Terça-feira, dia 09 de Outubro de 2012
Terça-feira da 27 semana do Tempo Comum
São João Leonardo, presbítero, +1609, São Dionísio, bispo, e companheiros, mártires, ++250, Nossa Senhora do Monte, Beato John Henry Newman, cardeal, +1890
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Odão de Cantuária : Marta e Maria unidas
Leituras
Gálatas 1,13-24.
Irmãos: Ouvistes falar do meu procedimento outrora no judaísmo: com que excesso perseguia a Igreja de Deus e procurava devastá-la;
e no judaísmo ultrapassava a muitos dos compatriotas da minha idade, tão zeloso eu era das tradições dos meus pais.
Mas, quando aprouve a Deus que me escolheu desde o seio de minha mãe e me chamou pela sua graça
revelar o seu Filho em mim, para que o anuncie como Evangelho entre os gentios, não fui logo consultar criatura humana alguma,
nem subi a Jerusalém para ir ter com os que se tornaram Apóstolos antes de mim. Parti, sim, para a Arábia e voltei outra vez a Damasco.
A seguir, passados três anos, subi a Jerusalém, para conhecer a Cefas, e fiquei com ele durante quinze dias.
Mas não vi nenhum outro Apóstolo, a não ser Tiago, o irmão do Senhor.
O que vos escrevo, digo-o diante de Deus: não estou a mentir.
Seguidamente, fui para as regiões da Síria e da Cilícia.
Mas não era pessoalmente conhecido das igrejas de Cristo que estão na Judeia.
Apenas tinham ouvido dizer: «Aquele que nos perseguia outrora, anuncia agora, como Evangelho, a fé que então devastava.»
E, por causa de mim, glorificavam a Deus.
Salmos 139(138),1-3.13-14ab.14c-15.
Conduzi-me, Senhor, pelo caminho da eternidade.
Senhor, tu conheces o íntimo do meu ser:
sabeis quando me sento e quando me levanto.
De longe penetrais o meu pensamento:
observas todos os meus passos
Formasdtes as entranhas do meu corpo
e me criastes no seio de minha mãe.
Dou-te graças por me teres feito
tão maravilhosamente
admiráveis são as vossas obras.
Conhecias já a minha alma
e nada do meu ser Te era oculto,
quando secretamente era formado,
modelado nas profundidades da terra.
Lucas 10,38-42.
Naquele tempo, Jesus entrou numa aldeia. E uma mulher, de nome Marta, recebeu-O em sua casa.
Tinha ela uma irmã, chamada Maria, a qual, sentada aos pés do Senhor, escutava a sua palavra.
Marta, porém, andava atarefada com muitos serviços; e, aproximando-se, disse: «Senhor, não te preocupa que a minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe, pois, que me venha ajudar.»
O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e perturbada com muitas coisas;
mas uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada.»
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Odão de Cantuária (?-1200), monge beneditino
Sermão para a festa da Assunção
Marta e Maria unidas
O Evangelho narra-nos a cena em que Jesus é acolhido por duas irmãs e,
enquanto uma O serve, a outra entrega-se à escuta da Sua palavra. Tudo isto
pode ser aplicado à bem-aventurada Virgem Maria.
Estas duas mulheres mencionadas na Escritura costumam ser encaradas como
símbolo das duas vias da Igreja: Marta representa a via activa e Maria a
contemplativa. Marta esforça-se a praticar obras de misericórdia; Maria
repousa, observando. A activa entrega-se ao amor do próximo; a
contemplativa ao amor de Deus. Ora, Cristo é Deus e homem, e foi desde logo
envolvido no amor singular da bem-aventurada Virgem Maria, quer enquanto
servia a Sua humanidade, quer enquanto estava atenta à contemplação da Sua
divindade. [...]
Algumas pessoas servem os membros do Corpo de Cristo; a Virgem Maria servia
Cristo em carne e osso, [...] e não só com atitudes exteriores, mas com a
sua própria substância, tendo-Lhe oferecido a hospitalidade do seu seio. Na
Sua meninice ajudou à fragilidade da Sua condição humana, enchendo-o de
carícias, dando-Lhe banho, tratando d'Ele, levando-O para o Egipto para
escapar à perseguição de Herodes e trazendo-O de volta; e enfim, depois de
múltiplos serviços, mantendo-se junto à cruz aquando da Sua morte e
ajudando a pô-Lo no túmulo. [...] Assim, foi Marta, e ninguém poderá
igualá-la neste serviço.
Mas também na contemplação, a parte de Maria, a Virgem é superior a todos.
Na verdade, que contemplativa não devia ser aquela que trouxera no seu seio
a própria Divindade, o próprio Filho de Deus unido à sua carne! Depois de
nascer, prestou-Lhe atenção, falou-Lhe, desfrutou da Sua companhia,
contemplou-O, a «Cristo, em quem estão escondidos todos os tesouros da
sabedoria e do conhecimento» (Cl 2,3). [...] Assim foi a Virgem também
contemplativa, Ela que, no Filho unigénito de Deus que tinha gerado no seu
seio, contemplava a glória de toda a Trindade!
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segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Profecia do Dia
domingo, 7 de outubro de 2012
Profecia do Dia
Segunda-feira, dia 08 de Outubro de 2012
Segunda-feira da 27ª semana do Tempo Comum
Santa Taís, penitente, séc. IV, S. Simeão, teólogo, +1022
Comentário ao Evangelho do dia feito por
São Gregório de Nissa : O bom Samaritano
Leituras
Gálatas 1,6-12.
Irmãos: Estou admirado de que tão depressa vos afasteis daquele que vos chamou pela graça de Cristo, para seguirdes outro Evangelho.
Que outro não há; o que há é certa gente que vos perturba e quer perverter o Evangelho de Cristo.
Mas, até mesmo se nós ou um anjo do céu vos anunciar como Evangelho o contrário daquilo que vos anunciámos, seja anátema.
Como anteriormente dissemos, digo agora mais uma vez: se alguém vos anuncia como Evangelho o contrário daquilo que recebestes, seja anátema.
Estarei eu agora a tentar persuadir homens ou a Deus? Ou será que estou a procurar agradar aos homens? Se ainda pretendesse agradar aos homens, não seria servo de Cristo.
Com efeito, faço-vos saber, irmãos, que o Evangelho por mim anunciado, não o conheci à maneira humana;
pois eu não o recebi nem aprendi de homem algum, mas por uma revelação de Jesus Cristo.
Salmos 111(110),1-2.7-8.9.10c.
O Senhor recorda a sua aliança para sempre.
Louvarei o Senhor de todo o coração,
no conselho dos justos e na assembleia.
Grandes são as obras do Senhor,
dignas de meditação para quem as ama.
Instituiu um memorial de todo o coração
oSenhor é misericordioso e compassivo
Dá sustento aos que o temem
e jamais se esquece da sua aliança.
As obras das suas mãos são rectas e justas,
são imutáveis todos os seus preceitos.
Foram estabelecidos pelos séculos dos séculos
e baseiam-se na verdade e na rectidão.
Enviou a redenção aio seu povo,
firmou com ele uma aliança eterna
santo e venerável é o seu nome,
o louvor do Senhor permanece para sermpre
Lucas 10,25-37.
Naquele tempo, levantou-se um doutor da Lei e perguntou a Jesus para O experimentar: «Mestre, que hei-de fazer para possuir a vida eterna?»
Disse-lhe Jesus: «Que está escrito na Lei? Como lês?»
O outro respondeu: «Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.»
Disse-lhe Jesus: «Respondeste bem; faz isso e viverás.»
Mas ele, querendo justificar a pergunta feita, disse a Jesus: «E quem é o meu próximo?»
Tomando a palavra, Jesus respondeu: «Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores que, depois de o despojarem e encherem de pancadas, o abandonaram, deixando o meio morto.
Por coincidência, descia por aquele caminho um sacerdote que, ao vê-lo, passou ao largo.
Do mesmo modo, também um levita passou por aquele lugar e, ao vê-lo, passou adiante.
Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, encheu-se de compaixão.
Aproximou-se, ligou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele.
No dia seguinte, tirando dois denários, deu-os ao estalajadeiro, dizendo: 'Trata bem dele e, o que gastares a mais, pagar-to-ei quando voltar.'
Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?»
Respondeu: «O que usou de misericórdia para com ele.» Jesus retorquiu: «Vai e faz tu também o mesmo.»
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org
Comentário ao Evangelho do dia feito por
São Gregório de Nissa (c. 335-395), monge, bispo
Homilia 15 sobre o Cântico dos Cânticos
O bom Samaritano
«Este é o meu amado; este é o meu amigo, mulheres de Jerusalém» (Ct 5,16).
A Esposa do Cântico mostra aquele que procurava, dizendo: «Eis Quem eu
procuro, Aquele que, para Se tornar nosso irmão, veio de Judá. Tornou-Se
amigo daquele que caiu nas mãos dos salteadores; curou as suas feridas com
azeite, vinho e ligaduras; içou-o para a Sua própria montada; levou-o para
uma estalagem; deu duas moedas de prata para que cuidassem dele; e prometeu
pagar, quando regressasse, o que tivessem gastado no cumprimento das suas
ordens». Cada um destes detalhes tem um significado bem evidente.
O doutor da Lei tentou o Senhor e quis mostrar a sua superioridade em
relação aos outros, dizendo: «E quem é o meu próximo?» O Verbo expõe-lhe
então, sob a forma de uma narrativa, toda a história sagrada da
misericórdia: conta a queda do homem, a emboscada dos salteadores, o roubo
da veste incorruptível, as feridas do pecado, a invasão causada pela morte
em metade da nossa natureza (uma vez que a nossa alma permanece imortal), a
passagem inútil da Lei (uma vez que nem o sacerdote nem o Levita trataram
das feridas daquele que tinha caído nas mãos dos salteadores).
«Era, na verdade, impossível que o sangue dos toiros e dos carneiros
apagasse o pecado» (Heb 10,4): só o podia fazer Aquele que revestiu toda a
natureza humana: a dos judeus, dos samaritanos, dos gregos, numa palavra,
de toda a humanidade. Com o Seu corpo, que é a montada, Ele veio ao
encontro da miséria do homem. Curou as suas feridas, fê-lo repousar na Sua
própria montada, fez da Sua Misericórdia uma estalagem, onde todos os que
penam e se vergam sob o seu fardo encontram repouso (cf. Mt 11,28).
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sábado, 6 de outubro de 2012
Profecia do Dia
Domingo, dia 07 de Outubro de 2012
27º Domingo do Tempo Comum - Ano B
Vigésimo Sétimo Domingo do Tempo Comum (semana III do saltério)
Nossa Senhora do Rosário
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Cardeal Joseph Ratzinger : «Quem não receber o Reino de Deus como um pequenino não entrará nele»
Leituras
Gén. 2,18-24.
O Senhor Deus disse: «Não é conveniente que o homem esteja só; vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele.»
Então, o Senhor Deus, após ter formado da terra todos os animais dos campos e todas as aves dos céus, conduziu-os até junto do homem, a fim de verificar como ele os chamaria, para que todos os seres vivos fossem conhecidos pelos nomes que o homem lhes desse.
O homem designou com nomes todos os animais domésticos, todas as aves dos céus e todos os animais ferozes; contudo, não encontrou auxiliar semelhante a ele.
Então, o Senhor Deus fez cair sobre o homem um sono profundo; e, enquanto ele dormia, tirou-lhe uma das suas costelas, cujo lugar preencheu de carne.
Da costela que retirara do homem, o Senhor Deus fez a mulher e conduziu-a até ao homem.
Então, o homem exclamou: «Esta é, realmente, osso dos meus ossos e carne da minha carne. Chamar-se-á mulher, visto ter sido tirada do homem!»
Por esse motivo, o homem deixará o pai e a mãe, para se unir à sua mulher; e os dois serão uma só carne.
Salmos 128(127),1-2.3.4-5.6.
O Senhor nos abençoe em toda a nossa vida.
Felizes os que obedecem ao Senhor
e andam nos seus caminhos.
Comerás do fruto do teu próprio trabalho:
assim serás feliz e viverás contente.
Tua esposa será como videira fecunda
na intimidade do teu lar;
os teus filhos serão como rebentos de oliveira
ao redor da tua mesa.
Assim vai ser abençoado o homem que obedece ao Senhor.
O Senhor te abençoe do monte Sião!
Possas contemplar a prosperidade de Jerusalém
todos os dias da tua vida.
chegues a ver os filhos dos teus filhos. Paz a Israel!
Heb. 2,9-11.
Irmãos: Vemos, porém, Jesus, que foi feito por um pouco inferior aos anjos, coroado de glória e de honra, por causa da morte que sofreu, a fim de que, pela graça de Deus, experimentasse a morte em favor de todos.
Convinha, com efeito, que aquele por quem e para quem existem todas as coisas, querendo levar muitos filhos à glória, levasse à perfeição, por meio dos sofrimentos, o autor da sua salvação.
De facto, tanto o que santifica, como os que são santificados, provêm todos de um só; razão pela qual não se envergonha de lhes chamar irmãos,
Marcos 10,2-16.
Naquele tempo, aproximaram-se de Jesus uns fariseus e perguntaram-lhe, para O experimentar, se era lícito ao marido divorciar-se da mulher.
Ele respondeu-lhes: «Que vos ordenou Moisés?»
Disseram: «Moisés mandou escrever um documento de repúdio e divorciar-se dela.»
Jesus retorquiu: «Devido à dureza do vosso coração é que ele vos deixou esse preceito.
Mas, desde o princípio da criação, Deus fê-los homem e mulher.
Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher,
e serão os dois um só. Portanto, já não são dois, mas um só.
Pois bem, o que Deus uniu não o separe o homem.»
De regresso a casa, de novo os discípulos o interrogaram acerca disto.
Jesus disse: «Quem se divorciar da sua mulher e casar com outra, comete adultério contra a primeira.
E se a mulher se divorciar do seu marido e casar com outro, comete adultério.»
Apresentaram-lhe uns pequeninos para que Ele os tocasse; mas os discípulos repreenderam os que os haviam trazido.
Vendo isto, Jesus indignou-se e disse-lhes: «Deixai vir a mim os pequeninos e não os afasteis, porque o Reino de Deus pertence aos que são como eles.
Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como um pequenino, não entrará nele.»
Depois, tomou-os nos braços e abençoou-os, impondo-lhes as mãos.
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Cardeal Joseph Ratzinger (Papa Bento XVI)
Retiro pregado no Vaticano em 1983
«Quem não receber o Reino de Deus como um pequenino não entrará nele»
É surpreendente constatar a importância que o próprio Jesus atribui à
criança, para todo o homem: «Em verdade vos digo: quem não receber o Reino
de Deus como um pequenino não entrará nele» (Mt 18,3). Portanto, para
Jesus, ser criança não é uma etapa puramente transitória da vida do homem,
devida ao seu destino biológico, e que, por isso, deva desaparecer
totalmente. Na infância, o que é próprio do homem realiza-se de tal maneira
que quem perdeu o essencial da infância está, por sua vez, perdido.
A partir daí, e posicionando-nos no ponto de vista humano, podemos imaginar
que lembranças felizes guardaria Cristo dos dias da Sua infância, o quanto
a infância continuava a ser, para Ele, uma experiência preciosa, uma forma
particularmente pura de humanidade. Daí poderemos aprender a reverenciar a
criança que, desarmada, assim apela ao nosso amor.
Mas isso coloca-nos sobretudo a seguinte questão: qual é exactamente o
traço característico da infância que Jesus considera insubstituível? [...]
É necessário desde logo recordar que o atributo essencial de Jesus, aquele
que exprime a Sua dignidade, é o facto de ser «Filho». [...] A orientação
da Sua vida, o motivo e o objectivo que lhe deram forma exprimem-se numa
única palavra: «Abba, Pai» (Mc 14,36; Ga 4,6). Jesus sabia que nunca estava
só, e até ao último grito na cruz obedeceu Àquele a Quem chamava Pai,
inclinando-Se inteiramente para Ele. Basta isto para nos permitir explicar
que Ele, por fim, Se tenha recusado a chamar-Se rei ou senhor ou a
atribuir-Se qualquer outro título de poder, mas tenha recorrido a um termo
que poderíamos também traduzir por «criancinha».
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