Sabado, dia 10 de Março de 2012
Sábado da 2ª semana da Quaresma
Quarenta Mártires de Sebaste, +320, S. Macário de Jerusalém, patriarca, +335, S. João Ogilvie, presbítero, mártir, +1615, Santo Emiliano, pastor eremita, séc. VI
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Bem-aventurado João Paulo II : «Um homem tinha dois filhos»
Leituras
Miqueias 7,14-15.18-20.
Apascenta com o cajado o teu povo, o rebanho da tua herança, os que habitam isolados nas florestas no meio dos prados. Sejam eles apascentados em Basan e Guilead, como nos dias antigos.
Mostra-nos os teus prodígios, como nos dias em que nos tiraste do Egipto.
Qual é o Deus que, como Tu, apaga a iniquidade e perdoa o pecado do resto da sua herança? Não se obstina na sua cólera, porque prefere a bondade.
Uma vez mais, terá compaixão de nós, apagará as nossas iniquidades e lançará os nossos pecados ao fundo do mar.
Mostrarás a tua fidelidade a Jacob, e a tua bondade a Abraão, como juraste a nossos pais, desde os tempos antigos.
Salmos 103(102),1-2.3-4.9-10.11-12.
Bendiz, ó minha alma, o Senhor,
e todo o meu ser bendiga o seu nome santo.
Bendiz, ó minha alma, o Senhor,
e não esqueças nenhum dos seus benefícios.
Ele perdoa todos os teus pecados
e cura as tuas enfermidades.
Salva da morte a tua vida.
e coroa-te de graça e misericórdia.
Não está sempre a repreender-nos,
nem a sua ira dura para sempre.
Não nos tratou segundo os nossos pecados,
nem nos castigou segundo as nossas culpas.
Como é grande a distância dos céus à terra,
assim são grandes os seus favores para os que o temem.
Como o Oriente dista do Ocidente,
assim Ele afasta de nós os nossos pecados.
Lucas 15,1-3.11-32.
Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se de Jesus para O ouvirem.
Mas os fariseus e os doutores da Lei murmuravam entre si, dizendo: «Este acolhe os pecadores e come com eles.»
Jesus propôs-lhes, então, esta parábola:
Disse ainda: «Um homem tinha dois filhos.
O mais novo disse ao pai: 'Pai, dá-me a parte dos bens que me corresponde.' E o pai repartiu os bens entre os dois.
Poucos dias depois, o filho mais novo, juntando tudo, partiu para uma terra longínqua e por lá esbanjou tudo quanto possuía, numa vida desregrada.
Depois de gastar tudo, houve grande fome nesse país e ele começou a passar privações.
Então, foi colocar-se ao serviço de um dos habitantes daquela terra, o qual o mandou para os seus campos guardar porcos.
Bem desejava ele encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava.
E, caindo em si, disse: 'Quantos jornaleiros de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome!
Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e vou dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti;
já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus jornaleiros.'
E, levantando-se, foi ter com o pai. Quando ainda estava longe, o pai viu-o e, enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço e cobriu-o de beijos.
O filho disse-lhe: 'Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho.'
Mas o pai disse aos seus servos: 'Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha; dai-lhe um anel para o dedo e sandálias para os pés.
Trazei o vitelo gordo e matai-o; vamos fazer um banquete e alegrar-nos,
porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi encontrado.' E a festa principiou.
Ora, o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se de casa ouviu a música e as danças.
Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo.
Disse-lhe ele: 'O teu irmão voltou e o teu pai matou o vitelo gordo, porque chegou são e salvo.'
Encolerizado, não queria entrar; mas o seu pai, saindo, suplicava-lhe que entrasse.
Respondendo ao pai, disse-lhe: 'Há já tantos anos que te sirvo sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos;
e agora, ao chegar esse teu filho, que gastou os teus bens com meretrizes, mataste-lhe o vitelo gordo.'
O pai respondeu-lhe: 'Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu.
Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; estava perdido e foi encontrado.'»
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Bem-aventurado João Paulo II
Exortação apostólica «Reconciliação e penitência», §§ 5-6 (trad. © Libreria Editrice Vaticana)
«Um homem tinha dois filhos»
O homem cada um dos homens é este filho pródigo: fascinado pela
tentação de se separar do Pai para viver de modo independente a própria
existência; caído na tentação; desiludido do nada que, como miragem, o
tinha deslumbrado; sozinho, desonrado e explorado no momento em que tenta
construir um mundo só para si; atormentado, mesmo no mais profundo da
própria miséria, pelo desejo de voltar à comunhão com o Pai. Como o pai da
parábola, Deus fica à espreita do regresso do filho, abraça-o à sua chegada
e põe a mesa para o banquete do novo encontro, com que se festeja a
reconciliação.
Mas a parábola faz entrar em cena também o irmão mais velho, que se recusa
a ocupar o seu lugar no banquete. Reprova ao irmão mais novo os seus
extravios e ao pai o acolhimento que lhe dispensou, enquanto a ele,
morigerado e trabalhador, fiel ao pai e à casa, nunca foi permitido diz
ele fazer uma festa com os amigos. Sinal de que não compreende a bondade
do pai. Enquanto este irmão, demasiado seguro de si mesmo e dos próprios
méritos, ciumento e desdenhoso, cheio de azedume e de raiva, não se
converteu e se reconciliou com o pai e com o irmão, o banquete ainda não
era, no sentido pleno, a festa do encontro e do convívio recuperado.
O homem cada um dos homens é também este irmão mais velho. O egoísmo
torna-o ciumento, endurece-lhe o coração, cega-o e leva-o a fechar-se aos
outros e a Deus. [...]
A parábola do filho pródigo é, antes de mais, a história inefável do grande
amor de um Pai. [...] E ao evocar, na figura do irmão mais velho, o egoísmo
que divide os irmãos entre si, ela torna-se também a história da família
humana. [...] Ela retrata a situação da família humana dividida pelos
egoísmos, põe em evidência a dificuldade em secundar o desejo e a nostalgia
de uma só família reconciliada e unida; apela para a necessidade de uma
profunda transformação dos corações, pela redescoberta da misericórdia do
Pai e pela vitória sobre a incompreensão e a hostilidade entre irmãos.
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sexta-feira, 9 de março de 2012
Profecia do Dia
quinta-feira, 8 de março de 2012
Profecia do Dia
Sexta-feira, dia 09 de Março de 2012
Sexta-feira da 2ª semana da Quaresma
S. Domingos Sávio, jovem religioso, +1857, Santa Francisca Romana, viúva, +1440
Comentário ao Evangelho do dia feito por
São Máximo de Turim : Dar fruto
Leituras
Gén. 37,3-4.12-13a.17b-28.
Jacob preferia José aos seus outros filhos, porque era o filho da sua velhice, e mandara-lhe fazer uma túnica comprida.
Os irmãos, vendo que o pai o amava mais do que a todos eles, ganharam-lhe ódio e não podiam falar-lhe amigavelmente.
Um dia, os irmãos de José conduziram os rebanhos de seu pai para Siquém.
E Israel disse a José: «Os teus irmãos apascentam os rebanhos em Siquém. Prepara-te, pois quero enviar-te para junto deles.» José respondeu: «Estou pronto.»
O homem disse-lhe: «Partiram daqui, pois ouvi-lhes dizer: 'Vamos para Dotain.'» José seguiu os passos dos irmãos e encontrou-os em Dotain.
Eles viram-no de longe e, antes que se aproximasse, fizeram planos para o matar.
Disseram uns aos outros: «Eis que se aproxima o homem dos sonhos.
Vamos, matemo-lo, atiremo-lo a qualquer cisterna e depois diremos que um animal feroz o devorou. Veremos, então, como se realizarão os seus sonhos.»
Rúben ouviu-os e quis salvá-lo das suas mãos. Então disse: «Não atentemos contra a sua vida.»
Rúben disse ainda: «Não derrameis sangue! Atirai-o à cisterna que está no deserto, mas não levanteis a mão contra ele.» O seu intento era livrá-lo das suas mãos para o fazer regressar ao seu pai.
Quando José chegou junto dos irmãos, estes despojaram-no da túnica comprida que usava
e, agarrando-o, lançaram-no à cisterna. Esta estava vazia e sem água.
Depois, sentaram-se para comer. Erguendo, porém, os olhos, viram uma caravana de ismaelitas que vinha de Guilead. Os camelos estavam carregados de aroma, de bálsamo e láudano, que levavam para o Egipto.
Judá disse aos irmãos: «Que vantagem tiramos da morte de nosso irmão, ocultando o seu sangue?
Vinde, vendamo-lo aos ismaelitas e que a nossa mão não caia sobre ele, porque é nosso irmão e da nossa família.» E os irmãos consentiram.
Passaram por ali alguns negociantes madianitas, que conseguiram tirar José da cisterna; e eles venderam-no aos ismaelitas por vinte moedas de prata. Estes levaram José para o Egipto.
Salmos 105(104),16-17.18-19.20-21.
Deujs fez cair a fome sobre a terra
e privou-os do pão, que dá o sustento.
Enviou diante deles um homem,
José, que foi vendido como escravo.
Apertaram-lhe os pés com grilhões
e puseram-lhe uma argola de ferro ao pescoço,
até que se cumpriu a profecia,
e a palavra do Senhor lhe deu razão.
Então o rei deu ordens para que o soltassem,
o soberano dos povos pô-lo em liberdade.
Nomeou-o mordomo da sua casa
e administrador de todos os seus bens,
Mateus 21,33-43.45-46.
Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: «Escutai outra parábola: Um chefe de família plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar, construiu uma torre, arrendou-a a uns vinhateiros e ausentou-se para longe.
Quando chegou a época das vindimas, enviou os seus servos aos vinhateiros, para receberem os frutos que lhe pertenciam.
Os vinhateiros, porém, apoderaram-se dos servos, bateram num, mataram outro e apedrejaram o terceiro.
Tornou a mandar outros servos, mais numerosos do que os primeiros, e trataram-nos da mesma forma.
Finalmente, enviou-lhes o seu próprio filho, dizendo: 'Hão-de respeitar o meu filho.'
Mas os vinhateiros, vendo o filho, disseram entre si: 'Este é o herdeiro. Matemo-lo e ficaremos com a sua herança.'
E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e mataram-no.
Ora bem, quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?»
Eles responderam-lhe: «Dará morte afrontosa aos malvados e arrendará a vinha a outros vinhateiros que lhe entregarão os frutos na altura devida.»
Jesus disse-lhes: «Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os construtores rejeitaram transformou-se em pedra angular? Isto é obra do Senhor e é admirável aos nossos olhos?
Por isso vos digo: O Reino de Deus ser-vos-á tirado e será confiado a um povo que produzirá os seus frutos.
Os sumos sacerdotes e os fariseus, ao ouvirem as suas parábolas, compreenderam que eram eles os visados.
Embora procurassem meio de o prender, temeram o povo, que o considerava profeta.
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org
Comentário ao Evangelho do dia feito por
São Máximo de Turim (?-c. 420), bispo
Sermão para festa de São Cipriano; CC Sermão 11, p.38; PL 57, 687
Dar fruto
«A vinha do Senhor do universo, diz o profeta, é a casa de Israel» (Is
5,7). Ora, tal casa somos nós [...] e como nós somos Israel, somos a vinha.
Zelemos pois por que não nos nasçam dos sarmentos, em vez de uvas de
doçura, uvas de ira (Ap 14, 19), para que não nos digam [...]: «Porque é
que, esperando Eu que desse boas uvas, apenas produziu agraços?» (Is 5,4).
Terra ingrata! Ela, que deveria oferecer a seu dono frutos de doçura,
trespassou-o com agudos espinhos. De igual forma os Seus inimigos, que
deveriam ter acolhido o Salvador com toda a devoção da sua fé, coroaram-n'O
com os espinhos da Paixão. Para eles essa coroa significava ultraje e
injúria, mas aos olhos do Senhor, era a coroa das virtudes. [...]
Tende cautela, irmãos, para que não seja dito acerca dessa terra que vós
sois: «Esperou que lhe desse boas uvas, mas ela só produziu agraços» (Is
5,2) [...]. Tenhamos cautela, para que as nossas más acções não firam,
quais espinhos, a cabeça do Senhor. Foram os espinhos do coração que
feriram a palavra de Deus, como diz o Senhor no evangelho quando conta que
o grão do semeador caiu entre os espinhos, e que estes cresceram e
sufocaram o que tinha sido semeado (Mt 13,7). [...] Velai portanto para que
a vossa vinha não dê espinhos em vez de uvas; para que a vossa vindima não
produza vinagre em vez de vinho. Todo aquele que faz vindima sem dela dar
aos pobres recolhe vinagre e não vinho; e aquele que enceleira as suas
colheitas de trigo sem delas distribuir aos indigentes, não é o fruto da
esmola que põe de reserva, mas os cardos da avareza.
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quarta-feira, 7 de março de 2012
Profecia do Dia
Quinta-feira, dia 08 de Março de 2012
Quinta-feira da 2ª da Quaresma
S. João de Deus, religioso, fundador, +1550, S. João de Ávila, confessor, doutor da Igreja, +1569
Comentário ao Evangelho do dia feito por
São Nersés Snorhali : «Ergueu os olhos»
Leituras
Jer. 17,5-10.
Assemelha-se ao cardo do deserto; mesmo que lhe venha algum bem, não o sente, pois habita na secura do deserto, numa terra salobra, onde ninguém mora.
Salmos 1,1-2.3.4.6.
Feliz o homem que não segue o conselho dos ímpios,
nem se detém no caminho dos pecadores,
antes põe o seu enlevo na lei do Senhor
e nela medita dia e noite.
É como a árvore plantada à beira da água corrente:
dá fruto na estação própria
e a sua folhagem não murcha;
em tudo o que faz é bem sucedido.
Mas os ímpios não são assim!
São como a palha que o vento leva.
O Senhor conhece o caminho dos justos,
mas o caminho dos ímpios conduz à perdição.
Lucas 16,19-31.
Um pobre, chamado Lázaro, jazia ao seu portão, coberto de chagas.
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Comentário ao Evangelho do dia feito por
São Nersés Snorhali (1102-1173), patriarca arménio
Jesus, Filho Único do Pai, 624ss.
«Ergueu os olhos»
Como o rico que amava a vida de prazeres,
Eu amei os prazeres efémeros,
Com este meu corpo animal,
Nos prazeres insensatos. [...]
E, de tantas benfeitorias
Que me deste gratuitamente,
Não Te devolvi o dízimo
Que de Ti tinha recebido.
Mas tudo o que estava sob o meu tecto
Feito de terra, ar e mar,
As Tuas benfeitorias inumeráveis,
Pensava que eram propriedade minha.
De tudo isso nada dei ao pobre
E para as suas necessidades nada pus de lado:
Nem comida, para o esfomeado
Nem roupa, para o corpo nu.
Nem abrigo, para o indigente,
Nem morada, para o hóspede estrangeiro,
Nem visitei os doentes,
Nem cuidei dos prisioneiros (cf Mt 25,31ss).
Não me entristeci com a tristeza
do homem triste, por causa do que lhe pesava;
Nem partilhei a alegria do homem feliz
Mas ardi de inveja dele.
Todos eles são outros Lázaros [...]
Que jazem à minha porta. [...]
Quanto a mim, surdo ao seu apelo,
Não lhes dei as migalhas da minha mesa. [...]
Lá fora, pelo menos, os cães da Tua lei
consolavam-nos com a língua;
E eu, que ouvia o Teu mandamento,
Com a língua feri aquele que se Te assemelhava (cf. Mt 25,45). [...]
Mas dá-me aqui na terra arrependimento,
Para que faça penitência pelos meus pecados. [...]
Para que as minhas lágrimas parem
A fornalha ardente e as suas chamas. [...]
E, em vez da conduta de um homem sem misericórdia,
Estabelece, no mais fundo de mim, a piedade misericordiosa,
Para que, ao praticar a misericórdia com o pobre,
Eu possa obter misericórdia.
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