Terça-feira, dia 08 de Março de 2011
Terça-feira da 9ª semana do Tempo Comum
S. João de Deus, religioso, fundador, +1550, S. João de Ávila, confessor, +1569
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Tertuliano : «De quem é esta imagem?»
Leituras
Tob. 2,9-14.
Naquela mesma noite, depois de ter enterrado o cadáver, lavei-me, entrei no
pátio da casa e deitei-me junto do muro, deixando a face descoberta por
causa do calor.
Não sabia que havia pássaros no muro por cima de mim e, tendo os olhos
abertos, os pássaros deixaram cair nos meus olhos excremento quente, dando
origem a umas manchas brancas. Procurei os médicos para me tratarem.
Contudo, quanto mais me aplicavam medicamentos, mais se me cegavam os olhos
por causa das escamas, até que perdi totalmente a vista. Fiquei cego quatro
anos. Todos os meus irmãos se afligiam por minha causa e Aicar sustentou-me
por dois anos, antes de partir para Elimaida.
Nessa época, Ana, minha mulher, trabalhava em labores femininos, tecendo a
lã
que depois mandava aos patrões recebendo em seguida o pagamento. Ora, no
sétimo dia do mês de Distro, cortou o tecido que confeccionara e mandou-o
aos que o tinham encomendado; estes pagaram-lhe o preço devido e ainda lhe
ofereceram um cabrito pelo tecido.
Quando o cabrito chegou a casa, começou a balir. Chamei, então, Ana e
disse-lhe: «De onde veio este cabrito? Não terá sido furtado? Devolve-o aos
seus donos, porque não nos é lícito comer coisa alguma furtada.»
Disse-me ela: «Foi-me dado de presente, além do meu salário.» Contudo, não
acreditando nela, mandei que o devolvesse aos donos, envergonhando-me do
seu procedimento. Porém, ela respondeu: «Onde estão as tuas esmolas? Onde
estão as tuas boas obras? Aí tens, agora, o resultado.»
Salmos 112(111),1-2.7-8.9.
Feliz o homem que teme o SENHOR e se compraz nos seus mandamentos.
sua descendência será poderosa sobre a terra, e bendita, a geração dos
justos.
Não tem receio das más notícias; o seu coração está firme e confiante no
SENHOR.
seu coração está firme; por isso nada teme e verá os seus opressores
confundidos.
Reparte do que é seu com os pobres; a sua generosidade subsistirá para
sempre e o seu poder crescerá em glória.
Marcos 12,13-17.
Em seguida, enviaram-lhe alguns fariseus e partidários de Herodes, a fim de
o apanharem em alguma palavra.
Aproximando-se, disseram-lhe: «Mestre, sabemos que és sincero, que não te
deixas influenciar por ninguém, porque não olhas à condição das pessoas mas
ensinas o caminho de Deus, segundo a verdade. Diz-nos, pois: é lícito ou
não pagar tributo a César? Devemos pagar ou não?»
Jesus, conhecendo-lhes a hipocrisia, respondeu: «Porque me tentais?
Trazei-me um denário para Eu ver.»
Trouxeram-lho e Ele perguntou: «De quem é esta imagem e a inscrição?»
Responderam: «De César.»
Jesus disse: «Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.» E
ficaram admirados com Ele.
Da Bíblia Sagrada
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Tertuliano (c. 155-c. 220), teólogo
A Ressurreição dos mortos, 5-6 (a partir da trad. Sr Isabelle de la Source, Lire la Bible, t. 1, p. 21)
«De quem é esta imagem?»
Na constituição do mundo, «tudo foi feito pela Palavra de Deus e nada foi
feito sem ela» (Jo 1, 3). Quando se trata de criar o homem, é igualmente a
Palavra de Deus que opera, dado que «sem a Palavra de Deus nada foi feito».
Deus, com efeito, disse primeiro esta palavra: «Façamos o homem». Mas para
exprimir a superioridade desta criatura sobre todas as outras, Deus deu-lhe
forma com a Sua própria mão; por isso, está dito que «Deus modelou o homem»
(Gn 2, 7). [...]
«E Deus, diz a Escritura, modelou o homem com o barro da terra.» Não era
ainda senão barro, e já a palavra «homem» é pronunciada. Que honra
prodigiosa para o lodo, esse nada, a de ser tocado pelas mãos de Deus! Esse
simples contacto não teria sido suficiente a Deus para formar o homem, sem
mais nada? Mas, ao ver Deus trabalhar esta lama, compreende-se que se trata
de uma obra extraordinária. As mãos de Deus trabalhavam, elas amassavam,
esticavam, davam forma a esta lama, que não cessava de se enobrecer a cada
impressão das mãos divinas. Imagina Deus ocupado, aplicado inteiramente
nesta criação: mãos, espírito, actividade, conselho, sabedoria,
providência, sobretudo o amor, orientavam o seu trabalho! É que através
deste lodo que amassava, Deus entrevia já Cristo, que um dia seria homem
como este lodo: Verbo feito carne, como esta terra que tinha entre as
mãos.
É este o sentido desta primeira palavra do Pai ao Seu Filho: «Façamos o
homem à Nossa imagem e à Nossa semelhança» (Gn 1, 26). Deus modelou o homem
segundo a imagem de Deus, quer dizer, segundo Cristo. [...] Portanto, este
lodo que assumia a imagem de Cristo, tal como Ele se manifestaria na sua
incarnação futura, não era somente obra de Deus, era também a fiança de
Deus.
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segunda-feira, 7 de março de 2011
Profecia do Dia
domingo, 6 de março de 2011
Profecia do Dia
Segunda-feira, dia 07 de Março de 2011
Segunda-feira da 9ª semana do Tempo Comum
Santas Perpétua e Felicidade, mártires, +203, S. Pedro Sukeyiro, terceiro franciscano, mártir, +1597
Comentário ao Evangelho do dia feito por
São Boaventura : «Eu sou a verdadeira vinha» (Jo 15, 1)
Leituras
Tob. 1,1.2.2,1-9.
Livro da história de Tobite, filho de Tobiel, filho de Ananiel, filho de
Aduel, filho de Gabael, filho de Rafael, filho de Raguel da descendência de
Assiel, da tribo de Neftali,
o qual, no tempo de Salmanasar, rei da Assíria, foi levado cativo de Tisbé,
que fica à direita de Cadés de Neftali, na Galileia Setentrional, acima de
Haçor, do outro lado do caminho do Poente, à esquerda de Fogor.
Sob o reinado do rei Saquerdão, voltei para a minha casa e foi-me
restituída a companhia da minha mulher Ana e do meu filho Tobias. Pela
festa do Pentecostes, que é a nossa festa das Semanas, mandei preparar um
bom almoço e reclinei-me para comer.
Mas, ao ver a mesa coberta com tantas comidas finas, disse a Tobias:
«Filho, vai procurar, entre os nossos irmãos cativos em Nínive, um pobre
que seja de coração fiel, e trá-lo para que participe da nossa refeição. Eu
espero por ti, meu filho.»
Tobias saiu à procura de um pobre entre os nossos irmãos. Ao regressar
disse: «Pai.» Eu respondi: «Eis-me aqui, meu filho.» Tobias continuou:
«Pai, alguém da nossa linhagem está morto na praça pública, onde o
estrangularam.»
Levantei-me, então, sem nada ter comido e levei o cadáver da praça para um
casebre, esperando o pôr-do-sol para o poder sepultar.
A seguir, voltei, lavei-me e almocei com tristeza,
recordando-me das palavras do profeta Amós, ditas sobre Betel: «As vossas
festas converter-se-ão em luto e os vossos cantos, em lamentações.» E eu
chorei.
Quando mais tarde o sol se pôs, saí, cavei uma cova e sepultei-o.
Os meus vizinhos, porém, zombavam de mim, dizendo: «Ainda agora não tem
medo. Já o procuraram para o matar por causa disso e teve de fugir;
contudo, ei-lo de novo a sepultar os mortos.»
Naquela mesma noite, depois de ter enterrado o cadáver, lavei-me, entrei no
pátio da casa e deitei-me junto do muro, deixando a face descoberta por
causa do calor.
Salmos 112(111),1-2.3-4.5-6.
Feliz o homem que teme o SENHOR e se compraz nos seus mandamentos.
sua descendência será poderosa sobre a terra, e bendita, a geração dos
justos.
Haverá na sua casa abundância e riqueza e a sua prosperidade durará para
sempre.
Brilha para os homens rectos como luz nas trevas: ele é piedoso, clemente e
compassivo.
Feliz o homem que se compadece e empresta e administra os seus bens com
justiça.
Este jamais sucumbirá. O justo deixará memória eterna.
Marcos 12,1-12.
Jesus começou a falar-lhes em parábolas: «Um homem plantou uma vinha,
cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar e construiu uma torre. Depois,
arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe.
A seu tempo enviou aos vinhateiros um servo, para receber deles parte do
fruto da vinha.
Eles, porém, prenderam-no, bateram-lhe e mandaram-no embora de mãos vazias.
Enviou-lhes, novamente, outro servo. Também a este partiram a cabeça e
cobriram de vexames.
Enviou outro, e a este mataram-no; mandou ainda muitos outros, e bateram
nuns e mataram outros.
Já só lhe restava um filho muito amado. Enviou-o por último, pensando:
'Hão-de respeitar o meu filho'.
Mas aqueles vinhateiros disseram uns aos outros: 'Este é o herdeiro. Vamos
matá-lo e a herança será nossa'.
Apoderaram-se dele, mataram-no e lançaram-no fora da vinha.
Que fará o dono da vinha? Regressará e exterminará os vinhateiros e
entregará a vinha a outros.
Não lestes esta passagem da Escritura: A pedra que os construtores
rejeitaram tornou-se pedra angular.
Tudo isto é obra do Senhor e é admirável aos nossos olhos?»
Eles procuravam prendê-lo, mas temiam a multidão; tinham percebido bem que
a parábola era para eles. E deixando-o, retiraram-se.
Da Bíblia Sagrada
Comentário ao Evangelho do dia feito por
São Boaventura (1221-1274), franciscano, doutor da Igreja
A vinha mística, c. 5, 4-5 (erradamente atribuído a São Bernardo)
«Eu sou a verdadeira vinha» (Jo 15, 1)
Doce Jesus, em que estado Te vejo! Tão doce e tão cheio de amor, quem Te
condenou a uma morte tão amarga? Único Salvador das nossas feridas antigas,
quem assim Te leva a sofrer essas feridas que, para além de serem tão
cruéis, são tão ignominiosas? Doce vide, bom Jesus, eis o fruto que Te dá a
Tua vinha. [...]
Até este dia das Tuas núpcias, esperaste pacientemente que ela produzisse
uvas e ela não Te deu senão abrolhos (Is 5, 6). Coroou-Te de espinhos e
cercou-te dos espinhos dos seus pecados. Como se tornou amarga, esta vinha
que já não é Tua, mas que se tornou uma vinha estranha! Renegou-Te,
gritando: «Não temos outro rei senão César!» (Jo 19, 15). Depois de Te
terem expulsado da vinha, da Tua cidade e da Tua herança, estes vinhateiros
deram-Te a morte; não de um só golpe, mas depois de Te terem afligido com o
longo tormento da cruz e Te terem torturado com os ferimentos dos chicotes
e dos cravos. [...] Senhor Jesus, [...] Tu próprio entregas a Tua alma à
morte ─ ninguém Ta pode tirar, és Tu que a dás (Jo 10, 18). [...] Que
troca admirável! O Rei dá-Se como escravo, Deus pelo homem, o Criador por
aquele que criou, o Inocente pelos culpados.
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RECERTIF
sábado, 5 de março de 2011
Profecia do Dia
Domingo, dia 06 de Março de 2011
9º Domingo do Tempo Comum - Ano A
9º Domingo Comum - Ano A (semana I do saltério)
Santo Olegário, bispo, +1136, Santa Rosa de Viterbo, religiosa, +1252
Comentário ao Evangelho do dia feito por
São Bernardo : Edificada sobre a rocha
Leituras
Deut. 11,18.26-28.32.
«Gravai, pois, estas minhas palavras no vosso coração e no vosso espírito;
atai-as aos braços como um símbolo, trazei-as como filactérias entre os
olhos.
Vede: proponho-vos hoje a bênção ou a maldição:
a bênção, se obedecerdes aos mandamentos do Senhor, vosso Deus, que hoje
vos prescrevo;
a maldição, se não obedecerdes aos mandamentos do Senhor, vosso Deus, e vos
afastardes do caminho que hoje vos indico, para seguirdes deuses
estrangeiros que não conheceis.»
Cuidarás, então, de pôr em prática todas estas leis e preceitos que hoje
ponho na tua frente.»
Salmos 31(30),2-3.4.17.25.
Em ti, SENHOR, me refugio; que eu nunca seja confundido. Salva me pela tua
justiça.
Inclina para mim os teus ouvidos; apressa te a libertar me. Sê para mim uma
rocha de refúgio, uma fortaleza que me salve.
Tu és o meu rochedo e a minha fortaleza; por amor do teu nome, guia me e
conduz me.
Brilhe sobre o teu servo a luz da tua face; salva me pela tua
misericórdia."
Tende coragem e fortalecei o vosso coração, todos vós, que esperais no
SENHOR!
Romanos 3,21-25.28.
Mas agora foi sem a Lei que se manifestou a justiça de Deus, testemunhada
pela Lei e pelos Profetas:
a justiça que vem para todos os crentes, mediante a fé em Jesus Cristo. É
que não há diferença alguma:
todos pecaram e estão privados da glória de Deus.
Sem o merecerem, são justificados pela sua graça, em virtude da redenção
realizada em Cristo Jesus.
Deus ofereceu-o para, nele, pelo seu sangue, se realizar a expiação que
actua mediante a fé; foi assim que ele mostrou a sua justiça, ao perdoar os
pecados cometidos outrora,
Pois estamos convencidos de que é pela fé que o homem é justificado,
independentemente das obras da lei.
Mateus 7,21-27.
«Nem todo o que me diz: 'Senhor, Senhor' entrará no Reino do Céu, mas sim
aquele que faz a vontade de meu Pai que está no Céu.
Muitos me dirão naquele dia: 'Senhor, Senhor, não foi em teu nome que
profetizámos, em teu nome que expulsámos os demónios e em teu nome que
fizemos muitos milagres?'
E, então, dir-lhes-ei: 'Nunca vos conheci; afastai-vos de mim, vós que
praticais a iniquidade.'»
«Todo aquele que escuta estas minhas palavras e as põe em prática é como o
homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha.
Caiu a chuva, engrossaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa;
mas não caiu, porque estava fundada sobre a rocha.
Porém, todo aquele que escuta estas minhas palavras e não as põe em prática
poderá comparar-se ao insensato que edificou a sua casa sobre a areia.
Caiu a chuva, engrossaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa;
ela desmoronou-se, e grande foi a sua ruína.»
Da Bíblia Sagrada
Comentário ao Evangelho do dia feito por
São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense e Doutor da Igreja
Sermões sobre o Cântico dos Cânticos, 61, 2-3 (trad. da ed. bilingue Leclercq, Roma, 1977/BAC, Madrid 1987)
Edificada sobre a rocha
Diz [o Esposo]: «Minha pomba nos buracos das rochas, nas cavidades dos
penhascos, mostra-me o teu rosto e soe a tua voz aos meus ouvidos» (Ct 2,
14). (...) Alguém reconheceu nesses buracos as chagas de Cristo, e com toda
a razão, porquanto Cristo é uma rocha (1 Cor 10, 4). Felizes cavidades, ao
afiançarem a fé na ressurreição e na divindade de Cristo! «Meu Senhor e meu
Deus!», disse [S. Tomé, Jo 20, 28], e donde se inspirou esta exclamação
senão dos buracos dessa rocha? Ali «fazem os pardais para si uma casa e as
rolas um ninho para colocar as suas crias» [Sl 84 (83), 4]; ali se refugia
a pomba e observa, intrépida, a ave de rapina que por ela voa em círculos.
Por isso diz: «Minha pomba nos buracos das rochas», e a pomba: «Colocou-me
no alto de um rochedo» [Sl 27 (26), 5], ou ainda: «assentou os meus pés
sobre a rocha» [Sl 40 (39), 3].
O homem sensato edifica a sua casa sobre a rocha (Mt 7, 24) e não teme as
investidas dos ventos nem as inundações, porque qual é o proveito que não
advém dessa rocha? Sobre ela me ergo eu [Sl 27 (26), 6], me sinto seguro e
mantenho firme; seguro perante o inimigo, firme à vista da queda, porque
estou erguido acima da terra (Jo 12, 32), e tudo o que é da terra é
duvidoso e caduco. A nossa estirpe é do céu e não tememos nem cair, nem que
nos derrubem, porque a nossa rocha está no céu e nela toda a segurança que
não falha. «Nos rochedos encontram refúgio os roedores» [Sl 104 (103), 18].
E onde poderá encontrar refúgio a nossa frágil constância se não for nas
chagas do Salvador? Lá dentro posso habitar tanto mais seguro e confiante
quanto maior é o Seu poder para me salvar. O mundo agita-se, o corpo
oprime-nos, o diabo coloca-nos armadilhas: não caio, porque me encontro
fundado sobre rocha firme (Lc 6, 48); turba-se-me a consciência se cometo
algum pecado grave, mas não se perturba, porque me recordo das chagas do
meu Senhor, que «foi ferido por causa das nossas iniquidades» (Is 53, 5).
Pois o que haverá de tão mortífero que não tenha sido aniquilado pela morte
de Cristo?
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