Domingo, dia 24 de Outubro de 2010
30º Domingo do Tempo Comum - Ano C
Trigésimo Domingo do tempo comum (semana II do saltério)S. António Maria Claret
Santo António Maria Claret, bispo, fundador, +1870
Comentário ao Evangelho do dia feito por
S. João Crisóstomo : «Tem piedade de mim, que sou pecador»
Leituras
Sirac 35,12-14.16-18.
Pois o Senhor é um juiz, e não faz distinção de pessoas.
O Senhor não fará acepção de pessoas em detrimento do pobre, e ouvirá a
oração do oprimido.
Não desprezará a oração do órfão, nem os gemidos da viúva.
Aquele que adora a Deus com alegria será bem recebido, e a sua oração
chegará até às nuvens.
A oração do humilde penetrará as nuvens, e não se consolará, enquanto ela
não chegar até Deus.
Ele não se afastará, enquanto o Altíssimo não olhar, não fizer justiça aos
justos e restabelecer a equidade.
Salmos 34(33),2-3.17-18.19.23.
Em todo o tempo, bendirei o SENHOR; o seu louvor estará sempre nos meus
lábios.
A minha alma gloria se no SENHOR! Que os humildes saibam e se alegrem.
A ira do SENHOR volta se contra os malfeitores, para apagar da terra a sua
memória.
Os justos clamaram e o SENHOR atendeu os e livrou os das suas angústias.
O SENHOR está perto dos corações contritos e salva os espíritos abatidos.
O SENHOR resgata a vida dos seus servos; os que nele confiam não serão
condenados.
2 Tim. 4,6-8.16-18.
Quanto a mim, já estou pronto para oferecer-me como sacrifício; avizinha-se
o tempo da minha libertação.
Combati o bom combate, terminei a corrida, permaneci fiel.
A partir de agora, já me aguarda a merecida coroa, que me entregará,
naquele dia, o Senhor, justo juiz, e não somente a mim, mas a todos os que
anseiam pela sua vinda.
Na minha primeira defesa, ninguém esteve ao meu lado. Todos me abandonaram.
Que não lhes seja levado em conta.
O Senhor, porém, esteve comigo e deu-me forças, a fim de que, por meu
intermédio, o anúncio fosse plenamente proclamado e todos os gentios o
escutassem. Assim fui arrebatado da boca do leão.
O Senhor me livrará de todo o mal e me levará a salvo para o seu Reino
celeste. A Ele, a glória, pelos séculos dos séculos. Ámen!
Lucas 18,9-14.
Disse também a seguinte parábola, a respeito de alguns que confiavam muito
em si mesmos, tendo-se por justos e desprezando os demais:
«Dois homens subiram ao templo para orar: um era fariseu e o outro,
cobrador de impostos.
O fariseu, de pé, fazia interiormente esta oração: 'Ó Deus, dou-te graças
por não ser como o resto dos homens, que são ladrões, injustos, adúlteros;
nem como este cobrador de impostos.
Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de tudo quanto possuo.'
O cobrador de impostos, mantendo-se à distância, nem sequer ousava levantar
os olhos ao céu; mas batia no peito, dizendo: 'Ó Deus, tem piedade de mim,
que sou pecador.'
Digo-vos: Este voltou justificado para sua casa, e o outro não. Porque todo
aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado.»
Da Bíblia Sagrada
Comentário ao Evangelho do dia feito por
S. João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero em Antioquia, depois Bispo de Constantinopla, Doutor da Igreja
Homilias sobre a Conversão, 2 (a partir da trad. da col. Pères dans la Foi, 8, DDB 1978, p. 46)
«Tem piedade de mim, que sou pecador»
Um fariseu e um publicano subiram até ao Templo para a oração. O fariseu
começou por enunciar as suas qualidades, e proclamava: «Ó Deus, dou-te
graças por não ser como o resto dos homens, que são ladrões, injustos,
adúlteros; nem como este cobrador de impostos.» Miserável, que te atreves a
julgar toda a terra! Porque espezinhas o teu próximo? E ainda sentes
necessidade de condenar este publicano! [...] A terra não te foi
suficiente? Acusaste todos os homens, sem excepção: «por não ser como o
resto dos homens [...] nem como este cobrador de impostos. Jejuo duas vezes
por semana e pago o dízimo de tudo quanto possuo». Infeliz! Quanta
presunção nestas palavras!
Quanto ao publicano, que ouviu muito bem estas afirmações, podia ter
retorquido: «Quem és tu para te atreveres a proferir tais murmurações sobre
mim? Donde me conheces? Nunca viveste no meu meio, nem pertences ao grupo
dos meus íntimos. Porquê tamanho orgulho? Aliás, quem pode comprovar as
tuas boas acções? Porque fazes dessa maneira o teu próprio elogio, e quem
te incita a gloriares-te desse modo?» Mas não fez nada disso ― muito
pelo contrário! Prostrou-se por terra e disse: «Ó Deus, tem piedade de mim,
que sou pecador.» Porque fez prova de humildade, saiu justificado.
O fariseu abandonou o Templo privado de qualquer absolvição, enquanto o
publicano se foi embora com o coração renovado pela justiça reencontrada.
[...] E, no entanto, não havia nele ponta de humildade, no sentido em que
usamos este termo quando algum nobre desce do seu estado. No caso do
publicano, portanto, não era de humildade que se tratava, mas de simples
verdade, porque ele dizia a verdade.
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sábado, 23 de outubro de 2010
Profecia do Dia
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Profecia do Dia
Sabado, dia 23 de Outubro de 2010
Sábado da 29ª semana do Tempo Comum
São João de Capistrano, religioso, +1456
Comentário ao Evangelho do dia feito por
São Cipriano : «Talvez venha a dar frutos no futuro»: imitar a paciência de Deus
Leituras
Efésios 4,7-16.
Mas, a cada um de nós foi dada a graça, segundo a medida do dom de Cristo.
Por isso se diz: Ao subir às alturas, levou cativos em cativeiro, deu
dádivas aos homens.
Ora, este «subiu» que quer dizer, senão que também desceu às regiões
inferiores da terra?
Aquele que desceu é precisamente o mesmo que subiu muito acima de todos os
céus, a fim de encher o universo.
E foi Ele que a alguns constituiu como Apóstolos, Profetas, Evangelistas,
Pastores e Mestres,
em ordem a preparar os santos para uma actividade de serviço, para a
construção do Corpo de Cristo,
até que cheguemos todos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus,
ao homem adulto, à medida completa da plenitude de Cristo.
Assim, deixaremos de ser crianças, batidos pelas ondas e levados por
qualquer vento da doutrina, ao sabor do jogo dos homens, da astúcia que
maliciosamente leva ao erro;
antes, testemunhando a verdade no amor, cresceremos em tudo para aquele que
é a cabeça, Cristo.
É a partir dele que o Corpo inteiro, bem ajustado e unido, por meio de toda
a espécie de articulações que o sustentam, segundo uma força à medida de
cada uma das partes, realiza o seu crescimento como Corpo, para se
construir a si próprio no amor.
Salmos 122(121),1-5.
Que alegria, quando me disseram: «Vamos para a casa do SENHOR!»
Os nossos pés detêm-se às tuas portas, ó Jerusalém!
Jerusalém, cidade bem construída, harmoniosamente edificada.
Para lá sobem as tribos, as tribos do SENHOR, segundo o costume de Israel,
para louvar o nome do SENHOR.
Nela estão os tribunais da justiça, os tribunais da casa de David.
Lucas 13,1-9.
Nessa ocasião, apareceram alguns a falar-lhe dos galileus, cujo sangue
Pilatos tinha misturado com o dos sacrifícios que eles ofereciam.
Respondeu-lhes: «Julgais que esses galileus eram mais pecadores que todos
os outros galileus, por terem assim sofrido?
Não, Eu vo-lo digo; mas, se não vos converterdes, perecereis todos
igualmente.
E aqueles dezoito sobre os quais caiu a torre de Siloé, matando-os, eram
mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém?
Não, Eu vo-lo digo; mas, se não vos converterdes, perecereis todos da mesma
forma.»
Disse-lhes, também, a seguinte parábola: «Um homem tinha uma figueira
plantada na sua vinha e foi lá procurar frutos, mas não os encontrou.
Disse ao encarregado da vinha: 'Há três anos que venho procurar fruto nesta
figueira e não o encontro. Corta-a; para que está ela a ocupar a terra?'
Mas ele respondeu: 'Senhor, deixa-a mais este ano, para que eu possa
escavar a terra em volta e deitar-lhe estrume.
Se der frutos na próxima estação, ficará; senão, poderás cortá-la.'»
Da Bíblia Sagrada
Comentário ao Evangelho do dia feito por
São Cipriano (c. 200-258), Bispo de Cartago e mártir
Os benefícios da paciência, 7 (a partir da trad. de SC 291, p. 199 rev.)
«Talvez venha a dar frutos no futuro»: imitar a paciência de Deus
Irmãos bem-amados, Jesus Cristo, Nosso Senhor e Deus, não Se contentou em
ensinar a paciência por palavras; também a demonstrou pelos Seus actos.
[...] Na hora da paixão e da cruz, quantos sarcasmos ultrajantes escutados
com paciência, quanta troça injuriosa suportada, ao ponto de ser cuspido,
Ele que, com a Sua própria saliva, tinha aberto os olhos a um cego (Jo 9,
6) [...]; de Se ver coroado de espinhos, Ele que coroa os mártires com
flores eternas; de Lhe baterem na face com as palmas das mãos, a Ele que
concede palmas verdadeiras aos vencedores; despojado das Suas vestes, Ele
que reveste os outros de imortalidade; alimentado com fel, Ele que dá o
alimento celeste; dessedentado com vinagre, Ele que dá a beber o cálice da
salvação. Ele, o inocente, Ele, o justo, ou antes, Ele, que é a própria
inocência e a justiça, é contado entre os malfeitores; falsos testemunhos
esmagam a Verdade; Aquele que deverá ser o juiz é submetido a julgamento; a
Palavra de Deus é conduzida ao sacrifício, calando-Se. A seguir, quando os
astros se eclipsam, quando os elementos se perturbam, quando a terra treme,
[...] Ele não fala, não Se mexe, não revela a Sua majestade. Suporta tudo
até ao fim com uma constância inesgotável, para que a paciência completa e
perfeita tenha o seu auge em Cristo.
E, depois de tudo isto, ainda acolhe os Seus carrascos, se se converterem e
se se voltarem para Ele; graças à Sua paciência [...], Ele não fecha a Sua
Igreja a ninguém. Aos adversários, aos blasfemos, eternos inimigos do Seu
nome, não apenas lhes concede o perdão, se se arrependerem das suas faltas,
mas ainda os recompensa com o Reino dos Céus. Quem poderíamos indicar de
mais paciente, de mais benevolente? A mesma pessoa que derramou o sangue de
Cristo é vivificada pelo sangue de Cristo. Tal é a paciência de Cristo, e
se não fosse tão grande como realmente é, a Igreja não teria o Apóstolo
Paulo.
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quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Profecia do Dia
Sexta-feira, dia 22 de Outubro de 2010
Sexta-feira da 29ª semana do Tempo Comum
Beata Josefina Leroux e companheiras, mártires, séc. XVIII, São Martinho de Dume, bispo, +579, Beato Timóteo Giaccardo, presbítero, +1948
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Santo Agostinho : «Como é que não sabeis reconhecer o tempo presente?»
Leituras
Efésios 4,1-6.
Eu, o prisioneiro no Senhor, exorto-vos, pois, a que procedais de um modo
digno do chamamento que recebestes;
com toda a humildade e mansidão, com paciência: suportando-vos uns aos
outros no amor,
esforçando-vos por manter a unidade do Espírito, mediante o vínculo da paz.
Há um só Corpo e um só Espírito, assim como a vossa vocação vos chamou a
uma só esperança;
um só Senhor, uma só fé, um só baptismo;
um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por todos e permanece
em todos.
Salmos 24(23),1-2.3-4.5-6.
Ao SENHOR pertence a terra e o que nela existe, o mundo inteiro e os que
nele habitam;
pois Ele a fundou sobre os mares e a consolidou sobre os abismos.
Quem poderá subir à montanha do SENHOR e apresentar-se no seu santuário?
O que tem as mãos inocentes e o coração limpo, o que não ergue o espírito
para as coisas vãs, nem jura pelo que é falso.
Este há-de receber a bênção do SENHOR e a recompensa de Deus, seu salvador.
Esta é a geração dos que o procuram, dos que buscam a face do Deus de
Jacob.
Lucas 12,54-59.
Dizia também às multidões: «Quando vedes uma nuvem levantar-se do poente,
dizeis logo: 'Vem lá a chuva'; e assim sucede.
E quando sopra o vento sul, dizeis: 'Vai haver muito calor'; e assim
acontece.
Hipócritas, sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu; como é que não
sabeis reconhecer o tempo presente?»
«Porque não julgais por vós mesmos, o que é justo?
Por isso, quando fores com o teu adversário ao magistrado, procura resolver
o assunto no caminho, não vá ele entregar-te ao juiz, o juiz entregar-te ao
oficial de justiça e o oficial de justiça meter-te na prisão.
Digo-te que não sairás de lá, antes de pagares até ao último centavo.»
Da Bíblia Sagrada
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África) e doutor da Igreja
Sermão 109; PL 38,636 (a partir da trad. de Delhougne, Les Pères commentent, p. 15)
«Como é que não sabeis reconhecer o tempo presente?»
Acabámos de escutar o evangelho em que Jesus critica aqueles que, sabendo
reconhecer o aspecto do céu, não eram capazes de reconhecer o tempo em que
urgia crer no Reino dos Céus. Era aos judeus que Ele o dizia, mas essa
palavra também se dirige a nós. Ora, o próprio Senhor Jesus Cristo começou
assim a Sua pregação: «Convertei-vos, porque está próximo o Reino do Céu»
(Mt 4, 17). João Baptista, o percursor começara da mesma forma:
«Convertei-vos, porque está próximo o Reino do Céu» (Mt 3, 2). E agora o
Senhor acusa-os de não se quererem converter, visto que o Reino dos Céus
está próximo. [...]
Só Deus sabe quando será o fim do mundo: seja quando for, o tempo de fé é
hoje. [...] Para cada um de nós, o tempo está próximo, porque somos
mortais. Caminhamos no meio de perigos. Se fôssemos de vidro,
receá-los-íamos menos. O que pode ser mais frágil do que um recipiente de
vidro? No entanto, conservamo-lo e dura séculos, porque tememos que caia
mas não tememos que envelheça ou que seja atacado pela febre. Somos, pois,
mais frágeis e mais fracos e essa fragilidade faz-nos recear em cada dia
todos os acidentes que são constantes na vida dos homens. E se não houver
acidentes, continua a existir o tempo que avança. O homem evita os choques;
poderá evitar a sua última hora? Ele evita o que vem do exterior; poderá
extirpar o que nasce no seu interior? Por vezes, é subitamente dominado por
uma doença. E, mesmo que tenha sido poupado toda a vida, quando a velhice
por fim chega, não há adiamento possível.
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