domingo, 22 de outubro de 2017

Liturgia do Dia - sua Profecia diária


Domingo, dia 22 de Outubro de 2017

29º Domingo do Tempo Comum
XXIX Domingo Comum (semana I do saltério)

S. João Paulo II, Papa, +2005, S. Martinho de Dume, bispo, +579, Beata Josefina Leroux e companheiras, mártires, séc. XVIII

Comentário do dia
São Lourenço de Brindisi : Ser realmente uma imagem de Deus

Is. 45,1.4-6.

Assim fala o Senhor a Ciro, seu ungido, a quem tomou pela mão direita, para subjugar diante dele as nações e fazer cair as armas da cintura dos reis, para abrir as portas à sua frente, sem que nenhuma lhe seja fechada:
«Por causa de Jacob, meu servo, e de Israel, meu eleito, Eu te chamei pelo teu nome e te dei um título glorioso, quando ainda não Me conhecias.
Eu sou o Senhor e não há outro; fora de Mim não há Deus. Eu te cingi, quando ainda não Me conhecias,
para que se saiba, do Oriente ao Ocidente, que fora de Mim não há outro. Eu sou o Senhor e mais ninguém».


Salmos 96(95),1.3.4-5.7-8.9-10a.10c.

Cantai ao Senhor um cântico novo,
cantai ao Senhor, terra inteira.
Publicai entre as nações a sua glória,
em todos os povos as suas maravilhas.

O Senhor é grande e digno de louvor,
mais temível que todos os deuses.
Os deuses dos gentios não passam de ídolos,
foi o Senhor quem fez os céus.

Dai ao Senhor, ó família dos povos,
dai ao Senhor glória e poder.
Dai ao Senhor a glória do seu nome,
levai-Lhe oferendas e entrai nos seus átrios.

Adorai o Senhor com ornamentos sagrados,
trema diante d'Ele a terra inteira.
Dizei entre as nações: «O Senhor é rei»,
governa os povos com equidade.




1 Tess. 1,1-5b.

Paulo, Silvano e Timóteo à Igreja dos Tessalonicenses, que está em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo: A graça e a paz estejam convosco.
Damos continuamente graças a Deus por todos vós, ao fazermos menção de vós nas nossas orações.
Recordamos a atividade da vossa fé, o esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança em Nosso Senhor Jesus Cristo, na presença de Deus, nosso Pai.
Nós sabemos, irmãos amados por Deus, como fostes escolhidos.
O nosso Evangelho não vos foi pregado somente com palavras, mas também com obras poderosas, com a ação do Espírito Santo.


Mateus 22,15-21.

Naquele tempo, os fariseus reuniram-se para deliberar sobre a maneira de surpreender Jesus no que dissesse.
Enviaram-Lhe alguns dos seus discípulos, juntamente com os herodianos, e disseram-Lhe: «Mestre, sabemos que és sincero e que ensinas, segundo a verdade, o caminho de Deus, sem Te deixares influenciar por ninguém, pois não fazes aceção de pessoas.
Diz-nos o teu parecer: É lícito ou não pagar tributo a César?».
Jesus, conhecendo a sua malícia, respondeu: «Porque Me tentais, hipócritas?
Mostrai-Me a moeda do tributo». Eles apresentaram-Lhe um denário,
e Jesus perguntou: «De quem é esta imagem e esta inscrição?».
Eles responderam: «De César». Disse-lhes Jesus: «Então, dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

São Lourenço de Brindisi (1559-1619), capuchinho, doutor da Igreja
Sermão para o 22º Domingo depois de Pentecostes

Ser realmente uma imagem de Deus

«Então, dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus». É preciso dar a cada um o que lhe pertence. Eis uma palavra verdadeiramente cheia de sabedoria e de ciência celestial. Porque nos ensina que há duas espécies de poder: um humano e terreno, outro divino e celeste. [...] Ensina-nos que devemos estar sujeitos a uma dupla obediência: às leis dos homens e às leis divinas. [...] Temos de pagar a César a moeda que tem a efígie e a inscrição de César, e a Deus o que recebeu o sinete da imagem e semelhança divinas: «Resplandeça sobre nós, Senhor, a luz da tua face!» A luz da tua face deixou em nós a tua marca, Senhor (Sl 4,7).

Fomos criados à imagem e semelhança de Deus (cf Gn 1,26). Tu és homem, ó cristão. És, portanto, moeda do tesouro divino, uma moeda que tem a efígie e a inscrição do Imperador divino. Assim, pergunto com Cristo: «De quem é esta imagem e esta inscrição?» Tu respondes: «De Deus». E eu digo-te: «Então porque não dás a Deus o que é de Deus?»

Se queremos realmente ser imagem de Deus, devemos assemelhar-nos a Cristo, pois Ele é a imagem da bondade de Deus e «imagem fiel da sua substância» (Heb 1,3). E Deus, «àqueles que Ele de antemão conheceu, também os predestinou para serem uma imagem idêntica à do seu Filho» (Rom 8,29). Cristo deu verdadeiramente a César o que era de César e a Deus o que era de Deus. Ele observou da maneira mais perfeita os preceitos contidos nas duas tábuas da lei divina, «tornando-Se obediente até à morte e morte de cruz» (Fil 2,8), e por isso foi elevado ao mais alto grau de todas as virtudes visíveis e invisíveis.







sábado, 21 de outubro de 2017

Liturgia do Dia - sua Profecia diária


Sabado, dia 21 de Outubro de 2017

Sábado da 28ª semana do Tempo Comum

Santa Úrsula e companheiras, virgens, mártires, séc. IV, Beato Carlos de Áustria, imperador, +1922

Comentário do dia
Actas do martírio dos Santos Carpo: «A todo aquele que Me tiver reconhecido diante dos homens também o Filho do homem o reconhecerá»

Romanos 4,13.16-18.

Irmãos: Não foi por meio da Lei, mas pela justiça da fé, que se fez a Abraão ou à sua descendência a promessa de que receberia o mundo como herança.
Portanto a herança vem pela fé, para que seja dom gratuito de Deus e a promessa seja válida para toda a descendência, não só para a descendência segundo a Lei, mas também para a descendência segundo a fé de Abraão. Ele é o pai de todos nós,
como está escrito: «Fiz de ti o pai de muitos povos». Ele é o nosso pai diante d'Aquele em quem acreditou, o Deus que dá vida aos mortos e chama à existência o que não existe.
Esperando contra toda a esperança, Abraão acreditou, tornando-se pai de muitos povos, como lhe tinha sido dito: «Assim será a tua descendência».


Salmos 105(104),6-7.8-9.42-43.

Descendentes de Abraão, seu servo,
filhos de Jacob, seu eleito,
o Senhor é o nosso Deus
e as suas sentenças são lei em toda a terra.

Ele recorda sempre a sua aliança,
a palavra que empenhou para mil gerações,
o pacto que estabeleceu com Abraão,
o juramento que fez a Isaac.

Não Se esqueceu da palavra sagrada
que dera a Abraão, seu servo;
e fez sair o povo com alegria,
os seus eleitos com gritos de júbilo.




Lucas 12,8-12.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «A todo aquele que Me tiver reconhecido diante dos homens também o Filho do homem o reconhecerá diante dos Anjos de Deus.
Mas quem Me tiver negado diante dos homens será negado diante dos Anjos de Deus.
E todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do homem será perdoado; mas quem tiver blasfemado contra o Espírito Santo não será perdoado.
Quando vos levarem às sinagogas, aos magistrados e às autoridades, não vos preocupeis com o que haveis de responder nem com o que haveis de dizer em vossa defesa.
O Espírito Santo vos ensinará naquela hora o que haveis de dizer».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Actas do martírio dos Santos Carpo, Pailo e Agatónica (século III)
Ichtus, vol. 2

«A todo aquele que Me tiver reconhecido diante dos homens também o Filho do homem o reconhecerá»

Martírio de Carpo

No tempo do imperador Décio, Óptimus era procônsul em Pérgamo; o bem-aventurado Carpo, bispo de Gados, e o diácono Papilo de Tiatira, ambos confessores de Cristo, compareceram diante dele. O procônsul disse a Carpo:
- Qual é o teu nome?
- O meu primeiro nome, o mais belo, é Cristão. O meu nome no mundo é Carpo.
- Conheces os éditos de César que vos obrigam a sacrificar aos deuses, senhores do mundo, não é verdade? Ordeno-te que te aproximes e que ofereças um sacrifício.
- Eu sou cristão. Adoro Cristo, filho de Deus, que veio à terra nos últimos tempos para nos salvar e nos livrar das armadilhas do demónio. Não vou por isso sacrificar a esses ídolos.
- Sacrifica aos deuses, como ordena o imperador.
- Morram os deuses que não criaram o céu nem a terra.
- Sacrifica, como quer o imperador.
- Os vivos não sacrificam aos mortos.        
- Então tu crês que os deuses estão mortos?
- Certamente. Não vês que eles se assemelham a homens, mas estão imóveis? Deixa de os cobrir de honras; como eles não se mexem, os cães e os corvos virão cobri-los de esterco.
- Basta sacrificares. Tem piedade de ti mesmo!
- É mesmo por isso que eu escolho a melhor parte.
A estas palavras, o procônsul mandou que o suspendessem e lhe rasgassem o corpo com unhas de ferro.

Martírio de Papilo

Então o procônsul voltou-se para Papilo, para o interrogar:
- Tu és da classe dos notáveis?
- Não.
- Então quem és?
- Sou um cidadão.
- Tens filhos?
- Muitos, graças a Deus.
Uma voz de entre a multidão gritou:
- É aos cristãos que ele chama filhos!
- Porque me estás a mentir, dizendo que tens filhos?
- Repara que eu não minto, mas falo verdade: em todas as cidades da província, tenho filhos, que me foram dados por Deus.
- Oferece um sacrifício ou então explica-te.
- Desde a minha juventude que sirvo a Deus e nunca sacrifiquei aos ídolos; ofereço-me a mim mesmo em sacrifício ao Deus vivo e verdadeiro, que tem poder sobre todas as criaturas. E agora acabei, não tenho nada a acrescentar.
Amarraram-no também ao cavalete, onde foi rasgado com unhas de ferro. Três equipas de carrascos se sucederam sem que escapasse uma só queixa a Papilo. Qual valoroso atleta, sofria em profundo silêncio a fúria dos seus inimigos. O procônsul condenou os dois a serem queimados vivos. No anfiteatro, os espetadores mais próximos viram que Carpo sorria. Surpreendidos, perguntaram-lhe:
- Porque sorris?
O bem-aventurado Carpo respondeu:
- Vi a glória do Senhor e rejubilo. Eis-me liberto; não conhecerei mais as vossas misérias.

Martírio de Agatónica

Uma mulher que assistia ao martírio, Agatónica, viu a glória do Senhor que Carpo dizia ter contemplado. Compreendeu que era um sinal do céu e imediatamente exclamou:
- Esse festim também está preparado para mim. [...] Sou cristã. Nunca sacrifiquei aos demónios, mas somente a Deus. De boa vontade, se for digna disso, seguirei as pisadas dos meus mestres, os santos. É esse o meu maior desejo.
O procônsul disse-lhe:
- Sacrifica e não me obrigues a condenar-te ao mesmo suplício.
- Faz o que te parecer melhor. Eu vim para sofrer em nome de Cristo. Estou pronta.
Chegada ao lugar do suplício, Agatónica tirou as vestes e, alegre, subiu ao patíbulo. Os espetadores, tocados pela sua beleza, lamentavam-na:
- Que julgamento iníquo e que decretos injustos!
Quando ela sentiu as chamas tocarem o seu corpo, gritou três vezes:
- Senhor, Senhor, Senhor, vem em meu auxílio. É a Ti que recorro.
Foram as suas últimas palavras.







sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Liturgia do Dia - sua Profecia diária


Sexta-feira, dia 20 de Outubro de 2017

Sexta-feira da 28ª semana do Tempo Comum

Santa Iria, mártir, +653, Santa Maria Bertilla Boscardin, religiosa, enfermeira, +1922, Beato Contardo Ferrini, profissional católico, +1902

Comentário do dia
Santo Inácio de Loyola : «Não temais»

Romanos 4,1-8.

Irmãos: Que diremos de Abraão, nosso antepassado segundo a carne?
Se Abraão foi justificado pelas obras, tinha motivo para se gloriar. Mas ninguém se pode gloriar diante de Deus.
De facto, que diz a Escritura? «Abraão acreditou em Deus e isto foi-lhe atribuído como justiça».
Ora, a quem faz um trabalho o salário não é atribuído como favor, porque é uma obrigação.
Pelo contrário, a quem não faz as obras, mas acredita em Deus, que justifica o ímpio, a sua fé é-lhe atribuída como justiça.
Assim também David proclama feliz o homem a quem Deus atribui a justiça independentemente das obras:
«Felizes aqueles a quem foram perdoadas as ofensas e absolvidos os pecados.
Feliz o homem a quem o Senhor não atribui o pecado».


Salmos 32(31),1-2.5.11.

Feliz daquele a quem foi perdoada a culpa
e absolvido o pecado.
Feliz o homem a quem o Senhor não acusa de iniquidade
e em cujo espírito não há engano.

Confessei-vos o meu pecado
e não escondi a minha culpa.
Disse: Vou confessar ao Senhor a minha falta,
e logo me perdoastes a culpa do pecado.

Alegrai-vos, justos, e regozijai-vos no Senhor,
exultai vós todos os que sois retos de coração.



Lucas 12,1-7.

Naquele tempo, a multidão afluía aos milhares, a ponto de se atropelarem uns aos outros. E Jesus começou a dizer, em primeiro lugar para os seus discípulos: «Acautelai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia.
Não há nada encoberto que não venha a descobrir-se, nem há nada oculto que não venha a conhecer-se.
Por isso, tudo o que tiverdes dito às escuras será ouvido à luz do dia e o que tiverdes dito aos ouvidos, nos aposentos interiores, será proclamado sobre os telhados.
Digo-vos a vós, meus amigos: Não temais os que matam o corpo e depois nada mais podem fazer.
Vou mostrar-vos a quem deveis temer: Temei Aquele que, depois de matar, tem poder para lançar na Geena. Sim, Eu vos digo, a Esse é que deveis temer.
Não se vendem cinco passarinhos por duas moedas? Contudo, nenhum deles é esquecido diante de Deus.
Mais ainda, até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais. Valeis mais do que todos os passarinhos».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Santo Inácio de Loyola (1491-1556), fundador dos jesuítas
Carta de 17/11/1555

«Não temais»

Parece-me que deveríeis decidir-vos a fazer calmamente o que podeis. Não vos inquieteis com o resto, mas deixai nas mãos da divina Providência o que não podeis cumprir por vós mesmos. São agradáveis a Deus a solicitude e o cuidado que, com razoabilidade, pomos nas tarefas que nos competem, para conseguirmos concretizá-las da melhor maneira. Não Lhe são agradáveis a ansiedade e a inquietação do espírito: o Senhor quer que os nossos limites e fraquezas encontrem apoio na sua fortaleza e omnipotência, quer que tenhamos confiança em que a sua bondade suprirá a imperfeição dos nossos meios.

Os que se ocupam com muitos assuntos, mesmo que o façam com boas intenções, devem resolver-se a fazer apenas o que está ao seu alcance. Se tivermos de deixar de lado certas coisas, há que ter paciência, e não pensar que Deus espera de nós o que não podemos fazer. Ele não quer que o homem se atormente com as próprias limitações; não é preciso cansarmo-nos excessivamente. Quando de facto nos esforçámos por dar o melhor de nós, podemos deixar o resto nas mãos daquele que tem o poder de realizar tudo o que quer.

Que a bondade divina nos comunique sempre a luz da sabedoria, para que possamos ver com clareza e realizar a sua vontade com profunda convicção, em nós e nos outros […], para que das suas mãos aceitemos o que nos envia, considerando o que é de maior importância: a paciência, a humildade, a obediência e a caridade.