mero fruto do predomínio militar ou econômico, e menos ainda de astúcias enganadoras ou de hábeis manipulações. Pelo contrário, a paz é o resultado de um processo de purificação e elevação cultural, moral e espiritual de cada pessoa e povo, no qual a dignidade humana é plenamente respeitada. Convido todos aqueles que desejam tornarem-se obreiros de paz e, sobretudo os jovens a prestarem ouvidos à própria voz interior, para encontrar em Deus a referência estável para a conquista de uma liberdade autêntica, a força inesgotável para orientar o mundo com um espírito novo, capaz de não repetir os erros do passado. Como ensina o Servo de Deus Papa Paulo VI, a cuja sabedoria e clarividência se deve a instituição do Dia Mundial da Paz, «é preciso, antes de mais nada, proporcionar à Paz outras armas, que não aquelas que se destinam a matar e a exterminar a humanidade. São necessárias sobretudo as armas morais, que dão força e prestígio ao direito internacional; aquela arma, em primeiro lugar, da observância dos pactos».A liberdade religiosa é uma autêntica arma da paz, com uma missão histórica e profética. De fato, ela valoriza e faz frutificar as qualidades e potencialidades mais profundas da pessoa humana, capazes de mudar e tornar melhor o mundo; consente alimentar a esperança num futuro de justiça e de paz, mesmo diante das graves injustiças e das misérias materiais e morais. Que todos os homens e as sociedades aos diversos níveis e nos vários ângulos da terra possam brevemente experimentar a liberdade religiosa, caminho para a paz!
Vaticano, 8 de Dezembro de 2010.
BENEDICTUS PP XVI

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Profecia do Dia

Sabado, dia 01 de Janeiro de 2011
Na Oitava do Natal: SOLENIDADE DA SANTA MÃE DE DEUS, MARIA. (Solenidade)

Santa Maria, Mãe de Deus



Comentário ao Evangelho do dia feito por
São Leão Magno : Maria, Mãe de Deus, Mãe do Príncipe da Paz (Is 11, 5)

Leituras

Núm. 6,22-27.
O Senhor disse a Moisés:
«Fala a Aarão e a seus filhos: Assim abençoareis os filhos de Israel.
Dizei-lhes:
'O Senhor te abençoe e te guarde!
O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te favoreça!
O Senhor volte para ti a sua face e te dê a paz!'
Invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel e Eu os abençoarei!»


Salmos 67(66),2-3.5.6.8.
Deus se compadeça de nós e nos abençoe, faça brilhar sobre nós a luz do seu
rosto.
Sejam conhecidos na terra os teus caminhos e entre as nações, a tua
salvação!
Alegrem se e exultem as nações, porque julgas os povos com justiça e
governas as nações sobre a terra.
Que os povos te louvem, ó Deus! Todos os povos te louvem!
Que Deus nos abençoe; e o seu temor chegue aos confins da terra!


Gálatas 4,4-7.
Mas, quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido
de uma mulher, nascido sob o domínio da Lei,
para resgatar os que se encontravam sob o domínio da Lei, a fim de
recebermos a adopção de filhos.
E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu
Filho, que clama: "Abbá! – Pai!"
Deste modo, já não és escravo, mas filho; e, se és filho, és também
herdeiro, por graça de Deus.


Lucas 2,16-21.
Foram apressadamente e encontraram Maria, José e o menino deitado na
manjedoura.
Depois de terem visto, começaram a divulgar o que lhes tinham dito a
respeito daquele menino.
Todos os que ouviram se admiravam do que lhes diziam os pastores.
Quanto a Maria, conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu
coração.
E os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que
tinham visto e ouvido, conforme lhes fora anunciado.
Quando se completaram os oito dias, para a circuncisão do menino, deram-lhe
o nome de Jesus indicado pelo anjo antes de ter sido concebido no seio
materno.


Da Bíblia Sagrada



Comentário ao Evangelho do dia feito por

São Leão Magno (?-c. 461), papa e Doutor da Igreja
6º sermão para o Natal, 2, 3, 5 (a partir da trad. bréviaire; cf SC 22 bis, pp. 139ss.)

Maria, Mãe de Deus, Mãe do Príncipe da Paz (Is 11, 5)

A festa do Natal renova para nós os primeiros instantes da vida de Jesus,
nascido da Virgem Maria. E acontece que, adorando o nascimento do nosso
Salvador, celebramos a nossa própria origem. Com efeito, quando Cristo veio
ao mundo, começou o povo cristão: o aniversário da cabeça é o aniversário
do corpo.


Ora, que mais podemos encontrar nos tesouros da generosidade divina que
seja tão adequado à dignidade da festa de Natal como esta paz proclamada
pelo cântico dos anjos aquando do nascimento do Senhor (Lc 2, 14)? Pois é a
paz que gera filhos de Deus, que favorece o amor, que produz a amizade, que
é o repouso dos bem-aventurados, a morada da eternidade. A sua obra
própria, o seu particular benefício, consiste em unir a Deus aqueles que
separa deste mundo. [...] Assim, pois, aqueles que «não nasceram do sangue
nem da vontade carnal, nem da vontade do homem, mas de Deus» (Jo 1, 13)
devem oferecer ao Pai a vontade unânime dos filhos artesãos da paz. Todos
aqueles que se tornaram membros de Cristo por adopção devem acorrer a
venerar o primogénito da nova criação, Aquele que veio, não para fazer a
Sua vontade, mas a Daquele que O enviou (Jo 6, 38). Os herdeiros adoptados
pela graça do Pai não são herdeiros divididos nem separados; têm os mesmos
sentimentos e o mesmo amor. Aqueles que foram recriados segundo a única
Imagem (Heb 1, 3; Gn 1, 27) têm de ter uma alma que se assemelhe a Ele. O
nascimento do Senhor Jesus é o nascimento da paz. Como diz São Paulo, «Ele
[Cristo] é a nossa paz» (Ef 2, 14).




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33catolico a serviço da Igreja

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33catolico – Mensagem de Ano Novo – Igreja Católica

Posted: 30 Dec 2010 03:03 PM PST

33catolico – Mensagem de Ano Novo

Nós do 33catolico queremos agradecer de coração, a você nosso amigo/irmão(a), que durante o ano de 2010, nos ajudou enviando matérias, a você que contribuiu para que melhorássemos, quando construtivamente criticou e fez sugestões, a você que nos apoiou nos momentos difíceis com palavras de carinho e incentivo, sem você e sem a proteção da Sagrada Família, não teríamos chegado até aqui.

Temos a certeza que em 2011 continuaremos juntos, recebendo diariamente as bênçãos de Deus, e de mãos dadas levaremos esse projeto de evangelização a todos os filhos e filhas de Deus. Como forma de agradecimento transcrevemos um e-mail recebido de uma de nossas colaboradoras, suas palavras expressão o sentimento de amor que uni a todos nós.

Chegamos mais uma vez ao final do ano. No entanto, gosto de pensar em começos. Começo de um novo tempo, de uma nova era, de um novo amanhã. Começar significa ter esperanças, renascer, reconstruir, deixando para trás o que não foi bom e guardando no coração as coisas boas, as alegrias que tivemos.

Você, durante este ano, fez parte das minhas alegrias, do meu crescimento, do meu mundo melhor. Tornou-se parte da minha vida ao entrar na minha tela de computador, como se fosse o sol entrando por uma janela, me desejando sempre coisas boas e compartilhando sua vida comigo. Sou privilegiado por ter amigos como você, que mesmo à distância, se fazem presentes em minha vida.

Sou feliz por ter você para compartilhar meus sonhos, minhas alegrias e minhas tristezas em todos os dias do ano. Mas o melhor de tudo é saber que você gosta de mim como eu sou, do mesmo jeito que eu gosto de você. Por isso, nessa data de festas e comemorações quero te agradecer por ser um presente em minha vida.

Essa telinha não seria nunca a mesma sem você, sem a sua presença, sem o seu carinho. Seria um mundo de informações, mas não teria um coração pulsando, cheio de sentimentos e amor. Obrigado!

Desejo, neste final de ano tão especial, que toda a alegria que você me deu retorne agora multiplicada! Que seu novo ano seja repleto de alegrias e realizações; que a Graça de Deus habite sempre seu coração para que o amor esteja presente em todos os dias da sua vida!

"Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos,
e não tivesse amor, eu nada seria."

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Misericórdia e Reconciliação – Igreja Católica

Posted: 30 Dec 2010 02:57 PM PST

Misericórdia e Reconciliação

Em artigo anterior, refletindo sobre o Evangelho do Pai Misericordioso, recordei sobre a importância da reconciliação e do perdão como conseqüência do arrependimento. Continuo um pouco mais nesse mesmo assunto, que julgo muitíssimo importante para os tempos atuais. Em minhas reuniões com as foranias, uma das preocupações comuns é o atendimento das confissões nas paróquias, e encontrar uma paróquia mais central e localizada, com fácil acesso, e com mais sacerdotes para atendimento em plantões diários das pessoas que procuram o sacramento da penitência.

Celebrar a reconciliação é uma mudança importante em nossa sociedade e mesmo dentro da própria comunidade eclesial que, influenciada pelas situações hodiernas, além de esquecer-se da prática sacramental da confissão ou penitência, muitas vezes vive em clima de vingança e ódio. Acredito que a grande resposta a todos os ranços que existem entre as pessoas, e que muitas vezes se destroem entre si, será um povo reconciliado como sinal da misericórdia no meio de nossa sociedade. Assim como somos chamados a viver a reconciliação no interior da Igreja, ocorrerá também que o sinal da misericórdia deverá aparecer em nossa sociedade tão marcada pelo ódio e rancor e achando que a solução para todos os males é retribuir o mal com o mal.

A confissão não é apenas para absolver dos pecados cometidos e assim ter uma melhor condição espiritual para receber a Eucaristia. O Sacramento da Penitência é de grande valor substancial e extraordinária eficácia no desenvolvimento da vida cristã. Na Teologia Sacramental exprime-se que a graça nele obtida tem infinita capacidade de santificar os homens. Outro aspecto é que a extensão de seus efeitos é proporcional à disposição daqueles que o recebem. A graça se coloca disponível num coração mais dócil à sua eficácia, como se expressa na Teologia Espiritual.

O perdão é difícil! A confissão da nossa fraqueza, mesmo que isso ocorra no mais absoluto segredo, nunca é fácil. Mas Deus nos pede para confiarmos a Ele os nossos fardos. Ele quer se comprometer conosco para nos dar coragem. O Pai enviou o Seu Filho para nos salvar e não para condenar. Na confissão, começamos, sim, a nossa jornada rumo à misericórdia e à consolação que só Deus mesmo pode nos proporcionar, e que nenhuma força humana é capaz de fazê-lo. O mundo que Deus criou por amor não quer conhecer a Deus. Há uma espécie de cegueira espiritual que a humanidade está envolvida e mergulhada. Isso provoca uma grande escuridão espiritual, que nos causa confusão e dúvidas.

Tornamo-nos, assim, prisioneiros de nossos medos. Mas Deus nos demonstra o seu infinito amor através do Sacramento da Confissão. Tira-nos do marasmo espiritual e faz-nos ver a luz suprema, que é o Amor que supera todas as nossas imperfeições e nos completa por inteiro. Eis aí um belo fruto do Sacramento da Penitência! Na verdade, a atual crise de fé afeta principalmente a inteligência, quando não se quer conhecer o que é e o que não é pecado. Não devemos, porém, ver pecado onde ele não existe. Isso também é sinal de maturidade na fé. Mas devemos ser sinceros em ver o pecado onde ele realmente está. É importante, portanto, saber o que é certo em termos morais, e assumir o que Deus diz sobre a nossa vida no que é certo e no que é errado.

É certo, entretanto, que Deus não quer a nossa infelicidade, mas, completamente o oposto. Devemos ir a Ele com total confiança de que vamos encontrar a chave mestra de nossas questões mais íntimas e mais profundas. Seria bom recordar de nossa iniciação cristã e das orientações da Igreja para se realizar uma boa confissão sacramental.

1.    O Exame de Consciência. Nesta etapa colocamo-nos diante de Deus que nos ama e quer estar sempre ao nosso lado. Analisamos a nossa relação com Ele e abrimos o nosso coração.

2.    Contrição dos pecados e arrependimento. Aqui percebemos o nosso pecado e como ele nos distancia do amor de Deus. Percebemos que se quisermos ser plenamente felizes, temos que aprender a fazer a vontade Dele e não somente a nossa. Não queremos rejeitar o amor Dele.

3.    Propósito sincero de não mais pecar. Finalmente, devemos aceitar que Deus quer nos transformar através do sacramento e, por sua vez, nós nos determinamos a começar uma nova etapa, a dar um novo passo. Se realmente amamos a Deus então não queremos Dele nos separar em definitivo.

4.    Manifestar os nossos pecados. Não devemos ter receio e ter vergonha de assumir as nossas falhas. Devemos fazer isso de forma clara, sincera, despretensiosa.

5.    Fazer penitência. Neste último ponto queremos nos redimir por completo. Isso por gratidão, por amor e não por força ou coação, mas com coração assumido no pleno amor. "Se dizemos que não temos pecado, nos enganamos a nós mesmos e a verdade não está em nós" (I Jo 1, 8). Quando confessamos, somos leais ao Senhor, que para conosco é sempre fiel. A Sua fidelidade neutraliza a nossa infidelidade. Sua justiça purifica a nossa injustiça. O perdão do Senhor é completo, incondicional se a Ele correspondemos com outra resposta de amor completo e incondicional. O Senhor sempre quer nos restaurar e nos trazer de volta ao Seu amor.

Por fim, queremos recordar o magistério catequético do Santo Padre Bento XVI, quando nos afirma que "mediante o Sacramento da Penitência, Cristo crucificado e ressuscitado, mediante os seus ministros, purifica-nos com sua infinita misericórdia, restitui-nos à comunhão com o Pai Celestial e com os irmãos, nos dá o Seu amor, Sua alegria e Sua paz (mensagem do Ângelus fevereiro de 2009). Nessa mesma mensagem, o Papa concluiu convidando os fiéis a procurarem com freqüência o Sacramento da Confissão, pedindo a redescoberta de seu imenso valor e de sua importância na vida cristã.

Por isso tenho pedido sempre em nossos encontros com o clero para que facilitem ao máximo o atendimento das confissões de nossos fiéis. Todos os que buscam o confessionário têm consciência da necessidade de uma vida virtuosa e se colocam como autênticos discípulos-missionários de Jesus Cristo. E quanto mais caminharmos na direção dessa experiência misericordiosa mais poderemos ser sinais desse amor de Deus à humanidade tão machucada e ferida.

Texto: Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

Fonte: Rádio Vaticano

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Feliz Ano Novo bem nordestino – Igreja Católica

Posted: 30 Dec 2010 02:53 PM PST

Feliz Ano Novo bem nordestino. Um ano novo bem arretado pra vocês tudim! Conselhos de uma cearense para um 2011 bem pai d'égua.

·         Sobre as suas metas para o Ano Novo:
o   Anote os seus querê e pendure num lugar que você enxergue todo dia.
o   Mesmo que seus objetivos estejam lá prá baixa da égua, vale à pena correr atrás. Não se agonie e nem esmoreça. Peleje.
o   Se vire num cão chupando manga e mêta o pé na carreira, pois pra gente conseguir o que quer, tem é Zé.
o   Lembre que pra ficar estribado é preciso trabalhar. Não fique só lambendo gelo.

·         Sobre o amor:
o   Não fique enrolando e arrudiando prá chegar junto de quem você gosta. Tome rumo, avie, se avexe.
o   Dê um desconto prá peste daquela cabrita que só bate fofo com você.  Aperreia ela. Vai que dá certo voceis casa e nasce um bruguelim réi amarelo.
o   Você é um corralinda. Se você ainda não tem ninguém, não pegue qualquer marmota. Escolha uma corralinda igual a você.
o   Não bula no que tá quieto. Num seja avexado, pois de tanto coisar com uma, coisar com outra, você acaba mesmo é com um chapéu de touro.
o   As cabritas num devem se agoniar. O certo é pastorar até encontrar alguém pai d'égua. Num devem se atracar com um cabra peba, malamanhado e fulerage. O segredo é pelejar e não desistir nunca. Num peça pinico e deixe quem quiser mangar. Um dia vai aparecer um machoréi da sua bitola.

·         Sobre o trabalho:
o   Trabalhe, num se mêta a besta. Quem num dá um prego numa barra de sabão num tem vez não.
o   Se você vive fumando numa quenga, murdido nas calças e não agüenta mais aquele seu  chefe a fulerage, tenha calma, não adianta se ispritar.
o   Se ele não lhe notou até agora é porque num a nem aí se você rala o bucho no trabalho. Procure algo melhor e cape o gato assim que puder.
o   Se a lida não está como você quer, num bote boneco, num se aperreie e nem fique de lundu.
o   Saia com aquele magote de amigos conte uma ruma de piadas que tudo melhora.

·         Sobre a sua vidinha:
o   Você já é um cagado só por estar vivo. Pense nisso e agradeça a Deus.
o   Cuide bem dos bruguelos e da mulher. Dê sempre mais que o sustento, pois eles lhe dão o aconchego no fim da lida.
o   Não fique resmungando e batendo no quengo por besteira. Seje macho e pense positivo.
o   Num se avexe, num se aperreie e nem se agonie. Num é nas carreira que se esfola um preá.

·         Arrumação motivacional:
o   No forró da entrada do ano, coma aquela gororoba até encher o bucho. É prá dar sorte, mas cuidado, senão dá gastura.
o   Tome um burrim e tire o gosto com passarinha ou panelada que é prá num perder a mania.

·         Prá começar o ano dicunforça:
o   Reflita sobre as besteiras do ano passado e rebole no mato os maus pensamentos.
o   Murche as orêia, respire fundo e grite bem alto: Sai mundiça!
o   Ah, e não esqueça do grito de guerra, que é prá dar mais sorte ainda: Sou Cearense e num desisto nem que chova canivete!

Agora é só levantar a cabeça e desimbestar no rumo da venta que vai dar tudo certo em 2011, afinal de contas você é cearense. E para os que não são da terrinha, mas são doidim prá ser, nosso desejo é que sejam tão felizes quanto nós.

Peeeeennnnse num ano que vai ser muito bom.
Respeite como vai ser pai d'égua esse 2011.

Enviado por: Patriciana Gomes – Poço de Jacó

Aviso: Todos os artigos postados na coluna "Achados ao Vento" são de autoria desconhecida. Se você é ou conhece o autor de alguma postagem deixe um comentário para que possamos dar os devidos créditos. No caso especial desse texto tivemos que alterar algumas palavras, agradecemos e pedimos a compreensão do autor.

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SAMU informa - Utilidade Pública – Igreja Católica

Posted: 30 Dec 2010 01:47 PM PST

SAMU informa - Utilidade Pública

As ambulâncias e emergências médicas perceberam que muitas vezes nos acidentes da estrada os feridos têm um celular consigo. No entanto, na hora de intervir com estes doentes, não sabem qual a pessoa a contatar na longa lista de telefones existentes no celular do acidentado.

Para tal, o SAMU lança a idéia de que todas as pessoas acrescentem na sua longa lista de contatos o numero da pessoa a contatar em caso de emergência. Tal deverá ser feito da seguinte forma: 'AA Emergência' (as letras AA são para que apareça sempre este contato em primeiro lugar na lista de contatos).

É simples, não custa nada e pode ajudar muito ao SAMU ou quem nos acuda. Se lhe parecer correta a proposta que lhe fazemos, passe esta mensagem a todos os seus amigos, familiares e conhecidos. É tão somente mais um dado que registramos no nosso celular e que pode ser a nossa salvação.

Josiane Trocatti
Coordenadora Administrativa
SAMU - Serviço de Atendimento Móvel de Urgência

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Deus errou ao criar a mulher – Igreja Católica

Posted: 30 Dec 2010 05:38 AM PST

Deus errou ao criar a mulher

Quando Deus fez a mulher já estava em seu sexto dia de trabalho fazendo horas extras. Um anjo apareceu e Lhe disse: Por que leva tanto tempo nisto? E o Senhor respondeu: Já viu a minha ficha de especificações para ela? Deve ser completamente lavável, mas sem ser de plástico, ter mais de 200 peças móveis e ser capaz de funcionar com uma dieta de qualquer coisa, até sobras, ter um colo que possa acomodar quatro crianças ao mesmo tempo, ter um beijo que possa curar desde um joelho arranhado até um coração partido e fará tudo isto somente com duas mãos.

O anjo se maravilhou com as especificações. Somente duas mãos... Impossível! E este é somente o modelo básico? É muito trabalho para um dia. Espere até amanhã para terminá-la. Isso não, protestou o Senhor. Estou tão perto de terminar esta criação que é favorita de Meu próprio coração.

Ela se cura sozinha quando está doente e pode trabalhar jornadas de 18 horas. O anjo se aproximou mais e tocou a mulher. Mas o Senhor a fez tão suave. É suave, disse Deus, mas a fiz também forte. Você não tem idéia do que pode agüentar ou conseguir.

Será capaz de pensar? Perguntou o anjo. Deus respondeu: Não somente será capaz de pensar, mas também que raciocinar e de negociar. O anjo então notou algo e estendendo a mão tocou a bochecha da mulher... Senhor, parece que este modelo tem um vazamento. Eu Lhe disse que estava colocando muita coisa nela. Isso não é nenhum vazamento, é uma lágrima corrigindo-o o Senhor. Para que serve a lágrima, perguntou o anjo.

Deus disse: As lágrimas são sua maneira de expressar seu destino, sua pena, seu desengano, seu amor, sua solidão, seu sofrimento, e seu orgulho. Isto impressionou muito ao anjo. O Senhor é um gênio, pensou em tudo. A mulher é verdadeiramente maravilhosa. Sim, é!

A mulher tem forças que maravilham aos homens. Agüentam dificuldades, levam grandes cargas, mas têm felicidade, amor e alegria. Sorriem quando querem gritar. Cantam quando querem chorar. Choram quando estão felizes e riem quando estão nervosas. Lutam pelo que crêem. Enfrentam à injustiça. Não aceitam 'não' como resposta quando elas crêem que há uma solução melhor.

Privam-se para que a sua família possa ter. Vão ao médico com uma amiga que tem medo de ir. Amam incondicionalmente. Choram quando seus filhos triunfam e se alegram quando seus amigos ganham prêmios. Ficam felizes quando ouvem sobre um nascimento ou um casamento. Seu coração se parte quando morre uma amiga. Sofrem com a perda de um ente querido, entretanto são fortes quando pensam que já não há mais forças. Sabem que um beijo e um abraço podem ajudar a curar um coração partido.

Entretanto, há um defeito na mulher:

É que ela se esquece o quanto vale!

Enviado por: Jose Maria Barbosa

Aviso: Todos os artigos postados na coluna "Achados ao Vento" são de autoria desconhecida. Se você é ou conhece o autor de alguma postagem deixe um comentário para que possamos dar os devidos créditos.

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Gaudium et spes completa 45 anos – Vaticano

Posted: 30 Dec 2010 04:59 AM PST

Gaudium et spes completa 45 anos

O último dia do Concílio Vaticano II, 8 de dezembro de 1965, foi também o dia da promulgação por parte de Paulo VI, da Constituição dogmática Gaudium et spes, um dos textos mais importantes produzidos pelo Concílio, no qual a Igreja se detém sobre a atualidade do mundo e sobre a necessidade de relançar novos laços com "os homens e as mulheres de boa vontade" para construir a paz e a justiça. Aproveitando a ocasião desse recente significativo aniversário, o jesuíta Padre Dariusz Kowalczyk relê a importância da Gaudium et spes, à distância de 45 anos de sua promulgação:

Padre Dariusz Kowalczyk: "Durante uma discussão sobre a situação da Igreja no mundo um coirmão me disse: "Bastam-nos o Evangelho e a Gaudium et spes". No passado, porém, muitas vezes ouvi a opinião de que a interpretação dessa Constituição pastoral sobre a Igreja no mundo atual era por demais otimista e até mesmo ingênua. Joseph Ratzinger observou que junto à Gaudium et spes devemos levar sempre em consideração a obra "Imitação de Cristo", o livreto que reflete a tradição monástica medieval. A espiritualidade "solidária com o mundo" deve, portanto, ser acompanhada pela espiritualidade da "fuga do século".

"É preciso encontrar um ponto de equilíbrio entre o justo empenho pelo mundo e a propensão rumo à vida eterna – continua Padre Kowalczyk. "Entre as tarefas mais urgentes para o cristão – afirma Ratzinger – encontra-se a recuperação da capacidade de opor-se a muitas tendências da cultura circunstante, renunciando a certa solidariedade eufórica pós-conciliar." A Gaudium et spes, lida sem um pressuposto ideológico, parece muito equilibrada."

"Hoje, a análise conciliar da condição do homem no mundo é ainda mais atual do que 45 anos atrás. Os padres do Concílio afirmam: "o mundo se apresenta hoje potente e frágil, capaz de realizar o melhor e o pior, (...) o homem toma consciência de que depende dele orientar bem as forças por ele suscitadas, e que podem esmagá-lo ou servir-lhe" (n. 9)."

"Bento XVI recentemente indicou a possibilidade do pior com uma frase bastante dramática: "O nosso futuro e o destino do nosso planeta estão em perigo". Tal diagnóstico não pode suscitar interrogações mais profundas do que essa no coração humano. Para responder a análogas perguntas, o Concílio afirmou querer escrutar – junto a todos os homens de boa vontade – os sinais dos tempos para reformular, no mundo atual, a resposta que já foi dada em Jesus Cristo: "a chave, o centro e o fim de toda a história humana (n. 10)" – conclui Padre Kowalzyk. (RL)

Fonte: Rádio Vaticano

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Bento XVI nomeia o Cardeal Raymundo Damasceno como membro do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais

Posted: 30 Dec 2010 03:45 AM PST

Cardeal Raymundo Nomeado  
Membro do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais
e da Pontifícia Comissão para a América Latina
Vários cardeais, criados no Consistório do último dia 20 de novembro foram nomeados ontem, quarta feira pelo Papa, como membros de organismos da Cúria Romana, entre Congregações, Conselhos Pontifícios e Tribunais. Os novos cardeais assim colaborarão mais de perto com o governo central da Igreja Católica.

Entre eles está o Arcebispo de Aparecida, Cardeal Raymundo Damasceno Assis, nomeado membro do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais. O purpurado de Aparecida foi nomeado também pelo Papa como membro da Pontifícia Comissão para a América Latina (CAL) junto com o Arcebispo emérito de Quito, Cardeal Raúl Eduardo Vela Chiriboga, e o Arcebispo de Palermo, Cardeal Paolo Romeo.

Também no dia de ontem, Bento XVI nomeou como Secretário da Congregação para as Causas dos Santos o novo arcebispo italiano Marcello Bartolucci.

A Congregação para o clero também tem um novo Secretário. Trata-se do espanhol Celso Morga Iruzubieta, que foi elevado à dignidade de arcebispo. (SP-MJ)

Fonte: Rádio Vaticano

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