Segunda-feira, dia 04 de Março de 2013
Segunda-feira da 3ª semana da Quaresma
S. Casimiro, príncipe da Polónia, penitente, +1484, S. Lúcio I, papa, mártir, +254
Comentário ao Evangelho do dia feito por
São João Crisóstomo : Acolher a Cristo
Leituras
2 Reis 5,1-15a.
Naqueles dias, Naaman, general dos exércitos do rei da Síria, gozava de grande prestígio diante do seu amo e era muito estimado, porque, por meio dele, o Senhor salvou a Síria; era um homem robusto e valente, mas leproso.
Ora tendo os sírios feito uma incursão no território de Israel, levaram consigo uma jovem donzela, que ficou ao serviço da mulher de Naaman.
Ela disse à sua senhora: «Ah, se o meu amo fosse ter com o profeta que vive na Samaria, certamente ficava curado da lepra!»
Naaman foi contar ao seu soberano aquilo que dissera a jovem israelita.
O rei da Síria respondeu-lhe: «Vai, que eu vou escrever uma carta ao rei de Israel.» Naaman partiu levando consigo dez talentos de prata, seis mil siclos de ouro e dez mudas de roupa.
Levou ao rei de Israel uma carta escrita nestes termos: «Juntamente com esta carta, aí te mando o meu servo Naaman, para que o cures da sua lepra.»
Ao terminar de ler a carta, o rei de Israel rasgou as suas vestes e exclamou: «Sou eu, porventura, um deus que possa dar a morte ou a vida, de modo que me enviem alguém para eu o curar da lepra? Reparai e vede como ele busca pretextos contra mim.»
Mas Eliseu, o homem de Deus, soube que o rei rasgara as suas vestes e mandou-lhe dizer: «Porque rasgaste as tuas vestes? Que ele venha ter comigo e saberá que há um profeta em Israel.»
Chegou, pois, Naaman com o seu carro e os seus cavalos e parou à porta de Eliseu.
Este mandou-lhe dizer por um mensageiro: «Vai, lava-te sete vezes no Jordão e a tua carne ficará limpa.»
Naaman, despeitado, retirou-se, dizendo: «Pensava que ele sairia a receber-me e, diante de mim, invocaria o Senhor, seu Deus, colocaria a sua mão no lugar infectado e me curaria da lepra.
Porventura, os rios de Damasco, o Abaná e o Parpar, não são acaso melhores do que todas as águas de Israel? Não me poderia lavar neles e ficar limpo?» E, virando costas, retirou-se indignado.
Mas os seus servos aproximaram-se dele e disseram-lhe: «Meu pai, mesmo que o profeta te tivesse mandado uma coisa difícil, não a deverias fazer? Quanto mais agora, ao dizer-te: 'Lava-te e ficarás curado.'»
Naaman desceu ao Jordão e lavou-se sete vezes, como lhe ordenara o homem de Deus, e a sua carne tornou-se como a de uma criança e ficou limpo.
Voltou, então, ao homem de Deus com toda a sua comitiva; entrou, apresentou-se diante dele e disse: «Reconheço agora que não há outro Deus em toda a Terra, senão o de Israel. Aceita este presente do teu servo.»
Salmos 42(41),2.3.43(42),3.4.
Como suspira a corça pelas águas correntes,
assim a minha alma suspira por ti, ó Deus.
A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo!
Quando poderei contemplar a face de Deus?
Envia a tua luz e a tua verdade,
para que elas me guiem e conduzam
à tua montanha santa, à tua morada.
Eu irei ao altar de Deus,
ao Deus que é a alegria da minha vida.
Ao som da harpa te louvarei, ó Deus, meu Deus.
Lucas 4,24-30.
Naquele tempo, Jesus veio a Nazaré e falou ao povo na sinagoga: «Em verdade vos digo: Nenhum profeta é bem recebido na sua pátria.
Posso assegurar-vos, também, que havia muitas viúvas em Israel no tempo de Elias, quando o céu se fechou durante três anos e seis meses e houve uma grande fome em toda a terra;
contudo, Elias não foi enviado a nenhuma delas, mas sim a uma viúva que vivia em Sarepta de Sídon.
Havia muitos leprosos em Israel, no tempo do profeta Eliseu, mas nenhum deles foi purificado senão o sírio Naaman.»
Ao ouvirem estas palavras, todos, na sinagoga, se encheram de furor.
E, erguendo-se, lançaram-no fora da cidade e levaram-no ao cimo do monte sobre o qual a cidade estava edificada, a fim de o precipitarem dali abaixo.
Mas, passando pelo meio deles, Jesus seguiu-o seu caminho.
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org
Comentário ao Evangelho do dia feito por
São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja
Sermão sobre Elias e a viúva, e as esmolas; PG 51, 348
Acolher a Cristo
A viúva de Sarepta recebe o profeta Elias com toda a generosidade e esgota
toda a sua pobreza em sua honra, embora seja uma estrangeira de Sídon. Ela
nunca tinha ouvido o que os profetas dizem acerca do mérito da esmola, e
muito menos ainda a palavra de Cristo: «Tive fome e destes-Me de comer» (Mt
25,35).
Qual será a nossa desculpa se, depois de tais exortações, depois da
promessa de tão grandes recompensas, depois da promessa do Reino dos Céus e
da sua felicidade, não chegarmos ao mesmo grau de bondade que esta viúva?
Uma mulher de Sídon, uma viúva, tendo a seu cargo o cuidado de uma família,
ameaçada pela fome e vendo chegar a morte, abre a sua porta para acolher um
estranho e dá-lhe a pouca farinha que lhe resta. [...] Mas nós, que fomos
instruídos pelos profetas, que ouvimos os ensinamentos de Cristo, que
tivemos a possibilidade de reflectir sobre as coisas futuras, que não
estamos ameaçados pela fome, que temos muito mais do que esta mulher,
seremos desculpados se não ousarmos tocar nos nossos bens para os dar?
Negligenciaremos a nossa própria salvação? [...]
Manifestemos portanto para com os pobres uma grande compaixão, a fim de
sermos dignos de possuir para sempre as coisas que hão-de vir, pela graça e
pelo amor de Nosso Senhor Jesus Cristo para com a humanidade.
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domingo, 3 de março de 2013
Profecia do Dia
sábado, 2 de março de 2013
Profecia do Dia
Domingo, dia 03 de Março de 2013
3º Domingo da Quaresma - Ano C
Beato Inocêncio de Berzo, presbítero, +1890, Santos Marino e Astério, mártires, +260
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Astério de Amaseia : Imitemos a paciência do Bom Pastor
Leituras
Ex. 3,1-8a.13-15.
Naqueles dias,Moisés apascentava o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Madian. Ao levar o rebanho para além do deserto, e chegou ao monte de Deus, Horeb.
O anjo do Senhor apareceu-lhe numa chama de fogo, no meio da sarça. Ele olhou e viu, e eis que a sarça ardia no fogo mas não era devorada.
Moisés disse: «Vou adentrar-me para ver esta grande visão: por que razão não se consome a sarça?»
O Senhor viu que ele se adentrava para ver; e Deus chamou-o do meio da sarça: «Moisés! Moisés!» Ele disse: «Eis-me aqui!»
Ele disse: «Não te aproximes daqui; tira as tuas sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é uma terra santa.»
E continuou: «Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob.» Moisés escondeu o seu rosto, porque tinha medo de olhar para Deus.
O Senhor disse: «Eu bem vi a opressão do meu povo que está no Egipto, e ouvi o seu clamor diante dos seus inspectores; conheço, na verdade, os seus sofrimentos.
Desci a fim de o libertar da mão dos egípcios e de o fazer subir desta terra para uma terra boa e espaçosa, para uma terra que mana leite e mel, terra do cananeu, do hitita, do amorreu, do perizeu, do heveu e do jebuseu.
Moisés disse a Deus: «Eis que eu vou ter com os filhos de Israel e lhes digo: 'O Deus dos vossos pais enviou-me a vós'. Eles dir-me-ão: 'Qual é o nome dele?' Que lhes direi eu?»
Deus disse a Moisés: «EU SOU AQUELE QUE SOU.» Ele disse: «Assim dirás aos filhos de Israel: 'Eu sou' enviou-me a vós!»
Deus disse ainda a Moisés: «Assim dirás aos filhos de Israel: 'O Senhor, Deus dos vossos pais, Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacob, enviou-me a vós: este é o meu nome para sempre, o meu memorial de geração em geração'.
Salmos 103(102),1-2.3-4.6-7.8.11.
Bendiz, ó minha alma, o Senhor,
e todo o meu ser bendiga o seu nome santo.
Bendiz, ó minha alma, o Senhor,
e não esqueças nenhum dos seus benefícios.
É Ele quem perdoa as tuas culpas
e cura todas as tuas enfermidades.
É Ele quem resgata a tua vida do túmulo
e te enche de graça e de ternura.
O Senhor faz justiça
e defende o direito de todos os oprimidos.
Revelou a Moisés os seus caminhos
e aos filhos de Israel os seus prodígios.
O Senhor é misericordioso e compassivo,
é paciente e cheio de amor.
Como é grande a distância dos céus à terra,
assim são grandes os seus favores para os que o temem.
1 Cor. 10,1-6.10-12.
Não quero que ignoreis, irmãos, que os nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, todos passaram através do mar
e todos foram baptizados em Moisés, na nuvem e no mar.
Todos comeram do mesmo alimento espiritual
e todos beberam da mesma bebida espiritual; pois bebiam de um rochedo espiritual que os seguia, e esse rochedo era Cristo.
Apesar disso, a maior parte deles não agradou a Deus, pois foram exterminados no deserto.
Ora isto aconteceu para nos servir de exemplo, a fim de não cobiçarmos coisas más, como eles cobiçaram.
Não murmureis, como murmuraram alguns deles, e pereceram às mãos do Exterminador.
Estas coisas aconteceram-lhes para nosso exemplo e foram escritas para nos servir de aviso, a nós que chegámos ao fim dos tempos.
Assim, pois, quem pensa estar de pé, tome cuidado para não cair.
Lucas 13,1-9.
Naquele tempo, apareceram alguns a contar a Jesus, dos galileus, cujo sangue Pilatos tinha misturado com o dos sacrifícios que eles ofereciam.
Respondeu-lhes: «Julgais que esses galileus eram mais pecadores que todos os outros galileus, por terem assim sofrido?
Não, Eu vo-lo digo; mas, se não vos converterdes, perecereis todos igualmente.
E aqueles dezoito sobre os quais caiu a torre de Siloé, matando-os, eram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém?
Não, Eu vo-lo digo; mas, se não vos converterdes, perecereis todos da mesma forma.»
Disse-lhes, também, a seguinte parábola: «Um homem tinha uma figueira plantada na sua vinha e foi lá procurar frutos, mas não os encontrou.
Disse ao encarregado da vinha: 'Há três anos que venho procurar fruto nesta figueira e não o encontro. Corta-a; para que está ela a ocupar a terra?'
Mas ele respondeu: 'Senhor, deixa-a mais este ano, para que eu possa escavar a terra em volta e deitar-lhe estrume.
Se der frutos na próxima estação, ficará; senão, poderás cortá-la.'»
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Astério de Amaseia (?-c. 410), bispo
Homilia n.º 13, Sobre a conversão (trad. do Breviário)
Imitemos a paciência do Bom Pastor
Se quereis parecer-vos com Deus, uma vez que fostes criados à Sua imagem,
imitai o Seu exemplo. Se sois cristãos, nome que é uma proclamação de
caridade, imitai o amor de Cristo.
Considerai as riquezas da Sua bondade. [...] Como acolheu Ele os que
escutaram a Sua palavra? Concedeu-lhes generosamente o perdão dos pecados e
libertou-os, sem demora, de toda a ansiedade. [...] Imitemos o exemplo de
Cristo, o Bom Pastor. [...]
Vemos descrita [nos Evangelhos], na linguagem misteriosa das parábolas, a
figura de um pastor de cem ovelhas, o qual, ao verificar que uma delas se
tresmalhara e andava errante, não permaneceu junto das que pastavam
tranquilamente: pôs-se a caminho à procura da ovelha perdida, atravessando
vales e florestas, transpondo montanhas altas e escarpadas e percorrendo
desertos, num esforço incansável até a encontrar.
Ao encontrá-la, não lhe bateu nem a impeliu violentamente, mas, pondo-a aos
ombros e tratando-a com doçura, reconduziu-a ao rebanho. E foi maior a sua
alegria por uma só ovelha reencontrada do que pela multidão das restantes
(Lc 15,4-6).
Consideremos a realidade oculta na obscuridade da parábola [e o seu]
ensinamento sagrado: nunca devemos julgar os homens perdidos sem remédio,
nem deixar de ajudar com toda a diligência os que se encontram em perigo.
Pelo contrário: reconduzamos ao bom caminho os que se extraviaram e
afastaram da verdadeira vida, e alegremo-nos com o seu regresso à comunhão
daqueles que vivem recta e piedosamente.
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sexta-feira, 1 de março de 2013
Profecia do Dia
Sabado, dia 02 de Março de 2013
Sábado da 2ª semana da Quaresma
Santa Inês de Praga, religiosa, +1282, S. Simplício, papa, +483
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Bento XVI : «Quando ainda estava longe, o pai viu-o e, enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço e cobriu-o de beijos.»
Leituras
Miqueias 7,14-15.18-20.
Apascenta com o cajado o teu povo, o rebanho da tua herança, os que habitam isolados nas florestas no meio dos prados. Sejam eles apascentados em Basan e Guilead, como nos dias antigos.
Mostra-nos os teus prodígios, como nos dias em que nos tiraste do Egipto.
Qual é o Deus que, como Tu, apaga a iniquidade e perdoa o pecado do resto da sua herança? Não se obstina na sua cólera, porque prefere a bondade.
Uma vez mais, terá compaixão de nós, apagará as nossas iniquidades e lançará os nossos pecados ao fundo do mar.
Mostrarás a tua fidelidade a Jacob, e a tua bondade a Abraão, como juraste a nossos pais, desde os tempos antigos.
Salmos 103(102),1-2.3-4.9-10.11-12.
Bendiz, ó minha alma, o Senhor,
e todo o meu ser bendiga o seu nome santo.
Bendiz, ó minha alma, o Senhor,
e não esqueças nenhum dos seus benefícios.
É Ele quem perdoa as tuas culpas
e cura todas as tuas enfermidades.
É Ele quem resgata a tua vida do túmulo
e te enche de graça e de ternura.
Não está sempre a repreender-nos,
nem a sua ira dura para sempre.
Não nos tratou segundo os nossos pecados,
nem nos castigou segundo as nossas culpas.
Como é grande a distância dos céus à terra,
assim são grandes os seus favores para os que o temem.
Como o Oriente está afastado do Ocidente,
assim Ele afasta de nós os nossos pecados.
Lucas 15,1-3.11-32.
Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se de Jesus para O ouvirem.
Mas os fariseus e os doutores da Lei murmuravam entre si, dizendo: «Este acolhe os pecadores e come com eles.»
Jesus propôs-lhes, então, esta parábola:
Disse ainda: «Um homem tinha dois filhos.
O mais novo disse ao pai: 'Pai, dá-me a parte dos bens que me corresponde.' E o pai repartiu os bens entre os dois.
Poucos dias depois, o filho mais novo, juntando tudo, partiu para uma terra longínqua e por lá esbanjou tudo quanto possuía, numa vida desregrada.
Depois de gastar tudo, houve grande fome nesse país e ele começou a passar privações.
Então, foi colocar-se ao serviço de um dos habitantes daquela terra, o qual o mandou para os seus campos guardar porcos.
Bem desejava ele encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava.
E, caindo em si, disse: 'Quantos jornaleiros de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome!
Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e vou dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti;
já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus jornaleiros.'
E, levantando-se, foi ter com o pai. Quando ainda estava longe, o pai viu-o e, enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço e cobriu-o de beijos.
O filho disse-lhe: 'Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho.'
Mas o pai disse aos seus servos: 'Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha; dai-lhe um anel para o dedo e sandálias para os pés.
Trazei o vitelo gordo e matai-o; vamos fazer um banquete e alegrar-nos,
porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi encontrado.' E a festa principiou.
Ora, o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se de casa ouviu a música e as danças.
Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo.
Disse-lhe ele: 'O teu irmão voltou e o teu pai matou o vitelo gordo, porque chegou são e salvo.'
Encolerizado, não queria entrar; mas o seu pai, saindo, suplicava-lhe que entrasse.
Respondendo ao pai, disse-lhe: 'Há já tantos anos que te sirvo sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos;
e agora, ao chegar esse teu filho, que gastou os teus bens com meretrizes, mataste-lhe o vitelo gordo.'
O pai respondeu-lhe: 'Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu.
Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; estava perdido e foi encontrado.'»
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Comentário ao Evangelho do dia feito por
Bento XVI, papa de 2005 a 2013
Encíclica «Deus Caritas Est» §§ 12-13 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana, rev.)
«Quando ainda estava longe, o pai viu-o e, enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço e cobriu-o de beijos.»
A verdadeira novidade do Novo Testamento não reside em novas ideias, mas na
própria figura de Cristo, que dá carne e sangue aos conceitos um incrível
realismo. Já no Antigo Testamento a novidade bíblica não consistia
simplesmente em noções abstractas, mas na acção imprevisível e, de certa
forma, inaudita de Deus. Esta acção de Deus ganha agora a sua forma
dramática devido ao facto de que, em Jesus Cristo, o próprio Deus vai atrás
da «ovelha perdida» (Lc 15,1ss.), a humanidade sofredora e transviada.
Quando Jesus fala, nas Suas parábolas, do pastor que vai atrás da ovelha
perdida, da mulher que procura a dracma, do pai que sai ao encontro do
filho pródigo e o abraça, não se trata apenas de palavras, mas de uma
explicação do Seu próprio ser e agir. Na Sua morte de cruz, cumpre-se
aquele virar-Se de Deus contra Si próprio, com o qual Ele Se entrega para
levantar o homem e salvá-lo o amor na sua forma mais radical. O olhar
fixo no lado trespassado de Cristo de que fala João (cf 19,37) compreende o
que serviu de ponto de partida a esta Carta Encíclica: «Deus é amor» (1 Jo
4,8). É aí que esta verdade pode ser contemplada. E, partindo daí,
pretende-se agora definir em que consiste o amor. A partir daquele olhar, o
cristão encontra o caminho do seu viver e do seu amar.Jesus deu a este acto
de oferta uma presença duradoura através da instituição da Eucaristia
durante a Última Ceia. Antecipa a Sua morte e ressurreição entregando-Se já
a Si mesmo naquela hora aos Seus discípulos, no pão e no vinho, Seu corpo e
sangue [...]. A Eucaristia arrasta-nos no acto oblativo de Jesus. [...] A
«mística» do Sacramento, que se funda no abaixamento de Deus até nós, é de
um alcance muito diverso e conduz muito mais alto do que qualquer mística
elevação do homem poderia realizar.
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