Quarta-feira, dia 24 de Março de 2010
Quarta-feira da 5ª semana da Quaresma
Beato Diogo José de Cádiz, religioso, +1801, Santa Catarina da Suécia, virgem, religiosa, +1381
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Orígenes : «Se permanecerdes fiéis à Minha palavra, sereis realmente Meus discípulos; então conhecereis a verdade, e a verdade tornar-vos-á livres»
Leituras
Dan. 3,14-20.91-92.95.
Disse-lhes Nabucodonosor: «Chadrac, Mechac e Abed-Nego, é verdade que
rejeitais o culto aos meus deuses e a adoração à estátua de ouro erigida
por mim?
Pois bem! Estais dispostos, no momento em que ouvirdes o som da trombeta,
da flauta, da cítara, da lira, da harpa, do saltério e de qualquer outro
instrumento musical, a prostrar-vos em adoração diante da estátua que eu
fiz? Se não o fizerdes, sereis logo lançados dentro da fornalha ardente. E
qual o deus que poderá libertar-vos da minha mão?»
Chadrac, Mechac e Abed-Nego responderam ao rei Nabucodonosor: «Não vale a
pena responder-te a propósito disto.
Se isso assim é, o Deus que nós servimos pode livrar-nos da fornalha
incandescente, e até mesmo, ó rei, da tua mão.
E ainda que o não faça, fica sabendo, ó rei, que não prestamos culto aos
teus deuses e que não adoramos a estátua de ouro que tu levantaste.»
Então explodiu a fúria de Nabucodonosor contra Chadrac, Mechac e Abed-Nego;
a expressão do seu rosto mudou e levantou a voz para mandar que se
aquecesse a fornalha sete vezes mais que de costume.
Em seguida, ordenou aos soldados mais vigorosos do seu exército que
amarrassem Chadrac, Mechac e Abed-Nego, a fim de os lançar na fornalha
incandescente.
Então o rei Nabucodonosor, estupefacto, levantou-se repentinamente, dizendo
para os seus conselheiros: «Não foram três homens, atados de pés e mãos,
que lançámos ao fogo?» Responderam eles ao rei: «Com certeza».
«Pois bem replicou o rei vejo quatro homens soltos, que passeiam no meio
do fogo, sem este lhes causar mal; o quarto tem o aspecto de um filho de
Deus.»
Nabucodonosor, tomando a palavra, disse: «Bendito seja o Deus de Chadrac,
de Mechac e de Abed-Nego! Ele enviou o seu anjo para libertar os seus
servos que, confiando nele, expuseram a vida, transgredindo as ordens do
rei, antes que prostrarem-se em adoração diante de um outro deus que não
fosse o Deus deles.
Dan. 3,52-56.
«Bendito sejas, Senhor, Deus de nossos pais: digno de louvor e glória
eternamente! Bendito seja o teu nome santo e glorioso: digno de supremo
louvor e exaltação eternamente!
Bendito sejas no templo da tua santa glória: digno de supremo louvor e
glória eternamente!
Bendito sejas por penetrares os abismos,sentado sobre os querubins: digno
de supremo louvor e exaltação eternamente!
Bendito sejas no teu trono real: digno de supremo louvor e exaltação
eternamente!
Bendito sejas no firmamento dos céus: digno de supremo louvor e glória
eternamente!
João 8,31-42.
Então, Jesus pôs-se a dizer aos judeus que nele tinham acreditado: «Se
permanecerdes fiéis à minha mensagem, sereis verdadeiramente meus
discípulos,
conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres.»
Replicaram-lhe: «Nós somos descendentes de Abraão e nunca fomos escravos de
ninguém! Como é que Tu dizes: 'Sereis livres'?»
Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: todo aquele que
comete o pecado é servo do pecado,
e o servo não fica na família para sempre; o filho é que fica para sempre.
Pois bem, se o Filho vos libertar, sereis realmente livres.
Eu sei que sois descendentes de Abraão; no entanto, procurais matar-me,
porque não aderis à minha palavra.
Eu comunico o que vi junto do Pai, e vós fazeis o que ouvistes ao vosso
pai.»
Eles replicaram-lhe: «O nosso pai é Abraão!» Jesus disse-lhes: «Se fôsseis
filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão!
Agora, porém, vós pretendeis matar-me, a mim, um homem que vos comunicou a
verdade que recebi de Deus. Isso não o fez Abraão!
Vós fazeis as obras do vosso pai.» Eles disseram-lhe, então: «Nós não
nascemos da prostituição. Temos um só Pai, que é Deus.»
Disse-lhes Jesus: «Se Deus fosse vosso Pai, ter-me-íeis amor, pois é de
Deus que Eu saí e vim. Não vim de mim próprio, mas foi Ele que me enviou.
Da Bíblia Sagrada
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Orígenes (c. 185-253), presbítero e teólogo
Homilias sobre o Êxodo, n° 8 (a partir da trad. Sr Isabelle de la Source, Lire la Bible, t. 2, p. 174)
«Se permanecerdes fiéis à Minha palavra, sereis realmente Meus discípulos; então conhecereis a verdade, e a verdade tornar-vos-á livres»
«Eu sou o Senhor teu Deus que te tirei da terra do Egipto, da casa da
servidão» (Ex 20, 2). Estas palavras não se dirigem apenas aos que já
saíram do Egipto; dirigem-se sobretudo a ti que as ouves agora, se quiseres
sair do Egipto. [...] Reflecte, pois: as coisas deste mundo e as acções da
carne não serão essa casa de servidão e, ao contrário, a fuga às coisas
deste mundo e a vida segundo Deus não serão a casa da liberdade, conforme o
que o Senhor diz no Evangelho: «Se permanecerdes na Minha palavra,
conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres»?
Sim, o Egipto é a casa de servidão; Jerusalém e a Judeia são a casa da
liberdade. Escuta o que o Apóstolo Paulo declara a este respeito [...]: «A
Jerusalém que é do alto é livre; é a mãe de todos nós» (Gal 4, 26). E, da
mesma forma que o Egipto, esta província terrestre, é chamada «casa de
servidão» para os filhos de Israel relativamente a Jerusalém e à Judeia,
que são para eles a casa da liberdade, assim também, relativamente à
Jerusalém celeste que é, pode-se dizer, a mãe da liberdade, o mundo
inteiro, com tudo o que ele contém, é uma casa de servidão. Houve outrora,
para castigo do pecado, uma passagem do paraíso da liberdade à servidão
deste mundo [...]; por isso a primeira palavra dos mandamentos de Deus diz
respeito à liberdade: «Eu sou o Senhor teu Deus que te tirei da terra do
Egipto, da casa da servidão».
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terça-feira, 23 de março de 2010
Profecia do Dia
segunda-feira, 22 de março de 2010
Profecia do Dia
Terça-feira, dia 23 de Março de 2010
Terça-feira da 5ª semana da Quaresma
S. Turíbio de Mogrovejo, bispo, +1606, Beato Marcos de Montegalo, presbítero, +1496
Comentário ao Evangelho do dia feito por
São Bernardo : «Quando tiverdes erguido ao alto o Filho do Homem, então ficareis a saber que Eu sou o que sou»
Leituras
Núm. 21,4-9.
Do monte Hor, os israelitas partiram pelo caminho do Mar dos Juncos para
contornar a terra de Edom, mas cansaram-se na caminhada.
O povo falou contra Deus e contra Moisés: «Porque nos fizestes sair do
Egipto? Foi para morrer no deserto, onde não há pão nem água, estando
enjoados com este pão levíssimo?»
Mas o Senhor enviou contra o povo serpentes ardentes, que mordiam o povo, e
por isso morreu muita gente de Israel.
O povo foi ter com Moisés e disse-lhe: «Pecámos ao protestarmos contra o
Senhor e contra ti. Intercede junto do Senhor para que afaste de nós as
serpentes.» E Moisés intercedeu pelo povo.
O Senhor disse a Moisés: «Faz para ti uma serpente abrasadora e coloca-a
num poste. Sucederá que todo aquele que tiver sido mordido, se olhar para
ela, ficará vivo.»
Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e fixou-a sobre um poste. Quando
alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze,
vivia.
Salmos 102(101),2-3.16-18.19-21.
SENHOR, escuta a minha oração e chegue junto de ti o meu clamor!
Não me ocultes o teu rosto no dia da aflição. Inclina para mim o teu
ouvido; no dia em que te invocar, responde-me sem demora!
Os povos honrarão, SENHOR, o teu nome, e todos os reis da terra, a tua
majestade.
Quando o SENHOR reconstruir Sião e manifestar a sua glória,
há-de voltar-se para a oração do indigente e não desprezará as suas
súplicas.
Escrevam-se estas coisas para as gerações futuras, e os que hão-de nascer
louvarão o SENHOR.
SENHOR observa do alto do seu santuário; lá do céu, Ele olha para a terra,
para escutar os gemidos dos cativos e livrar os condenados à morte.
João 8,21-30.
Uma outra vez, Jesus disse-lhes: «Eu vou-me embora: vós haveis de
procurar-me, mas morrereis no vosso pecado. Vós não podereis ir para onde
Eu vou.»
Então, os judeus comentavam: «Será que Ele se vai suicidar, dado que está a
dizer: 'Vós não podeis ir para onde Eu vou'?»
Mas Ele acrescentou: «Vós sois cá de baixo; Eu sou lá de cima! Vós sois
deste mundo; Eu não sou deste mundo.
Já vos disse que morrereis nos vossos pecados. De facto, se não crerdes que
Eu sou o que sou, morrereis nos vossos pecados.»
Perguntaram-lhe, então: «Quem és Tu, afinal?» Disse-lhes Jesus:
«Absolutamente aquilo que já vos estou a dizer!
Tenho muitas coisas que dizer e que julgar a vosso respeito; mas do que
falo ao mundo é do que ouvi àquele que me enviou, e que é verdadeiro.»
Eles não perceberam que lhes falava do Pai.
Disse-lhes, pois, Jesus: «Quando tiverdes erguido ao alto o Filho do Homem,
então ficareis a saber que Eu sou o que sou e que nada faço por mim mesmo,
mas falo destas coisas tal como o Pai me ensinou.
E aquele que me enviou está comigo. Ele não me deixou só, porque faço
sempre aquilo que lhe agrada.»
Quando expunha estas coisas, muitos creram nele.
Da Bíblia Sagrada
Comentário ao Evangelho do dia feito por
São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense e Doutor da Igreja
Sermão 1 para o primeiro Domingo de Novembro (a partir da trad. de Ir. Isabelle de la Source, Lire la Bible, t. 6, p. 33)
«Quando tiverdes erguido ao alto o Filho do Homem, então ficareis a saber que Eu sou o que sou»
O profeta Isaías descreve-nos uma visão sublime: «Vi o Senhor sentado num
trono alto e elevado» (Is 6, 1). Magnífico espectáculo, meus irmãos!
Felizes os olhos que o viram! Quem não desejaria, com toda a alma,
contemplar o espectáculo de tão grande glória? [...] Mas eis que ouço o
mesmo profeta contar uma outra visão desse mesmo Senhor, e bem diferente:
«Vimo-lo sem aspecto atraente: [...] nós o reputávamos como um leproso» (Is
53, 2ss. Vulg). [...]
Tu, portanto, se desejas ver Jesus na sua glória, faz primeiro por vê-l'O
na Sua humilhação. Começa por fixar os olhos na serpente que se ergueu no
deserto (cf. Jo 3, 14), se desejas ver o Rei sentado em Seu trono. Que essa
primeira visão te encha de humildade, para que a segunda te reerga da tua
humilhação. Que aquela te reprima e te cure o orgulho, antes de esta te
encher de desejo e dele te saciar. Vês como o Senhor Se esvaziou a Si mesmo
(Fil 2, 7)? Que esta visão não te deixe indiferente, se não não poderás,
sem tribulação, contemplá-l'O depois na glória da Sua exaltação.
«Seremos semelhantes a Ele», seguramente, quando O virmos «tal como Ele é»
(1 Jo 3, 2); sê-Lhe pois semelhante desde este momento, ao veres em que Se
tornou por causa de ti. Se não recusares ser-Lhe semelhante na Sua
humilhação, Ele conceder-te-á certamente o reconhecimento da Sua glória.
Jamais suportará que aquele que participou da Sua Paixão seja excluído da
comunhão na Sua glória. E tão claro é que não Se recusará a admitir conSigo
no Reino aquele que partilhou a Sua paixão, que o ladrão, porque O
confessou na cruz, com Ele se encontrou no mesmo dia no paraíso (Lc 23,
42). [...] Sim, «pressupondo que com Ele sofremos, [...] com Ele [...]
[seremos] glorificados» (Rom 8, 17).
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domingo, 21 de março de 2010
Profecia do Dia
Segunda-feira, dia 22 de Março de 2010
Segunda-feira da 5ª semana da Quaresma
Santa Catarina de Génova, viúva, +1510, S. Zacarias, papa, +752
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Santo Agostinho : A luz do mundo
Leituras
Dan. 13,1-9.15-17.19-30.33-62.
Havia um homem chamado Joaquim, que habitava na Babilónia.
Tinha desposado uma mulher de nome Susana, filha de Hilquias, muito bela e
piedosa para com o Senhor,
pois tinha sido educada pelos pais, que eram justos, de harmonia com a lei
de Moisés.
Joaquim era muito rico. Contíguo à sua casa, tinha um pomar; e com
frequência se reuniam em casa dele os judeus, pois que entre todos os seus
compatriotas gozava de particular consideração.
Tinham sido nomeados juízes, naquele ano, dois anciãos do povo. A eles
justamente se aplicava a palavra do Senhor: «A iniquidade veio da
Babilónia, de anciãos e juízes, que passavam por dirigir o povo.»
Estas duas personagens frequentavam a casa de Joaquim, onde vinham
procurá-los todos os que tinham qualquer contenda.
À hora do meio-dia, quando toda esta gente se tinha retirado, Susana ia
passear para o jardim do marido.
Os dois anciãos viam-na todos os dias, por ocasião do passeio, de maneira
que a sua paixão se acendeu por ela.
Perderam a justa noção das coisas, afastaram os olhos para não olharem para
o céu e não se lembrarem da verdadeira regra de conduta.
Um dia, como de costume, chegou Susana, acompanhada apenas por duas
criadas, e preparava-se para tomar banho no jardim, pois fazia calor.
Não havia aí ninguém senão os dois anciãos que, escondidos, a espiavam.
Disse às jovens: «Trazei-me óleo e unguentos e fechai as portas do jardim,
para eu tomar banho.»
Logo que elas saíram, os dois homens precipitaram-se para junto de Susana
e disseram-lhe: «As portas do jardim estão fechadas, ninguém nos vê. Nós
ardemos de desejo por ti. Aceita e entrega-te a nós.
Se não quiseres, vamos denunciar-te. Diremos que um rapaz estava contigo e
que foi por isso mesmo que tu mandaste embora as criadas.»
Susana bradou angustiada: «Estou sujeita a aflições de todos os lados! Se
faço isso, é para mim a morte. Se não o faço, nem mesmo assim vos
escaparei.
Mas é preferível para mim cair em vossas mãos sem ter feito nada, do que
pecar aos olhos do Senhor.»
Susana, então, soltou altos gritos e os dois anciãos gritaram também com
ela.
E um deles, correndo para as portas do jardim, abriu-as.
As pessoas da casa, ao ouvirem esta gritaria, precipitaram-se pela porta
traseira para ver o que tinha acontecido.
Logo que os anciãos falaram, os criados coraram de vergonha, pois jamais se
tinha dito coisa semelhante de Susana.
No dia seguinte, os dois anciãos, dominados pelo desejo criminoso contra a
vida de Susana, vieram à reunião que tinha lugar em casa de Joaquim, seu
marido.
Disseram diante de toda a gente: «Que se vá procurar Susana, filha de
Hilquias, a mulher de Joaquim!» Foram procurá-la.
E veio com os seus pais, os filhos e os membros da sua família.
Choravam todos os seus, assim como todos os que a conheciam.
Os dois anciãos levantaram-se diante de todo o povo e puseram a mão sobre a
cabeça de Susana,
enquanto ela, debulhada em lágrimas, mas de coração cheio de confiança no
Senhor, olhava para o céu.
Disseram então os anciãos: «Quando passeávamos a sós pelo jardim, entrou
ela com duas criadas; e depois de ter fechado as portas, mandou embora as
criadas.
Então, um jovem, que estava lá escondido, aproximou-se e pecou com ela.
Encontrávamo-nos a um canto do jardim. Perante semelhante atrevimento,
corremos para eles e surpreendemo-los em flagrante delito.
Não pudemos ter mão no rapaz, porque era mais forte do que nós, abriu a
porta e escapou-se.
A ela apanhámo-la; mas, quando a interrogámos para saber quem era esse
rapaz,
recusou responder-nos. Somos testemunhas disto.» Dando crédito a estes
homens, que eram anciãos e juízes do povo, a assembleia condenou Susana à
morte.
Esta, então, em altos brados disse: «Deus eterno, que sondas os segredos,
que conheces os acontecimentos antes que se dêem,
Tu sabes que proferiram um falso testemunho contra mim. Vou morrer sem ter
feito nada daquilo que maldosamente inventaram contra mim.»
Deus ouviu a sua oração.
Quando a conduziam para a morte, o Senhor despertou a alma límpida de um
rapazinho, chamado Daniel,
que gritou com voz forte: «Estou inocente da morte dessa mulher!»
Toda a gente se voltou para ele e disse: «Que é que isso quer dizer?»
E, dirigindo--se para o meio deles, afirmou: «Israelitas! Estais loucos,
para condenardes uma filha de Israel, sem examinardes nem reconhecerdes a
verdade?
Recomeçai o julgamento, porque é um falso testemunho o que estes dois
homens declararam contra ela.»
O povo apressou-se a voltar. Os anciãos disseram a Daniel: «Vem, senta-te
no meio de nós e esclarece-nos, porque Deus te deu maturidade!»
Bradou Daniel: «Separai-os para longe um do outro e eu os julgarei.»
Separaram-nos. Daniel, então, chamou o primeiro e disse-lhe: «Velho
perverso! Eis que se manifestam agora os pecados que cometeste outrora em
julgamentos injustos,
ao condenares os inocentes, absolvendo os culpados, quando o Senhor disse:
'Não farás com que morra o inocente ou o justo.'
Vamos! Se realmente os viste, diz-nos debaixo de que árvore os viste
entreterem-se um com o outro.» «Sob um lentisco.» respondeu.
Retorquiu Daniel: «Pois bem! Aí está a mentira, que pagarás com a tua
cabeça. Eis que o anjo do Senhor, conforme a sentença divina, te vai rachar
a meio!»
Afastaram o homem, e Daniel mandou vir o outro e disse-lhe: «Tu és um filho
de Canaã e não um judeu. Foi a beleza que te seduziu e a paixão que te
perverteu.
É assim que sempre tendes procedido com as filhas de Israel, que, por medo,
entravam em relação convosco. Uma filha de Judá, porém, não consentiu na
vossa perversidade.
Vamos, diz-me: sob que árvore os surpreendeste em atitude de se unirem?»
«Sob um carvalho.»
Respondeu Daniel: «Pois bem! Também tu forjaste uma mentira que te vai
custar a vida. Eis que o anjo do Senhor, de espada em punho, se dispõe a
cortar-te ao meio, para vos aniquilar.»
Logo a multidão deu grandes brados, e bendizia a Deus que salva os que põem
nele a sua esperança.
Toda a gente, então, se insurgiu contra os dois anciãos que Daniel tinha
convencido de falso testemunho, pelas suas próprias declarações e
deu-se-lhes o mesmo tratamento que eles tinham infligido ao seu próximo.
De harmonia com a lei de Moisés, mataram-nos. Deste modo, foi poupada
naquele dia uma vida inocente.
Salmos 23(22),1-6.
O SENHOR é meu pastor: nada me falta.
Em verdes prados me faz descansar e conduz me às águas refrescantes.
Reconforta a minha alma e guia me por caminhos rectos, por amor do seu
nome.
Ainda que atravesse vales tenebrosos, de nenhum mal terei medo porque Tu
estás comigo. A tua vara e o teu cajado dão me confiança.
Preparas a mesa para mim à vista dos meus inimigos; ungiste com óleo a
minha cabeça; a minha taça transbordou.
Na verdade, a tua bondade e o teu amor hão de acompanhar me todos os dias
da minha vida, e habitarei na casa do SENHOR para todo o sempre.
João 8,12-20.
Jesus falou-lhes novamente: «Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não
andará nas trevas, mas terá a luz da vida.»
Disseram-lhe, então, os fariseus: «Tu dás testemunho a favor de ti mesmo: o
teu testemunho não é válido.»
Jesus respondeu-lhes: «Ainda que Eu dê testemunho a favor de mim próprio, o
meu testemunho é válido, porque sei donde vim e para onde vou. Vós é que
não sabeis donde venho nem para onde vou.
Vós julgais segundo critérios humanos; Eu não julgo ninguém.
Mas, mesmo que Eu julgue, o meu julgamento é verdadeiro, porque não estou
só, mas Eu e o Pai que me enviou.
Na vossa Lei está escrito que o testemunho de duas pessoas é válido;
sou Eu a dar testemunho a favor de mim, e também dá testemunho a meu favor
o Pai que me enviou.»
Perguntaram-lhe, então: «Onde está o teu Pai?» Jesus respondeu: «Não me
conheceis a mim, nem ao meu Pai. Se me conhecêsseis, conheceríeis também o
meu Pai.»
Jesus pronunciou estas palavras junto das caixas das ofertas, quando estava
a ensinar no templo. E ninguém o prendeu, porque ainda não tinha chegado a
sua hora.
Da Bíblia Sagrada
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Santo Agostinho (354-430), Bispo de Hipona (Norte de África) e Doutor da Igreja
Sermões sobre o Evangelho de João, n°34 (a partir da trad. de Véricel, O Evangelho Comentado, p. 223)
A luz do mundo
As palavras do Senhor: «Eu sou a luz do mundo» são claramente, na minha
opinião, para aqueles que têm olhos que lhes permitem tomar parte dessa
luz; mas aqueles que só têm os olhos do corpo admiram-se de ouvir Nosso
Senhor Jesus Cristo dizer: «Eu sou a luz do mundo». Talvez haja mesmo
alguns que dizem para si próprios: Não será Cristo este sol que, ao nascer
e ao pôr-se, determina o dia? [...] Não, Cristo não é esse sol. O Senhor
não é o sol que foi criado, mas Aquele por Quem o sol foi criado. «Por Ele
é que tudo começou a existir; e sem Ele nada veio à existência» (Jo 1, 3).
Ele é, pois, a luz que criou esta luz que vemos. Amemos esta Luz,
compreendamo-la, desejemo-la, para chegarmos um dia junto dela, conduzidos
por ela, e para vivermos nela de forma a nunca mais morrermos. [...]
Vedes, portanto, meus irmãos, vedes, se tendes olhos que vêem as coisas da
alma, que luz é esta da qual o Senhor declara: «Quem Me segue não anda nas
trevas». Segui este sol e veremos se não caminhareis nas trevas; pois eis
que ele se eleva e avança na vossa direcção e, seguindo o seu caminho se
dirige-se para ocidente. Mas tu deves caminhar para o sol nascente, que é
Cristo.
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