sábado, 6 de agosto de 2016

Liturgia do Dia - sua Profecia diária


Sabado, dia 06 de Agosto de 2016

Transfiguração do Senhor – Festa - Ano C
Transfiguração do Senhor

S. Justo e S. Pastor, estudantes, mártires, +304

Comentário do dia
Autor siríaco anónimo do século VI: «Entre os que estão aqui, alguns não conhecerão a morte antes de terem visto o reino de Deus.»

Dan. 7,9-10.13-14.

Estava eu a olhar, quando foram colocados tronos e um Ancião sentou-se. As suas vestes eram brancas como a neve e os cabelos como a lã pura. O seu trono eram chamas de fogo, com rodas de lume vivo.
Um rio de fogo corria, irrompendo diante dele. Milhares de milhares o serviam e miríades de miríades o assistiam. O tribunal abriu a sessão e os livros foram abertos.
Contemplava eu as visões da noite, quando, sobre as nuvens do céu, veio alguém semelhante a um filho do homem. Dirigiu-Se para o Ancião venerável e conduziram-no à sua presença.
Foi-lhe entregue o poder, a honra e a realeza, e todos os povos e nações O serviram. O seu poder é eterno, que nunca passará, e o seu reino jamais será destruído.


Salmos 97(96),1-2.5-6.9.

O Senhor é rei: exulte a terra,
rejubile a multidão das ilhas.
Ao seu redor, nuvens e trevas;
a justiça e o direito são a base do seu trono.

Derretem-se os montes como cera
diante do senhor de toda a terra.
Os céus proclamam a sua justiça
e todos os povos contemplam a sua glória.

Vós, Senhor, sois o Altíssimo sobre toda a terra,
estais acima de todos os deuses.



Lucas 9,28b-36.

Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, João e Tiago e subiu ao monte, para orar.
Enquanto orava, alterou-se o aspeto do seu rosto e as suas vestes ficaram de uma brancura refulgente.
Dois homens falavam com Ele: eram Moisés e Elias,
que, tendo aparecido em glória, falavam da morte de Jesus, que ia consumar-se em Jerusalém.
Pedro e os companheiros estavam a cair de sono; mas, despertando, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com Ele.
Quando estes se iam afastando, Pedro disse a Jesus: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». Não sabia o que estava a dizer.
Enquanto assim falava, veio uma nuvem que os cobriu com a sua sombra; e eles ficaram cheios de medo, ao entrarem na nuvem.
Da nuvem saiu uma voz, que dizia: «Este é o meu Filho, o meu Eleito: escutai-O».
Quando a voz se fez ouvir, Jesus ficou sozinho. Os discípulos guardaram silêncio e, naqueles dias, a ninguém contaram nada do que tinham visto.



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

Autor siríaco anónimo do século VI
Homilia atribuida erradamente a Santo Efrém

«Entre os que estão aqui, alguns não conhecerão a morte antes de terem visto o reino de Deus.»

Nosso Senhor Jesus Cristo levou Pedro, Tiago e João à montanha para lhes mostrar a glória da sua divindade e lhes dar a conhecer que Ele era o Redentor de Israel, como os profetas tinham anunciado. Queria também prepará-los, para que não ficassem escandalizados à vista dos sofrimentos que livremente ia suportar por nós na sua natureza humana. Com efeito, eles conheciam-No enquanto homem, mas ignoravam que fosse Deus; conheciam-No como filho de Maria, um homem que vivia com eles no mundo, mas na montanha Ele fez-lhes saber que era o Filho de Deus, o próprio Deus.

Eles tinham-No visto comer e beber, trabalhar e descansar, esgotar-Se e dormir, [...] tudo coisas que não pareciam estar muito em harmonia com a sua natureza divina, que pareciam não convir senão à sua humanidade. Foi por isso que os levou à montanha, a fim de que o Pai Lhe chamasse seu Filho e lhes mostrasse que Ele era verdadeiramente seu Filho, e que era Deus. Jesus levou-os à montanha e mostrou-lhes o seu Reino antes de lhes manifestar os seus sofrimentos, o seu poder antes da sua morte, a sua glória antes dos ultrages, a sua honra antes da ignomínia. Assim, quando fosse preso e crucificado, os seus apóstolos saberiam que não o tinha sido por fraqueza, mas por consentimento e de livre vontade, para a salvação do mundo.







sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Liturgia do Dia - sua Profecia diária


Sexta-feira, dia 05 de Agosto de 2016

Sexta-feira da 18ª semana do Tempo Comum
Dedicação da Basílica de Santa Maria MaiorNossa Senhora de África, festa em África

Santo Osvaldo, rei, +642

Comentário do dia
Concílio Vaticano II: Ver o Filho do homem vir com o seu Reino

Naum 2,1.3.3,1-3.6-7.

Vede sobre os montes os passos do mensageiro que anuncia a paz. Celebra as tuas festas, Judá, cumpre os teus votos, porque o malfeitor não voltará a passar por ti, ele foi totalmente destruído.
O Senhor restaurou o esplendor de Jacob e o esplendor de Israel, porque os salteadores a tinham saqueado, devastando os seus sarmentos.
Ai da cidade sanguinária, cheia de perfídia, repleta de despojos, onde não cessa a pilhagem!
Ouve-se o estalar do chicote, o estrépito das rodas, o galope dos cavalos, o baloiçar dos carros. Arremetem os cavalos,
brilham as espadas, cintilam as lanças. Depois, multidão de feridos, mortos sem conta, cadáveres sem fim, nos quais se tropeça!
«Vou cobrir-te de imundície, lançar-te na ignomínia e expor-te à vergonha pública – diz o Senhor –.
Quem te vir fugirá de ti, dizendo: 'Nínive está devastada! Quem terá compaixão dela?' Onde encontrarei quem te console'».


Deut. 32,35cd-36ab.39abcd.41.

Está próximo o dia da ruína,
iminente o seu destino,
porque o Senhor defenderá o seu povo,
terá piedade dos seus servos.

Reconhecei agora que Eu sou Deus
e não há outro além de Mim.
Sou o Senhor da morte e da vida:
nada escapa ao meu poder.

Quando desembainhar a minha espada fulgurante,
quando tomar em minhas mãos a sentença,
tirarei desforra dos meus inimigos,
retribuirei aos meus adversários.




Mateus 16,24-28.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.
Pois quem quiser salvar a sua vida há de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, há de encontrá-la.
Na verdade, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? Que poderá dar o homem em troca da sua vida?
O Filho do homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus Anjos, e então dará a cada um segundo as suas obras.
Em verdade vos digo: Alguns dos que estão aqui presentes não morrerão, antes de verem chegar o Filho do homem na glória do seu reino».



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

Concílio Vaticano II
Constituição sobre a Igreja no Mundo Contemporâneo, Gaudium et Spes, §37-38

Ver o Filho do homem vir com o seu Reino

A Sagrada Escritura, confirmada pela experiência dos séculos, ensina à família humana que o progresso humano, tão grande bem para o homem, traz consigo também uma grande tentação: perturbada a ordem de valores e misturado o bem com o mal, os homens e os grupos consideram apenas o que é seu, esquecendo o que é dos outros. O mundo deixa assim de ser um lugar de verdadeira fraternidade, e o poder acrescido dos homens ameaça já destruir o próprio género humano.

Se alguém quer saber de que maneira se pode superar esta situação miserável, os cristãos professam que todas as actividades humanas [...] devem ser purificadas e levadas à perfeição pela cruz e ressurreição de Cristo. Porque, remido por Cristo e tornado nova criatura no Espírito Santo, o homem pode e deve amar as coisas criadas por Deus. [...]

O Verbo de Deus, pelo qual todas as coisas foram feitas, fazendo-Se homem e vivendo na terra dos homens, entrou como homem perfeito na história do mundo, assumindo-a e recapitulando-a (Ef 1,10). Ele revela-nos que «Deus é amor» (1Jo 4,8) e ensina-nos ao mesmo tempo que a lei fundamental da perfeição humana, e portanto da transformação do mundo, é o novo mandamento do amor (Jo 13,34). Dá, assim, aos que acreditam no amor de Deus a certeza de que o caminho do amor está aberto para todos e de que o esforço por estabelecer a universal fraternidade não é vão. Adverte, ao mesmo tempo, que este amor não se deve exercitar apenas nas coisas grandes, mas, antes de mais, nas circunstâncias ordinárias da vida. Suportando a morte por todos nós pecadores, ensina-nos com o seu exemplo que também devemos levar a cruz que a carne e o mundo fazem pesar sobre os ombros daqueles que buscam a paz e a justiça.







quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Liturgia do Dia - sua Profecia diária


Quinta-feira, dia 04 de Agosto de 2016

Quinta-feira da 18ª semana do Tempo Comum

S. João Maria Vianney, presbítero, +1859

Comentário do dia
São João Crisóstomo : «Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja»

Jer. 31,31-34.

Dias virão, diz o Senhor, em que estabelecerei com a casa de Israel e com a casa de Judá uma aliança nova.
Não será como a aliança que firmei com os seus pais, no dia em que os tomei pela mão para os tirar da terra do Egipto, aliança que eles violaram, embora Eu exercesse o meu domínio sobre eles, diz o Senhor.
Esta é a aliança que estabelecerei com a casa de Israel, naqueles dias, diz o Senhor: Hei de imprimir a minha lei no íntimo da sua alma e gravá-la-ei no seu coração. Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.
Já não terão de se instruir uns aos outros, nem de dizer cada um a seu irmão: «Aprendei a conhecer o Senhor». Todos eles Me conhecerão, desde o maior ao mais pequeno, diz o Senhor. Porque vou perdoar os seus pecados e não mais recordarei as suas faltas.


Salmos 51(50),12-13.14-15.18-19.

Criai em mim, ó Deus, um coração puro
e fazei nascer dentro de mim um espírito firme.
Não queirais repelir-me da vossa presença
e não retireis de mim o vosso espírito de santidade.

Dai-me de novo a alegria da vossa salvação
e sustentai-me com espírito generoso.
Ensinarei aos pecadores os vossos caminhos
e os transviados hão de voltar para Vós.

Não é do sacrifício que Vos agradais
e, se eu oferecer um holocausto, não o aceitareis.
Sacrifício agradável a Deus é o espírito arrependido:
não desprezeis, Senhor, um espírito humilhado e contrito.




Mateus 16,13-23.

Naquele tempo, Jesus foi para os lados de Cesareia de Filipe e perguntou aos seus discípulos: «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?».
Eles responderam: «Uns dizem que é João Baptista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas».
Jesus perguntou: «E vós, quem dizeis que Eu sou?».
Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo».
Jesus respondeu-lhe: «Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus.
Também Eu te digo: Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus».
Então, Jesus ordenou aos discípulos que não dissessem a ninguém que Ele era o Messias.
E começou a explicar aos seus discípulos que tinha de ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas; que tinha de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia.
Pedro, tomando-O à parte, começou a contestá-l'O, dizendo: «Deus Te livre de tal, Senhor! Isso não há de acontecer!»
Jesus voltou-Se para Pedro e disse-lhe: «Vai-te daqui, Satanás. Tu és para mim uma ocasião de escândalo, pois não tens em vista as coisas de Deus, mas dos homens».



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja
Homilia sobre S. Pedro e Sto. Elias

«Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja»

Pedro ia receber as chaves da Igreja, mais ainda, as chaves dos céus; ia ser-lhe confiada a governação de um povo numeroso. […] Se, com a tendência que tinha para a severidade, Pedro tivesse permanecido sem pecado, como poderia ser misericordioso com os seus discípulos? Ora, por uma disposição da graça divina, caiu no pecado, por forma a que, tendo tido a experiência da sua própria miséria, pudesse ser bom para com os outros.

Repara bem: quem cedeu ao pecado foi Pedro, o chefe dos apóstolos, o fundamento sólido, a rocha indestrutível, o guia da Igreja, o porto invencível, a torre inabalável, ele que tinha dito a Cristo: «Mesmo que tenha de morrer contigo, não Te negarei» (Mt 26,35); ele que, por uma revelação divina, tinha confessado a verdade: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo».

Ora, narra o Evangelho que, na própria noite em que Jesus foi entregue, […] uma jovem disse a Pedro: «Tu também estavas com aquele homem»; ao que Pedro respondeu: «Não conheço esse homem» (Mt 26,69-72). […] Ele, a coluna, a muralha, cedeu perante as suspeitas de uma mulher. […] Jesus fixou nele o olhar […], Pedro compreendeu, arrependeu-se do seu pecado e desatou a chorar. E o Senhor misericordioso concedeu-lhe o seu perdão. […]

Ele foi submetido ao pecado para que a consciência da sua culpa e do perdão recebido do Senhor o levasse a perdoar aos outros por amor. Realizava assim uma disposição providencial, conforme à maneira divina de agir. Foi necessário que Pedro, a quem a Igreja seria confiada, a coluna das Igrejas, a porta da fé, o médico do mundo, se mostrasse fraco e pecador. Assim foi, na verdade, para que ele descobrisse na sua fraqueza uma razão para exercer a bondade para com os outros homens.