terça-feira, 12 de abril de 2011

Profecia do Dia


Quarta-feira, dia 13 de Abril de 2011
Quarta-feira da 5ª semana da Quaresma

S. Martinho I, papa, +656,  Santo Hermenegildo, rei visigótico, mártir, +585



Comentário ao Evangelho do dia feito por
Catecismo da Igreja Católica §§ 214-219 : «Conhecereis a verdade»

Leituras

Dan. 3,14-20.91-92.95.

Disse-lhes Nabucodonosor: «Chadrac, Mechac e Abed-Nego, é verdade que rejeitais o culto aos meus deuses e a adoração à estátua de ouro erigida por mim?
Pois bem! Estais dispostos, no momento em que ouvirdes o som da trombeta, da flauta, da cítara, da lira, da harpa, do saltério e de qualquer outro instrumento musical, a prostrar-vos em adoração diante da estátua que eu fiz? Se não o fizerdes, sereis logo lançados dentro da fornalha ardente. E qual o deus que poderá libertar-vos da minha mão?»
Chadrac, Mechac e Abed-Nego responderam ao rei Nabucodonosor: «Não vale a pena responder-te a propósito disto.
Se isso assim é, o Deus que nós servimos pode livrar-nos da fornalha incandescente, e até mesmo, ó rei, da tua mão.
E ainda que o não faça, fica sabendo, ó rei, que não prestamos culto aos teus deuses e que não adoramos a estátua de ouro que tu levantaste.»
Então explodiu a fúria de Nabucodonosor contra Chadrac, Mechac e Abed-Nego; a expressão do seu rosto mudou e levantou a voz para mandar que se aquecesse a fornalha sete vezes mais que de costume.
Em seguida, ordenou aos soldados mais vigorosos do seu exército que amarrassem Chadrac, Mechac e Abed-Nego, a fim de os lançar na fornalha incandescente.
Então o rei Nabucodonosor, estupefacto, levantou-se repentinamente, dizendo para os seus conselheiros: «Não foram três homens, atados de pés e mãos, que lançámos ao fogo?» Responderam eles ao rei: «Com certeza».
«Pois bem –replicou o rei – vejo quatro homens soltos, que passeiam no meio do fogo, sem este lhes causar mal; o quarto tem o aspecto de um filho de Deus.»
Nabucodonosor, tomando a palavra, disse: «Bendito seja o Deus de Chadrac, de Mechac e de Abed-Nego! Ele enviou o seu anjo para libertar os seus servos que, confiando nele, expuseram a vida, transgredindo as ordens do rei, antes que prostrarem-se em adoração diante de um outro deus que não fosse o Deus deles.


Dan. 3,52.53.54.55.56.

«Bendito sejas, Senhor, Deus de nossos pais:– digno de louvor e glória eternamente! Bendito seja o teu nome santo e glorioso:– digno de supremo louvor e exaltação eternamente!
Bendito sejas no templo da tua santa glória: – digno de supremo louvor e glória eternamente!
Bendito sejas por penetrares os abismos,sentado sobre os querubins: – digno de supremo louvor e exaltação eternamente!
Bendito sejas no teu trono real: – digno de supremo louvor e exaltação eternamente!
Bendito sejas no firmamento dos céus:– digno de supremo louvor e glória eternamente!


João 8,31-42.

Então, Jesus pôs-se a dizer aos judeus que nele tinham acreditado: «Se permanecerdes fiéis à minha mensagem, sereis verdadeiramente meus discípulos,
conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres.»
Replicaram-lhe: «Nós somos descendentes de Abraão e nunca fomos escravos de ninguém! Como é que Tu dizes: 'Sereis livres'?»
Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: todo aquele que comete o pecado é servo do pecado,
e o servo não fica na família para sempre; o filho é que fica para sempre.
Pois bem, se o Filho vos libertar, sereis realmente livres.
Eu sei que sois descendentes de Abraão; no entanto, procurais matar-me, porque não aderis à minha palavra.
Eu comunico o que vi junto do Pai, e vós fazeis o que ouvistes ao vosso pai.»
Eles replicaram-lhe: «O nosso pai é Abraão!» Jesus disse-lhes: «Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão!
Agora, porém, vós pretendeis matar-me, a mim, um homem que vos comunicou a verdade que recebi de Deus. Isso não o fez Abraão!
Vós fazeis as obras do vosso pai.» Eles disseram-lhe, então: «Nós não nascemos da prostituição. Temos um só Pai, que é Deus.»
Disse-lhes Jesus: «Se Deus fosse vosso Pai, ter-me-íeis amor, pois é de Deus que Eu saí e vim. Não vim de mim próprio, mas foi Ele que me enviou.


Da Bíblia Sagrada



Comentário ao Evangelho do dia feito por

Catecismo da Igreja Católica §§ 214-219


«Conhecereis a verdade»

Deus, «Aquele que É», revelou-Se a Israel como Aquele que é «cheio de
misericórdia e fidelidade» (Ex 34, 6). Estas duas palavras exprimem, de
modo sintético, as riquezas do nome divino. Em todas as Suas obras, Deus
mostra a sua benevolência, a Sua bondade, a Sua graça, o Seu amor; mas
também a Sua credibilidade, a Sua constância, a Sua fidelidade, a Sua
verdade. [...]Deus é a verdade. «A verdade é princípio da Vossa palavra, é
eterna toda a sentença da Vossa justiça» (Sl 119, 160). «Decerto, Senhor
Deus, Vós é que sois Deus e dizeis palavras de verdade» (2 Sm 7, 28); é por
isso que as promessas de Deus se cumprem sempre. Deus é a própria verdade;
as Suas palavras não podem enganar. É por isso que nos podemos entregar com
toda a confiança e em todas as coisas à verdade e à fidelidade da Sua
palavra. O princípio do pecado e da queda do homem foi uma mentira do
tentador, que o levou a duvidar da palavra de Deus, da Sua benevolência e
da Sua fidelidade (Gn 3, 1).A verdade de Deus é a Sua sabedoria, que
comanda toda a ordem da criação e o governo do mundo. Só Deus – que,
sozinho, criou o céu e a terra – pode dar o conhecimento verdadeiro de
todas as coisas, criadas na sua relação com Ele. Deus é igualmente
verdadeiro quando Se revela: todo o ensinamento que vem de Deus é «doutrina
de verdade» (Ml 2, 6). Quando Ele enviar o Seu Filho ao mundo, será «para
dar testemunho da verdade» (Jo 18, 37): «Sabemos [...] que veio o Filho de
Deus e nos deu entendimento para conhecermos o Verdadeiro» (1 Jo 5,
20).Deus é amor. [...] O amor de Deus para com Israel é comparado ao amor
dum pai para com o seu filho (Os 11, 1). Este amor é mais forte que o de
uma mãe para com os seus filhos (Is 49, 14-15). Deus ama o Seu povo, mais
que um esposo a sua bem-amada (Is 62, 4-5); este amor vencerá mesmo as
piores infidelidades; e chegará ao mais precioso de todos os dons: «Deus
amou de tal maneira o mundo, que lhe entregou o Seu Filho Único» (Jo 3,
16).




Gerir directamente o seu abono (ou a sua subscrição) neste endereço : www.evangelhoquotidiano.org


segunda-feira, 11 de abril de 2011

Profecia do Dia

Terça-feira, dia 12 de Abril de 2011
Terça-feira da 5ª semana da Quaresma

Nossa Senhora dos Prazeres,  S. Victor de Braga, mártir, +300,  Beato Lourenço Mendes, religioso, séc. XIII,  Santa Teresa de Jesus Fernandez Solar, religiosa, +1920



Comentário ao Evangelho do dia feito por
São João Crisóstomo : «Quando tiverdes erguido ao alto o Filho do Homem, então ficareis a saber que Eu sou»

Leituras

Núm. 21,4-9.

Naqueles dias, os filhos de Israel partiram do monte Hor para o mar Vermelho, contornando a terra de Edom.  
O povo falou contra Deus e contra Moisés: «Porque nos fizestes sair do Egipto? Foi para morrer no deserto, onde não há pão nem água, estando enjoados com este pão levíssimo?»
Mas o Senhor enviou contra o povo serpentes ardentes, que mordiam o povo, e por isso morreu muita gente de Israel.
O povo foi ter com Moisés e disse-lhe: «Pecámos ao protestarmos contra o Senhor e contra ti. Intercede junto do Senhor para que afaste de nós as serpentes.» E Moisés intercedeu pelo povo.
O Senhor disse a Moisés: «Faz para ti uma serpente abrasadora e coloca-a num poste. Sucederá que todo aquele que tiver sido mordido, se olhar para ela, ficará vivo.»
Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e fixou-a sobre um poste. Quando alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, vivia.


Salmos 102(101),2-3.16-18.19-21.

SENHOR, escuta a minha oração e chegue junto de ti o meu clamor!
Não me ocultes o teu rosto no dia da aflição. Inclina para mim o teu ouvido; no dia em que te invocar, responde-me sem demora!
Os povos honrarão, SENHOR, o teu nome, e todos os reis da terra, a tua majestade.
Quando o SENHOR reconstruir Sião e manifestar a sua glória,

há-de voltar-se para a oração do indigente e não desprezará as suas súplicas.
Escrevam-se estas coisas para as gerações futuras, e os que hão-de nascer louvarão o SENHOR.
SENHOR observa do alto do seu santuário; lá do céu, Ele olha para a terra,
para escutar os gemidos dos cativos e livrar os condenados à morte.



João 8,21-30.

Naquele tempo, Jesus disse aos fariseus: «Eu vou-me embora: vós haveis de procurar-me, mas morrereis no vosso pecado. Vós não podereis ir para onde Eu vou.»
Então, os judeus comentavam: «Será que Ele se vai suicidar, dado que está a dizer: 'Vós não podeis ir para onde Eu vou'?»
Mas Ele acrescentou: «Vós sois cá de baixo; Eu sou lá de cima! Vós sois deste mundo; Eu não sou deste mundo.
Já vos disse que morrereis nos vossos pecados. De facto, se não crerdes que Eu sou o que sou, morrereis nos vossos pecados.»
Perguntaram-lhe, então: «Quem és Tu, afinal?» Disse-lhes Jesus: «Absolutamente aquilo que já vos estou a dizer!
Tenho muitas coisas que dizer e que julgar a vosso respeito; mas do que falo ao mundo é do que ouvi àquele que me enviou, e que é verdadeiro.»
Eles não perceberam que lhes falava do Pai.
Disse-lhes, pois, Jesus: «Quando tiverdes erguido ao alto o Filho do Homem, então ficareis a saber que Eu sou o que sou e que nada faço por mim mesmo, mas falo destas coisas tal como o Pai me ensinou.
E aquele que me enviou está comigo. Ele não me deixou só, porque faço sempre aquilo que lhe agrada.»
Quando expunha estas coisas, muitos creram nele.


Da Bíblia Sagrada



Comentário ao Evangelho do dia feito por

São João Crisóstomo (c. 345-407), Bispo de Antioquia e, mais tarde, de Constantinopla, Doutor da Igreja.
Catequeses baptismais, n° 3, 16ss. (a partir da trad. bréviaire rev.; cf SC 50 bis, pp. 160ss.)

«Quando tiverdes erguido ao alto o Filho do Homem, então ficareis a saber que Eu sou»

Queres saber que força se esconde no sangue de Cristo? Vê de onde foi que
ele começou a correr e qual é a sua origem: vem da cruz, do lado do Senhor.
Estando Jesus já morto, diz o evangelho, mas ainda suspenso da cruz, veio
um soldado «e abriu-Lhe o lado com um golpe de lança, e dele saiu sangue e
água» (Jo 19, 33-34). Esta água era o símbolo do baptismo, e o sangue o
símbolo dos mistérios eucarísticos. [...] Foi, pois, um soldado que Lhe
abriu o lado, perfurando a muralha do templo santo; e eu encontrei este
tesouro, e fiz dele a minha fortuna. [...]«E dele saiu sangue e água». Não
passes com indiferença por este mistério. [...] Já te disse que esta água e
este sangue são símbolo do baptismo e dos mistérios eucarísticos. Ora, a
Igreja nasceu destes dois sacramentos: deste banho do renascimento e da
renovação no Espírito, ou seja, do baptismo, e dos mistérios. Mas os sinais
do baptismo e dos mistérios saíram do lado de Cristo; consequentemente,
Cristo constituiu a Igreja a partir do Seu lado, tal como formara Eva a
partir do lado de Adão (Gn 2, 22).É por isso que Paulo afirma: Somos da Sua
carne e dos Seus ossos (cf Act 17, 29; Gn 2, 23), designando desse modo o
lado do Senhor. Com efeito, assim como o Senhor tomou carne do lado de Adão
para formar a mulher, assim também Cristo nos deu o sangue e a água do Seu
lado para formar a Igreja. E, assim como retirou a carne do lado de Adão
enquanto este dormia, assim também nos deu o sangue e a água depois da Sua
morte [...], porque desde agora a morte é um simples sono. Vistes como foi
que Cristo Se uniu à Sua esposa? Vistes que alimento nos dá a todos? Foi
deste alimento que nascemos, é com ele que nos alimentamos. Assim como a
mulher gera os filhos do seu próprio sangue e os alimenta com o seu leite,
assim também Cristo alimenta constantemente com o Seu sangue aqueles que
gerou.




Gerir directamente o seu abono (ou a sua subscrição) neste endereço : www.evangelhoquotidiano.org


domingo, 10 de abril de 2011

Profecia do Dia

Segunda-feira, dia 11 de Abril de 2011
Segunda-feira da 5ª semana da Quaresma

Nossa Senhora dos Prazeres,  Santo Estanislau, bispo, mártir, +1097,  Santa Gema Galgani,  Beata Elena Guerra, virgem, +1914



Comentário ao Evangelho do dia feito por
Santo Agostinho : «Também Eu não te condeno»

Leituras

Dan. 13,1-9.15-17.19-30.33-62.

Havia um homem chamado Joaquim, que habitava na Babilónia.
Tinha desposado uma mulher de nome Susana, filha de Hilquias, muito bela e piedosa para com o Senhor,
pois tinha sido educada pelos pais, que eram justos, de harmonia com a lei de Moisés.
Joaquim era muito rico. Contíguo à sua casa, tinha um pomar; e com frequência se reuniam em casa dele os judeus, pois que entre todos os seus compatriotas gozava de particular consideração.
Tinham sido nomeados juízes, naquele ano, dois anciãos do povo. A eles justamente se aplicava a palavra do Senhor: «A iniquidade veio da Babilónia, de anciãos e juízes, que passavam por dirigir o povo.»
Estas duas personagens frequentavam a casa de Joaquim, onde vinham procurá-los todos os que tinham qualquer contenda.
À hora do meio-dia, quando toda esta gente se tinha retirado, Susana ia passear para o jardim do marido.
Os dois anciãos viam-na todos os dias, por ocasião do passeio, de maneira que a sua paixão se acendeu por ela.
Perderam a justa noção das coisas, afastaram os olhos para não olharem para o céu e não se lembrarem da verdadeira regra de conduta.
Um dia, como de costume, chegou Susana, acompanhada apenas por duas criadas, e preparava-se para tomar banho no jardim, pois fazia calor.
Não havia aí ninguém senão os dois anciãos que, escondidos, a espiavam.
Disse às jovens: «Trazei-me óleo e unguentos e fechai as portas do jardim, para eu tomar banho.»
Logo que elas saíram, os dois homens precipitaram-se para junto de Susana
e disseram-lhe: «As portas do jardim estão fechadas, ninguém nos vê. Nós ardemos de desejo por ti. Aceita e entrega-te a nós.
Se não quiseres, vamos denunciar-te. Diremos que um rapaz estava contigo e que foi por isso mesmo que tu mandaste embora as criadas.»
Susana bradou angustiada: «Estou sujeita a aflições de todos os lados! Se faço isso, é para mim a morte. Se não o faço, nem mesmo assim vos escaparei.
Mas é preferível para mim cair em vossas mãos sem ter feito nada, do que pecar aos olhos do Senhor.»
Susana, então, soltou altos gritos e os dois anciãos gritaram também com ela.
E um deles, correndo para as portas do jardim, abriu-as.
As pessoas da casa, ao ouvirem esta gritaria, precipitaram-se pela porta traseira para ver o que tinha acontecido.
Logo que os anciãos falaram, os criados coraram de vergonha, pois jamais se tinha dito coisa semelhante de Susana.
No dia seguinte, os dois anciãos, dominados pelo desejo criminoso contra a vida de Susana, vieram à reunião que tinha lugar em casa de Joaquim, seu marido.
Disseram diante de toda a gente: «Que se vá procurar Susana, filha de Hilquias, a mulher de Joaquim!» Foram procurá-la.
E veio com os seus pais, os filhos e os membros da sua família.
Choravam todos os seus, assim como todos os que a conheciam.
Os dois anciãos levantaram-se diante de todo o povo e puseram a mão sobre a cabeça de Susana,
enquanto ela, debulhada em lágrimas, mas de coração cheio de confiança no Senhor, olhava para o céu.
Disseram então os anciãos: «Quando passeávamos a sós pelo jardim, entrou ela com duas criadas; e depois de ter fechado as portas, mandou embora as criadas.
Então, um jovem, que estava lá escondido, aproximou-se e pecou com ela.
Encontrávamo-nos a um canto do jardim. Perante semelhante atrevimento, corremos para eles e surpreendemo-los em flagrante delito.
Não pudemos ter mão no rapaz, porque era mais forte do que nós, abriu a porta e escapou-se.
A ela apanhámo-la; mas, quando a interrogámos para saber quem era esse rapaz,
recusou responder-nos. Somos testemunhas disto.» Dando crédito a estes homens, que eram anciãos e juízes do povo, a assembleia condenou Susana à morte.
Esta, então, em altos brados disse: «Deus eterno, que sondas os segredos, que conheces os acontecimentos antes que se dêem,
Tu sabes que proferiram um falso testemunho contra mim. Vou morrer sem ter feito nada daquilo que maldosamente inventaram contra mim.»
Deus ouviu a sua oração.
Quando a conduziam para a morte, o Senhor despertou a alma límpida de um rapazinho, chamado Daniel,
que gritou com voz forte: «Estou inocente da morte dessa mulher!»
Toda a gente se voltou para ele e disse: «Que é que isso quer dizer?»
E, dirigindo--se para o meio deles, afirmou: «Israelitas! Estais loucos, para condenardes uma filha de Israel, sem examinardes nem reconhecerdes a verdade?
Recomeçai o julgamento, porque é um falso testemunho o que estes dois homens declararam contra ela.»
O povo apressou-se a voltar. Os anciãos disseram a Daniel: «Vem, senta-te no meio de nós e esclarece-nos, porque Deus te deu maturidade!»
Bradou Daniel: «Separai-os para longe um do outro e eu os julgarei.»
Separaram-nos. Daniel, então, chamou o primeiro e disse-lhe: «Velho perverso! Eis que se manifestam agora os pecados que cometeste outrora em julgamentos injustos,
ao condenares os inocentes, absolvendo os culpados, quando o Senhor disse: 'Não farás com que morra o inocente ou o justo.'
Vamos! Se realmente os viste, diz-nos debaixo de que árvore os viste entreterem-se um com o outro.» «Sob um lentisco.» – respondeu.
Retorquiu Daniel: «Pois bem! Aí está a mentira, que pagarás com a tua cabeça. Eis que o anjo do Senhor, conforme a sentença divina, te vai rachar a meio!»
Afastaram o homem, e Daniel mandou vir o outro e disse-lhe: «Tu és um filho de Canaã e não um judeu. Foi a beleza que te seduziu e a paixão que te perverteu.
É assim que sempre tendes procedido com as filhas de Israel, que, por medo, entravam em relação convosco. Uma filha de Judá, porém, não consentiu na vossa perversidade.
Vamos, diz-me: sob que árvore os surpreendeste em atitude de se unirem?» «Sob um carvalho.»
Respondeu Daniel: «Pois bem! Também tu forjaste uma mentira que te vai custar a vida. Eis que o anjo do Senhor, de espada em punho, se dispõe a cortar-te ao meio, para vos aniquilar.»
Logo a multidão deu grandes brados, e bendizia a Deus que salva os que põem nele a sua esperança.
Toda a gente, então, se insurgiu contra os dois anciãos que Daniel tinha convencido de falso testemunho, pelas suas próprias declarações e deu-se-lhes o mesmo tratamento que eles tinham infligido ao seu próximo.
De harmonia com a lei de Moisés, mataram-nos. Deste modo, foi poupada naquele dia uma vida inocente.


Salmos 23(22),1-3.4.5.6.

O SENHOR é meu pastor: nada me falta.
Em verdes prados me faz descansar e conduz me às águas refrescantes.
Reconforta a minha alma e guia me por caminhos rectos, por amor do seu nome.
Ainda que atravesse vales tenebrosos, de nenhum mal terei medo porque Tu estás comigo. A tua vara e o teu cajado dão me confiança.

Preparas a mesa para mim à vista dos meus inimigos; ungiste com óleo a minha cabeça; a minha taça transbordou.
Na verdade, a tua bondade e o teu amor hão de acompanhar me todos os dias da minha vida, e habitarei na casa do SENHOR para todo o sempre.


João 8,1-11.

Jesus foi para o Monte das Oliveiras.
De madrugada, voltou outra vez para o templo e todo o povo vinha ter com Ele. Jesus sentou-se e pôs-se a ensinar.
Então, os doutores da Lei e os fariseus trouxeram-lhe certa mulher apanhada em adultério, colocaram-na no meio
e disseram-lhe: «Mestre, esta mulher foi apanhada a pecar em flagrante adultério.
Moisés, na Lei, mandou-nos matar à pedrada tais mulheres. E Tu que dizes?»
Faziam-lhe esta pergunta para o fazerem cair numa armadilha e terem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se para o chão, pôs-se a escrever com o dedo na terra.
Como insistissem em interrogá-lo, ergueu-se e disse-lhes: «Quem de vós estiver sem pecado atire-lhe a primeira pedra!»
E, inclinando-se novamente para o chão, continuou a escrever na terra.
Ao ouvirem isto, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos, e ficou só Jesus e a mulher que estava no meio deles.
Então, Jesus ergueu-se e perguntou-lhe: «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?»
Ela respondeu: «Ninguém, Senhor.» Disse-lhe Jesus: «Também Eu não te condeno. Vai e de agora em diante não tornes a pecar.»


Da Bíblia Sagrada



Comentário ao Evangelho do dia feito por

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África) e doutor da Igreja
Sermão 13

«Também Eu não te condeno»

Há um salmo que diz: «Deixai-vos instruir, juízes da terra!» (Sl 2,10). Os
que julgam a terra são os reis, os governantes, os príncipes, os juízes
propriamente ditos. [...] Que eles se instruam, porque se trata da terra
que julga a terra, mas ela deve temer Aquele que está no céu. Eles julgam
os seus iguais: o homem julga um homem, o mortal, um mortal, o pecador, um
pecador. Se Nosso Senhor fizesse ressoar, no meio desses juízes, esta
sentença divina: «Que o primeiro que estiver sem pecado, atire a primeira
pedra», não começariam a tremer todos aqueles que julgam a terra?


Aos fariseus que, para O tentar, Lhe tinham trazido uma mulher surpreendida
em adultério [...], Jesus disse: «Vós quereis lapidar esta mulher como está
prescrito na Lei. Pois bem, que aquele de vós que estiver sem pecado lhe
atire a primeira pedra». Enquanto O questionavam, escrevia na terra, para
«instruir a terra»; mas, quando lhes deu esta resposta, levantou os olhos,
«olhou para a terra e ela estremeceu» [Sl 104 (103), 32]. Os fariseus,
confusos e a tremer, vão-se embora, um após outro. [...]


A pecadora ficou só com o Salvador: a doente com o médico, a grande miséria
com a grande misericórdia. Olhando para esta mulher, Jesus diz-lhe:
«Ninguém te condenou? ─ Ninguém Senhor» [...] Mas ela permanece
diante de um juiz que não tem pecado. «Ninguém te condenou? ─ Ninguém
Senhor, e, se Tu próprio não me condenares, estou em segurança».
Silenciosamente, o Senhor responde a esta inquietação: «Também Eu não te
condeno. [...] A voz da consciência impediu os acusadores de te punirem; a
misericórdia incita-Me a vir em teu socorro». Meditai nestas verdades e
«deixai-vos instruir, juízes da terra».




Gerir directamente o seu abono (ou a sua subscrição) neste endereço : www.evangelhoquotidiano.org