domingo, 11 de dezembro de 2016

Liturgia do Dia - sua Profecia diária


Domingo, dia 11 de Dezembro de 2016

3º Domingo do Advento
3º Domingo do Advento (semana III do saltério)

S. Dâmaso I, papa, +384

Comentário do dia
São Cirilo de Alexandria : «Os cegos vêem, [...] os mortos ressuscitam e a boa nova é anunciada aos pobres.»

Is. 35,1-6.10.

Alegrem-se o deserto e o descampado, rejubile e floresça a terra árida,
cubra-se de flores como o narciso, exulte com brados de alegria. Ser-lhe-á dada a glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e do Sáron. Verão a glória do Senhor, o esplendor do nosso Deus.
Fortalecei as mãos fatigadas e robustecei os joelhos vacilantes.
Dizei aos corações perturbados: «Tende coragem, não temais: Aí está o vosso Deus, vem para fazer justiça e dar a recompensa. Ele próprio vem salvar-vos».
Então se abrirão os olhos dos cegos, e se desimpedirão os ouvidos dos surdos.
Então o coxo saltará como um veado e a língua do mudo cantará de alegria. As águas brotarão no deserto e as torrentes na aridez da planície;
Voltarão os que o Senhor libertar, hão-de chegar a Sião com brados de alegria, com eterna felicidade a iluminar-lhes o rosto. Reinarão o prazer e o contentamento, e acabarão a dor e os gemidos.


Salmos 146(145),7-10.

O Senhor faz justiça aos oprimidos,
dá pão aos que têm fome
e a liberdade aos cativos.
O Senhor ilumina os olhos dos cegos,

o Senhor levanta os abatidos,
o Senhor ama os justos.
O Senhor protege os peregrinos,
ampara o órfão e a viúva

e entrava o caminho aos pecadores.
O Senhor reina eternamente.
O teu Deus, ó Sião,
é rei por todas as gerações.




Tiago 5,7-10.

Irmãos: Esperai com paciência a vinda do Senhor. Vede como o agricultor espera pacientemente o precioso fruto da terra, aguardando a chuva temporã e a tardia.
Sede pacientes, vós também, e fortalecei os vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima.
Não vos queixeis uns dos outros, a fim de não serdes julgados. Eis que o juiz está à porta.
Irmãos, tomai como modelos de sofrimento e de paciência os profetas, que falaram em nome do Senhor.


Mateus 11,2-11.

Naquele tempo, João Baptista ouviu falar, na prisão, das obras de Cristo e mandou-Lhe dizer pelos discípulos:
«És Tu Aquele que há-de vir, ou devemos esperar outro?».
Jesus respondeu-lhes: «Ide contar a João o que vedes e ouvis:
os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a boa nova é anunciada aos pobres.
E bem-aventurado aquele que não encontrar em Mim motivo de escândalo».
Quando os mensageiros partiram, Jesus começou a falar de João às multidões: «Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento?
Então que fostes ver? Um homem vestido com roupas delicadas? Mas aqueles que usam roupas delicadas encontram-se nos palácios dos reis.
Que fostes ver então? Um profeta? Sim – Eu vo-lo digo – e mais que profeta.
É dele que está escrito: 'Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, para te preparar o caminho'.
Em verdade vos digo: Entre os filhos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Baptista. Mas o menor no reino dos Céus é maior do que ele».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

São Cirilo de Alexandria (380-444), bispo, doutor da Igreja
Primeiro diálogo cristológico

«Os cegos vêem, [...] os mortos ressuscitam e a boa nova é anunciada aos pobres.»

«Aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu; Ele batizar-vos-á no Espírito Santo e no fogo» (Mt 3,11) O poder de batizar no Espírito Santo e no fogo será obra duma humanidade semelhante à nossa? Como poderia ser isso? Falando de um homem que ainda não Se tinha apresentado, João declara que Ele batizará «no Espírito Santo e no fogo». Não como o faria um qualquer subalterno, insuflando nos batizados um Espírito que não é o seu, mas como alguém que é Deus por natureza, que dá com um poder soberano o que vem dele e Lhe pertence como propriedade. E é graças a isso que se imprime em nós o selo divino.

Efetivamente, em Cristo Jesus somos transformados à imagem divina; não que o nosso corpo seja modelado de novo, mas porque, ao possuirmos o próprio Cristo, recebemos o Espírito Santo, a ponto de podermos, daí em diante, exultar de alegria: «A minha alma exulta no Senhor, porque Ele me revestiu de salvação e de alegria» (1Sam 2,1) Com efeito, o apóstolo Paulo diz: «Todos vós, que fostes batizados em Cristo, fostes revestidos de Cristo» (Gál 3,27).

Foi então num homem que fomos baptizados? Silêncio. Tu, que não passas de ser um homem, queres deitar por terra a nossa esperança? Nós fomos batizados num Deus feito homem, que liberta das penas e das faltas todos os que nele acreditam. «Arrependei-vos e que cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo. Então recebereis o dom do Espírito Santo» (At 2,38). Ele liberta os que a Ele se unem; Ele faz surgir em nós a sua própria natureza. O Espírito Santo pertence por natureza ao Filho, que Se tornou homem semelhante a nós, porque Ele mesmo é a vida de tudo o que existe.







sábado, 10 de dezembro de 2016

Liturgia do Dia - sua Profecia diária


Sabado, dia 10 de Dezembro de 2016

Sábado da 2a semana do Advento
Nossa Senhora do Loreto

Santa Eulália, virgem, mártir, +304

Comentário do dia
São Romano: «Como eras temível, Elias, [...] tu que foste arrebatado num turbilhão de fogo, [...] tu que preparaste o fim dos tempos» (Si 48,9-10)

Sirac 48,1-4.9-11.

O profeta Elias surgiu como um fogo e a sua palavra queimava como um facho ardente.
Fez vir a fome sobre os homens de Israel e no seu zelo reduziu-os a um pequeno número.
Pela palavra do Senhor fechou o céu e três vezes fez descer o fogo.
– Como foste admirável, Elias, pelos teus prodígios! Quem se pode gloriar de ser como tu?
Foste arrebatado num turbilhão de chamas e num carro puxado por cavalos de fogo.
Foste designado, na perspetiva dos tempos futuros, para aplacar a ira divina antes que ela se inflamasse, para reconciliar com os filhos o coração dos pais e restabelecer as tribos de Jacob.
Felizes os que te viram e os que morreram no amor de Deus,


Salmos 80(79),2ac.3b.15-16.18-19.

Pastor de Israel, escutai,
Vós que estais sentado sobre os Querubins, aparecei.
Despertai o vosso poder
e vinde em nosso auxílio.

Deus dos Exércitos
de novo, olhai dos céus e vede, visitai esta vinha.
Protegei a cepa que a vossa mão direita plantou,
o rebento que fortalecestes para Vós.

Estendei a mão sobre o homem que escolhestes,
sobre o filho do homem que para Vós criastes.
Nunca mais nos apartaremos de Vós,
fazei-nos viver e invocaremos o vosso nome.




Mateus 17,10-13.

Ao descerem do monte, os discípulos perguntaram a Jesus: «Porque dizem os escribas que Elias tem de vir primeiro?»
Jesus respondeu-lhes: «Certamente Elias há-de vir para restaurar todas as coisas.
Eu vos digo, porém, que Elias já veio; mas, em vez de o reconhecerem, fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim também o Filho do homem será maltratado por eles».
Então os discípulos compreenderam que Jesus lhes falava de João Baptista.



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

São Romano, o Melodista (?-c. 560), compositor de hinos
Hino sobre o profeta Elias

«Como eras temível, Elias, [...] tu que foste arrebatado num turbilhão de fogo, [...] tu que preparaste o fim dos tempos» (Si 48,9-10)

Perante a perversidade dos homens, o profeta Elias pensou tornar o castigo ainda mais duro. Vendo isso, o Misericordioso respondeu ao profeta: «Eu sei que o zelo pelo bem te consome (1Rs, 19,14), conheço a tua boa vontade, mas tenho compaixão dos pecadores quando eles são desmesuradamente castigados. Irritas-te, tu a quem eles nada podem apontar, e não te resignas? Pois Eu não Me resigno a que um só deles se perca (Mt 18,14), porque sou o único amigo dos homens» (Sb 1,6).

Em seguida, o Mestre, vendo o humor enfurecido do profeta para com os homens, preocupou-Se com eles. Afastou Elias da terra em que habitavam, dizendo: «Afasta-te da morada dos homens; Eu é que, na minha misericórdia, descerei ao meio deles fazendo-Me homem. Deixa então a Terra e sobe, uma vez que não podes tolerar as faltas dos homens. Mas Eu, que estou no Céu, viverei entre os pecadores e salvá-los-ei das suas faltas, Eu que sou o único amigo dos homens. Se não podes viver com os homens culpados, vem para aqui e mora na casa dos meus amigos, onde já não há pecado. Eu descerei, porque posso tomar aos ombros e reconduzir a ovelha perdida (Lc 15,5) e gritar aos que sofrem: "Vinde todos, pecadores, vinde a Mim e repousai" (Mt 11,28). Porque Eu não vim castigar os que criei, mas arrancar os homens à impiedade, Eu que sou o único amigo dos homens.»
   
Desta forma, quando foi elevado aos céus (2Rs 2,11), Elias apareceu como a figura do futuro. Ele foi arrebatado por um carro de fogo; por seu lado, Cristo foi elevado entre as nuvens e as potestades (At 1,9). O primeiro deixou cair do Céu o seu manto para Eliseu (2Rs 2,13); Cristo enviou aos seus apóstolos o Espírito Santo, o Defensor (Jo 15,26), que todos nós, os batizados, recebemos e por quem somos santificados, tal como ensina a todos o único amigo dos homens.      







sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Liturgia do Dia - sua Profecia diária


Sexta-feira, dia 09 de Dezembro de 2016

Sexta-feira da 2a semana do Advento

S. João Diogo, indígena mexicano, vidente de Guadalupe, séc. XVI, Beato Bernardo Maria Silvestrelli, presbítero, +1911, Santa Leocádia, virgem, mártir, +304

Comentário do dia
São Máximo de Turim : Responder aos apelos de Deus, que nos chama a convertermo-nos do fundo do coração

Is. 48,17-19.

Eis o que diz o Senhor, o teu redentor, o Santo de Israel: «Eu sou o Senhor, teu Deus, que te ensino o que é para teu bem e te conduzo pelo caminho que deves seguir.
Se tivesses atendido às minhas ordens, a tua paz seria como um rio e a tua justiça como as ondas do mar.
A tua posteridade seria como a areia, como os seus grãos, os frutos do teu ventre. O teu nome não seria aniquilado, nem destruído diante de mim.»


Salmos 1,1-2.3.4.6.

Feliz o homem que não segue o conselho dos ímpios,
nem se detém no caminho dos pecadores,
mas antes se compraz na lei do Senhor,
e nela medita dia e noite.

É como árvore plantada à beira das águas:
dá fruto a seu tempo
e sua folhagem não murcha.
Tudo quanto fizer será bem sucedido.

Bem diferente é a sorte dos ímpios:
são como palha que o vento leva.
O Senhor vela pelo caminho dos justos,
mas o caminho dos pecadores leva à perdição.




Mateus 11,16-19.

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «A quem poderei comparar esta geração? É como os meninos sentados nas praças, que se interpelam uns aos outros, dizendo:
"Tocámos flauta e não dançastes; entoámos lamentações e não chorastes".
Veio João Baptista, que não comia nem bebia, e dizem que tinha o demónio com ele.
Veio o Filho do homem, que come e bebe, e dizem: 'É um glutão e um ébrio, amigo de publicanos e pecadores'. Mas a sabedoria foi justificada pelas suas obras».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

São Máximo de Turim (?-c. 420), bispo
Homilia CC 61a; PL 57, 233

Responder aos apelos de Deus, que nos chama a convertermo-nos do fundo do coração

Mesmo que eu nada vos dissesse, irmãos, o tempo em que nos encontramos basta para nos advertir de que está próximo o aniversário da natividade de Cristo Nosso Senhor. A própria criação exprime a iminência de um acontecimento que restaura todas as coisas: também ela deseja impacientemente que as trevas sejam iluminadas pela claridade de um sol mais brilhante que o sol comum. Esta espera da criação pela renovação do seu ciclo anual convida-nos a esperar o nascimento do novo sol, que é Cristo, que ilumina as trevas dos nossos pecados. O sol da justiça (Mal 3,20), que surgirá em todo o seu esplendor, há de dissipar a obscuridade dos nossos pecados, que durou já demasiado tempo. Ele não suporta que o curso da nossa vida seja sufocado pelas trevas da existência; quer dilatá-la pelo seu poder.

Assim, da mesma maneira que, nestes dias do solstício, a criação difunde mais amplamente a sua luz, manifestemos também nós a nossa justiça. Da mesma maneira que a claridade deste dia é um bem comum a pobres e ricos, que também a nossa generosidade se alargue aos viajantes e aos pobres. Nestes tempos em que o mundo limita a duração das trevas, suprimamos nós as sombras da nossa avareza. […] Que o gelo derreta em nossos corações; que a semente da justiça se desenvolva, aquecida pelos raios do Salvador.

Preparemo-nos, pois, irmãos, para acolher o dia do nascimento do Senhor, dispondo para nós vestes estonteantes de brancura; falo das que cobrem a alma, e não o corpo. A veste que nos cobre o corpo é uma túnica sem importância; mas o corpo, objeto precioso, cobre a alma. A primeira veste é tecida por mãos humanas; a segunda é obra das mãos de Deus. E é por isso que temos de velar com a maior solicitude, a fim de preservar de toda a mancha a obra de Deus. […] Com a natividade do Senhor, purifiquemos a nossa consciência de toda a mancha. Apresentemo-nos, não revestidos de seda, mas de obras de valor. […] Comecemos, pois, por ornamentar o nosso santuário interior.