quinta-feira, 12 de abril de 2012

Este é o dia que o Senhor fez

Naquele belo poema que ouvimos na vigília pascal, o autor do livro do Génesis recorda-nos a obra da Criação e acaba-o contemplando: «Assim foram terminados os céus e a terra… No sétimo dia, Deus repousou de todo o trabalho por Ele realizado» (Gn 2, 1-2). É o shabbat, o dia do Senhor, o dia em que, segundo a antiga Lei, ninguém deveria trabalhar, «nem tu, nem os teus filhos e filhas, nem o teu escravo ou escravo… nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas» (Dt 5,14). Todos somos chamados a parar, diante das maravilhas da obra do Senhor Deus.

E eis que Deus decide fazer novas todas as coisas (cf. Is 65,17). Na sua bondade infinita, na sua misericórdia, perante o homem infiel e esmagado pelos seus pecados, Deus decide enviar o Seu Filho, o Verbo eterno, Jesus, Filho do homem e Filho de Deus, encarnado, morto e ressuscitado por nós e para nossa salvação. É um novo “primeiro dia”, em que Deus diz outra vez «Faça-se luz!» (Gn 1,3), não a luz que destruiu o caos inicial mas a luz sem fim, a luz que brilhará para sempre (cf. Ap 21,23). É a nova Criação que se inicia.

«Este é o dia que o Senhor fez», diz o Salmo 118 (Sl 118-117,24) que cantamos ao longo de toda a semana pascal. Contudo, nesta nova Criação, nós não somos apenas a mais bela manifestação do poder do Criador («Deus viu que era muito bom», Gn 1,31), mas fazemos parte do projeto. «Corpo de Cristo» (1 Co 12,27), «mortos e ressuscitados» com Cristo (cf. Rm 6,4), somos também atores desta salvação universal.

A liturgia oferece-nos cinquenta dias “dos nossos” para contemplarmos este “dia do Senhor”, para meditarmos e vivermos esta pertença – cinquenta dias de Páscoa! Animemo-nos uns aos outros para encontrarmos a nossa resposta pessoal a viver este apelo de anunciarmos a luz da Ressurreição, de nos tornarmos caminho de paz e de salvação para todos os homens e mulheres «por Deus amados» (cf. Lc 2,14).

Com os votos de um tempo pascal muito fecundo,

a equipa de Evangelizo em língua portuguesa

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Profecia do Dia

Quinta-feira, dia 12 de Abril de 2012
5ª-FEIRA NA OITAVA DA PÁSCOA

Nossa Senhora dos Prazeres,  S. Victor de Braga, mártir, +300,  Beato Lourenço Mendes, religioso, séc. XIII,  Santa Teresa de Jesus Fernandez Solar, religiosa, +1920



Comentário ao Evangelho do dia feito por
São Pedro Crisólogo : «Tocai-Me e olhai»

Leituras

Actos 3,11-26.


Naqueles dias, o coxo de nascença que tinha sido curado não largava Pedro e João e todo o povo, cheio de assombro, acorreu para junto deles, ao pórtico de Salomão.
Ao ver isto, Pedro dirigiu a palavra ao povo: «Homens de Israel, porque vos admirais com isto? Porque nos olhais, como se tivéssemos feito andar este homem por nosso próprio poder ou piedade,?
O Deus de Abraão, de Isaac e Jacob, o Deus dos nossos pais, glorificou o seu servo Jesus, que vós entregastes e negastes na presença de Pilatos, estando ele resolvido a libertá-lo.
Negastes o Santo e o Justo e pedistes a libertação de um assassino.
Destes a morte ao Príncipe da Vida, mas Deus ressuscitou-o dos mortos, e disso nós somos testemunhas.
Pela fé no seu nome, este homem, que vedes e conheceis, recobrou as forças. Foi a fé que dele nos vem que curou completamente este homem na vossa presença.
Agora, irmãos, sei que agistes por ignorância, como também os vossos chefes.
Dessa forma, Deus cumpriu o que antecipadamente anunciara pela boca de todos os profetas: que o seu Messias havia de padecer.
Arrependei-vos, portanto, e convertei-vos, para que os vossos pecados sejam apagados;
e, assim, o Senhor vos conceda os tempos de conforto, quando Ele enviar aquele que vos foi destinado, o Messias Jesus,
que deve permanecer no Céu até ao momento da restauração de todas as coisas, de que Deus falou outrora pela boca dos seus santos profetas.
Moisés disse: 'O Senhor Deus suscitar-vos-á um Profeta como eu, de entre os vossos irmãos. Escutá-lo-eis em tudo quanto vos disser.
Quem não escutar esse Profeta, será exterminado do meio do povo.'
E, por outro lado, todos os profetas que falaram desde Samuel anunciaram igualmente estes dias.
Vós sois os filhos dos profetas e da aliança que Deus concluiu com os vossos pais, quando disse a Abraão: 'Na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da Terra.'
Foi primeiramente para vós que Deus suscitou o seu Servo e o enviou para vos abençoar e para se afastar cada um de vós das suas más acções.»


Salmos 8,2a.5.6-7.8-9.


Senhor, nosso Deus,
como é admirável o teu nome em toda a terra!
Que é o homem para te lembrares dele,
o filho do homem para com ele te preocupares?

Quase fizeste dele um ser divino;
de glória e de honra o coroaste;
deste-lhe domínio sobre as obras das tuas mãos,
tudo submeteste a seus pés:

Rebanhos e gado, sem excepção,
e até mesmo os animais bravios;
as aves do céu e os peixes do mar,
tudo o que percorre os caminhos do oceano.







Lucas 24,35-48.


Naquele tempo, os discípulos de Emaús contaram o que lhes tinha acontecido pelo caminho e como Jesus se lhes dera a conhecer, ao partir o pão.
Enquanto isto diziam, Jesus apresentou-se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco!»
Dominados pelo espanto e cheios de temor, julgavam ver um espírito.
Disse-lhes, então: «Porque estais perturbados e porque surgem tais dúvidas nos vossos corações?
Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo. Tocai-me e olhai que um espírito não tem carne nem ossos, como verificais que Eu tenho.»
Dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés.
E como, na sua alegria, não queriam acreditar de assombrados que estavam, Ele perguntou-lhes: «Tendes aí alguma coisa que se coma?»
Deram-lhe um bocado de peixe assado;
e, tomando-o, comeu diante deles.
Depois, disse-lhes: «Estas foram as palavras que vos disse, quando ainda estava convosco: que era necessário que se cumprisse tudo quanto a meu respeito está escrito em Moisés, nos Profetas e nos Salmos.»
Abriu-lhes então o entendimento para compreenderem as Escrituras
e disse-lhes: «Assim está escrito que o Messias havia de sofrer e ressuscitar dentre os mortos, ao terceiro dia;
que havia de ser anunciada, em seu nome, a conversão para o perdão dos pecados a todos os povos, começando por Jerusalém.
Vós sois as testemunhas destas coisas.


Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário ao Evangelho do dia feito por

São Pedro Crisólogo (c. 406-450), bispo de Ravena, doutor da Igreja
Sermão 31, oitavo sobre a ressurreição do Senhor

«Tocai-Me e olhai»

Depois da ressurreição, como o Senhor entrou com todas as portas fechadas
(cf. Jo 20,19), e os discípulos não acreditavam que Ele tivesse
reencontrado a realidade do Seu corpo: supunham que apenas a Sua alma
tivesse vindo, sob uma aparência corporal, como as imagens que aparecem
àqueles que sonham durante o sono. «Eles julgavam ver um espírito». [...]


«Porque estais perturbados e porque surgem tais dúvidas nos vossos
corações? Vede as Minhas mãos e os Meus pés». Vede, quer dizer: prestai
atenção. Porquê? Porque não é um sonho que estais a ter. Vede as Minhas
mãos e os Meus pés porque, com os vossos olhos acabrunhados, não podeis,
ainda, contemplar o Meu rosto. Vede as feridas da Minha carne, uma vez que
ainda não conseguis ver as obras de Deus. Contemplai as marcas feitas pelos
Meus inimigos, uma vez que ainda não vedes as manifestações de Deus.
Tocai-Me para que a vossas mãos vos dêem a prova, visto os vossos olhos
estarem cegos a esse ponto. [...] Descobri os buracos nas Minhas mãos,
analisai o Meu lado, reabri as Minhas feridas, pois não posso recusar aos
Meus discípulos, tendo em vista a fé, o que não recusei aos Meus inimigos
no suplício. Tocai, tocai [...], buscai até aos ossos, para confirmar a
realidade da carne e que estas feridas, ainda abertas, atestem que sou
mesmo Eu [...]


Porque não acreditais que ressuscitei, Eu que fiz reviver vários mortos à
vossa vista? [...] Quando estava suspenso na cruz, insultavam-Me dizendo:
«Tu, que destruías o templo e o reedificavas em três dias, salva-Te a Ti
mesmo! Se és Filho de Deus, desce da cruz e acreditaremos!» (cf. Mt 27,40).
O que é mais difícil: descer da cruz, arrancando os pregos, ou subir dos
infernos, calcando a morte sob os Meus pés? Eis que Me salvei a Mim mesmo
e, destruindo as cadeias do inferno, subi para o mundo do alto.




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terça-feira, 10 de abril de 2012

Profecia do Dia

Quarta-feira, dia 11 de Abril de 2012
4ª-FEIRA NA OITAVA DA PÁSCOA

Nossa Senhora dos Prazeres,  Santo Estanislau, bispo, mártir, +1097,  Santa Gema Galgani,  Beata Elena Guerra, virgem, +1914



Comentário ao Evangelho do dia feito por
São Leão Magno : «Então seus olhos abriram-se»«Então seus olhos abriram-se»

Leituras

Actos 3,1-10.


Naqueles dias, Pedro e João subiam ao templo, para a oração das três horas da tarde.
Era para ali levado um homem, coxo desde o ventre materno, que todos os dias colocavam à porta do templo, chamada Formosa, para pedir esmola àqueles que entravam.
Ao ver Pedro e João entrarem no templo, pediu-lhes esmola.
Pedro, juntamente com João, olhando-o fixamente, disse-lhe: «Olha para nós.»
O coxo tinha os olhos nos dois, esperando receber alguma coisa deles.
Mas Pedro disse-lhe: «Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho, isto te dou: Em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda!»
E, segurando-o pela mão direita, ergueu-o. No mesmo instante, os pés e os artelhos se lhe tornaram firmes.
De um salto, pôs-se de pé, começou a andar e entrou com eles no templo, caminhando, saltando e louvando a Deus.
Todo o povo o viu caminhar e louvar a Deus.
Bem o conheciam, como sendo aquele que costumava sentar-se à Porta Formosa do templo a mendigar; ficaram cheios de assombro e estupefactos com o que lhe acabava de suceder.


Salmos 105(104),1-2.3-4.6-7.8-9.


Louvai o Senhor, aclamai o seu nome,
anunciai entre os povos as suas obras.  
Cantai-lhe hinos e salmos,
proclamai as suas maravilhas.

Orgulhai-vos do seu nome santo;
alegre-se o coração dos que procuram o Senhor.
Recorrei ao Senhor e ao seu poder
e buscai sempre a sua face.

Descendentes de Abraão, seu servo,
filhos de Jacob, seu eleito,
O Senhor é o nosso Deus
e as suas sentenças são lei em toda a terra.

Ele recordará sempre a sua aliança,
a promessa que jurou manter por mil gerações,  
o pacto que fez com Abraão
e aquele juramento que fez a Isaac.




  



Lucas 24,13-35.


Dois dos discípulos iam a caminho de uma aldeia chamada Emaús, que ficava a cerca de duas léguas de Jerusalém;
e conversavam entre si sobre tudo o que acontecera.
Enquanto conversavam e discutiam, aproximou-se deles o próprio Jesus e pôs-se com eles a caminho;
os seus olhos, porém, estavam impedidos de o reconhecer.
Disse-lhes Ele: «Que palavras são essas que trocais entre vós, enquanto caminhais?» Pararam entristecidos.
E um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único forasteiro em Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias!»
Perguntou-lhes Ele: «Que foi?» Responderam-lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo;
como os sumos sacerdotes e os nossos chefes o entregaram, para ser condenado à morte e crucificado.
Nós esperávamos que fosse Ele o que viria redimir Israel, mas, com tudo isto, já lá vai o terceiro dia desde que se deram estas coisas.
É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deixaram perturbados, porque foram ao sepulcro de madrugada
e, não achando o seu corpo, vieram dizer que lhes apareceram uns anjos, que afirmavam que Ele vivia.
Então, alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas, a Ele, não o viram.»
Jesus disse-lhes, então: «Ó homens sem inteligência e lentos de espírito para crer em tudo quanto os profetas anunciaram!
Não tinha o Messias de sofrer essas coisas para entrar na sua glória?»
E, começando por Moisés e seguindo por todos os Profetas, explicou-lhes, em todas as Escrituras, tudo o que lhe dizia respeito.
Ao chegarem perto da aldeia para onde iam, fez menção de seguir para diante.
Os outros, porém, insistiam com Ele, dizendo: «Fica connosco, pois a noite vai caindo e o dia já está no ocaso.» Entrou para ficar com eles.
E, quando se pôs à mesa, tomou o pão, pronunciou a bênção e, depois de o partir, entregou-lho.
Então, os seus olhos abriram-se e reconheceram-no; mas Ele desapareceu da sua presença.
Disseram, então, um ao outro: «Não nos ardia o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?»
Levantando-se, voltaram imediatamente para Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os seus companheiros,
que lhes disseram: «Realmente o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!»
E eles contaram o que lhes tinha acontecido pelo caminho e como Jesus se lhes dera a conhecer, ao partir o pão.


Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário ao Evangelho do dia feito por

São Leão Magno (?-c. 461), Papa e Doutor da Igreja
Primeiro Sermão para a Ascensão

«Então seus olhos abriram-se»«Então seus olhos abriram-se»

Os dias que decorreram entre a ressurreição do Senhor e a Sua ascensão não
foram desprovidos de acontecimentos: houve grandes mistérios que foram
confirmados, grandes verdades que foram reveladas. Foi então que foi
abolido o medo amargo da morte e que foi manifestada a imortalidade, não
apenas da alma, mas também da carne. [...]


Naqueles dias, o Senhor junta-Se a dois discípulos e acompanha-os no
caminho; e, a fim de dissipar em nós todas as trevas da dúvida, censura
estes homens amedrontados pela sua lentidão em compreender. Os corações que
Ele ilumina vêem acender-se neles a chama da fé; estavam desalentados, e
enchem-se de ardor quando o Senhor os faz compreender as Escrituras. À
fracção do pão abrem-se os olhos dos que estão à mesa com Ele: vêem a
glorificação da sua natureza humana e sentem uma felicidade bem maior do
que os nossos primeiros pais, cujos olhos se abriram sobre a vergonha da
sua desobediência (Gn 3,7).


Como os discípulos permanecessem perturbados perante estas e outras
maravilhas, o Senhor apareceu no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja
convosco» (Lc 24,36, Jo 20,26). Para que não permanecessem nestes
pensamentos que os perturbavam, [...] revelou aos seus olhos hesitantes os
vestígios da cruz nas Suas mãos e nos Seus pés. [...] Deste modo, não seria
com uma fé hesitante, mas com convicção segura, que eles afirmariam que o
corpo que ia sentar-Se no trono de Deus Pai era efectivamente Aquele que
tinha descansado na sepultura. Eis o que a bondade de Deus ensinou tão
cuidadosamente durante o tempo que mediou entre a ressurreição e a
ascensão, eis o que mostrou aos olhos e ao coração dos Seus amigos: o
Senhor Jesus Cristo, que tinha nascido verdadeiramente, verdadeiramente
sofreu e morreu, e ressuscitou verdadeiramente.




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