Domingo, dia 03 de Março de 2013
3º Domingo da Quaresma - Ano C
Beato Inocêncio de Berzo, presbítero, +1890, Santos Marino e Astério, mártires, +260
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Astério de Amaseia : Imitemos a paciência do Bom Pastor
Leituras
Ex. 3,1-8a.13-15.
Naqueles dias,Moisés apascentava o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Madian. Ao levar o rebanho para além do deserto, e chegou ao monte de Deus, Horeb.
O anjo do Senhor apareceu-lhe numa chama de fogo, no meio da sarça. Ele olhou e viu, e eis que a sarça ardia no fogo mas não era devorada.
Moisés disse: «Vou adentrar-me para ver esta grande visão: por que razão não se consome a sarça?»
O Senhor viu que ele se adentrava para ver; e Deus chamou-o do meio da sarça: «Moisés! Moisés!» Ele disse: «Eis-me aqui!»
Ele disse: «Não te aproximes daqui; tira as tuas sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é uma terra santa.»
E continuou: «Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob.» Moisés escondeu o seu rosto, porque tinha medo de olhar para Deus.
O Senhor disse: «Eu bem vi a opressão do meu povo que está no Egipto, e ouvi o seu clamor diante dos seus inspectores; conheço, na verdade, os seus sofrimentos.
Desci a fim de o libertar da mão dos egípcios e de o fazer subir desta terra para uma terra boa e espaçosa, para uma terra que mana leite e mel, terra do cananeu, do hitita, do amorreu, do perizeu, do heveu e do jebuseu.
Moisés disse a Deus: «Eis que eu vou ter com os filhos de Israel e lhes digo: 'O Deus dos vossos pais enviou-me a vós'. Eles dir-me-ão: 'Qual é o nome dele?' Que lhes direi eu?»
Deus disse a Moisés: «EU SOU AQUELE QUE SOU.» Ele disse: «Assim dirás aos filhos de Israel: 'Eu sou' enviou-me a vós!»
Deus disse ainda a Moisés: «Assim dirás aos filhos de Israel: 'O Senhor, Deus dos vossos pais, Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacob, enviou-me a vós: este é o meu nome para sempre, o meu memorial de geração em geração'.
Salmos 103(102),1-2.3-4.6-7.8.11.
Bendiz, ó minha alma, o Senhor,
e todo o meu ser bendiga o seu nome santo.
Bendiz, ó minha alma, o Senhor,
e não esqueças nenhum dos seus benefícios.
É Ele quem perdoa as tuas culpas
e cura todas as tuas enfermidades.
É Ele quem resgata a tua vida do túmulo
e te enche de graça e de ternura.
O Senhor faz justiça
e defende o direito de todos os oprimidos.
Revelou a Moisés os seus caminhos
e aos filhos de Israel os seus prodígios.
O Senhor é misericordioso e compassivo,
é paciente e cheio de amor.
Como é grande a distância dos céus à terra,
assim são grandes os seus favores para os que o temem.
1 Cor. 10,1-6.10-12.
Não quero que ignoreis, irmãos, que os nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, todos passaram através do mar
e todos foram baptizados em Moisés, na nuvem e no mar.
Todos comeram do mesmo alimento espiritual
e todos beberam da mesma bebida espiritual; pois bebiam de um rochedo espiritual que os seguia, e esse rochedo era Cristo.
Apesar disso, a maior parte deles não agradou a Deus, pois foram exterminados no deserto.
Ora isto aconteceu para nos servir de exemplo, a fim de não cobiçarmos coisas más, como eles cobiçaram.
Não murmureis, como murmuraram alguns deles, e pereceram às mãos do Exterminador.
Estas coisas aconteceram-lhes para nosso exemplo e foram escritas para nos servir de aviso, a nós que chegámos ao fim dos tempos.
Assim, pois, quem pensa estar de pé, tome cuidado para não cair.
Lucas 13,1-9.
Naquele tempo, apareceram alguns a contar a Jesus, dos galileus, cujo sangue Pilatos tinha misturado com o dos sacrifícios que eles ofereciam.
Respondeu-lhes: «Julgais que esses galileus eram mais pecadores que todos os outros galileus, por terem assim sofrido?
Não, Eu vo-lo digo; mas, se não vos converterdes, perecereis todos igualmente.
E aqueles dezoito sobre os quais caiu a torre de Siloé, matando-os, eram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém?
Não, Eu vo-lo digo; mas, se não vos converterdes, perecereis todos da mesma forma.»
Disse-lhes, também, a seguinte parábola: «Um homem tinha uma figueira plantada na sua vinha e foi lá procurar frutos, mas não os encontrou.
Disse ao encarregado da vinha: 'Há três anos que venho procurar fruto nesta figueira e não o encontro. Corta-a; para que está ela a ocupar a terra?'
Mas ele respondeu: 'Senhor, deixa-a mais este ano, para que eu possa escavar a terra em volta e deitar-lhe estrume.
Se der frutos na próxima estação, ficará; senão, poderás cortá-la.'»
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Astério de Amaseia (?-c. 410), bispo
Homilia n.º 13, Sobre a conversão (trad. do Breviário)
Imitemos a paciência do Bom Pastor
Se quereis parecer-vos com Deus, uma vez que fostes criados à Sua imagem,
imitai o Seu exemplo. Se sois cristãos, nome que é uma proclamação de
caridade, imitai o amor de Cristo.
Considerai as riquezas da Sua bondade. [...] Como acolheu Ele os que
escutaram a Sua palavra? Concedeu-lhes generosamente o perdão dos pecados e
libertou-os, sem demora, de toda a ansiedade. [...] Imitemos o exemplo de
Cristo, o Bom Pastor. [...]
Vemos descrita [nos Evangelhos], na linguagem misteriosa das parábolas, a
figura de um pastor de cem ovelhas, o qual, ao verificar que uma delas se
tresmalhara e andava errante, não permaneceu junto das que pastavam
tranquilamente: pôs-se a caminho à procura da ovelha perdida, atravessando
vales e florestas, transpondo montanhas altas e escarpadas e percorrendo
desertos, num esforço incansável até a encontrar.
Ao encontrá-la, não lhe bateu nem a impeliu violentamente, mas, pondo-a aos
ombros e tratando-a com doçura, reconduziu-a ao rebanho. E foi maior a sua
alegria por uma só ovelha reencontrada do que pela multidão das restantes
(Lc 15,4-6).
Consideremos a realidade oculta na obscuridade da parábola [e o seu]
ensinamento sagrado: nunca devemos julgar os homens perdidos sem remédio,
nem deixar de ajudar com toda a diligência os que se encontram em perigo.
Pelo contrário: reconduzamos ao bom caminho os que se extraviaram e
afastaram da verdadeira vida, e alegremo-nos com o seu regresso à comunhão
daqueles que vivem recta e piedosamente.
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sábado, 2 de março de 2013
Profecia do Dia
sexta-feira, 1 de março de 2013
Profecia do Dia
Sabado, dia 02 de Março de 2013
Sábado da 2ª semana da Quaresma
Santa Inês de Praga, religiosa, +1282, S. Simplício, papa, +483
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Bento XVI : «Quando ainda estava longe, o pai viu-o e, enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço e cobriu-o de beijos.»
Leituras
Miqueias 7,14-15.18-20.
Apascenta com o cajado o teu povo, o rebanho da tua herança, os que habitam isolados nas florestas no meio dos prados. Sejam eles apascentados em Basan e Guilead, como nos dias antigos.
Mostra-nos os teus prodígios, como nos dias em que nos tiraste do Egipto.
Qual é o Deus que, como Tu, apaga a iniquidade e perdoa o pecado do resto da sua herança? Não se obstina na sua cólera, porque prefere a bondade.
Uma vez mais, terá compaixão de nós, apagará as nossas iniquidades e lançará os nossos pecados ao fundo do mar.
Mostrarás a tua fidelidade a Jacob, e a tua bondade a Abraão, como juraste a nossos pais, desde os tempos antigos.
Salmos 103(102),1-2.3-4.9-10.11-12.
Bendiz, ó minha alma, o Senhor,
e todo o meu ser bendiga o seu nome santo.
Bendiz, ó minha alma, o Senhor,
e não esqueças nenhum dos seus benefícios.
É Ele quem perdoa as tuas culpas
e cura todas as tuas enfermidades.
É Ele quem resgata a tua vida do túmulo
e te enche de graça e de ternura.
Não está sempre a repreender-nos,
nem a sua ira dura para sempre.
Não nos tratou segundo os nossos pecados,
nem nos castigou segundo as nossas culpas.
Como é grande a distância dos céus à terra,
assim são grandes os seus favores para os que o temem.
Como o Oriente está afastado do Ocidente,
assim Ele afasta de nós os nossos pecados.
Lucas 15,1-3.11-32.
Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se de Jesus para O ouvirem.
Mas os fariseus e os doutores da Lei murmuravam entre si, dizendo: «Este acolhe os pecadores e come com eles.»
Jesus propôs-lhes, então, esta parábola:
Disse ainda: «Um homem tinha dois filhos.
O mais novo disse ao pai: 'Pai, dá-me a parte dos bens que me corresponde.' E o pai repartiu os bens entre os dois.
Poucos dias depois, o filho mais novo, juntando tudo, partiu para uma terra longínqua e por lá esbanjou tudo quanto possuía, numa vida desregrada.
Depois de gastar tudo, houve grande fome nesse país e ele começou a passar privações.
Então, foi colocar-se ao serviço de um dos habitantes daquela terra, o qual o mandou para os seus campos guardar porcos.
Bem desejava ele encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava.
E, caindo em si, disse: 'Quantos jornaleiros de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome!
Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e vou dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti;
já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus jornaleiros.'
E, levantando-se, foi ter com o pai. Quando ainda estava longe, o pai viu-o e, enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço e cobriu-o de beijos.
O filho disse-lhe: 'Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho.'
Mas o pai disse aos seus servos: 'Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha; dai-lhe um anel para o dedo e sandálias para os pés.
Trazei o vitelo gordo e matai-o; vamos fazer um banquete e alegrar-nos,
porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi encontrado.' E a festa principiou.
Ora, o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se de casa ouviu a música e as danças.
Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo.
Disse-lhe ele: 'O teu irmão voltou e o teu pai matou o vitelo gordo, porque chegou são e salvo.'
Encolerizado, não queria entrar; mas o seu pai, saindo, suplicava-lhe que entrasse.
Respondendo ao pai, disse-lhe: 'Há já tantos anos que te sirvo sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos;
e agora, ao chegar esse teu filho, que gastou os teus bens com meretrizes, mataste-lhe o vitelo gordo.'
O pai respondeu-lhe: 'Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu.
Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; estava perdido e foi encontrado.'»
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Bento XVI, papa de 2005 a 2013
Encíclica «Deus Caritas Est» §§ 12-13 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana, rev.)
«Quando ainda estava longe, o pai viu-o e, enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço e cobriu-o de beijos.»
A verdadeira novidade do Novo Testamento não reside em novas ideias, mas na
própria figura de Cristo, que dá carne e sangue aos conceitos um incrível
realismo. Já no Antigo Testamento a novidade bíblica não consistia
simplesmente em noções abstractas, mas na acção imprevisível e, de certa
forma, inaudita de Deus. Esta acção de Deus ganha agora a sua forma
dramática devido ao facto de que, em Jesus Cristo, o próprio Deus vai atrás
da «ovelha perdida» (Lc 15,1ss.), a humanidade sofredora e transviada.
Quando Jesus fala, nas Suas parábolas, do pastor que vai atrás da ovelha
perdida, da mulher que procura a dracma, do pai que sai ao encontro do
filho pródigo e o abraça, não se trata apenas de palavras, mas de uma
explicação do Seu próprio ser e agir. Na Sua morte de cruz, cumpre-se
aquele virar-Se de Deus contra Si próprio, com o qual Ele Se entrega para
levantar o homem e salvá-lo o amor na sua forma mais radical. O olhar
fixo no lado trespassado de Cristo de que fala João (cf 19,37) compreende o
que serviu de ponto de partida a esta Carta Encíclica: «Deus é amor» (1 Jo
4,8). É aí que esta verdade pode ser contemplada. E, partindo daí,
pretende-se agora definir em que consiste o amor. A partir daquele olhar, o
cristão encontra o caminho do seu viver e do seu amar.Jesus deu a este acto
de oferta uma presença duradoura através da instituição da Eucaristia
durante a Última Ceia. Antecipa a Sua morte e ressurreição entregando-Se já
a Si mesmo naquela hora aos Seus discípulos, no pão e no vinho, Seu corpo e
sangue [...]. A Eucaristia arrasta-nos no acto oblativo de Jesus. [...] A
«mística» do Sacramento, que se funda no abaixamento de Deus até nós, é de
um alcance muito diverso e conduz muito mais alto do que qualquer mística
elevação do homem poderia realizar.
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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Profecia do Dia
Sexta-feira, dia 01 de Março de 2013
Sexta-feira da 2ª semana da Quaresma
Santo Albino, bispo, +550, S. Rosendo, bispo, +977, Beato Miguel Carvalho e companheiros, mártires, +1624
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Santo Ireneu de Lyon : A vinha de Deus
Leituras
Gén. 37,3-4.12-13a.17b-28.
Jacob preferia José aos seus outros filhos, porque era o filho da sua velhice, e mandara-lhe fazer uma túnica comprida.
Os irmãos, vendo que o pai o amava mais do que a todos eles, ganharam-lhe ódio e não podiam falar-lhe amigavelmente.
Um dia, os irmãos de José conduziram os rebanhos de seu pai para Siquém.
E Israel disse a José: «Os teus irmãos apascentam os rebanhos em Siquém. Prepara-te, pois quero enviar-te para junto deles.» José respondeu: «Estou pronto.»
Eles viram-no de longe e, antes que se aproximasse, fizeram planos para o matar.
Disseram uns aos outros: «Eis que se aproxima o homem dos sonhos.
Vamos, matemo-lo, atiremo-lo a qualquer cisterna e depois diremos que um animal feroz o devorou. Veremos, então, como se realizarão os seus sonhos.»
Rúben ouviu-os e quis salvá-lo das suas mãos. Então disse: «Não atentemos contra a sua vida.»
Rúben disse ainda: «Não derrameis sangue! Atirai-o à cisterna que está no deserto, mas não levanteis a mão contra ele.» O seu intento era livrá-lo das suas mãos para o fazer regressar ao seu pai.
Quando José chegou junto dos irmãos, estes despojaram-no da túnica comprida que usava
e, agarrando-o, lançaram-no à cisterna. Esta estava vazia e sem água.
Depois, sentaram-se para comer. Erguendo, porém, os olhos, viram uma caravana de ismaelitas que vinha de Guilead. Os camelos estavam carregados de aroma, de bálsamo e láudano, que levavam para o Egipto.
Judá disse aos irmãos: «Que vantagem tiramos da morte de nosso irmão, ocultando o seu sangue?
Vinde, vendamo-lo aos ismaelitas e que a nossa mão não caia sobre ele, porque é nosso irmão e da nossa família.» E os irmãos consentiram.
Passaram por ali alguns negociantes madianitas, que conseguiram tirar José da cisterna; e eles venderam-no aos ismaelitas por vinte moedas de prata. Estes levaram José para o Egipto.
Salmos 105(104),16-17.18-19.20-21.
Deus fez cair a fome sobre a terra
e privou-os do pão, que dá o sustento.
Enviou diante deles um homem,
José, que foi vendido como escravo.
Apertaram-lhe os pés com grilhões
e puseram-lhe uma argola de ferro ao pescoço,
até que se cumpriu a profecia,
e a palavra do Senhor lhe deu razão.
Então o rei deu ordens para que o soltassem,
o soberano dos povos pô-lo em liberdade.
Nomeou-o mordomo da sua casa
e administrador de todos os seus bens.
Mateus 21,33-43.45-46.
Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: «Escutai outra parábola: Um chefe de família plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar, construiu uma torre, arrendou-a a uns vinhateiros e ausentou-se para longe.
Quando chegou a época das vindimas, enviou os seus servos aos vinhateiros, para receberem os frutos que lhe pertenciam.
Os vinhateiros, porém, apoderaram-se dos servos, bateram num, mataram outro e apedrejaram o terceiro.
Tornou a mandar outros servos, mais numerosos do que os primeiros, e trataram-nos da mesma forma.
Finalmente, enviou-lhes o seu próprio filho, dizendo: 'Hão-de respeitar o meu filho.'
Mas os vinhateiros, vendo o filho, disseram entre si: 'Este é o herdeiro. Matemo-lo e ficaremos com a sua herança.'
E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e mataram-no.
Ora bem, quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?»
Eles responderam-lhe: «Dará morte afrontosa aos malvados e arrendará a vinha a outros vinhateiros que lhe entregarão os frutos na altura devida.»
Jesus disse-lhes: «Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os construtores rejeitaram transformou-se em pedra angular? Isto é obra do Senhor e é admirável aos nossos olhos?
Por isso vos digo: O Reino de Deus ser-vos-á tirado e será confiado a um povo que produzirá os seus frutos.
Os sumos sacerdotes e os fariseus, ao ouvirem as suas parábolas, compreenderam que eram eles os visados.
Embora procurassem meio de o prender, temeram o povo, que o considerava profeta.
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Santo Ireneu de Lyon (c. 130-c. 208), bispo, teólogo, mártir
Contra as heresias, IV 36, 2-3; SC 100
A vinha de Deus
Ao modelar Adão com o pó da terra (Gn 2,7) e ao eleger patriarcas, Deus
plantou a vinha do género humano. Depois confiou-a a vinhateiros pelo dom
da Lei transmitida por Moisés. Cercou essa vinha com uma sebe, isto é,
circunscreveu a terra que eles teriam de cultivar; construiu uma torre, ou
seja, escolheu Jerusalém; montou um lagar, ou seja, preparou os que iam
receber o Espírito profético. E enviou-lhes profetas, antes do exílio de
Babilónia; e, após o exílio, outros ainda em maior número, para reclamarem
os frutos e para lhes dizerem [...]: «Endireitai os vossos caminhos e
emendai as vossas obras» (Jr 7,3); praticai uma verdadeira justiça e
excedei-vos em bondade e compaixão, cada um para com seu irmão. Não
oprimais a viúva e o órfão, o estrangeiro e o pobre, e não formeis nos
vossos corações maus desígnios uns para com os outros» (Zac 7,9-10) [...];
«lavai-vos, purificai-vos, tirai da frente dos Meus olhos a malícia das
vossas acções; [...] aprendei a fazer o bem; procurai o que é justo,
socorrei os oprimidos» (Is 1,16-17). [...]
Tais eram as prédicas por que os profetas reclamavam o fruto da justiça.
Mas como as multidões continuassem incrédulas, enviou-lhes finalmente o Seu
Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, a Quem os perversos vinhateiros mataram e
lançaram para fora da vinha. Razão por que Deus a confiou não a
circunscrevendo já, antes a abrindo ao mundo inteiro a outros vinhateiros
para que estes Lhe entregassem o fruto na altura devida. A torre da eleição
eleva-se por toda a Terra no seu esplendor, porque por toda a Terra a
Igreja resplandece; por toda a Terra surge também erecto o lagar, porque
por toda a Terra estão aqueles que recebem o Espírito de Deus. [...]
Por isso dizia o Senhor aos Seus discípulos, para fazer de nós bons
obreiros: «Que os vossos corações não se tornem pesados com a devassidão, a
embriaguez e as preocupações da vida [...]; velai, pois, orando
continuamente» (Lc 21,34.36). [...] «Estejam apertados os vossos cintos e
acesas as vossas lâmpadas. Sede semelhantes aos homens que esperam o seu
senhor» (Lc 12,34-36).
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