sábado, 10 de março de 2012

Profecia do Dia

Domingo, dia 11 de Março de 2012
3º Domingo da Quaresma - Ano B

Terceiro Domingo da Quaresma (semana III do saltério)
S. Constantino, rei, mártir, +598,  S. Ramiro, abade, mártir, +555,  Beato João Batista de Fabriano, presbítero, +1539



Comentário ao Evangelho do dia feito por
Orígenes : «E em três dias o levantarei»

Leituras

Ex. 20,1-17.


Naqueles dias, Deus pronunciou todas estas palavras, dizendo:
«Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fiz sair da terra do Egipto, da casa da servidão.
Não haverá para ti outros deuses na minha presença.
Não farás para ti imagem esculpida nem representação alguma do que está em cima, nos céus, do que está em baixo, na terra, e do que está debaixo da terra, nas águas.
Não te prostrarás diante dessas coisas e não as servirás, porque Eu, o Senhor, teu Deus, sou um Deus zeloso, que castigo o pecado dos pais nos filhos até à terceira e à quarta geração, para aqueles que me odeiam,
mas que trato com bondade até à milésima geração aqueles que amam e guardam os meus mandamentos.
Não usarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão, porque o Senhor não deixa impune aquele que usa o seu nome em vão.
Recorda-te do dia de sábado, para o santificar.
Trabalharás durante seis dias e farás todo o teu trabalho.
Mas o sétimo dia é o sábado consagrado ao Senhor, teu Deus. Não farás trabalho algum, tu, o teu filho e a tua filha, o teu servo e a tua serva, os teus animais, o estrangeiro que está dentro das tuas portas.
Porque em seis dias o Senhor fez os céus e a terra, o mar e tudo o que está neles, mas descansou no sétimo dia. Por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado e santificou-o.
Honra o teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias sobre a terra que o Senhor, teu Deus, te dá.
Não matarás.
Não cometerás adultério.
Não roubarás.
Não responderás contra o teu próximo como testemunha mentirosa.
Não desejarás a casa do teu próximo. Não desejarás a mulher do teu próximo, o seu servo, a sua serva, o seu boi, o seu burro, e tudo o que é do teu próximo.»


Salmos 19(18),8.9.10.11.


A lei do Senhor é perfeita,
reconforta o espírito;
as ordens do Senhor são firmes,
dão sabedoria ao homem simples.

Os mandamentos do Senhor são rectos,
alegram o coração;
os preceitos do Senhor são claros,
iluminam os olhos.

O temor do Senhor é puro,
permanece para sempre.
As sentenças do Senhor são verdadeiras,
todas elas são justas.

São mais desejáveis que o ouro,
o ouro mais fino;
são mais doces que o mel,
o puro mel dos favos.



1 Cor. 1,22-25.


Irmãos: Enquanto os judeus pedem sinais e os gregos andam em busca da sabedoria,
nós pregamos um Messias crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios.
Mas, para os que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é poder e sabedoria de Deus.
Portanto, o que é tido como loucura de Deus, é mais sábio que os homens, e o que é tido como fraqueza de Deus, é mais forte que os homens.


João 2,13-25.


Estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém.
Encontrou no templo os vendedores de bois, ovelhas e pombas, e os cambistas nos seus postos.
Então, fazendo um chicote de cordas, expulsou-os a todos do templo com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas dos cambistas pelo chão e derrubou-lhes as mesas;
e aos que vendiam pombas, disse-lhes: «Tirai isso daqui. Não façais da Casa de meu Pai uma feira.»
Os seus discípulos lembraram-se do que está escrito: O zelo da tua casa me devora.
Então os judeus intervieram e perguntaram-lhe: «Que sinal nos dás de poderes fazer isto?»
Declarou-lhes Jesus, em resposta: «Destruí este templo, e em três dias Eu o levantarei!»
Replicaram então os judeus: «Quarenta e seis anos levou este templo a construir, e Tu vais levantá-lo em três dias?»
Ele, porém, falava do templo que é o seu corpo.
Por isso, quando Jesus ressuscitou dos mortos, os seus discípulos recordaram-se de que Ele o tinha dito e creram na Escritura e nas palavras que tinha proferido.
Enquanto Ele estava em Jerusalém, durante as festas da Páscoa, muitos creram nele ao verem os sinais miraculosos que realizava.
Mas Jesus não se fiava deles, porque os conhecia a todos
e não precisava de que ninguém o elucidasse acerca das pessoas, pois sabia o que havia dentro delas.


Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário ao Evangelho do dia feito por

Orígenes (c.185-253), presbítero e teólogo
Comentário ao Evangelho de São João, 10

«E em três dias o levantarei»

Como é grande e difícil de entender o mistério da nossa própria
ressurreição! Anunciado por muitos textos da Sagrada Escritura, aparece
sobretudo em Ezequiel, [...] que diz: «A mão do Senhor desceu sobre mim;
então, conduziu-me em espírito e colocou-me no meio de um vale que estava
cheio de ossos [...] completamente ressequidos. O Senhor disse-me: «Filho
de homem, estes ossos poderão voltar à vida?» Eu respondi: «Senhor Deus, só
Tu o sabes.» Ele disse-me: «Profetiza sobre estes ossos e diz-lhes: Ossos
ressequidos, ouvi a palavra do Senhor»» (Ez 37, 1-4). [...]


Que ossos serão esses, aos quais se diz «ouvi a palavra do Senhor» [...]
senão o Corpo de Cristo, que o próprio Senhor refere, dizendo: «todos os
Meus ossos se desconjuntaram» (Sl 22/21, 15)? [...] Tal como teve lugar a
Ressurreição do corpo perfeito e verdadeiro de Cristo, assim nós, os Seus
membros [...], seremos um dia reunidos osso a osso, articulação a
articulação. Ninguém, privado desta junção, poderá chegar ao estado de
«homem adulto, à medida completa da plenitude de Cristo» (Ef 4, 13). Assim,
«todos os membros do corpo, apesar de serem muitos, constituem um só corpo»
(1Cor 12, 12).


Vem tudo isto a propósito do Templo, do qual o Senhor disse: «O zelo da Tua
casa me devora» (Sl 69/68, 10); dos judeus que Lhe pediam um sinal; por
último, da Sua própria resposta [...]: «Destruí este Templo, e em três dias
o levantarei». É necessário banir deste templo, que é o Corpo de Cristo,
tudo aquilo que a razão recusa e é ocasião de negócio, para que, no futuro,
ele não venha a tornar-se morada de mercadores. É necessário igualmente
[...] que, depois da sua destruição por aqueles que recusarem a Palavra de
Deus, seja levantado ao terceiro dia [...]. Assim, graças à purificação
levada a cabo por Jesus, tendo abandonado tudo o que era contrário à razão
e todo o tipo de comércio por causa do zelo do Verbo, Palavra de Deus,
presente neles, os Seus discípulos são destruídos para serem levantados por
Jesus em três dias [...], uma vez que são precisos três dias inteiros para
levar a cabo essa reconstrução. Por isso podemos afirmar, por um lado, que
a Ressurreição teve lugar mas, por outro, que ainda está para vir. Em
verdade, «se estamos integrados n'Ele por uma morte idêntica à Sua, também
o estaremos pela Sua Ressurreição» (Rm 6, 5) [...] e «assim, em Cristo,
todos voltarão a receber a vida. Mas cada um na sua própria ordem:
primeiro, Cristo; depois, aqueles que pertencem a Cristo, por ocasião da
Sua vinda» (1Cor 15, 22-23).




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sexta-feira, 9 de março de 2012

Profecia do Dia

Sabado, dia 10 de Março de 2012
Sábado da 2ª semana da Quaresma

Quarenta Mártires de Sebaste, +320,  S. Macário de Jerusalém, patriarca, +335,  S. João Ogilvie, presbítero, mártir, +1615,  Santo Emiliano, pastor eremita, séc. VI



Comentário ao Evangelho do dia feito por
Bem-aventurado João Paulo II : «Um homem tinha dois filhos»

Leituras

Miqueias 7,14-15.18-20.


Apascenta com o cajado o teu povo, o rebanho da tua herança, os que habitam isolados nas florestas no meio dos prados. Sejam eles apascentados em Basan e Guilead, como nos dias antigos.
Mostra-nos os teus prodígios, como nos dias em que nos tiraste do Egipto.
Qual é o Deus que, como Tu, apaga a iniquidade e perdoa o pecado do resto da sua herança? Não se obstina na sua cólera, porque prefere a bondade.
Uma vez mais, terá compaixão de nós, apagará as nossas iniquidades e lançará os nossos pecados ao fundo do mar.
Mostrarás a tua fidelidade a Jacob, e a tua bondade a Abraão, como juraste a nossos pais, desde os tempos antigos.


Salmos 103(102),1-2.3-4.9-10.11-12.


Bendiz, ó minha alma, o Senhor,    
e todo o meu ser bendiga o seu nome santo.    
Bendiz, ó minha alma, o Senhor,   
e não esqueças nenhum dos seus benefícios.   

Ele  perdoa todos os teus pecados
e cura as tuas enfermidades.   
Salva da morte a tua vida.  
e coroa-te de graça e misericórdia.  

Não está sempre a repreender-nos,
nem a sua ira dura para sempre.  
Não nos tratou segundo os nossos pecados,   
nem nos castigou segundo as nossas culpas.   

Como é grande a distância dos céus à terra,
assim são grandes os seus favores para os que o temem.  
Como o Oriente dista do Ocidente,
assim Ele afasta de nós os nossos pecados.



Lucas 15,1-3.11-32.


Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se de Jesus para O ouvirem.
Mas os fariseus e os doutores da Lei murmuravam entre si, dizendo: «Este acolhe os pecadores e come com eles.»
Jesus propôs-lhes, então, esta parábola:
Disse ainda: «Um homem tinha dois filhos.
O mais novo disse ao pai: 'Pai, dá-me a parte dos bens que me corresponde.' E o pai repartiu os bens entre os dois.
Poucos dias depois, o filho mais novo, juntando tudo, partiu para uma terra longínqua e por lá esbanjou tudo quanto possuía, numa vida desregrada.
Depois de gastar tudo, houve grande fome nesse país e ele começou a passar privações.
Então, foi colocar-se ao serviço de um dos habitantes daquela terra, o qual o mandou para os seus campos guardar porcos.
Bem desejava ele encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava.
E, caindo em si, disse: 'Quantos jornaleiros de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome!
Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e vou dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti;
já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus jornaleiros.'
E, levantando-se, foi ter com o pai. Quando ainda estava longe, o pai viu-o e, enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço e cobriu-o de beijos.
O filho disse-lhe: 'Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho.'
Mas o pai disse aos seus servos: 'Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha; dai-lhe um anel para o dedo e sandálias para os pés.
Trazei o vitelo gordo e matai-o; vamos fazer um banquete e alegrar-nos,
porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi encontrado.' E a festa principiou.
Ora, o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se de casa ouviu a música e as danças.
Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo.
Disse-lhe ele: 'O teu irmão voltou e o teu pai matou o vitelo gordo, porque chegou são e salvo.'
Encolerizado, não queria entrar; mas o seu pai, saindo, suplicava-lhe que entrasse.
Respondendo ao pai, disse-lhe: 'Há já tantos anos que te sirvo sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos;
e agora, ao chegar esse teu filho, que gastou os teus bens com meretrizes, mataste-lhe o vitelo gordo.'
O pai respondeu-lhe: 'Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu.
Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; estava perdido e foi encontrado.'»


Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário ao Evangelho do dia feito por

Bem-aventurado João Paulo II
Exortação apostólica «Reconciliação e penitência», §§ 5-6 (trad. © Libreria Editrice Vaticana)

«Um homem tinha dois filhos»

O homem — cada um dos homens — é este filho pródigo: fascinado pela
tentação de se separar do Pai para viver de modo independente a própria
existência; caído na tentação; desiludido do nada que, como miragem, o
tinha deslumbrado; sozinho, desonrado e explorado no momento em que tenta
construir um mundo só para si; atormentado, mesmo no mais profundo da
própria miséria, pelo desejo de voltar à comunhão com o Pai. Como o pai da
parábola, Deus fica à espreita do regresso do filho, abraça-o à sua chegada
e põe a mesa para o banquete do novo encontro, com que se festeja a
reconciliação.


Mas a parábola faz entrar em cena também o irmão mais velho, que se recusa
a ocupar o seu lugar no banquete. Reprova ao irmão mais novo os seus
extravios e ao pai o acolhimento que lhe dispensou, enquanto a ele,
morigerado e trabalhador, fiel ao pai e à casa, nunca foi permitido — diz
ele — fazer uma festa com os amigos. Sinal de que não compreende a bondade
do pai. Enquanto este irmão, demasiado seguro de si mesmo e dos próprios
méritos, ciumento e desdenhoso, cheio de azedume e de raiva, não se
converteu e se reconciliou com o pai e com o irmão, o banquete ainda não
era, no sentido pleno, a festa do encontro e do convívio recuperado.


O homem — cada um dos homens — é também este irmão mais velho. O egoísmo
torna-o ciumento, endurece-lhe o coração, cega-o e leva-o a fechar-se aos
outros e a Deus. [...]


A parábola do filho pródigo é, antes de mais, a história inefável do grande
amor de um Pai. [...] E ao evocar, na figura do irmão mais velho, o egoísmo
que divide os irmãos entre si, ela torna-se também a história da família
humana. [...] Ela retrata a situação da família humana dividida pelos
egoísmos, põe em evidência a dificuldade em secundar o desejo e a nostalgia
de uma só família reconciliada e unida; apela para a necessidade de uma
profunda transformação dos corações, pela redescoberta da misericórdia do
Pai e pela vitória sobre a incompreensão e a hostilidade entre irmãos.




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quinta-feira, 8 de março de 2012

Profecia do Dia

Sexta-feira, dia 09 de Março de 2012
Sexta-feira da 2ª semana da Quaresma

S. Domingos Sávio, jovem religioso, +1857,  Santa Francisca Romana, viúva, +1440



Comentário ao Evangelho do dia feito por
São Máximo de Turim : Dar fruto

Leituras

Gén. 37,3-4.12-13a.17b-28.


Jacob preferia José aos seus outros filhos, porque era o filho da sua velhice, e mandara-lhe fazer uma túnica comprida.
Os irmãos, vendo que o pai o amava mais do que a todos eles, ganharam-lhe ódio e não podiam falar-lhe amigavelmente.
Um dia, os irmãos de José conduziram os rebanhos de seu pai para Siquém.
E Israel disse a José: «Os teus irmãos apascentam os rebanhos em Siquém. Prepara-te, pois quero enviar-te para junto deles.» José respondeu: «Estou pronto.»
O homem disse-lhe: «Partiram daqui, pois ouvi-lhes dizer: 'Vamos para Dotain.'» José seguiu os passos dos irmãos e encontrou-os em Dotain.
Eles viram-no de longe e, antes que se aproximasse, fizeram planos para o matar.
Disseram uns aos outros: «Eis que se aproxima o homem dos sonhos.
Vamos, matemo-lo, atiremo-lo a qualquer cisterna e depois diremos que um animal feroz o devorou. Veremos, então, como se realizarão os seus sonhos.»
Rúben ouviu-os e quis salvá-lo das suas mãos. Então disse: «Não atentemos contra a sua vida.»
Rúben disse ainda: «Não derrameis sangue! Atirai-o à cisterna que está no deserto, mas não levanteis a mão contra ele.» O seu intento era livrá-lo das suas mãos para o fazer regressar ao seu pai.
Quando José chegou junto dos irmãos, estes despojaram-no da túnica comprida que usava
e, agarrando-o, lançaram-no à cisterna. Esta estava vazia e sem água.
Depois, sentaram-se para comer. Erguendo, porém, os olhos, viram uma caravana de ismaelitas que vinha de Guilead. Os camelos estavam carregados de aroma, de bálsamo e láudano, que levavam para o Egipto.
Judá disse aos irmãos: «Que vantagem tiramos da morte de nosso irmão, ocultando o seu sangue?
Vinde, vendamo-lo aos ismaelitas e que a nossa mão não caia sobre ele, porque é nosso irmão e da nossa família.» E os irmãos consentiram.
Passaram por ali alguns negociantes madianitas, que conseguiram tirar José da cisterna; e eles venderam-no aos ismaelitas por vinte moedas de prata. Estes levaram José para o Egipto.


Salmos 105(104),16-17.18-19.20-21.


Deujs fez cair a fome sobre a terra
e privou-os do pão, que dá o sustento.
Enviou diante deles um homem,
José, que foi vendido como escravo.

Apertaram-lhe os pés com grilhões
e puseram-lhe uma argola de ferro ao pescoço,
até que se cumpriu a profecia,
e a palavra do Senhor lhe deu razão.

Então o rei deu ordens para que o soltassem,
o soberano dos povos pô-lo em liberdade.
Nomeou-o mordomo da sua casa
e administrador de todos os seus bens,



Mateus 21,33-43.45-46.


Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: «Escutai outra parábola: Um chefe de família plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar, construiu uma torre, arrendou-a a uns vinhateiros e ausentou-se para longe.
Quando chegou a época das vindimas, enviou os seus servos aos vinhateiros, para receberem os frutos que lhe pertenciam.
Os vinhateiros, porém, apoderaram-se dos servos, bateram num, mataram outro e apedrejaram o terceiro.
Tornou a mandar outros servos, mais numerosos do que os primeiros, e trataram-nos da mesma forma.
Finalmente, enviou-lhes o seu próprio filho, dizendo: 'Hão-de respeitar o meu filho.'
Mas os vinhateiros, vendo o filho, disseram entre si: 'Este é o herdeiro. Matemo-lo e ficaremos com a sua herança.'
E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e mataram-no.
Ora bem, quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?»
Eles responderam-lhe: «Dará morte afrontosa aos malvados e arrendará a vinha a outros vinhateiros que lhe entregarão os frutos na altura devida.»
Jesus disse-lhes: «Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os construtores rejeitaram transformou-se em pedra angular? Isto é obra do Senhor e é admirável aos nossos olhos?
Por isso vos digo: O Reino de Deus ser-vos-á tirado e será confiado a um povo que produzirá os seus frutos.
Os sumos sacerdotes e os fariseus, ao ouvirem as suas parábolas, compreenderam que eram eles os visados.
Embora procurassem meio de o prender, temeram o povo, que o considerava profeta.


Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário ao Evangelho do dia feito por

São Máximo de Turim (?-c. 420), bispo
Sermão para festa de São Cipriano; CC Sermão 11, p.38; PL 57, 687

Dar fruto

«A vinha do Senhor do universo, diz o profeta, é a casa de Israel» (Is
5,7). Ora, tal casa somos nós [...] e como nós somos Israel, somos a vinha.
Zelemos pois por que não nos nasçam dos sarmentos, em vez de uvas de
doçura, uvas de ira (Ap 14, 19), para que não nos digam [...]: «Porque é
que, esperando Eu que desse boas uvas, apenas produziu agraços?» (Is 5,4).
Terra ingrata! Ela, que deveria oferecer a seu dono frutos de doçura,
trespassou-o com agudos espinhos. De igual forma os Seus inimigos, que
deveriam ter acolhido o Salvador com toda a devoção da sua fé, coroaram-n'O
com os espinhos da Paixão. Para eles essa coroa significava ultraje e
injúria, mas aos olhos do Senhor, era a coroa das virtudes. [...]

Tende cautela, irmãos, para que não seja dito acerca dessa terra que vós
sois: «Esperou que lhe desse boas uvas, mas ela só produziu agraços» (Is
5,2) [...]. Tenhamos cautela, para que as nossas más acções não firam,
quais espinhos, a cabeça do Senhor. Foram os espinhos do coração que
feriram a palavra de Deus, como diz o Senhor no evangelho quando conta que
o grão do semeador caiu entre os espinhos, e que estes cresceram e
sufocaram o que tinha sido semeado (Mt 13,7). [...] Velai portanto para que
a vossa vinha não dê espinhos em vez de uvas; para que a vossa vindima não
produza vinagre em vez de vinho. Todo aquele que faz vindima sem dela dar
aos pobres recolhe vinagre e não vinho; e aquele que enceleira as suas
colheitas de trigo sem delas distribuir aos indigentes, não é o fruto da
esmola que põe de reserva, mas os cardos da avareza.




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