quarta-feira, 9 de abril de 2014

Profecia do Dia


Quinta-feira, dia 10 de Abril de 2014

Quinta-feira da 5ª da Quaresma

Santo António Neyrot, mártir, +1460, Ezequiel, profeta, Beato Bonifácio Zukowski, presbítero, mártir, 1942

Comentário do dia
Orígenes : «Abraão viu o meu dia»

Gén. 17,3-9.

Naqueles dias, Abrão prostrou-se com o rosto por terra e Deus disse-lhe:
«A aliança que faço contigo é esta: serás pai de inúmeros povos.
Já não te chamarás Abrão, mas sim Abraão, porque Eu farei de ti o pai de inúmeros povos.
Tornar-te-ei extremamente fecundo, farei que de ti nasçam povos e terás reis por descendentes.
Estabeleço a minha aliança contigo e com a tua posteridade, de geração em geração; será uma aliança perpétua, em virtude da qual Eu serei o teu Deus e da tua descendência.
Dar-te-ei, a ti e à tua descendência depois de ti, o país em que resides como estrangeiro, toda a terra de Canaã, em possessão perpétua, e serei Deus para eles.»
Deus disse a Abraão: «Da tua parte, cumprirás a minha aliança, tu e a tua descendência, nas futuras gerações.


Salmos 105(104),4-5.6-7.8-9.

Recorrei ao Senhor e ao seu poder
e buscai sempre a sua face.
Recordai as maravilhas que Ele fez,
os seus prodígios e as sentenças da sua boca,

Descendentes de Abraão, seu servo,
filhos de Jacob, seu eleito.
O Senhor é o nosso Deus
e as suas sentenças são lei em toda a terra.

Ele recorda sempre a sua aliança,
a palavra que empenhou para mil gerações,
o pacto que estabeleceu com Abraão,
o juramento que fez a Isaac.



João 8,51-59.

Naquele tempo, disse Jesus aos judeus: «Em verdade, em verdade vos digo: se alguém observar a minha palavra, nunca morrerá.»
Disseram-lhe, então, os judeus: «Agora é que estamos certos de que tens demónio! Abraão morreu, os profetas também, e Tu dizes: 'Se alguém observar a minha palavra, nunca experimentará a morte'?
Porventura és Tu maior que o nosso pai Abraão, que morreu? E os profetas morreram também! Afinal, quem é que Tu pretendes ser?»
Jesus respondeu: «Se Eu me glorificar a mim mesmo, a minha glória nada valerá. Quem me glorifica é o meu Pai, de quem dizeis: 'É o nosso Deus';
e, no entanto, não o conheceis. Eu é que o conheço; se dissesse que não o conhecia, seria como vós: um mentiroso. Mas Eu conheço-o e observo a sua palavra.
Abraão, vosso pai, exultou pensando em ver o meu dia; viu-o e ficou feliz.»
Disseram-lhe, então, os judeus: «Ainda não tens cinquenta anos e viste Abraão?»
Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: antes de Abraão existir, Eu sou!»
Então, agarraram em pedras para lhe atirarem. Mas Jesus escondeu-se e saiu do templo.



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

Orígenes (c. 185-253), presbítero, teólogo
Homilias sobre o Livro de Génesis, nº 8; SC 7

«Abraão viu o meu dia»

«Deus pôs Abraão à prova e disse: "Pega no teu filho, no teu único filho, a quem tanto amas, Isaac, e oferece-o em sacrifício num dos montes que Eu te indicar"» (Gn 22, 2). Deus ordena a Abraão que Lhe ofereça em holocausto no alto da montanha aquele filho no qual se depositam tão grandes e maravilhosas promessas!


O que sentes ao ouvir esta ordem, Abraão? […] O apóstolo Paulo, a quem o Espírito revelou, penso eu, os pensamentos e sentimentos de Abraão, disse: «Pela fé, Abraão não hesitou em oferecer o seu único filho, apesar de ter recebido as promessas, porque acreditava que Deus era suficientemente poderoso para ressuscitar os mortos» (Rom 4,20; Hb 11,17-19). Foi a primeira vez que surgiu a fé na ressurreição. Sim, Abraão esperava que Isaac ressuscitasse, acreditava na realização do que nunca tinha acontecido. […] Abraão sabia que nele se formava já o prenúncio da realidade futura; ele sabia que Cristo nasceria dos seus descendentes, Ele que seria a verdadeira vítima oferecida pelo mundo inteiro, Aquele que triunfaria sobre a morte pela sua ressurreição.


«Então, Abraão levantou-se de manhã cedo […], e ao terceiro dia chegou ao lugar que Deus lhe indicara.» O terceiro dia está sempre ligado ao mistério […]; principalmente à ressurreição do Senhor, que ocorreu no terceiro dia. […] «Erguendo os olhos, viu ao longe o lugar. E disse aos servos: "Ficai aqui com o jumento; eu e o menino iremos até além, para adorarmos; depois, voltaremos para junto de vós"». […] Diz-me, Abraão, declaras a verdade aos teus servos quando afirmas que vais adorar e depois regressas com a criança, ou queres enganá-los? […] «Digo a verdade, responde Abraão; eu ofereço a criança em holocausto, e é por isso que levo a madeira comigo. Depois retornarei para junto de vós com a criança. Na verdade, acredito com todo o meu coração que "Deus é suficientemente poderoso para ressuscitar os mortos".»







terça-feira, 8 de abril de 2014

Profecia do Dia


Quarta-feira, dia 09 de Abril de 2014

Quarta-feira da 5ª semana da Quaresma

Santo Acácio de Amida, bispo, séc. V, Beata Celestina Faron, mártir, 1944

Comentário do dia
Santo André de Creta : «Vós pretendeis matar-Me»

Dan. 3,14-20.91-92.95.

Naqueles dias, Nabucodonosor, rei da Babilónia, disse aos três jovens israelitas: «Chadrac, Mechac e Abed-Nego, é verdade que rejeitais o culto aos meus deuses e a adoração à estátua de ouro erigida por mim?
Pois bem! Estais dispostos, no momento em que ouvirdes o som da trombeta, da flauta, da cítara, da lira, da harpa, do saltério e de qualquer outro instrumento musical, a prostrar-vos em adoração diante da estátua que eu fiz? Se não o fizerdes, sereis logo lançados dentro da fornalha ardente. E qual o deus que poderá libertar-vos da minha mão?»
Chadrac, Mechac e Abed-Nego responderam ao rei Nabucodonosor: «Não vale a pena responder-te a propósito disto.
Se isso assim é, o Deus que nós servimos pode livrar-nos da fornalha incandescente, e até mesmo, ó rei, da tua mão.
E ainda que o não faça, fica sabendo, ó rei, que não prestamos culto aos teus deuses e que não adoramos a estátua de ouro que tu levantaste.»
Então explodiu a fúria de Nabucodonosor contra Chadrac, Mechac e Abed-Nego; a expressão do seu rosto mudou e levantou a voz para mandar que se aquecesse a fornalha sete vezes mais que de costume.
Em seguida, ordenou aos soldados mais vigorosos do seu exército que amarrassem Chadrac, Mechac e Abed-Nego, a fim de os lançar na fornalha incandescente.
Então o rei Nabucodonosor, estupefacto, levantou-se repentinamente, dizendo para os seus conselheiros: «Não foram três homens, atados de pés e mãos, que lançámos ao fogo?» Responderam eles ao rei: «Com certeza».
«Pois bem –replicou o rei – vejo quatro homens soltos, que passeiam no meio do fogo, sem este lhes causar mal; o quarto tem o aspecto de um filho de Deus.»
Nabucodonosor, tomando a palavra, disse: «Bendito seja o Deus de Chadrac, de Mechac e de Abed-Nego! Ele enviou o seu anjo para libertar os seus servos que, confiando nele, expuseram a vida, transgredindo as ordens do rei, antes que prostrarem-se em adoração diante de um outro deus que não fosse o Deus deles.


Dan. 3,52.53.54.55.56.

Bendito sejas, Senhor, Deus de nossos pais:
digno de louvor e glória eternamente!  
Bendito seja o teu nome santo e glorioso:
digno de supremo louvor e exaltação eternamente!  

Bendito sejas no templo da tua santa glória:
digno de supremo louvor e glória eternamente!  
Bendito sejas por penetrares os abismos,
sentado sobre os querubins:
digno de supremo louvor e exaltação eternamente!

Bendito sejas no teu trono real:
digno de supremo louvor e exaltação eternamente!  
Bendito sejas no firmamento dos céus:
digno de supremo louvor e glória eternamente!



João 8,31-42.

Naquele tempo, dizia Jesus aos judeus que n'Ele tinham acreditado: «Se permanecerdes fiéis à minha mensagem, sereis verdadeiramente meus discípulos,
conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres.»
Replicaram-lhe: «Nós somos descendentes de Abraão e nunca fomos escravos de ninguém! Como é que Tu dizes: 'Sereis livres'?»
Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: todo aquele que comete o pecado é servo do pecado,
e o servo não fica na família para sempre; o filho é que fica para sempre.
Pois bem, se o Filho vos libertar, sereis realmente livres.
Eu sei que sois descendentes de Abraão; no entanto, procurais matar-me, porque não aderis à minha palavra.
Eu comunico o que vi junto do Pai, e vós fazeis o que ouvistes ao vosso pai.»
Eles replicaram-lhe: «O nosso pai é Abraão!» Jesus disse-lhes: «Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão!
Agora, porém, vós pretendeis matar-me, a mim, um homem que vos comunicou a verdade que recebi de Deus. Isso não o fez Abraão!
Vós fazeis as obras do vosso pai.» Eles disseram-lhe, então: «Nós não nascemos da prostituição. Temos um só Pai, que é Deus.»
Disse-lhes Jesus: «Se Deus fosse vosso Pai, ter-me-íeis amor, pois é de Deus que Eu saí e vim. Não vim de mim próprio, mas foi Ele que me enviou.



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

Santo André de Creta (660-740), monge, bispo
Grande Cânone da liturgia ortodoxa para a quaresma, 4ª ode

«Vós pretendeis matar-Me»

Acorda, minha alma, exprime as tuas obras,

Que elas repassem diante dos teus olhos

E que deles brotem lágrimas.

Revela a Cristo os teus actos e pensamentos,

E serás justificada.

Tem piedade de mim, meu Deus, tem piedade de mim.


Na cruz, ó Verbo, Palavra de Deus, ofereceste por todos

O teu corpo e o teu sangue;

O teu corpo para recriar o meu,

O teu sangue para me lavar.

Cristo, entregaste o teu espírito

Para me levares ao teu Pai (cf Lc 23,46).


Foi ao coração desta terra que o seu Criador veio para nos salvar.

Quis ser pregado na árvore das dores

E deste modo o paraíso perdido foi reencontrado (cf Lc 23,43).

É por isso que és adorado pelo céu e pela terra,

Por toda a criação,

Pela multidão dos resgatados vindos de todas as nações.


Que o sangue e a água que jorraram

Do teu lado trespassado (cf Jo 19,34)

Sejam para mim um banho baptismal,

Uma bebida redentora.

E assim, ungido pelas tuas palavras de vida como por um perfume,

E recebendo-as como bebida,

Ficarei duplamente purificado, ó Verbo, Palavra de Deus.


A Igreja é o cálice que recebe

O jorro vivificante do teu lado,

Fluxo duplo e único de conhecimento e perdão,

Imagem dos Testamentos, o Antigo e o Novo,

Reunidos num só.

Tem piedade de mim, meu Deus, tem piedade de mim.







segunda-feira, 7 de abril de 2014

Profecia do Dia


Terça-feira, dia 08 de Abril de 2014

Terça-feira da 5ª semana da Quaresma

Santa Júlia Billiart, virgem, fundadora, +1816, Santa Cacilda, princesa moura, eremita, +1007

Comentário do dia
São Narsés Snorhali : «Vós sois deste mundo; Eu não sou deste mundo»

Núm. 21,4-9.

Naqueles dias, os filhos de Israel partiram do monte Hor para o mar Vermelho, contornando a terra de Edom.  
O povo falou contra Deus e contra Moisés: «Porque nos fizestes sair do Egipto? Foi para morrer no deserto, onde não há pão nem água, estando enjoados com este pão levíssimo?»
Mas o Senhor enviou contra o povo serpentes ardentes, que mordiam o povo, e por isso morreu muita gente de Israel.
O povo foi ter com Moisés e disse-lhe: «Pecámos ao protestarmos contra o Senhor e contra ti. Intercede junto do Senhor para que afaste de nós as serpentes.» E Moisés intercedeu pelo povo.
O Senhor disse a Moisés: «Faz para ti uma serpente abrasadora e coloca-a num poste. Sucederá que todo aquele que tiver sido mordido, se olhar para ela, ficará vivo.»
Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e fixou-a sobre um poste. Quando alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, vivia.


Salmos 102(101),2-3.16-18.19-21.

Senhor, escuta a minha oração
e chegue junto de ti o meu clamor!
Não me ocultes o teu rosto
no dia da aflição.
Inclina para mim o teu ouvido;
no dia em que te invocar,
responde-me sem demora.

Os povos honrarão, Senhor, o teu nome,
e todos os reis da terra, a tua majestade.
Quando o Senhor reconstruir Sião
e manifestar a sua glória, 
há-de voltar-se para a oração do indigente
e não desprezará as suas súplicas.

Os povos reverenciarão o nome do Senhor,
e todos os reis da terra, a Vossa majestade.
Quando o Senhor restaurar Sião,
e manifestar a sua glória

atenderá a súplica do infeliz
e não desprezará a sua oração.
Escreva-se tudo isto para a s gerações futuras
e o povo que há-de formar louvará o Senhor.

Debruçou-se do alto da sua morada
lá do Céu o senhor olhou para a terra,
para ouvir o gemido dos cativos,
para libertar os condenados à morte.



João 8,21-30.

Naquele tempo, Jesus disse aos fariseus: «Eu vou-me embora: vós haveis de procurar-me, mas morrereis no vosso pecado. Vós não podereis ir para onde Eu vou.»
Então, os judeus comentavam: «Será que Ele se vai suicidar, dado que está a dizer: 'Vós não podeis ir para onde Eu vou'?»
Mas Ele acrescentou: «Vós sois cá de baixo; Eu sou lá de cima! Vós sois deste mundo; Eu não sou deste mundo.
Já vos disse que morrereis nos vossos pecados. De facto, se não crerdes que Eu sou o que sou, morrereis nos vossos pecados.»
Perguntaram-lhe, então: «Quem és Tu, afinal?» Disse-lhes Jesus: «Absolutamente aquilo que já vos estou a dizer!
Tenho muitas coisas que dizer e que julgar a vosso respeito; mas do que falo ao mundo é do que ouvi àquele que me enviou, e que é verdadeiro.»
Eles não perceberam que lhes falava do Pai.
Disse-lhes, pois, Jesus: «Quando tiverdes erguido ao alto o Filho do Homem, então ficareis a saber que Eu sou o que sou e que nada faço por mim mesmo, mas falo destas coisas tal como o Pai me ensinou.
E aquele que me enviou está comigo. Ele não me deixou só, porque faço sempre aquilo que lhe agrada.»
Quando expunha estas coisas, muitos creram nele.



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

São Narsés Snorhali (1102-1173), patriarca arménio
Jesus, Filho Unigénito do Pai, §§ 708-724; SC 203

«Vós sois deste mundo; Eu não sou deste mundo»

Por causa do pecado, Tu, inocente,

Foste levado ao tribunal dos condenados!

Quando vieres na glória do Pai

Não me julgues com eles! (Mt 25,31ss)


Pela vergonha do primeiro homem, esse impudente,

Foste achincalhado com os escarros do sacrilégio!

Apaga-me do rosto o meu pecado

Com que ele se cobriu de vergonha! […]


Puseram aos teus ombros o manto escarlate

E foste revestido de púrpura,

Qual desonra e afronta!

Assim pensaram os soldados de Pilatos (Mt 27,28).


Afasta de mim o cilício do pecado,

A púrpura escarlate cor de sangue,

E reveste-me das vestes da alegria

Como no princípio fizeste ao primeiro homem!


Dobrando o joelho, eles escarneciam

Na galhofa e na risota!

E ao ver tudo isso, as hostes celestiais

Adoravam a tua Majestade, temerosas.


Tudo isso suportaste para da nossa natureza de Adão,

Esse amigo do pecado, retirares a vergonha

E da minha alma e consciência

Extraíres essa vergonha cheia de tristeza. […]


Depois do veredicto do juiz,

Recebeste os terríveis golpes da flagelação

Sobre o teu corpo todo

E todos os bocados do teu corpo!


A mim que dos pés à cabeça

Sofro dores intoleráveis

Vem de novo curar-me,

Como aquando da graça do baptismo!


Em vez dos espinhos do pecado

Que por nossa causa a maldição fez surgir (Gn 3,18),

Os vinhateiros de Jerusalém (Mt 21,33ss)

Na tua cabeça enterraram a coroa de espinhos!


Arranca de mim os espinhos do pecado

Que o Inimigo plantou em mim,

E cura-me dessa chaga purulenta

Que me deixaram os estigmas do pecado!