quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Liturgia do Dia - sua Profecia diária


Quinta-feira, dia 11 de Janeiro de 2018

Quinta-feira da 1ª semana do Tempo Comum

S. Teodósio, monge, +529, Santo Higino, papa, mártir, +140

Comentário do dia
São João da Cruz : «Jesus estendeu a mão e tocou-lhe»

1 Sam. 4,1-11.

Naqueles dias, os filisteus reuniram-se para fazer guerra a Israel e os israelitas saíram ao seu encontro para o combate. Acamparam perto de Eben-Ezer, enquanto os filisteus tinham acampado em Afec.
Os filisteus colocaram-se em ordem de batalha contra Israel e, no terrível combate, Israel foi derrotado pelos filisteus, que, em campo aberto, lhe mataram cerca de quatro mil homens.
O povo voltou para o acampamento e os anciãos de Israel disseram: «Porque é que o Senhor deixou que fôssemos hoje vencidos pelos filisteus? Vamos buscar a Silo a arca da aliança do Senhor: que ela esteja no meio de nós e nos salve das mãos dos nossos inimigos».
Então o povo mandou buscar a Silo a arca da aliança do Senhor do Universo, que tem o seu trono sobre os querubins. Os dois filhos de Heli, Hofni e Fineias, acompanhavam a arca da aliança de Deus.
Quando a arca do Senhor entrou no acampamento, todos os israelitas soltaram um grande clamor, que ressoou por toda a terra.
Os filisteus ouviram o eco daquele alarido e disseram: «Que significa este grande clamor no campo dos hebreus?». Então souberam que a arca do Senhor tinha chegado ao acampamento
e diziam atemorizados: «Deus veio para o acampamento.
Ai de nós! Nunca tal coisa tinha sucedido até agora! Ai de nós! Quem nos livrará das mãos desse Deus tão poderoso? Foi Ele que feriu o Egipto com toda a espécie de pragas no deserto.
Tende coragem, filisteus, e sede valorosos, para não ficardes escravos dos hebreus, como eles têm sido vossos escravos. Sede valorosos e combatei».
Os filisteus começaram o combate: os israelitas foram vencidos e fugiu cada um para a sua tenda. A derrota foi grande e da infantaria de Israel caíram trinta mil homens.
A arca de Deus foi capturada e morreram os dois filhos de Heli, Hofni e Fineias.


Salmos 44(43),10-11.14-15.24-25.

Agora, Senhor, nos rejeitais e confundis
e já não saís à frente dos nossos exércitos.
Obrigais-nos a fugir diante dos nossos adversários
e os nossos inimigos podem saquear à vontade.

Fazeis de nós o opróbrio dos nossos vizinhos,
a irrisão e o desprezo dos povos que nos cercam.
Fazeis de nós ocasião de escárnio para os pagãos
e motivo para os povos zombarem de nós.

Despertai, Senhor. Porque dormis?
Levantai-Vos. Não nos rejeiteis para sempre.
Despertai, Senhor. Porque dormis?
Levantai-Vos. Não nos rejeiteis para sempre.




Marcos 1,40-45.

Naquele tempo, veio ter com Jesus um leproso. Prostrou-se de joelhos e suplicou-Lhe: «Se quiseres, podes curar-me».
Jesus, compadecido, estendeu a mão, tocou-lhe e disse: «Quero: fica limpo».
No mesmo instante o deixou a lepra e ele ficou limpo.
Advertindo-o severamente, despediu-o com esta ordem:
«Não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua cura o que Moisés ordenou, para lhes servir de testemunho».
Ele, porém, logo que partiu, começou a apregoar e a divulgar o que acontecera, e assim, Jesus já não podia entrar abertamente em nenhuma cidade. Ficava fora, em lugares desertos, e vinham ter com Ele de toda a parte.



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

São João da Cruz (1542-1591), carmelita descalço, doutor da Igreja
A Viva Chama de Amor, estrofe 2

«Jesus estendeu a mão e tocou-lhe»

Ó Vida Divina, Tu não tocas para matar, mas para dar a vida; Tu não feres, senão para curar. Quando castigas, tocas ligeiramente e isso basta para consumir o mundo. Quando afagas, pousas deliberadamente a tua mão forte, a doçura da tua carícia não tem medida. Ó Mão Divina, feriste-me para me curar; fazes morrer em mim o que me priva da vida de Deus, em quem agora me vejo vivo. E fazes isso pela tua graça generosa, através do toque daquele que é «o esplendor da tua glória, a figura da tua substância» (Heb 1,3), o teu Filho único, a tua Sabedoria que «se estende com vigor de uma extremidade do mundo até à outra» (Sab 8,1). Ele, o teu Filho único, mão misericordiosa do Pai, é o toque delicado com que me tocaste, feriste e queimaste interiormente. 

Ó toque delicado, Verbo Filho de Deus, Tu penetras subtilmente na nossa alma pela delicadeza do teu ser divino; toca-la tão delicadamente que a absorves totalmente em Ti, de uma forma tão divina e tão suave «que nunca de tal se ouviu falar em Canaã, nunca tal se viu no país de Teman» (Bar 3,22). Ó toque delicado do Verbo, tão mais delicado para comigo quanto, derrubando as montanhas e quebrando os rochedos do monte Horeb pela sombra do poder que Te precedia, Te fizeste sentir pelo profeta Elias de forma tão suave e forte «no delicado murmúrio do ar» (1Rs 19,11). Como és Tu brisa ligeira e subtil? Diz-me como tocas de forma tão leve e delicada, ó Verbo, Filho de Deus, Tu que és tão poderoso e terrivel. Feliz, mil vezes feliz, a alma que tocas de forma tão delicada! [...] «Tu a guardas no segredo da tua face, isto é, do teu Verbo, do teu Filho, ao abrigo das intrigas dos homens» (Sl 30,21).    

      







quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Liturgia do Dia - sua Profecia diária


Quarta-feira, dia 10 de Janeiro de 2018

Quarta-feira da 1ª semana do Tempo Comum

Beato Gonçalo de Amarante, conf., +1262

Comentário do dia
Santo Agostinho : «Retirou-Se para um sítio ermo e aí começou a orar.»

1 Sam. 3,1-10.19-20.

Naqueles dias, o jovem Samuel servia o Senhor sob a direção do sumo sacerdote Heli. Nesse tempo, a palavra do Senhor fazia-se ouvir raras vezes e as visões não eram frequentes.
Certo dia, Heli estava deitado nos seus aposentos; os seus olhos tinham enfraquecido e mal podia ver.
A lâmpada de Deus ainda não se tinha apagado e Samuel dormia no templo do Senhor, no lugar onde se encontrava a arca de Deus.
O Senhor chamou Samuel e ele respondeu: «Aqui estou».
E, correndo para junto de Heli, disse: «Aqui estou, porque me chamaste». Mas Heli respondeu: «Eu não te chamei; torna a deitar-te». E ele foi deitar-se.
O Senhor voltou a chamar Samuel. Samuel levantou-se, foi ter com Heli e disse: «Aqui estou, porque me chamaste». Heli respondeu: «Não te chamei, meu filho; torna a deitar-te».
Samuel ainda não conhecia o Senhor, porque, até então, nunca se lhe tinha manifestado a palavra do Senhor.
O Senhor chamou Samuel pela terceira vez. Ele levantou-se, foi ter com Heli e disse: «Aqui estou, porque me chamaste». Então Heli compreendeu que era o Senhor que chamava pelo jovem.
Disse Heli a Samuel: «Vai deitar-te; e se te chamarem outra vez, responde: 'Falai, Senhor, que o vosso servo escuta'». Samuel voltou para o seu lugar e deitou-se.
O Senhor veio, aproximou-Se e chamou como das outras vezes: «Samuel, Samuel!». E Samuel respondeu: «Falai, Senhor, que o vosso servo escuta».
Samuel foi crescendo; o Senhor estava com ele e nenhuma das suas palavras deixou de cumprir-se.
E todo o Israel, de Dan até Bersabeia, reconheceu que Samuel era realmente um profeta do Senhor.


Salmos 40(39),2.5.7-8a.8b-9.10.

Esperei no Senhor com toda a confiança,
e Ele atendeu-me.
Feliz de quem pôs a sua confiança no Senhor

e não se voltou para os arrogantes,
para os que seguem a mentira.
Não Vos agradaram sacrifícios nem oblações,

mas abristes-me os ouvidos;
não pedistes holocaustos nem expiações,
então clamei: «Aqui estou».

«De mim está escrito no livro da Lei
que faça a vossa vontade.
Assim o quero, ó meu Deus,

a vossa lei está no meu coração».
Proclamei a justiça na grande assembleia,
não fechei os meus lábios, Senhor, bem o sabeis.




Marcos 1,29-39.

Naquele tempo, Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, a casa de Simão e André.
A sogra de Simão estava de cama com febre e logo Lhe falaram dela.
Jesus aproximou-Se, tomou-a pela mão e levantou-a. A febre deixou-a e ela começou a servi-los.
Ao cair da tarde, já depois do sol-posto, trouxeram-Lhe todos os doentes e possessos
e a cidade inteira ficou reunida diante da porta.
Jesus curou muitas pessoas, que eram atormentadas por várias doenças, e expulsou muitos demónios. Mas não deixava que os demónios falassem, porque sabiam quem Ele era.
De manhã, muito cedo, levantou-Se e saiu. Retirou-Se para um sítio ermo e aí começou a orar.
Simão e os companheiros foram à procura d'Ele
e, quando O encontraram, disseram-Lhe: «Todos Te procuram».
Ele respondeu-lhes: «Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de pregar aí também, porque foi para isso que Eu vim».
E foi por toda a Galileia, pregando nas sinagogas e expulsando os demónios.



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Discurso sobre o Salmo 85

«Retirou-Se para um sítio ermo e aí começou a orar.»

Deus não podia ter dado aos homens dom maior do que o seu Verbo, a sua Palavra, por meio do qual criou todas as coisas. Fez dele chefe dos homens, quer dizer, sua cabeça, e dos homens seus membros (Ef 5,23.30), para que Ele fosse, ao mesmo tempo, Filho de Deus e Filho do homem: um só Deus com o Pai, um só homem com os homens. Presenteou-nos com esse dom a fim de que, ao falarmos com Deus na oração, não separássemos dele o Filho, e para que, ao rezar, o corpo do Filho se não separasse do seu chefe – para que Ele fosse o único Salvador do seu corpo, Nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, que simultaneamente reza por nós, reza em nós e é rezado por nós.

Reza por nós como nosso sacerdote, reza em nós como nosso chefe, como cabeça do corpo, é rezado por nós como nosso Deus. Reconheçamos, pois, as nossas palavras nele e as suas palavras em nós. […] Ele não hesitou em Se unir a nós. Toda a criação Lhe está sujeita, porque toda a criação foi feita por Ele: «No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. […] Tudo começou a existir por meio dele, e sem Ele nada foi criado» (Jo 1,1s). […] Mas se, a seguir, ouvimos nas Escrituras a voz do mesmo Cristo gemendo, rezando, confessando, não hesitemos em Lhe atribuir estas palavras. Contemplemos Aquele que «era de condição divina» tomar «a condição de servo, tornando-Se semelhante aos homens», humilhando-Se «a Si mesmo, feito obediente até à morte» (Fil 2,6s). Oiçamo-Lo, suspenso da cruz, tornar sua a oração de um salmo. […] Nós rezamos a Cristo, pois, na sua condição de Deus, e Ele reza na sua condição de servo; de um lado, está o Criador, do outro, um homem unido à criação, formando um só homem connosco – a cabeça e o corpo. Rezamos-Lhe, pois, e rezamos por Ele e nele.







terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Liturgia do Dia - sua Profecia diária


Terça-feira, dia 09 de Janeiro de 2018

Terça-feira da 1ª semana do Tempo Comum

Santo André Corsini, bispo, +1374, Santo Adriano de Cantuária, abade, +710

Comentário do dia
Catecismo da Igreja Católica: «Vieste para nos perder?»

1 Sam. 1,9-20.

Naqueles dias, depois de ter comido em Silo, Ana levantou-se e apresentou-se diante do Senhor. O sacerdote Heli estava sentado em sua cadeira, à entrada do templo do Senhor.
Com a alma cheia de amargura, Ana orou ao Senhor, derramando muitas lágrimas,
e fez o seguinte voto: «Senhor do Universo! Se Vos dignardes olhar para a humilhação da vossa serva, se Vos lembrardes de mim e não esquecerdes esta vossa serva, se lhe derdes um filho varão, eu o consagrarei ao Senhor por toda a vida e a navalha não passará pela sua cabeça».
Enquanto ela continuava a rezar diante do Senhor, Heli observou os movimentos dos seus lábios:
Ana falava em seu coração; só mexia os lábios, mas não se ouvia a sua voz. Por isso Heli pensou que estivesse embriagada
e perguntou-lhe: «Até quando estarás embriagada? Livra-te desse vinho».
Ana respondeu: «Não, meu senhor; sou apenas uma infeliz. Não bebi vinho nem outra bebida que embriague; estava apenas a desabafar diante do Senhor.
Não tomes a tua serva por uma vadia, porque o excesso da minha dor e da minha aflição é que me fez falar até agora».
Então Heli disse-lhe: «Vai em paz e o Deus de Israel te conceda o que Lhe pediste».
Ana respondeu: «Queira Deus que a tua serva encontre sempre em ti acolhimento favorável». A mulher foi-se embora, comeu e já tinha outro semblante.
No outro dia, levantaram-se de manhã cedo e, depois de se terem prostrado diante do Senhor, voltaram para sua casa, em Ramá. Elcana uniu-se a sua mulher, Ana, e o Senhor lembrou-Se dela.
Ana concebeu e, decorrido o tempo, deu à luz um filho, a quem deu o nome de Samuel, dizendo: «Eu o pedi ao Senhor».


1 Sam. 2,1.4-5.6-7.8abcd.

Exulta o meu coração no Senhor,
no meu Deus se eleva a minha fronte.
Abre-se a minha boca contra os inimigos,
porque me alegro com a vossa salvação.
A arma dos fortes foi destruída
e os fracos foram revestidos de força.

Os que viviam na abundância andam em busca de pão
e os que tinham fome foram saciados.
A mulher estéril deu à luz muitos filhos
e a mãe fecunda deixou de conceber.
É o Senhor quem dá a morte e dá a vida,
faz-nos descer ao túmulo e de novo nos levanta.

É o Senhor quem despoja e enriquece,
é o Senhor quem humilha e exalta.
Levanta do chão os que vivem prostrados,
retira da miséria os indigentes;
fá-los sentar entre os príncipes
e destina-lhes um lugar de honra.




Marcos 1,21b-28.

Jesus chegou a Cafarnaúm e no sábado seguinte, entrou na sinagoga e começou a ensinar.
todos se maravilhavam com a sua doutrina, porque os ensinava com autoridade e não como os escribas.
Encontrava-se na sinagoga um homem com um espírito impuro, que começou a gritar:
«Que tens Tu a ver connosco, Jesus Nazareno? Vieste para nos perder? Sei quem Tu és: o Santo de Deus».
Jesus repreendeu-o, dizendo: «Cala-te e sai desse homem».
O espírito impuro, agitando-o violentamente, soltou um forte grito e saiu dele.
Ficaram todos tão admirados, que perguntavam uns aos outros: «Que vem a ser isto? Uma nova doutrina, com tal autoridade, que até manda nos espíritos impuros e eles obedecem-Lhe!».
E logo a fama de Jesus se divulgou por toda a parte, em toda a região da Galileia.



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Catecismo da Igreja Católica
§§ 2851-2854

«Vieste para nos perder?»

«Mas livrai-nos do mal». Nesta petição, o mal não é uma abstração, mas designa uma pessoa, Satanás, o Maligno, o anjo que se opõe a Deus. O «Diabo» («dia-bolos») é aquele que «se atravessa» no desígnio de Deus e na sua «obra de salvação» realizada em Cristo. «Assassino desde o princípio, [...] mentiroso e pai da mentira» (Jo 8,44), «Satanás, que seduz o universo inteiro» (Ap 12, 9), foi por ele que o pecado e a morte entraram no mundo, e é pela sua derrota definitiva que toda a criação será «liberta do pecado e da morte» (Missal Romano). «Sabemos que ninguém que nasceu de Deus peca, porque o preserva Aquele que foi gerado por Deus, e o Maligno, assim, não o atinge. Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro está sujeito ao Maligno» (1Jo 5,18-19). [...]

A vitória sobre o «príncipe deste mundo» (Jo 14,30) foi alcançada, duma vez para sempre, na «hora» em que Jesus livremente Se entregou à morte para nos dar a sua vida. Foi o julgamento deste mundo, e o príncipe deste mundo foi «lançado fora» (Jo 12,31). «Pôs-se a perseguir a Mulher» (Ap 12,13-16), mas não logrou alcançá-la: a nova Eva, «cheia da graça» do Espírito Santo, foi preservada do pecado e da corrupção da morte [...]. Então, «furioso contra a mulher, foi fazer guerra contra o resto da sua descendência» (Ap 12,17). Eis porque o Espírito e a Igreja rogam: «Vem, Senhor Jesus!» (Ap 22,17.20), já que a sua vinda nos libertará do Maligno.

Ao pedirmos para sermos libertados do Maligno, pedimos igualmente para sermos livres de todos os males, presentes, passados e futuros, dos quais ele é autor ou instigador. Nesta última petição, a Igreja leva à presença do Pai toda a desolação do mundo. Com a libertação dos males que pesam sobre a humanidade, a Igreja implora o dom precioso da paz e a graça da espera perseverante do regresso de Cristo. Orando assim, antecipa na humildade da fé a recapitulação de todos e de tudo naquele que «tem as chaves da morte e da morada dos mortos» (Ap 1,18), «Aquele que é, que era e que há-de vir, o Todo-Poderoso» (Ap 1,8).