sexta-feira, 7 de abril de 2017

Liturgia do Dia - sua Profecia diária


Sexta-feira, dia 07 de Abril de 2017

Sexta-feira da 5ª semana da Quaresma

S. João Baptista de la Salle, presbítero, fundador, +1719, S. Pedro Nguyen Van Luu, presbítero, mártir, +1861

Comentário do dia
Melitão de Sardes : O mistério da Páscoa do Senhor

Jer. 20,10-13.

Disse Jeremias: «Eu ouvia as inventivas da multidão: 'Terror por toda a parte! Denunciai-o, vamos denunciá-lo!' Todos os meus amigos esperavam que eu desse um passo em falso: 'Talvez ele se deixe enganar e assim o poderemos dominar e nos vingaremos dele'.
Mas o Senhor está comigo como herói poderoso e os meus perseguidores cairão vencidos. Ficarão cheios de vergonha pelo seu fracasso, ignomínia eterna que não será esquecida.
Senhor do Universo, que sondais o justo e perscrutais os rins e o coração, possa eu ver o castigo que dareis a essa gente, pois a Vós confiei a minha causa.
Cantai ao Senhor, louvai o Senhor, que salvou a vida do pobre das mãos dos perversos».


Salmos 18(17),2-3a.3bc-4.5-6.7.

Eu Vos amo, Senhor, minha força,
minha fortaleza, meu refúgio e meu libertador.
Meu Deus, auxílio em que ponho a minha confiança,
sois meu protetor, minha defesa e meu salvador.

Invoquei o Senhor – louvado seja Ele –
e fiquei salvo dos meus inimigos.
Cercaram-me as ondas da morte
e encheram-me de terror as torrentes malignas;

envolveram-me em laços funestos
e a morte prendeu-me em suas redes.
Na minha aflição invoquei o Senhor
e clamei pelo meu Deus.

Do seu templo Ele ouviu a minha voz
e o meu clamor chegou aos seus ouvidos.



João 10,31-42.

Naquele tempo, os judeus agarraram em pedras para apedrejarem Jesus.
Então Jesus disse-lhes: «Apresentei-vos muitas boas obras, da parte de meu Pai. Por qual dessas obras Me quereis apedrejar?»
Responderam os judeus: «Não é por qualquer boa obra que Te queremos apedrejar: é por blasfémia, porque Tu, sendo homem, Te fazes Deus».
Disse-lhes Jesus: «Não está escrito na vossa Lei: 'Eu disse: vós sois deuses'?
Se a Lei chama 'deuses' a quem a palavra de Deus se dirigia, e a Escritura não pode abolir-se
de Mim, que o Pai consagrou e enviou ao mundo, vós dizeis: 'Estás a blasfemar', por Eu ter dito: 'Sou Filho de Deus'!»
Se não faço as obras de meu Pai, não acrediteis.
Mas se as faço, embora não acrediteis em Mim, acreditai nas minhas obras, para reconhecerdes e saberdes que o Pai está em Mim e Eu estou no Pai».
De novo procuraram prendê-l'O, mas Ele escapou-Se das suas mãos.
Jesus retirou-Se novamente para além do Jordão, para o local onde anteriormente João tinha estado a batizar e lá permaneceu.
Muitos foram ter com Ele e diziam: «É certo que João não fez nenhum milagre, mas tudo o que disse deste homem era verdade».
E muitos ali acreditaram em Jesus.



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Melitão de Sardes (?-c. 195), bispo
Homilia pascal, 57-67

O mistério da Páscoa do Senhor

O mistério da Páscoa realizou-se no corpo do Senhor. Mas Ele já tinha anunciado os seus sofrimentos pelos patriarcas, pelos profetas e por todo o seu povo; tinha-os confirmado por meio de um selo, visível na Lei e nos profetas. Esse futuro inaudito e grandioso foi preparado desde longa data; pré-figurado desde há muito, o mistério do Senhor tornou-se visível hoje, porque antigo e novo é o mistério do Senhor. […]

Queres, pois, ver o mistério do Senhor? Contempla Abel, como Ele assassinado, Isaac, como Ele preso, José, como Ele vendido, Moisés, como Ele exposto, David, como Ele acossado, os profetas, como Ele maltratados em nome de Cristo. Contempla, por fim, a ovelha imolada na terra do Egito, que atingiu o Egito e salvou Israel pelo seu sangue.

Também pela voz dos profetas foi anunciado o mistério do Senhor. Moisés disse ao povo: «A tua vida estará como em suspenso diante de ti. Tremerás de noite e de dia não acreditarás no teu próprio viver» (Dt 28,66). E David: «Porque se amotinam as nações, porquê este burburinho insano dos povos? Sublevam-se os reis da terra, os príncipes conspiram entre si contra o Senhor e contra o seu ungido» (Sl 2,1-2). E Jeremias: «E eu, como manso cordeiro, conduzido ao matadouro, ignorava as maquinações tramadas contra mim, dizendo: […] "Arranquemo-la da terra dos vivos, que o seu nome caia no esquecimento."» (Jer 11,19). E Isaías: «Foi maltratado e resignou-se, como cordeiro levado ao matadouro, como ovelha emudecida nas mãos do tosquiador. Sem defesa, sem justiça o levaram, quem meditou no seu destino?» (Is 53,7-8)

Muitos outros acontecimentos foram anunciados por numerosos profetas acerca do mistério da Páscoa, que é Cristo. […] Foi Ele quem nos livrou da servidão do mundo, como da terra do Egito, e nos arrancou à escravidão do demónio, como à mão do Faraó.







quinta-feira, 6 de abril de 2017

Liturgia do Dia - sua Profecia diária


Quinta-feira, dia 06 de Abril de 2017

Quinta-feira da 5ª da Quaresma

S. Marcelino de Cartago, pai de família, mártir, +411, S. Celestino I, papa, +432

Comentário do dia
Santo Ambrósio : «Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia»

Gén. 17,3-9.

Naqueles dias, Abrão caiu de rosto por terra e Deus falou-lhe assim:
«Esta é a minha aliança contigo: Serás pai de um grande número de nações.
Já não te chamarás Abrão, mas Abraão será o teu nome, porque farei de ti o pai de um grande número de nações.
Farei que tenhas incontável descendência que dês origem a povos e de ti sairão reis.
Estabelecerei a minha aliança contigo e com a tua descendência, de geração em geração. Será uma aliança perpétua, para que Eu seja o teu Deus e o Deus dos teus futuros descendentes.
A ti e à tua futura descendência darei a terra em que tens habitado como estrangeiro, toda a terra de Canaã, em posse perpétua. Serei o vosso Deus».
Deus disse ainda a Abraão: «Guardarás a minha aliança, tu e a tua descendência, de geração em geração.


Salmos 105(104),4-5.6-7.8-9.

Procurai o Senhor e o seu poder,
buscai sempre a sua face.
Recordai as suas maravilhas,
os seus prodígios e os oráculos da sua boca.

Vós, descendentes de Abraão, seu servo,
filhos de Jacob, seu eleito,
o Senhor é o nosso Deus
e as suas sentenças são lei em toda a terra.

Ele recorda sempre a sua aliança,
a palavra que empenhou para mil gerações,
o pacto que estabeleceu com Abraão,
o juramento que fez a Isaac.




João 8,51-59.

Naquele tempo, disse Jesus aos judeus: «Em verdade, em verdade vos digo: Se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a morte».
Responderam-Lhe os judeus: «Agora sabemos que tens o demónio. Abraão morreu, os profetas também, mas Tu dizes: 'Se alguém guardar a minha palavra, nunca sofrerá a morte'.
Serás Tu maior do que o nosso pai Abraão, que morreu? E os profetas também morreram. Quem pretendes ser?»
Disse-lhes Jesus: «Se Eu Me glorificar a Mim próprio, a minha glória não vale nada. Quem Me glorifica é meu Pai, Aquele de quem dizeis: 'É o nosso Deus'.
Vós não O conheceis, mas Eu conheço-O; e se dissesse que não O conhecia, seria mentiroso como vós. Mas Eu conheço-O e guardo a sua palavra.
Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia; ele viu-o e exultou de alegria».
Disseram-Lhe então os judeus: «Ainda não tens cinquenta anos e viste Abraão?!»
Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Antes de Abraão existir, 'Eu sou'».
Então agarraram em pedras para apedrejarem Jesus, mas Ele ocultou-Se e saiu do templo.



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Santo Ambrósio (c. 340-397), bispo de Milão, doutor da Igreja
Abraão, Livro I, 19-20

«Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia»

Consideremos a recompensa que Abraão pede ao Senhor. Não Lhe pede riquezas, como um avaro, nem vida longa, como quem teme a morte, nem poder, mas um digno herdeiro do seu trabalho. «Que me dareis, Senhor Deus, vou-me sem filhos» (Gn 15,2). […] Agar deu à luz um filho, Ismael, mas Deus diz-lhe: «Não é ele que será o teu herdeiro, mas aquele que sairá das tuas entranhas» (Gn 15,4). De quem fala Ele? Não se trata de Ismael, mas de Santo Isaac. […] Em Isaac, filho legítimo, podemos ver o verdadeiro Filho legítimo, o Senhor Jesus Cristo, que, no começo do evangelho de São Mateus, é chamado filho de Abraão (Mt 1,1). Ele mostrou ser um verdadeiro filho de Abraão, fazendo resplandecer a descendência do seu antepassado; foi graças a Ele que Abraão, olhando para o céu, viu brilhar a sua posteridade como as estrelas (Gn 15,5). O apóstolo Paulo afirma: «Uma estrela difere da outra em resplendor. Assim também é a ressurreição dos mortos» (1Cor 15,41-42). Ao associar à sua ressurreição os homens que a morte mantinha na terra, Cristo fê-los participar no reino dos céus.

A filiação de Abraão apenas se propagou pela herança da fé, que nos prepara para o céu, nos aproxima dos anjos, nos eleva até às estrelas. Disse Deus: «"Será assim a tua descendência." Abraão confiou no Senhor» (Gn 15,5-6). Ele acreditou que, pela sua encarnação, Cristo seria seu herdeiro. Para to fazer compreender, o Senhor afirmou: «Abraão viu o Meu dia e alegrou-se.» Deus considerou-o justo porque ele não pediu explicações, antes acreditou sem a menor hesitação. É bom que a fé se sobreponha às explicações, pois de outro modo parecia que estávamos a exigi-las ao Senhor nosso Deus, como quem as exige a um homem. Que inconveniência, acreditar nos homens quando eles dão testemunho de outro, e não acreditar em Deus, quando fala de Si! Imitemos, pois, Abraão, para herdarmos o mundo pela justificação da fé, que o tornou a ele herdeiro da terra.







quarta-feira, 5 de abril de 2017

Liturgia do Dia - sua Profecia diária


Quarta-feira, dia 05 de Abril de 2017

Quarta-feira da 5ª semana da Quaresma

S. Vicente Ferrer, presbítero, +1419, Santa Irene, virgem, séc. IV

Comentário do dia
Filoxeno de Mabug : «Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão».

Dan. 3,14-20.91-92.95.

Naqueles dias, Nabucodonosor, rei de Babilónia, disse aos três jovens israelitas: «Será verdade, Sidrac, Misac e Abdénago, que não prestais culto aos meus deuses, nem adorais a estátua de ouro que mandei levantar?
Pois bem. Quando ouvirdes tocar a trombeta, a flauta, a cítara, a harpa, o saltério, a gaita de foles e todos os outros instrumentos, estais dispostos a prostrar-vos e adorar a estátua que mandei fazer? Se não a quiserdes adorar, sereis imediatamente lançados na fornalha ardente. E qual é o deus que poderá livrar-Vos das minhas mãos?».
Sidrac, Misac e Abdénago responderam ao rei Nabucodonosor: «Não é necessário responder-te a propósito disto, ó rei.
O nosso Deus, a quem prestamos culto, pode livrar-nos da fornalha ardente e livrar-nos também das tuas mãos.
Mas ainda que o não faça, fica sabendo, ó rei, que não prestamos culto aos teus deuses, nem adoraremos a estátua de ouro que mandaste levantar».
Então Nabucodonosor encheu-se de cólera e alterou o semblante contra Sidrac, Misac e Abdénago. Mandou aquecer a fornalha sete vezes mais do que o costume
e ordenou a alguns dos seus mais valentes guerreiros que ligassem Sidrac, Misac e Abdénago e os lançassem na fornalha ardente.
Entretanto, o rei Nabucodonosor, sobressaltado, levantou-se precipitadamente e perguntou aos seus conselheiros: «Não é verdade que ligámos e lançámos três homens na fornalha ardente?» Eles responderam: «Certamente, ó rei».
Continuou o rei: «Mas eu vejo quatro homens a passearem livremente no meio do fogo sem nada sofrerem e o quarto tem o aspeto de um filho dos deuses».
Então Nabucodonosor exclamou: «Bendito seja o Deus de Sidrac, Misac e Abdénago, que enviou o seu Anjo para livrar os seus servos, que, confiando n'Ele, desobedeceram à ordem do rei e arriscaram a sua vida a fim de não prestarem culto ou adoração a qualquer divindade que não fosse o seu Deus».


Dan. 3,52.53.54.55.56.

Bendito sejais, Senhor, Deus dos nossos pais:
digno de louvor e de glória para sempre.
Bendito o vosso nome glorioso e santo:
digno de louvor e de glória para sempre.

Bendito sejais no templo santo da vossa glória:
digno de louvor e de glória para sempre.
Bendito sejais no trono da vossa realeza:
digno de louvor e de glória para sempre.

Bendito sejais, Vós que sondais os abismos
e estais sentado sobre os Querubins:
digno de louvor e de glória para sempre.
Bendito sejais no firmamento do céu:

digno de louvor e de glória para sempre.



João 8,31-42.

Naquele tempo, dizia Jesus aos judeus que tinham acreditado n'Ele: «Se permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos,
conhecereis a verdade e a verdade vos libertará».
Eles responderam-Lhe: «Nós somos descendentes de Abraão e nunca fomos escravos de ninguém. Como é que Tu dizes: 'Ficareis livres'?»
Respondeu Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: Todo aquele que comete o pecado é escravo.
Ora o escravo não fica para sempre em casa ; o filho é que fica para sempre.
Mas se o Filho vos libertar, sereis realmente homens livres.
Bem sei que sois descendentes de Abraão; mas procurais matar-Me, porque a minha palavra não entra em vós.
Eu digo o que vi junto de meu Pai e vós fazeis o que ouvistes ao vosso pai».
Eles disseram: «O nosso pai é Abraão». Respondeu-lhes Jesus: «Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão.
Mas procurais matar-Me, a Mim que vos disse a verdade que ouvi de Deus. Abraão não procedeu assim.
Vós fazeis as obras do vosso pai». Disseram-Lhe eles: «Nós não somos filhos ilegítimos; só temos um pai, que é Deus».
Respondeu-lhes Jesus: «Se Deus fosse o vosso Pai, amar-Me-íeis, porque saí de Deus e d'Ele venho. Eu não vim de Mim próprio; foi Ele que Me enviou».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Filoxeno de Mabug (?-c. 523), bispo da Síria
Homilia n.º 4, Sobre a simplicidade

«Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão».

Logo que foi chamado, Abraão partiu, seguindo a Deus. Não se erigiu em juiz da palavra que lhe era dirigida. Não se deixou deter pelas suas ligações familiares, nem pelo seu amor ao país e aos amigos, nem por qualquer outro laço humano. A partir do momento em que ouviu a palavra e soube que se tratava de Deus, ouviu-a com simplicidade, tomando-a como verdadeira pela fé. Desprezando tudo o resto, pôs-se a caminho com a inocência da natureza, que não procura enganar nem fazer o mal. Correu para a palavra de Deus como uma criança corre para seu pai. […]

Deus tinha-lhe dito: «Deixa a tua terra, a tua família e a casa de teu pai, e vai para a terra que Eu te indicar» (Gn 12,1). Foi para fazer triunfar a fé de Abraão e tornar resplandecente a sua simplicidade, que Deus não lhe revelou o país para onde o chamava; parecia conduzi-lo para Canaã, mas a promessa falava-lhe de outro país, o da vida que está nos céus. Como atesta S. Paulo: «Esperava a cidade assentada sobre sólidos fundamentos, cujo arquiteto e construtor é Deus» (Heb 11,10). […] Melhor ainda, a fim de nos mostrar claramente que esta promessa não dizia respeito a uma pátria terrena, depois de ter levado Abraão a sair da sua terra, Ur dos Caldeus, Deus não o conduziu imediatamente ao país de Canaã, tendo começado por retê-lo em Harrane e não lhe revelando imediatamente o nome do país para onde o conduzia; deste modo, Abraão não sairia da Caldeia atraído apenas pela recompensa prometida.

Considera, pois, ó discípulo, esta saída de Abraão, e que a tua se assemelhe à dele! Não tardes em responder ao apelo vivo de Cristo que te chama. No passado, Ele dirigiu-Se apenas a Abraão; hoje, através do seu Evangelho, chama todos quantos querem ser chamados, convidando-os a segui-Lo, porque o seu chamamento dirige-se a todos os homens. […] No passado, escolheu apenas Abraão; hoje, pede a todos que imitem Abraão.