terça-feira, 22 de novembro de 2011

Advento

Dentro de alguns dias começará o Advento, o período que prepara o Natal. Veremos passar por nós quatro domingos e seremos chamados a aguardar a vinda de Jesus na esperança e numa alegria crescente mas, ao mesmo tempo, numa atitude de vigilância e de meditação. Na verdade, desde o primeiro domingo, a Igreja recorda-nos a vinda gloriosa de Cristo, no fim dos tempos – comemoramos a espera do povo de Deus, de que João Baptista, José e Maria serão os representantes eleitos, mas vivemos também o nosso próprio Advento, esperando o Senhor que virá visitar cada um de nós.

Ao longo dos três domingos que se seguem, Isaías convida-nos à fidelidade, João Baptista à conversão, Maria ensina-nos a disponibilidade e José a confiança – podemos estar certos, o Senhor virá ou, segundo o espírito da liturgia, o Senhor vem!

O Advento era já celebrado no séc. IV, antes mesmo que a festa do Natal fosse separada da da Epifania. Os celebrantes revestem-se de roxo, a cor da penitência, mas também da sobriedade, da pobreza daqueles que se preparam para uma festa que cumulará todos os seus desejos.

O símbolo mais conhecido do Advento é a coroa, feita com verduras e decorada com bolas e fitas. Ela rodeia as quatro velas que serão acesas, uma após outra, ao longo deste período. Contudo, parece que a coroa não é herança de uma longa tradição – aparentemente, ela foi “inventada” por um pastor luterano no séc. XIX. De qualquer forma ela baliza o nosso caminho e conduz-nos, luz após luz, para a claridade irradiante da noite de Natal.

 

A equipa portuguesa de Evangelizo deseja a todos os seus leitores uma caminhada de Advento vivida na paz e na esperança.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Profecia do Dia

Terça-feira, dia 22 de Novembro de 2011
Terça-feira da 34 semana do Tempo Comum

Santa Cecília, virgem, mártir, séc. III ou IV



Comentário ao Evangelho do dia feito por
São João Crisóstomo : «Quando ouvirdes falar de guerras e revoltas, não vos alarmeis»

Leituras

Dan. 2,31-45.


Naqueles dias, Daniel disse ao rei Nabucodonosor: «Ó rei, tu tiveste uma visão. Eis que uma grande, uma enorme estátua se levantava diante de ti; era de um brilho extraordinário, mas de um aspecto terrível.
Esta estátua tinha a cabeça de ouro fino, o peito e os braços de prata, o ventre e as ancas de bronze,
as pernas de ferro, os pés metade de ferro e metade de barro.
Contemplavas tu esta estátua, quando uma pedra se desprendeu da montanha, sem intervenção de mão alguma, e veio bater nos seus pés, que eram de ferro e argila, e lhos esmigalhou.
Então, com a mesma pancada foram feitos em pedaços o ferro, o barro, o bronze, a prata, o ouro, e, semelhantes ao pó que no Verão voa da eira, foram levados pelo vento sem que deixassem qualquer vestígio. A pedra que tinha embatido contra a estátua transformou-se numa alta montanha, que encheu toda a terra.
Este era o sonho. Vamos agora dar ao rei a sua interpretação.
Tu, ó rei, és o rei dos reis, a quem o Deus dos céus deu a realeza, o poder, a força e a glória;
a quem entregou o domínio sobre os homens, onde quer que eles habitem, sobre os animais terrestres e sobre as aves do céu. Tu é que és a cabeça de ouro.
Depois de ti surgirá um outro reino menor que o teu; depois um terceiro reino, o de bronze, que dominará sobre toda a terra.
Um quarto reino será forte como o ferro; assim como o ferro quebra e esmaga tudo, assim este esmagará e aniquilará todos os outros.
Os pés e os dedos que viste, em parte de argila de oleiro, em parte de ferro, indicam que este reino será dividido; haverá nele alguma coisa da resistência do ferro, conforme tu viste ferro misturado com argila.
Os dedos dos pés, em parte de ferro e em parte de barro, significam que o reino será ao mesmo tempo forte e frágil.
Se tu viste o ferro junto com o barro, foi porque as duas partes se uniram por descendência humana, mas não se aguentarão juntas, do mesmo modo que o ferro não se funde com a argila.
No tempo destes reis, o Deus dos céus fará aparecer um reino que jamais será destruído e cuja soberania nunca passará para outro povo. Esmagará e aniquilará todos os outros, enquanto ele subsistirá para sempre.
Foi o que pudeste ver na pedra que se desprendia da montanha, sem intervenção de mão alguma, e que reduzia a migalhas o ferro, o bronze, a argila, a prata e o ouro. O grande Deus fez conhecer ao rei o que acontecerá no futuro. O sonho é verdadeiro e a interpretação dele é digna de crédito.»


Dan. 3,57.58.59.60.61.


Obras do Senhor, bendizei todas o Senhor:
A Ele a glória e o louvor eternamente!
Céus, bendizei o Senhor:
A Ele a glória e o louvor eternamente!
Anjos do Senhor, bendizei o Senhor:
A Ele a glória e o louvor eternamente!
Águas que estais acima dos céus, bendizei o Senhor:
A Ele a glória e o louvor eternamente!
Todos os poderes do universo, bendizei o Senhor:
A Ele a glória e o louvor eternamente!


Lucas 21,5-11.


Naquele tempo, como alguns falassem do templo, dizendo que estava adornado de belas pedras e de ofertas votivas, respondeu:
«Virá o dia em que, de tudo isto que estais a contemplar, não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído.»
Perguntaram-lhe, então: «Mestre, quando sucederá isso? E qual será o sinal de que estas coisas estão para acontecer?»
Ele respondeu: «Tende cuidado em não vos deixardes enganar, pois muitos virão em meu nome, dizendo: 'Sou eu'; e ainda: 'O tempo está próximo.' Não os sigais.
Quando ouvirdes falar de guerras e revoltas, não vos alarmeis; é necessário que estas coisas sucedam primeiro, mas não será logo o fim.»
Disse-lhes depois: «Há-de erguer-se povo contra povo e reino contra reino.
Haverá grandes terramotos e, em vários lugares, fomes e epidemias; haverá fenómenos apavorantes e grandes sinais no céu.»


Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário ao Evangelho do dia feito por

São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero em Antioquia depois bispo de Constantinopla, doutor da Igreja
Catequeses sobre a carta aos Romanos, nº24

«Quando ouvirdes falar de guerras e revoltas, não vos alarmeis»

Quanto mais o rei se aproxima, mais necessidade temos de nos preparar.
Quanto mais se aproxima o momento em que o prémio será atribuído ao
lutador, melhor tem de ser a luta. É também o que acontece nas corridas:
quando chega o final da corrida e o objectivo se aproxima, mais se estimula
o ardor dos cavalos. É por isso que Paulo diz: «A salvação está agora mais
perto de nós do que quando abraçámos a fé. A noite vai adiantada e o dia
está próximo» (Rom 13,11-12).


Uma vez que a noite se desvanece e o dia surge, façamos as obras do dia;
deixemos as obras das trevas. É também assim que fazemos nesta vida: quando
vemos que a noite dá lugar à alvorada e ouvimos cantar a andorinha,
acordamo-nos uns aos outros, mesmo que ainda seja noite. [...]
Apressamo-nos a realizar as tarefas do dia; vestimo-nos depois de termos
sido arrancados ao sono, para que o sol nos encontre prontos. O que fazemos
nessa altura, façamo-lo agora: sacudamos os nossos sonhos, afastemo-nos das
ilusões da vida presente, deixemos o sono profundo e revistamo-nos do fato
da virtude. É o que nos diz claramente o apóstolo: «Abandonemos, pois, as
obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz.» Porque o dia chama-nos
à batalha, ao combate.


Não vos alarmeis ao escutar estas palavras de combate e de luta! Se vestir
uma pesada armadura material é penoso, é desejável pelo contrário vestir a
armadura espiritual, porque é uma armadura de luz. Então, brilharás com um
brilho mais resplandecente que o sol e, cintilando com um fulgor radioso,
estarás em segurança, porque são armas [...], armas de luz. Estaremos então
dispensados do combate? Não! Temos de combater, mas sem nos deixarmos
vencer pela fadiga e pela angústia. Porque não é tanto para a guerra que
somos convidados, mas para uma festa e um júbilo.




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domingo, 20 de novembro de 2011

Profecia do Dia

Segunda-feira, dia 21 de Novembro de 2011
Segunda-feira da 34ª semana do Tempo Comum

Apresentação de Nossa Senhora no Templo



Comentário ao Evangelho do dia feito por
Beato Charles de Foucauld : Dar tudo porque Cristo tudo deu

Leituras

Dan. 1,1-6.8-20.


No terceiro ano do reinado de Joaquim, rei de Judá, Nabucodonosor, rei da Babilónia, veio cercar Jerusalém.
O Senhor entregou-lhe Joaquim, rei de Judá, e uma parte dos objectos do templo; Nabucodonosor transportou-os ao país de Chinear e colocou-os na sala do tesouro dos seus deuses.
O rei deu ordem a Aspenaz, chefe dos criados, que lhe trouxesse jovens israelitas, de ascendência real ou de família nobre,
sem qualquer defeito, formosos, dotados de toda a espécie de qualidades, instruídos, inteligentes e fortes. Seriam colocados no palácio real e Aspenaz devia ensinar-lhes as letras e a língua dos caldeus.
O rei destinou-lhes uma provisão diária de alimentos, reservada à ementa da mesa real, e do vinho que ele bebia. A formação deles havia de durar três anos, após o que entrariam ao serviço na presença do rei.
Entre estes, contavam-se Daniel, Hananias, Michael e Azarias, que pertenciam aos filhos de Judá.
Daniel tomou a resolução de não se manchar com o alimento do rei e com o vinho que ele bebia. Por isso, pediu ao chefe dos criados para se abster deles.
Deus fez com que o chefe dos criados acolhesse Daniel com benevolência e amabilidade.
Mas depois disse-lhe: «Temo que o rei, meu senhor, que determinou o que vós haveis de comer e beber, venha a encontrar o vosso rosto mais magro que o dos outros jovens da mesma idade e assim me exponhais a uma repreensão da parte do rei.»
Então, Daniel disse ao oficial, a quem o chefe dos criados tinha confiado o cuidado de Daniel, Hananias, Michael e Azarias:
«Por favor, faz uma experiência de dez dias com os teus servos: que se nos dê apenas legumes a comer, e água a beber.
Depois disto, compararás o nosso aspecto com o dos jovens que se alimentam das iguarias da mesa real e, conforme o que tiveres constatado, assim agirás com os teus servos.»
Concordou com esta proposta e submeteu-os à prova, durante dez dias.
Ao fim deste prazo, verificou-se que tinham melhor aspecto e estavam mais robustos que todos os jovens que comiam os acepipes da mesa real.
Como consequência, o oficial retirava as iguarias e o vinho que lhes estavam destinados e mandava que lhes servissem legumes.
A estes quatro jovens, Deus deu sabedoria e inteligência no domínio das letras e ciências. Daniel compreendia toda a espécie de visões e sonhos.
Decorrido o tempo fixado pelo rei para a apresentação dos jovens, o chefe dos criados levou-os à presença de Nabucodonosor,
que conversou com eles. Dentre todos os jovens, não houve nenhum que pudesse comparar-se a Daniel, Hananias, Michael e Azarias. Por isso, entraram ao serviço na presença do rei.
Em qualquer assunto de sabedoria e inteligência que os consultasse, o rei achava-os dez vezes superiores a todos os escribas e magos do seu reino.


Dan. 3,52.53.54.55.56.


«Bendito sejas, Senhor, Deus de nossos pais:
digno de louvor e glória eternamente!  
Bendito seja o teu nome santo e glorioso:
digno de supremo louvor e exaltação eternamente!  
Bendito sejas no templo da tua santa glória:
digno de supremo louvor e glória eternamente!  
Bendito sejas no teu trono real:
digno de supremo louvor e exaltação eternamente!  
Bendito sejas por penetrares os abismos,
sentado sobre os querubins:
digno de supremo louvor e exaltação eternamente!

Bendito sejas no firmamento dos céus:
digno de supremo louvor e glória eternamente!


Lucas 21,1-4.


Naquele tempo, Jesus levantou os olhos e viu os ricos deitarem no cofre do tesouro as suas ofertas.
Viu também uma viúva pobre deitar lá duas moedinhas
e disse: «Em verdade vos digo que esta viúva pobre deitou mais do que todos os outros;
pois eles deitaram no tesouro do que lhes sobejava, enquanto ela, da sua indigência, deitou tudo o que tinha para viver.»


Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário ao Evangelho do dia feito por

Beato Charles de Foucauld (1858-1916), eremita e missionário no Saara
Retiro de Nazaré (1897)

Dar tudo porque Cristo tudo deu

Meu Senhor Jesus, quão depressa será pobre aquele que, amando-Vos de todo o
coração, não puder suportar ser mais rico do que o seu Bem-Amado! Quão
depressa será pobre aquele que, sabendo que tudo o que for feito a um
destes pequeninos é a Vós que é feito e que tudo o que o não for também o
não será a Vós (Mt 25,40.45), aliviar toda a miséria ao seu alcance! Quão
depressa será pobre aquele que receber com fé as palavras que dizem: «Se
queres ser perfeito, vende o que tens e dá o dinheiro aos pobres. Felizes
os pobres. Todo aquele que tiver deixado os seus bens por causa do Meu
nome, receberá cem vezes mais e terá por herança a vida eterna» (Mt
19,21.29; 5,3; 19,29), e tantas outras como estas!


Deus meu, não me parece que seja possível a todas estas almas, ao ver-Vos
pobre, permanecerem ricas por vontade e assim se reverem maiores do que o
seu Mestre, o seu Bem-Amado, ou, se depender delas, não quererem ser
parecidas convosco em tudo, sobretudo nas Vossas humilhações [...]. Seja
como for, não consigo conceber o amor sem a necessidade imperiosa de tornar
conformes, semelhantes e, acima de tudo, cor-respondidas, todas as dores,
todas as penas, todas as asperezas da vida. Por mim, meu Deus, não me é
possível ser rico e viver desafogadamente dos meus bens quando Vós fostes
pobre e vivestes com dificuldades, tirando laboriosamente o sustento duma
custosa profissão. Não sei amar assim.


Não convém que o servo seja «maior do que o seu Senhor» (Jo 13,16), nem que
a esposa seja rica quando o Esposo é pobre [...]. E é-me impossível
compreender o amor sem esta procura de identificação [...], sem esta
necessidade de partilha de todas as cruzes.




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