Terça-feira, dia 12 de Abril de 2011
Terça-feira da 5ª semana da Quaresma
Nossa Senhora dos Prazeres, S. Victor de Braga, mártir, +300, Beato Lourenço Mendes, religioso, séc. XIII, Santa Teresa de Jesus Fernandez Solar, religiosa, +1920
Comentário ao Evangelho do dia feito por
São João Crisóstomo : «Quando tiverdes erguido ao alto o Filho do Homem, então ficareis a saber que Eu sou»
Leituras
Núm. 21,4-9.
Naqueles dias, os filhos de Israel partiram do monte Hor para o mar Vermelho, contornando a terra de Edom.
O povo falou contra Deus e contra Moisés: «Porque nos fizestes sair do Egipto? Foi para morrer no deserto, onde não há pão nem água, estando enjoados com este pão levíssimo?»
Mas o Senhor enviou contra o povo serpentes ardentes, que mordiam o povo, e por isso morreu muita gente de Israel.
O povo foi ter com Moisés e disse-lhe: «Pecámos ao protestarmos contra o Senhor e contra ti. Intercede junto do Senhor para que afaste de nós as serpentes.» E Moisés intercedeu pelo povo.
O Senhor disse a Moisés: «Faz para ti uma serpente abrasadora e coloca-a num poste. Sucederá que todo aquele que tiver sido mordido, se olhar para ela, ficará vivo.»
Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e fixou-a sobre um poste. Quando alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, vivia.
Salmos 102(101),2-3.16-18.19-21.
SENHOR, escuta a minha oração e chegue junto de ti o meu clamor!
Não me ocultes o teu rosto no dia da aflição. Inclina para mim o teu ouvido; no dia em que te invocar, responde-me sem demora!
Os povos honrarão, SENHOR, o teu nome, e todos os reis da terra, a tua majestade.
Quando o SENHOR reconstruir Sião e manifestar a sua glória,
há-de voltar-se para a oração do indigente e não desprezará as suas súplicas.
Escrevam-se estas coisas para as gerações futuras, e os que hão-de nascer louvarão o SENHOR.
SENHOR observa do alto do seu santuário; lá do céu, Ele olha para a terra,
para escutar os gemidos dos cativos e livrar os condenados à morte.
João 8,21-30.
Naquele tempo, Jesus disse aos fariseus: «Eu vou-me embora: vós haveis de procurar-me, mas morrereis no vosso pecado. Vós não podereis ir para onde Eu vou.»
Então, os judeus comentavam: «Será que Ele se vai suicidar, dado que está a dizer: 'Vós não podeis ir para onde Eu vou'?»
Mas Ele acrescentou: «Vós sois cá de baixo; Eu sou lá de cima! Vós sois deste mundo; Eu não sou deste mundo.
Já vos disse que morrereis nos vossos pecados. De facto, se não crerdes que Eu sou o que sou, morrereis nos vossos pecados.»
Perguntaram-lhe, então: «Quem és Tu, afinal?» Disse-lhes Jesus: «Absolutamente aquilo que já vos estou a dizer!
Tenho muitas coisas que dizer e que julgar a vosso respeito; mas do que falo ao mundo é do que ouvi àquele que me enviou, e que é verdadeiro.»
Eles não perceberam que lhes falava do Pai.
Disse-lhes, pois, Jesus: «Quando tiverdes erguido ao alto o Filho do Homem, então ficareis a saber que Eu sou o que sou e que nada faço por mim mesmo, mas falo destas coisas tal como o Pai me ensinou.
E aquele que me enviou está comigo. Ele não me deixou só, porque faço sempre aquilo que lhe agrada.»
Quando expunha estas coisas, muitos creram nele.
Da Bíblia Sagrada
Comentário ao Evangelho do dia feito por
São João Crisóstomo (c. 345-407), Bispo de Antioquia e, mais tarde, de Constantinopla, Doutor da Igreja.
Catequeses baptismais, n° 3, 16ss. (a partir da trad. bréviaire rev.; cf SC 50 bis, pp. 160ss.)
«Quando tiverdes erguido ao alto o Filho do Homem, então ficareis a saber que Eu sou»
Queres saber que força se esconde no sangue de Cristo? Vê de onde foi que
ele começou a correr e qual é a sua origem: vem da cruz, do lado do Senhor.
Estando Jesus já morto, diz o evangelho, mas ainda suspenso da cruz, veio
um soldado «e abriu-Lhe o lado com um golpe de lança, e dele saiu sangue e
água» (Jo 19, 33-34). Esta água era o símbolo do baptismo, e o sangue o
símbolo dos mistérios eucarísticos. [...] Foi, pois, um soldado que Lhe
abriu o lado, perfurando a muralha do templo santo; e eu encontrei este
tesouro, e fiz dele a minha fortuna. [...]«E dele saiu sangue e água». Não
passes com indiferença por este mistério. [...] Já te disse que esta água e
este sangue são símbolo do baptismo e dos mistérios eucarísticos. Ora, a
Igreja nasceu destes dois sacramentos: deste banho do renascimento e da
renovação no Espírito, ou seja, do baptismo, e dos mistérios. Mas os sinais
do baptismo e dos mistérios saíram do lado de Cristo; consequentemente,
Cristo constituiu a Igreja a partir do Seu lado, tal como formara Eva a
partir do lado de Adão (Gn 2, 22).É por isso que Paulo afirma: Somos da Sua
carne e dos Seus ossos (cf Act 17, 29; Gn 2, 23), designando desse modo o
lado do Senhor. Com efeito, assim como o Senhor tomou carne do lado de Adão
para formar a mulher, assim também Cristo nos deu o sangue e a água do Seu
lado para formar a Igreja. E, assim como retirou a carne do lado de Adão
enquanto este dormia, assim também nos deu o sangue e a água depois da Sua
morte [...], porque desde agora a morte é um simples sono. Vistes como foi
que Cristo Se uniu à Sua esposa? Vistes que alimento nos dá a todos? Foi
deste alimento que nascemos, é com ele que nos alimentamos. Assim como a
mulher gera os filhos do seu próprio sangue e os alimenta com o seu leite,
assim também Cristo alimenta constantemente com o Seu sangue aqueles que
gerou.
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segunda-feira, 11 de abril de 2011
Profecia do Dia
domingo, 10 de abril de 2011
Profecia do Dia
Segunda-feira, dia 11 de Abril de 2011
Segunda-feira da 5ª semana da Quaresma
Nossa Senhora dos Prazeres, Santo Estanislau, bispo, mártir, +1097, Santa Gema Galgani, Beata Elena Guerra, virgem, +1914
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Santo Agostinho : «Também Eu não te condeno»
Leituras
Dan. 13,1-9.15-17.19-30.33-62.
Havia um homem chamado Joaquim, que habitava na Babilónia.
Tinha desposado uma mulher de nome Susana, filha de Hilquias, muito bela e piedosa para com o Senhor,
pois tinha sido educada pelos pais, que eram justos, de harmonia com a lei de Moisés.
Joaquim era muito rico. Contíguo à sua casa, tinha um pomar; e com frequência se reuniam em casa dele os judeus, pois que entre todos os seus compatriotas gozava de particular consideração.
Tinham sido nomeados juízes, naquele ano, dois anciãos do povo. A eles justamente se aplicava a palavra do Senhor: «A iniquidade veio da Babilónia, de anciãos e juízes, que passavam por dirigir o povo.»
Estas duas personagens frequentavam a casa de Joaquim, onde vinham procurá-los todos os que tinham qualquer contenda.
À hora do meio-dia, quando toda esta gente se tinha retirado, Susana ia passear para o jardim do marido.
Os dois anciãos viam-na todos os dias, por ocasião do passeio, de maneira que a sua paixão se acendeu por ela.
Perderam a justa noção das coisas, afastaram os olhos para não olharem para o céu e não se lembrarem da verdadeira regra de conduta.
Um dia, como de costume, chegou Susana, acompanhada apenas por duas criadas, e preparava-se para tomar banho no jardim, pois fazia calor.
Não havia aí ninguém senão os dois anciãos que, escondidos, a espiavam.
Disse às jovens: «Trazei-me óleo e unguentos e fechai as portas do jardim, para eu tomar banho.»
Logo que elas saíram, os dois homens precipitaram-se para junto de Susana
e disseram-lhe: «As portas do jardim estão fechadas, ninguém nos vê. Nós ardemos de desejo por ti. Aceita e entrega-te a nós.
Se não quiseres, vamos denunciar-te. Diremos que um rapaz estava contigo e que foi por isso mesmo que tu mandaste embora as criadas.»
Susana bradou angustiada: «Estou sujeita a aflições de todos os lados! Se faço isso, é para mim a morte. Se não o faço, nem mesmo assim vos escaparei.
Mas é preferível para mim cair em vossas mãos sem ter feito nada, do que pecar aos olhos do Senhor.»
Susana, então, soltou altos gritos e os dois anciãos gritaram também com ela.
E um deles, correndo para as portas do jardim, abriu-as.
As pessoas da casa, ao ouvirem esta gritaria, precipitaram-se pela porta traseira para ver o que tinha acontecido.
Logo que os anciãos falaram, os criados coraram de vergonha, pois jamais se tinha dito coisa semelhante de Susana.
No dia seguinte, os dois anciãos, dominados pelo desejo criminoso contra a vida de Susana, vieram à reunião que tinha lugar em casa de Joaquim, seu marido.
Disseram diante de toda a gente: «Que se vá procurar Susana, filha de Hilquias, a mulher de Joaquim!» Foram procurá-la.
E veio com os seus pais, os filhos e os membros da sua família.
Choravam todos os seus, assim como todos os que a conheciam.
Os dois anciãos levantaram-se diante de todo o povo e puseram a mão sobre a cabeça de Susana,
enquanto ela, debulhada em lágrimas, mas de coração cheio de confiança no Senhor, olhava para o céu.
Disseram então os anciãos: «Quando passeávamos a sós pelo jardim, entrou ela com duas criadas; e depois de ter fechado as portas, mandou embora as criadas.
Então, um jovem, que estava lá escondido, aproximou-se e pecou com ela.
Encontrávamo-nos a um canto do jardim. Perante semelhante atrevimento, corremos para eles e surpreendemo-los em flagrante delito.
Não pudemos ter mão no rapaz, porque era mais forte do que nós, abriu a porta e escapou-se.
A ela apanhámo-la; mas, quando a interrogámos para saber quem era esse rapaz,
recusou responder-nos. Somos testemunhas disto.» Dando crédito a estes homens, que eram anciãos e juízes do povo, a assembleia condenou Susana à morte.
Esta, então, em altos brados disse: «Deus eterno, que sondas os segredos, que conheces os acontecimentos antes que se dêem,
Tu sabes que proferiram um falso testemunho contra mim. Vou morrer sem ter feito nada daquilo que maldosamente inventaram contra mim.»
Deus ouviu a sua oração.
Quando a conduziam para a morte, o Senhor despertou a alma límpida de um rapazinho, chamado Daniel,
que gritou com voz forte: «Estou inocente da morte dessa mulher!»
Toda a gente se voltou para ele e disse: «Que é que isso quer dizer?»
E, dirigindo--se para o meio deles, afirmou: «Israelitas! Estais loucos, para condenardes uma filha de Israel, sem examinardes nem reconhecerdes a verdade?
Recomeçai o julgamento, porque é um falso testemunho o que estes dois homens declararam contra ela.»
O povo apressou-se a voltar. Os anciãos disseram a Daniel: «Vem, senta-te no meio de nós e esclarece-nos, porque Deus te deu maturidade!»
Bradou Daniel: «Separai-os para longe um do outro e eu os julgarei.»
Separaram-nos. Daniel, então, chamou o primeiro e disse-lhe: «Velho perverso! Eis que se manifestam agora os pecados que cometeste outrora em julgamentos injustos,
ao condenares os inocentes, absolvendo os culpados, quando o Senhor disse: 'Não farás com que morra o inocente ou o justo.'
Vamos! Se realmente os viste, diz-nos debaixo de que árvore os viste entreterem-se um com o outro.» «Sob um lentisco.» respondeu.
Retorquiu Daniel: «Pois bem! Aí está a mentira, que pagarás com a tua cabeça. Eis que o anjo do Senhor, conforme a sentença divina, te vai rachar a meio!»
Afastaram o homem, e Daniel mandou vir o outro e disse-lhe: «Tu és um filho de Canaã e não um judeu. Foi a beleza que te seduziu e a paixão que te perverteu.
É assim que sempre tendes procedido com as filhas de Israel, que, por medo, entravam em relação convosco. Uma filha de Judá, porém, não consentiu na vossa perversidade.
Vamos, diz-me: sob que árvore os surpreendeste em atitude de se unirem?» «Sob um carvalho.»
Respondeu Daniel: «Pois bem! Também tu forjaste uma mentira que te vai custar a vida. Eis que o anjo do Senhor, de espada em punho, se dispõe a cortar-te ao meio, para vos aniquilar.»
Logo a multidão deu grandes brados, e bendizia a Deus que salva os que põem nele a sua esperança.
Toda a gente, então, se insurgiu contra os dois anciãos que Daniel tinha convencido de falso testemunho, pelas suas próprias declarações e deu-se-lhes o mesmo tratamento que eles tinham infligido ao seu próximo.
De harmonia com a lei de Moisés, mataram-nos. Deste modo, foi poupada naquele dia uma vida inocente.
Salmos 23(22),1-3.4.5.6.
O SENHOR é meu pastor: nada me falta.
Em verdes prados me faz descansar e conduz me às águas refrescantes.
Reconforta a minha alma e guia me por caminhos rectos, por amor do seu nome.
Ainda que atravesse vales tenebrosos, de nenhum mal terei medo porque Tu estás comigo. A tua vara e o teu cajado dão me confiança.
Preparas a mesa para mim à vista dos meus inimigos; ungiste com óleo a minha cabeça; a minha taça transbordou.
Na verdade, a tua bondade e o teu amor hão de acompanhar me todos os dias da minha vida, e habitarei na casa do SENHOR para todo o sempre.
João 8,1-11.
Jesus foi para o Monte das Oliveiras.
De madrugada, voltou outra vez para o templo e todo o povo vinha ter com Ele. Jesus sentou-se e pôs-se a ensinar.
Então, os doutores da Lei e os fariseus trouxeram-lhe certa mulher apanhada em adultério, colocaram-na no meio
e disseram-lhe: «Mestre, esta mulher foi apanhada a pecar em flagrante adultério.
Moisés, na Lei, mandou-nos matar à pedrada tais mulheres. E Tu que dizes?»
Faziam-lhe esta pergunta para o fazerem cair numa armadilha e terem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se para o chão, pôs-se a escrever com o dedo na terra.
Como insistissem em interrogá-lo, ergueu-se e disse-lhes: «Quem de vós estiver sem pecado atire-lhe a primeira pedra!»
E, inclinando-se novamente para o chão, continuou a escrever na terra.
Ao ouvirem isto, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos, e ficou só Jesus e a mulher que estava no meio deles.
Então, Jesus ergueu-se e perguntou-lhe: «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?»
Ela respondeu: «Ninguém, Senhor.» Disse-lhe Jesus: «Também Eu não te condeno. Vai e de agora em diante não tornes a pecar.»
Da Bíblia Sagrada
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África) e doutor da Igreja
Sermão 13
«Também Eu não te condeno»
Há um salmo que diz: «Deixai-vos instruir, juízes da terra!» (Sl 2,10). Os
que julgam a terra são os reis, os governantes, os príncipes, os juízes
propriamente ditos. [...] Que eles se instruam, porque se trata da terra
que julga a terra, mas ela deve temer Aquele que está no céu. Eles julgam
os seus iguais: o homem julga um homem, o mortal, um mortal, o pecador, um
pecador. Se Nosso Senhor fizesse ressoar, no meio desses juízes, esta
sentença divina: «Que o primeiro que estiver sem pecado, atire a primeira
pedra», não começariam a tremer todos aqueles que julgam a terra?
Aos fariseus que, para O tentar, Lhe tinham trazido uma mulher surpreendida
em adultério [...], Jesus disse: «Vós quereis lapidar esta mulher como está
prescrito na Lei. Pois bem, que aquele de vós que estiver sem pecado lhe
atire a primeira pedra». Enquanto O questionavam, escrevia na terra, para
«instruir a terra»; mas, quando lhes deu esta resposta, levantou os olhos,
«olhou para a terra e ela estremeceu» [Sl 104 (103), 32]. Os fariseus,
confusos e a tremer, vão-se embora, um após outro. [...]
A pecadora ficou só com o Salvador: a doente com o médico, a grande miséria
com a grande misericórdia. Olhando para esta mulher, Jesus diz-lhe:
«Ninguém te condenou? ─ Ninguém Senhor» [...] Mas ela permanece
diante de um juiz que não tem pecado. «Ninguém te condenou? ─ Ninguém
Senhor, e, se Tu próprio não me condenares, estou em segurança».
Silenciosamente, o Senhor responde a esta inquietação: «Também Eu não te
condeno. [...] A voz da consciência impediu os acusadores de te punirem; a
misericórdia incita-Me a vir em teu socorro». Meditai nestas verdades e
«deixai-vos instruir, juízes da terra».
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sábado, 9 de abril de 2011
Profecia do Dia
Domingo, dia 10 de Abril de 2011
5º Domingo da Quaresma - Ano A
5º Domingo da Quaresma (semana I do saltério)
Ezequiel, profeta, Santo António Neyrot, mártir, +1460, Beato Bonifácio Zukowski, presbítero, mártir, 1942
Comentário ao Evangelho do dia feito por
São Pedro Crisólogo : «Então Jesus começou a chorar»
Leituras
Ezeq. 37,12-14.
Profetiza, por conseguinte, e diz-lhes: Assim fala o Senhor DEUS: Eis que abrirei as vossas sepulturas e vos farei sair delas, meu povo, e vos reconduzirei à terra de Israel.
Então, reconhecereis que Eu sou o Senhor DEUS, quando abrir as vossas sepulturas e vos fizer sair delas, ó meu povo.
Introduzirei em vós o meu espírito e vivereis; estabelecer-vos-ei na vossa terra. Então, reconhecereis que Eu, o SENHOR, falei e agi" -oráculo do SENHOR.
Salmos 130(129),1-2.3-4.5-6.7-8.
Do fundo do abismo clamo a ti, SENHOR!
Senhor, ouve a minha prece! Estejam teus ouvidos atentos à voz da minha súplica!
Se tiveres em conta os nossos pecados, Senhor, quem poderá resistir?
Mas em ti encontramos o perdão; por isso te fazes respeitar.
Eu espero no SENHOR! Sim, espero! A minha alma confia na sua palavra.
minha alma volta-se para o Senhor, mais do que a sentinela para a aurora. Mais do que a sentinela espera pela aurora,
Israel espera pelo SENHOR; porque nele há misericórdia e com Ele é abundante a redenção.
Ele há-de livrar Israel de todos os seus pecados.
Romanos 8,8-11.
Os que vivem sob o domínio da carne são incapazes de agradar a Deus.
Ora vós não estais sob o domínio da carne, mas sob o domínio do Espírito, pressupondo que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse não lhe pertence.
Se Cristo está em vós, o vosso corpo está morto por causa do pecado, mas o Espírito é a vossa vida por causa da justiça.
E se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Cristo de entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, por meio do seu Espírito que habita em vós.
João 11,1-45.
Estava doente um homem chamado Lázaro, de Betânia, terra de Maria e de Marta, sua irmã.
Maria, cujo irmão, Lázaro, tinha caído doente, era aquela que ungiu os pés do Senhor com perfume e lhos enxugou com os seus cabelos.
Então, as irmãs enviaram a Jesus este recado: «Senhor, aquele que amas está doente.»
Ouvindo isto, Jesus disse: «Esta doença não é de morte, mas sim para a glória de Deus, manifestando-se por ela a glória do Filho de Deus.»
Jesus era muito amigo de Marta, da sua irmã e de Lázaro.
Mas, quando recebeu a notícia de que este estava doente, ainda se demorou dois dias no lugar onde se encontrava.
Só depois é que disse aos discípulos: «Vamos outra vez para a Judeia.»
Disseram-lhe os discípulos: «Rabi, há pouco os judeus procuravam apedrejar-te, e Tu queres ir outra vez para lá?»
Jesus respondeu: «Não tem doze horas o dia? Se alguém anda de dia, não tropeça, porque tem a luz deste mundo.
Mas, se andar de noite, tropeça, porque não tem a luz com ele.»
Depois de ter pronunciado estas palavras, acrescentou: «O nosso amigo Lázaro está a dormir, mas Eu vou lá acordá-lo.»
Os discípulos disseram então: «Senhor, se ele dorme, vai curar-se!»
Mas Jesus tinha falado da sua morte, ao passo que eles julgavam que falava do sono natural.
Então, Jesus disse-lhes claramente: «Lázaro morreu;
e Eu, por amor de vós, estou contente por não ter estado lá, para assim poderdes crer. Mas vamos ter com ele.»
Tomé, chamado Gémeo, disse aos companheiros: «Vamos nós também, para morrermos com Ele.»
Ao chegar, Jesus encontrou-o sepultado havia quatro dias.
Betânia ficava perto de Jerusalém, a quase uma légua,
e muitos judeus tinham ido visitar Marta e Maria para lhes darem os pêsames pelo seu irmão.
Logo que Marta ouviu dizer que Jesus estava a chegar, saiu a recebê-lo, enquanto Maria ficou sentada em casa.
Marta disse, então, a Jesus: «Senhor, se Tu cá estivesses, o meu irmão não teria morrido.
Mas, ainda agora, eu sei que tudo o que pedires a Deus, Ele to concederá.»
Disse-lhe Jesus: «Teu irmão ressuscitará.»
Marta respondeu-lhe: «Eu sei que ele há-de ressuscitar na ressurreição do último dia.»
Disse-lhe Jesus: «Eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem crê em mim, mesmo que tenha morrido, viverá.
E todo aquele que vive e crê em mim não morrerá para sempre. Crês nisto?»
Ela respondeu-lhe: «Sim, ó Senhor; eu creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo.»
Dito isto, voltou a casa e foi chamar sua irmã, Maria, dizendo-lhe em voz baixa: «Está cá o Mestre e chama por ti.»
Assim que ela ouviu isto, levantou-se rapidamente e foi ter com Ele.
Jesus ainda não tinha entrado na aldeia, mas permanecia no lugar onde Marta lhe viera ao encontro.
Então, os judeus que estavam com Maria, em casa, para lhe darem os pêsames, ao verem-na levantar-se e sair à pressa, seguiram-na, pensando que se dirigia ao túmulo para aí chorar.
Quando Maria chegou ao sítio onde estava Jesus, mal o viu caiu-lhe aos pés e disse-lhe: «Senhor, se Tu cá estivesses, o meu irmão não teria morrido.»
Ao vê-la a chorar e os judeus que a acompanhavam a chorar também, Jesus suspirou profundamente e comoveu-se.
Depois, perguntou: «Onde o pusestes?» Responderam-lhe: «Senhor, vem e verás.»
Então Jesus começou a chorar.
Diziam os judeus: «Vede como era seu amigo!»
Mas alguns deles murmuravam: «Então, este que deu a vista ao cego não podia também ter feito com que Lázaro não morresse?»
Jesus, suspirando de novo intimamente, foi até ao túmulo. Era uma gruta fechada com uma pedra.
Disse Jesus: «Tirai a pedra.» Marta, a irmã do defunto, disse-lhe: «Senhor, já cheira mal, pois já é o quarto dia.»
Jesus replicou-lhe: «Eu não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?»
Quando tiraram a pedra, Jesus, erguendo os olhos ao céu, disse: «Pai, dou-te graças por me teres atendido.
Eu já sabia que sempre me atendes, mas Eu disse isto por causa da gente que me rodeia, para que venham a crer que Tu me enviaste.»
Dito isto, bradou com voz forte: «Lázaro, vem cá para fora!»
O que estava morto saiu de mãos e pés atados com ligaduras e o rosto envolvido num sudário. Jesus disse-lhes: «Desligai-o e deixai-o andar.»
Então, muitos dos judeus que tinham vindo a casa de Maria, ao verem o que Jesus fez, creram nele.
Da Bíblia Sagrada
Comentário ao Evangelho do dia feito por
São Pedro Crisólogo (406 ?-450), bispo de Ravena, Doutor da Igreja
Sermão 64, PL 52, 379 (a partir da trad. da col. Ichtus, vol. 12, p. 279 rev.)
«Então Jesus começou a chorar»
«Ao ver Maria chorar, e os judeus que a acompanhavam a chorar também, Jesus
suspirou profundamente e comoveu-Se». Maria chora, choram os judeus, o
próprio Cristo chora. Crês tu que sentem todos a mesma tristeza? Maria,
irmã do morto, chora porque não pôde conservar o seu irmão nem afastar a
morte; por mais que estivesse convencida da ressurreição, a perda do seu
único amparo e a ideia da sua cruel ausência, mais a tristeza da separação
inevitável, fazem-na desfazer-se em lágrimas que ela não consegue suster.
Por muito grande que seja a nossa fé, a implacável ideia da morte não pode
deixar de tocar-nos e transtornar-nos; por isso, choravam também os judeus,
porque se lembravam da sua condição mortal e desesperavam da eternidade.
Nenhum mortal pode deixar de chorar perante a morte.
Mas qual destas tristezas foi a de Cristo? Nenhuma? Então porque chora Ele,
que dissera: «Lázaro morreu, [...] e Eu estou contente»? E eis que derrama
lágrimas como os mortais Aquele que, ao mesmo tempo, derrama sobre eles uma
vez mais o Espírito que dá a vida! Assim é o homem, irmãos, que tanto sob o
efeito da alegria, como da tristeza, desata em lágrimas. Cristo não chorou
por causa da desolação da morte, mas por causa da lembrança da alegria, Ele
a cuja palavra, à Sua palavra, ressuscitarão os mortos para a vida eterna
(Jo 12, 48). Como podia Cristo chorar por fraqueza humana, quando o Pai que
está nos céus chora o filho pródigo, não quando ele sai de casa, mas quando
regressa (Lc 15, 20)? É por isso que Ele permite que Lázaro morra, para
que, ao ressuscitá-lo, se manifeste a Sua glória; permitiu que o Seu amigo
descesse à mansão dos mortos para que Deus aparecesse e o resgatasse dos
infernos.
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