Terça-feira, dia 05 de Outubro de 2010
Terça-feira da 27 semana do Tempo Comum
Santa Faustina, religiosa, +1935, S. Benedito, o Negro, confessor, +1589, Beato Alberto Marvelli, leigo, +1946
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Bem-aventurada Isabel da Trindade : «Maria, sentada aos pés do Senhor, escutava a Sua palavra»
Leituras
Gálatas 1,13-24.
Ouvistes falar do meu procedimento outrora no judaísmo: com que excesso
perseguia a Igreja de Deus e procurava devastá-la;
e no judaísmo ultrapassava a muitos dos compatriotas da minha idade, tão
zeloso eu era das tradições dos meus pais.
Mas, quando aprouve a Deus que me escolheu desde o seio de minha mãe e me
chamou pela sua graça
revelar o seu Filho em mim, para que o anuncie como Evangelho entre os
gentios, não fui logo consultar criatura humana alguma,
nem subi a Jerusalém para ir ter com os que se tornaram Apóstolos antes de
mim. Parti, sim, para a Arábia e voltei outra vez a Damasco.
A seguir, passados três anos, subi a Jerusalém, para conhecer a Cefas, e
fiquei com ele durante quinze dias.
Mas não vi nenhum outro Apóstolo, a não ser Tiago, o irmão do Senhor.
O que vos escrevo, digo-o diante de Deus: não estou a mentir.
Seguidamente, fui para as regiões da Síria e da Cilícia.
Mas não era pessoalmente conhecido das igrejas de Cristo que estão na
Judeia.
Apenas tinham ouvido dizer: «Aquele que nos perseguia outrora, anuncia
agora, como Evangelho, a fé que então devastava.»
E, por causa de mim, glorificavam a Deus.
Salmos 139(138),1-3.13-14.15.
SENHOR, Tu examinaste-me e conheces-me,
sabes quando me sento e quando me levanto; à distância conheces os meus
pensamentos.
Vês-me quando caminho e quando descanso; estás atento a todos os meus
passos.
Tu modelaste as entranhas do meu ser e formaste-me no seio de minha mãe.
Dou-te graças por tão espantosas maravilhas; admiráveis são as tuas obras.
Quando os meus ossos estavam a ser formados, e eu, em segredo, me
desenvolvia, tecido nas profundezas da terra, nada disso te era oculto.
Lucas 10,38-42.
Continuando o seu caminho, Jesus entrou numa aldeia. E uma mulher, de nome
Marta, recebeu-o em sua casa.
Tinha ela uma irmã, chamada Maria, a qual, sentada aos pés do Senhor,
escutava a sua palavra.
Marta, porém, andava atarefada com muitos serviços; e, aproximando-se,
disse: «Senhor, não te preocupa que a minha irmã me deixe sozinha a servir?
Diz-lhe, pois, que me venha ajudar.»
O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e perturbada com
muitas coisas;
mas uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será
tirada.»
Da Bíblia Sagrada
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Bem-aventurada Isabel da Trindade (1880-1906), carmelita
Último retiro, 10º 11º dias (OC, Cerf 1991, pp.173ss.)
«Maria, sentada aos pés do Senhor, escutava a Sua palavra»
Para que nada me tire do belo silêncio interior, [manterei] sempre a mesma
condição, o mesmo isolamento, o mesmo distanciamento, o mesmo despojamento.
Se os meus desejos, os meus medos, as minhas alegrias ou as minhas dores
[...] não estiverem perfeitamente ordenados para Deus, não estarei sozinha
e haverá ruído em mim; por isso, é preciso serenidade, «repouso das
potências», concentração do ser. «Filha, escuta, vê e presta atenção;
esquece o teu povo e a casa do teu pai. Porque o rei deixou-se prender pela
tua beleza» [Sl 45 (44), 11-12]. [...] Esquecer o próprio povo parece-me
difícil; porque aqui «povo» é todo este mundo, que faz, por assim dizer,
parte de nós mesmos: é a sensibilidade, são as memórias, as impressões,
etc. [...] Quando a alma faz essa ruptura, quando se liberta de tudo isso,
o Rei fica prisioneiro da sua beleza. [...]
Vendo o belo silêncio que reina na Sua criatura e considerando que está
absolutamente recolhida [...], o Criador fá-la passar por esta solidão
imensa, infinita, [retira-a] para esse «lugar seguro» cantado pelo profeta
[Sl 18 (17), 20] e que outra coisa não é se não Ele próprio. [...] «Ao
deserto a conduzirei, para lhe falar ao coração» (Os 2, 16). Ei-la, a alma
entrada nessa vasta solidão em que Deus Se fará ouvir! São Paulo diz: «A
palavra de Deus é viva, eficaz e mais afiada que uma espada de dois gumes;
penetra até à divisão da alma e do corpo, das articulações e das medulas»
(Heb 4, 12). Portanto, será ela quem directamente completará o trabalho do
despojamento na alma. [...]
Mas não é suficiente ouvir a palavra, é necessário guardá-la! (Jo 14, 23) E
é guardando-a que a alma será «consagrada na verdade» (Jo 17, 17); é esse o
desejo do Mestre [...]: não prometeu Ele àquele que guarda a Sua palavra
que: «meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada»? (Jo 14,
23) É toda a Trindade que habita na alma que a ama verdadeiramente, ou
seja, que guarda a Sua palavra.
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segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Profecia do Dia
domingo, 3 de outubro de 2010
Profecia do Dia
Segunda-feira, dia 04 de Outubro de 2010
Segunda-feira da 27ª semana do Tempo Comum
S. Francisco de Assis, diácono, +1224
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Orígenes : «Vai e faz tu também o mesmo.»
Leituras
Gálatas 1,6-12.
Estou admirado de que tão depressa vos afasteis daquele que vos chamou pela
graça de Cristo, para seguirdes outro Evangelho.
Que outro não há; o que há é certa gente que vos perturba e quer perverter
o Evangelho de Cristo.
Mas, até mesmo se nós ou um anjo do céu vos anunciar como Evangelho o
contrário daquilo que vos anunciámos, seja anátema.
Como anteriormente dissemos, digo agora mais uma vez: se alguém vos anuncia
como Evangelho o contrário daquilo que recebestes, seja anátema.
Estarei eu agora a tentar persuadir homens ou a Deus? Ou será que estou a
procurar agradar aos homens? Se ainda pretendesse agradar aos homens, não
seria servo de Cristo.
Com efeito, faço-vos saber, irmãos, que o Evangelho por mim anunciado, não
o conheci à maneira humana;
pois eu não o recebi nem aprendi de homem algum, mas por uma revelação de
Jesus Cristo.
Salmos 111(110),1-2.7-8.9.10.
Louvarei o SENHOR de todo o coração, no conselho dos justos e na
assembleia.
Grandes são as obras do SENHOR, dignas de meditação para quem as ama.
As obras das suas mãos são rectas e justas, são imutáveis todos os seus
preceitos.
Foram estabelecidos pelos séculos dos séculos e baseiam-se na verdade e na
rectidão.
Enviou a redenção ao seu povo, firmou com ele uma aliança para sempre;
santo e venerável é o seu nome.
temor do SENHOR é o princípio da sabedoria; são prudentes todos os que o
praticam. O seu louvor permanece eternamente.
Lucas 10,25-37.
Levantou-se, então, um doutor da Lei e perguntou-lhe, para o experimentar:
«Mestre, que hei-de fazer para possuir a vida eterna?»
Disse-lhe Jesus: «Que está escrito na Lei? Como lês?»
O outro respondeu: «Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com
toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento, e
ao teu próximo como a ti mesmo.»
Disse-lhe Jesus: «Respondeste bem; faz isso e viverás.»
Mas ele, querendo justificar a pergunta feita, disse a Jesus: «E quem é o
meu próximo?»
Tomando a palavra, Jesus respondeu: «Certo homem descia de Jerusalém para
Jericó e caiu nas mãos dos salteadores que, depois de o despojarem e
encherem de pancadas, o abandonaram, deixando o meio morto.
Por coincidência, descia por aquele caminho um sacerdote que, ao vê-lo,
passou ao largo.
Do mesmo modo, também um levita passou por aquele lugar e, ao vê-lo, passou
adiante.
Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o,
encheu-se de compaixão.
Aproximou-se, ligou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho,
colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou
dele.
No dia seguinte, tirando dois denários, deu-os ao estalajadeiro, dizendo:
'Trata bem dele e, o que gastares a mais, pagar-to-ei quando voltar.'
Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas
mãos dos salteadores?»
Respondeu: «O que usou de misericórdia para com ele.» Jesus retorquiu: «Vai
e faz tu também o mesmo.»
Da Bíblia Sagrada
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Orígenes (c. 185-253), presbítero e teólogo
Comentário sobre o Cântico dos cânticos, prólogo 2, 26-31 (a partir da trad. cf SC 375, pp. 111ss.)
«Vai e faz tu também o mesmo.»
Está escrito : «Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus» (1Jo
4, 7); e mais adiante: «Deus é amor» (8). Deste modo se diz, por um lado,
que o próprio Deus é amor, e por outro, que aquele que é de Deus é amor.
Ora, quem é de Deus senão aquele que diz: «Saí de Deus e vim a este mundo»?
(Jo 16, 28). Se Deus Pai é amor, também o Filho é amor [...] ; o Pai e o
Filho são um só e em nada diferem. Eis a razão por que Cristo é chamado,
para além de Sabedoria, Poder, Justiça, Verbo e Verdade, também Amor.
[...]
E, porque Deus é amor e o Filho que é de Deus é amor, exige em nós algo
semelhante a Ele, de tal maneira que, por este amor, por esta caridade que
está em Cristo Jesus [...], sejamos unidos a Ele por uma espécie de
parentesco, graças a este nome. Como dizia São Paulo, que estava unido a
Ele: «Quem nos separará do amor de Deus, que está em Cristo Jesus Nosso
Senhor?» (Rom 8, 39).
Ora, este amor de caridade considera que todo o homem é o nosso próximo.
Foi por essa razão que o Salvador repreendeu um homem que estava convencido
de que a alma justa não estava obrigada a observar para com todos as leis
do tratamento ao próximo. [...] E compôs a parábola segundo a qual «certo
homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores».
Depois censura o sacerdote e o levita que, vendo-o meio morto, passaram
adiante, mas presta homenagem ao Samaritano, que teve misericórdia para com
ele. E confirma que este último foi o próximo do homem ferido com a
resposta daquele mesmo que tinha feito a pergunta, a quem diz: «Vai e faz
tu também o mesmo». Com efeito, por natureza, nós somos todos o próximo uns
dos outros, mas pelas obras de caridade, aquele que pode fazer bem torna-se
próximo daquele que não pode. Foi por isso que o nosso Salvador Se fez
nosso próximo, e não passou adiante quando estávamos «meio mortos» em
consequência dos ferimentos infligidos pelos «salteadores».
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sábado, 2 de outubro de 2010
Profecia do Dia
Domingo, dia 03 de Outubro de 2010
27º Domingo do Tempo Comum - Ano C
Vigésimo Sétimo Domingo do tempo comum (III semana do saltério)
S. Francisco de Borja, presbítero, +1572, Santos Veríssimo, Máxima e Júlia, mártires, +303
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Papa Bento XVI : «Somos servos inúteis»
Leituras
Habacuc 1,2-3.2,2-4.
Até quando, Senhor, pedirei socorro, sem que me escutes? Até quando
clamarei: «Violência!», sem que me salves?
Porque me fazes ver a iniquidade e contemplar a desgraça? Diante de mim só
vejo opressão e violência, nada mais do que discórdias e contendas.
Então o Senhor respondeu-me: «Escreve a visão, grava-a em tabuínhas, para
que possa ser lida facilmente.
Porque é uma visão para um tempo fixado: ela aspira pelo seu termo e não
falhará. Se tardar, espera por ela igualmente; que ela cumprir-se-á, com
toda a certeza não falhará.
Eis que sucumbe o que não tem a alma recta, mas o justo viverá pela sua
fidelidade.»
Salmos 95(94),1-2.6-7.8-9.
Vinde, exultemos de alegria no SENHOR, aclamemos o rochedo da nossa
salvação.
Vamos à sua presença com hinos de louvor, saudemo lo com cânticos
jubilosos.
Vinde, prostremo nos por terra, ajoelhemos diante do SENHOR, que nos criou.
Ele é o nosso Deus e nós somos o seu povo, as ovelhas por Ele conduzidas.
Oxalá ouvísseis hoje a sua voz:
"Não endureçais os vossos corações, como em Meribá, como no dia de Massá,
no deserto,
quando os vossos pais me provocaram e me puseram à prova, apesar de terem
visto as minhas obras.
2 Tim. 1,6-8.13-14.
Por isso recomendo-te que reacendas o dom de Deus que se encontra em ti,
pela imposição das minhas mãos,
pois Deus não nos concedeu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de
amor e de bom senso.
Portanto, não te envergonhes de dar testemunho de Nosso Senhor, nem de mim,
seu prisioneiro, mas compartilha o meu sofrimento pelo Evangelho, apoiado
na força de Deus.
Toma como modelo as sãs palavras que ouviste de mim, na fé e no amor de
Cristo Jesus.
Guarda, pelo Espírito Santo que habita em nós, o precioso bem que te foi
confiado.
Lucas 17,5-10.
Os Apóstolos disseram ao Senhor: «Aumenta a nossa fé.»
O Senhor respondeu: «Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a
essa amoreira: 'Arranca-te daí e planta-te no mar', e ela havia de
obedecer-vos.»
«Qual de vós, tendo um servo a lavrar ou a apascentar gado, lhe dirá,
quando ele regressar do campo: 'Vem cá depressa e senta-te à mesa'?
Não lhe dirá antes: 'Prepara-me o jantar e cinge-te para me servires,
enquanto eu como e bebo; depois, comerás e beberás tu'?
Deve estar grato ao servo por ter feito o que lhe mandou?
Assim, também vós, quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado,
dizei: 'Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer.'»
Da Bíblia Sagrada
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Papa Bento XVI
Encíclica «Deus caritas est», § 35 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana)
«Somos servos inúteis»
Este modo justo de servir torna humilde o agente. Este não assume uma
posição de superioridade face ao outro, por mais miserável que possa ser de
momento a sua situação. Cristo ocupou o último lugar no mundo a cruz e,
precisamente com esta humildade radical, redimiu-nos e ajuda-nos sem
cessar. Quem se acha em condições de ajudar há-de reconhecer que,
precisamente deste modo, é também ele próprio ajudado; não é mérito seu nem
título de glória o facto de poder ajudar. Esta tarefa é graça.
Quanto mais alguém trabalhar pelos outros, tanto melhor compreenderá e
assumirá como própria esta palavra de Cristo: «Somos servos inúteis» (Lc
17, 10). Na realidade, essa pessoa reconhece que age, não em virtude de uma
superioridade ou de uma maior eficiência pessoal, mas porque o Senhor lhe
concedeu este dom. Às vezes, a excessiva vastidão das necessidades e as
limitações do próprio agir poderão expô-lo à tentação do desânimo. Mas é
precisamente então que lhe serve de ajuda saber que, em última instância,
não passa de um instrumento nas mãos do Senhor; libertar-se-á assim da
presunção de ter de realizar, pessoalmente e sozinha, o necessário
melhoramento do mundo. Com humildade, fará o que lhe for possível realizar
e, com humildade, confiará o resto ao Senhor. É Deus quem governa o mundo,
não nós.
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